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Marca empresarial e inspiração

24 de setembro de 2013 0

Uma marca tem a ver com identidade. E isso é muito mais do que um símbolo gráfico. Estamos falando do maravilhoso mundo das percepções humanas. Da psicologia. Da arte de inspirar. Além disso, é um ativo que também gera resultados comerciais, por mais que eventualmente não seja numericamente perceptível.

Essa percepção – ou a falta dela – divide as grandes das pequenas empresas. Não me refiro a tamanho, mas a solidez, a perenidade, a credibilidade. Hoje uma organização pode ser gigante e valer milhões, mas amanhã, ao descuidar-se de sua imagem pública, fica em risco de despedaçar-se tanto financeira quanto moralmente. Um exemplo brasileiro bem recente, de um bilionário que viu minguar sua fortuna, se enquadra nesse caso e revela o “x” da questão.

A marca é o resumo do conceito e do posicionamento de uma organização. Isso funciona para dentro, com a equipe de trabalho, e para fora, com os diferentes públicos. A sociedade de massas não permite mais que a empresa pense apenas em seu consumidor direto. Hoje os públicos são múltiplos e complexos. Os relacionamentos vão do setor público às entidades organizadas, à imprensa, aos vizinhos, aos representantes do setor, à academia e a um sem-número de atores que compõem o cotidiano de quem está no mercado.

Tratar corretamente disso exige abrir-se para as técnicas da comunicação. Sim, comunicação é uma técnica – embora muitas empresas ainda não tenham percebido isso. Continuam tratando essa dimensão com empirismo, como se fosse uma mera propaganda a ser feita pelo sobrinho que sabe desenhar direitinho. Ou pelo slogan “genial” que o chefe inventou quando estava tomando banho.

É fato: muitas empresas abordam os diferentes meandros da comunicação de maneira desconexa, sem lógica e estratégica, como se cada ação pudesse ser divorciada da outra. Como se, nesse aspecto, o profissionalismo pudesse ficar em segundo plano. Como se fosse um assunto meramente secundário do cotidiano corporativo.

Reconheço que há outro lado nessa questão. Um lado que a realidade me mostrou muitas vezes como profissional da comunicação e prestador de serviços da área através da minha empresa. Refiro-me às muitas organizações bem-sucedidas que chegaram ao sucesso comercial sem nunca terem traçado qualquer estratégia de comunicação. Impuseram-se através do esforço de produção, de comercialização e de um duro processo de conquista de mercado. São lucrativas e bem organizadas. Isso também é fato, e não tais experiências não podem ser ignoradas.

Quando sou convidado para falar sobre comunicação, especialmente para universitários, sempre cito esses exemplos. São muitos. Isso não mostra que a comunicação é dispensável, mas certamente revela que não é o único elemento relevante do processo empresarial. Sempre rejeito essa suposta salvação da lavoura centrada tão-somente numa ideia de comunicação. De nada adianta comunicar direito se a produção vai mal, se a venda está baixa ou se a administração deixa furo nas contas.

Todavia, diante de um mundo cada vez mais plano – em que as informações se movimentam de maneira mais rápida e mais fácil –, a comunicação tem crescido de importância no processo empresarial. E isso vale para empresas de todos os portes, situadas em cidades igualmente de todos os portes: grandes, médias e pequenas empresas em grandes, médias e pequenas cidades. Ninguém pode abdicar de comunicar estratégica e inteligentemente.

A marca é o estandarte de tudo isso. Mas ela não se sustenta sem a haste, sem quem a segure. Sem a base. Essa é a beleza do processo comunicacional: proteger a empresa, potencializar sua rentabilidade comercial e inspirar. Isso é muito mais do que um mero logotipo, ao contrário do que muitos ainda continuam pensando.

A propósito, caro amigo empresário, já fizeste a ti mesmo esta pergunta: quando falam de minha empresa, para além dos produtos e serviços que oferece, o que ela inspira? As respostas são bons indícios para identificar como anda a organização e sua marca. E isso é definitivo para definir a perenidade – ou não – do seu negócio.

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