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Modernização da gestão: trabalho de Gerdau começa a aparecer

23 de janeiro de 2012 0

O que a ministra Gleisi Hoffmann apresenta hoje, em Brasília, na reunião de ministros, é o primeiro efeito mais visível do trabalho da Câmara de Gestão, Desempenho e Competitividade (CGDC). O órgão, comandado pelo empresário gaúcho Jorge Gerdau, tem o objetivo de implantar técnicas modernas de gestão no governo federal, sempre tão avesso a mudanças nessa direção. A chefe da Casa Civil vai mostrar um sistema através do qual a Presidência da República passa a monitorar metodologicamente os projetos dos ministérios. É um antídoto para a sobreposição de pautas que incomoda todo o gestor público, bem como para a falta de resultado que se constata na maioria das áreas.

Os ganhos numéricos são incontestáveis. Quando um projeto de gestão é executado com boa técnica e habilidade política, normalmente a consequência congrega menos gastos e melhores serviços para a população. Calcula-se em 14 bilhões de reais os ganhos com aumento de receita e corte de despesas em programas de choque de gestão realizados em onze governos estaduais e oito municípios, por intermédio de Gerdau. É um retorno 200 vezes maior do que o valor investido nos projetos de consultoria. E detalhe: os governos são de todas as matrizes ideológicas, de Aécio Neves a Eduardo Campos.

Em entrevista a uma edição de novembro da revista Exame, Gerdau relatou o interesse pessoal da presidente Dilma por esses modelos. Ambos se conheciam desde o governo Collares em Porto Alegre, mas uma aproximação maior se solidificou quando ela presidiu o conselho de administração da Petrobras, do qual Gerdau fazia parte, durante o governo Lula. “Tive uma relação muito próxima. As reuniões eram mensais e duravam sete horas. Percebemos que tínhamos opiniões convergentes sobre temas de gestão”, disse ele à publicação.

Convidado para ser ministro, o empreendedor gaúcho recusou. A Câmara foi uma forma encontrada por ele para ser um livre colaborador, sem ascensão hierárquica sobre qualquer agente do governo, mas com acesso direto à presidente da República. Mesmo com um trabalho silencioso e resultados vagarosos, dada a resistência de corporações e setores políticos, o órgão já agregava um valor simbólico relevante pelo simples fato de existir. Agora, parece tomar corpo uma lógica de monitoramento que até então não havia sido levada a efeito. O próprio PAC, tão propagandeado por Dilma, é muito mais uma trágica homenagem à lerdeza da área pública. As informações dão conta de que, em breve, diversos ministérios também passarão por projetos de modernização da gestão, inclusive com a contratação de consultorias externas.

É possível questionar os movimentos do “homem do aço” sob o ponto de vista ideológico, isso porque, na prática, ele se aproxima de um partido – PT – que quase sempre foi avesso a ideias desse tipo. Porém, dada sua formação de empresário, Gerdau necessariamente é um pragmático, o que explica seu gesto para além do eventual desconforto político. Sua ambientação com Dilma, de qualquer modo, pode estar dentre as notícias mais auspiciosas em relação ao futuro do governo. Basta ver até onde conseguirá ir. Adversários das suas ideias não faltarão.

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