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Para os que sofrem de injustiça

20 de maio de 2012 0

Para os que sofrem de injustiça – segundo A FÉ EXPLICADA, de Leo J. Trese, editora Quadrante:

“O mal é ideia do homem, não de Deus. E se o inocente e o justo têm que sofrer a maldade dos maus, a sua recompensa no final será maior; os seus sofrimentos e lágrimas nada serão em comparação com a felicidade vindoura. E, enquanto não chega esse momento, Deus guarda sempre os que o guardam em seu coração”.

Mistérios da fé

20 de maio de 2012 1

Estou lendo, nesta inspiradora manhã de domingo, enquanto minhas belas descansam de um movimentado e alegre final de semana, o livro A FÉ EXPLICADA, de Leo J. Trese.

Compartilho:

“Ninguém deve sentir-se frustrado por haver mistérios da fé. Só uma pessoa que sofra de consumada soberba intelectual pretenderá abdicar o infinito, a insoldável profundidade da natureza de Deus. [...] O ‘como’ da verdade está longe das nossas faculdades nesta vida porque nem o próprio Deus trata de nos explicar”.

Estatizar a história não é promover a verdade

18 de maio de 2012 2

Uma necessária preliminar

O debate em torno da Comissão da Verdade requer um pressuposto, uma preliminar. Porque quem se opõe à institucionalização dessa comissão tende a ser taxado por algo como saudosista da ditadura, contrário aos direitos humanos, uma espécie de alma fria insensível aos que foram vítimas daquele período.

Então, este é pressuposto: sou de fato um rapagote conservador, mas aqui não fala nenhum saudosista de ditadura de qualquer espécie – não vivi, mas também não tenho nenhuma curiosidade em viver algo próximo daquelas práticas. Também não sou filho, neto ou bisneto de militares, em que pese, se o fosse, teria igual legitimidade para opinar. Tenho asco de ditadura, nojo mesmo – seja de direita ou de esquerda, militar ou paramilitar, de ontem ou de hoje.

Então, que o leitor não trace, peço essa gentileza metodológica, uma divisão apriorística onde pretensamente, de um lado, estejam os defensores dos direitos humanos e, de outro, os seus detratores.


Estatização da verdade

Feita essa preliminar, quase maior que o mérito, vou a ele. A Comissão da Verdade propõe uma estatização da verdade, ou uma estatização da história, ou ainda uma oficialização da história.

Não há dúvida de que resta o que contar daquele período. Há cadáveres não localizados, há dados ainda desconhecidos. As falas emocionadas da presidente Dilma, ontem, e do seu ex-marido Carlos Araújo na Rádio Gaúcha, hoje pela manhã, confirmam que é preciso ampliar o conhecimento sobre aquela experiência, de modo a que ela jamais se repita.

Porém, a forma de fazer é que depõe contra a intenção. É no mínimo excêntrico: o governo, através de uma única caneta – a caneta da presidente –, convoca um grupo de sete sábios destinado a “dizer a verdade”. E eis que a verdade, como que por um toque de varinha mágica, passará a ser aquela chancelada pelo Estado, ou por aqueles seus membros designados. Mesmo respeitáveis, eles não podem avocar tal condição.


Como se conta a história?

A história se conta de maneira complexa, livre, divergente, contraditória, dialética. Por ponto e por contraponto. Não por um traço exclusivamente estatal. Abram-se aqueles arquivos todos, entreguem às universidades, aos cientistas, aos jornalistas, aos historiadores, aos antropólogos, aos legistas, aos intelectuais, aos pesquisadores e a todos quantos tenham interesse na verdade. Mas entreguem à sociedade livre, não à designação unilateral de uma pessoa ou de um pequeno grupo.

Só ditaduras estabelecem verdades oficiais de Estado em matéria de história, escreveu nesta semana o jornalista Reinaldo Azevedo. O Estado não tem o direito de impor à livre consciência das pessoas o que seja verdade e o que seja mentira em relação à história, digo eu.

Há ainda um problema técnico, de ordem temporal. Décadas depois, é tarefa hercúlea encontrar a verdade real, ou mesmo algo próximo dela. Há, pois, graves obstáculos de origem e de forma que relativizam as intenções da Comissão da Verdade proposta pela presidente Dilma.


Dois lados e revanchismo

A busca da verdade é também um ímpeto individual, fruto de um interesse de cada um para saber mais. Cada indivíduo ou organização é livre para procurar suas fontes mais críveis. E algumas delas dizem, por exemplo, que grande parte do movimento esquerdista de então não pretendia a democracia em seus primeiros movimentos, senão que outra ditadura – de inspiração cubana ou soviética. Basta analisar os documentos dos grupos de então para encontrar indícios primários nesse sentido.

Isso provavelmente ninguém dirá, bem como nada dirão em relação às vítimas militares e civis, atingidas por atentados criminosos de motivação política. Nada, porém, justifica a tortura e a utilização do aparato estatal para matar pessoas. Nada, ainda, capaz de explicar o excesso de tempo e de métodos que o regime militar levou em frente. Nada que torne aceitável, nem de longe, o que foi feito com pessoas como Carlos Araújo, que contou detalhes dolorosos de torturas e humilhações que sofreu. Nem com outros tantos que foram mortos.

Todavia, já há claras incitações de revanchismo no horizonte, conforme noticiou Zero Hora nesta matéria (clique no título para saber mais): Manifestantes protestam em frente à casa de suposto torturador de Dilma. E isso também é injustificável. Não parece ser a intenção da presidente, que repete objetivo diverso em todas as suas manifestações, mas é inegável que a iniciativa incita uma patrulha do ódio sempre pronta a atacar. São os mesmos que cantam loas para Fidel Castro e Hugo Chávez, inexpressivos no contexto social, mas sempre ávidos por uma baixaria que dê manchete. De democratas não têm nada.


Conciliação

A conciliação democrática do Brasil, se ainda está em curso, já se encontra avançado estágio de maturação. A maior prova é que uma ex-guerrilheira tornou-se, inclusive com apoio de boa parte dos militares, presidente da República. Outros tantos já foram indenizados e gozam de elevada situação social, política e financeira. E o que ainda falta saber – e falta –, cumpre à sociedade livre desvendar: historiadores, imprensa, academia, cientistas e todos quantos possam, sem a tutela estatal, trazer à tona o que ainda falta ser dito.

Frase do dia

17 de maio de 2012 2

Alguém me disse sobre outrem, mas que vale para muitos...:

“Ele é tão pobre que a única coisa que possui é dinheiro”.

Tem um avião na minha janela...

11 de maio de 2012 9

Compartilho, desde uma visão privilegiada - a janela do meu escritório -, o episódio do avião, que movimentou - ou melhor, parou - a tarde porto-alegrense. A Zero Hora está cobrindo o ocorrido.

 

 

Atualização às 15h30min: Acabaram de retirar a aeronave da Carlos Gomes. Ficaram só as asas. Ninguém havia pensado nisso antes?


Eles se jactam!

09 de maio de 2012 0

A expressão jactar foi usada por Leonel Brizola em um debate presidencial na eleição de 1989. Não vi mais ninguém que a utilizasse. Lembro que, desde que ouvi a palavra, corri para saber seu significado. E logo constatei que, como supunha, ela se empregaria em muitos casos. Vem do substantivo jactância, que para o Houaiss significa: atitude de alguém que se manifesta com arrogância e tem alta opinião de si mesmo; vaidade, orgulho, arrogância; pretensão de bravura ou altos méritos e conquistas; atitude de quem conta bravatas; fanfarrice.

Eles se jactam! Foi o que pensei novamente quando vi as fotos e os vídeos do governador Sérgio Cabral, do Rio de Janeiro, com sua trupe de amigos, curtindo momentos de deleite em Paris. Dentre eles, a propósito, figura Fernando Cavendish, dono da construtora Delta, que possui contratos robustos com o governo do mesmo estado.

A simples amizade entre empreiteiro e governante, em si mesma, não tem qualquer ilicitude. Tampouco a festa e a alegria. Mas Cabral poderia supor os riscos ao menos políticos de levar adiante, no exercício do cargo de governador, uma relação tão íntima justamente com um dos principais contratados do poder público. Bem como festas tão ostentativas, distantes e garbosas. Esqueceu, parece, tal qual se aconselhara à mulher de César, um pouco do pudor e do recato recomendado a quem exerce um cargo de tão grande destaque. Aquele festerê todo, definitivamente, não parece honesto – por mais que possa efetivamente ser.

Afora o aspecto político e moral, a patuscada parisiense tem um evidente contorno de breguice e mau gosto. Ora, não há nada mais ridículo do que ricos, ou emergentes, tendo comportamento de ostentação. É de uma pobreza espiritual inenarrável. Eles se jactam! – lembro novamente da frase de Brizola. É de uma jactância vergonhosa, por exemplo, a cena daquelas mulheres, dentre as quais a primeira-dama, ostentando sapatos Christian Louboutin que custam cerca de dez mil reais.

Num tempo em que predicados como o comedimento, a discrição e os bons modos são vistos como seres estranhos, não é de se duvidar que essa jactância toda se justifique. Porém, de um governador aprovado e estrela em ascensão na política nacional, Cabral corre o risco de ficar relegado à prateleira de políticos fanfarrões, bobocas e deslumbrados. Isso se algo mais pesado, no terreno da ilegalidade, não for descoberto, conforme tenta provar o deputado federal Anthony Garotinho, seu adversário político.

Ideologia ainda existe? – III: Ideologia a olhos vistos

03 de maio de 2012 0

O ideal é que o posicionamento em torno das grandes ideias políticas seja elemento decisivo para que pessoas se reúnam, por exemplo, em torno de um partido. Não o único elemento, mas um dos mais relevantes. E essa adesão inspira ou motiva, não é possível ignorar, grande parte dos movimentos tomados no cotidiano dos governos.

Ou alguém haverá de dizer que não há ideologia nas decisões de Hugo Chávez sob o comando da Venezuela? Ou que não havia naquelas tomadas por George Bush? Independente do mérito das escolhas, é inequívoco constatar que a formação – sim, ideológica – de ambos diz muito das escolhas feitas por eles no exercício do poder.

Também, sem muito esforço, é possível identificar que há uma direita que se organiza, por vezes, em torno de ideais liberais e, noutras, em torno de ideias conservadoras, de origem cristã. E do lado da esquerda, igualmente, é possível constatar todo um discurso e uma prática de governo inspirada no ideário marxista de materialismo e luta de classes.

Isso não é matemático e autoaplicável, mas são pensamentos que comandam e organizam ações. Tal influência é menor, todavia, no âmbito municipal, porque as necessidades costumam mais objetivas e concretas, assim como os consensos sociais.

Ideologia ainda existe? – II: Nem só de ideologia vive a política

02 de maio de 2012 0

Claro que a simples adesão a uma ideologia não significa imunidade de caráter e ações. O céu, disse o próprio Jesus, não está garantido apenas aos cristãos. Quem ignora sua mensagem também pode alcançar a eternidade. A lógica dos pensamentos políticos é a mesma: a coerência ideológica não é critério exclusivo para avaliação de postura política. Há ladrões, por exemplo, para todos os lados. Assim como há pessoas de excelente caráter, gestores competentes.

Porém, se quem vota só por ideologia tende a ficar refém de grupos e obtuso diante da realidade, quem a ignora completamente tende a não cultivar uma identidade de fundo. Isso passa a compor a geleia geral em que se transformou o sistema partidário brasileiro – onde todos se escondem e poucos se identificam. Onde o queridismo é mais palatável do que a tomada de posições. Onde ter lado virou sinônimo de algo ultrapassado e preconceituoso.

O que está superada, portanto, isto sim, é a visão de que um quadro político pode ser avaliado tão-somente por suas escolhas ideológicas. A adesão a um ideário, em si mesma, não confere alvará de bom comportamento. Os atos é que dizem mais da pessoa – é assim na vida, também é na política.

A vida segura do interior, infelizmente, virou apenas uma lembrança

29 de abril de 2012 2

Comecei a escrever este post em Casca, onde passei a Páscoa com minha família. Foi um reencontro que, nestes 17 anos morando em Porto Alegre, já vivi incontáveis vezes. Contudo, nessa última vez, havia uma considerável diferença. Eu levava comigo a bagagem mais preciosa que Deus já me concedera: minha filha. E isso não muda apenas a dinâmica da viagem, senão que tudo o que vai ao pensamento – ou aos pensieri, como se diz no nosso dialeto italiano.

Quem migra do interior para a capital tende a conviver com a constância de uma dúvida: construo minha vida lá ou aqui? Volto ou permaneço? E essa reflexão se reforçou com a paternidade. Não que haja qualquer perspectiva de mudança, mas a possibilidade, inevitavelmente, passa pela cabeça.

Não haveria como ser diferente quando, por exemplo, vemos crianças correndo com mais liberdade nas praças locais, sob o cuidado de pais despreocupados, muito mais atentos em suas conversas da roda de chimarrão. Mas, por outro lado, já não é mais possível traçar aquela linha divisória entre o pretenso mundo encantando e seguro dos pequenos municípios e o outro, perigoso e violento, da cidade grande.

Digo isso porque, naqueles dias em que lá estive, apenas para ficar nos casos mais próximo, um mercado local foi invadido por assaltantes, que agrediram o dono e levaram alguns pertences. Há poucas semanas, um empresário local ficou em cárcere privado em sua própria casa, junto com sua mulher, filhos e netos. Levaram tudo. Meu irmão, há alguns anos, sofreu um sequestro-relâmpago na frente da pacata rua em que minha família reside.

Agora, há poucos dias, duas cidadelas daquele entorno também sofreram ataques violentos. Vanini, onde morei por um tempo quando criança, passou por um assalto a banco em plena luz do dia. Em Vila Maria, cidade que faz divisa com Casca, uma vítima foi assaltada e torturada. São municípios com menos de dez mil habitantes.

É preciso olhar essa mudança com critério técnico e vontade política. Desde lá em direção aos poderes centrais, e desde esses em direção aos pequenos municípios. As comunidades não podem aceitar passivamente esse decréscimo que, em última análise, é de qualidade de vida. E quem governa precisa apresentar respostas imediatas para o que vai parecendo cada vez mais uma facilidade para a delinquência.

Clique abaixo e leia matérias da Zero Hora sobre esses últimos dois casos que citei:

Assalto a banco com reféns choca pequena cidade do Norte do RS

Ladrões torturam mulher e roubam cerca de R$ 300 mil em Vila Maria

Ideologia ainda existe? – I: A direita medrosa e o caso do PFL

27 de abril de 2012 4

Parte considerável da direita (não assumida), seja de formação liberal ou conservadora, prefere acreditar que ideologia não existe mais. Compreensível. É mais cômodo do que reconhecer a derrota cultural em curso no ambiente da opinião pública, especialmente na América Latina. Ou do que admitir desconhecimento sobre o tema – por falta de algumas horas de estudo.

A esquerda, inclusive a menos ortodoxa, aceita de bom grado essa assertiva, pois sabe que apenas serve para reforçar suas teses. Quando abdica da identidade, o adversário de ideias torna-se presa mais fácil e servil aos seus projetos de poder. Tanto que não se vê esquerdista dizendo que “ideologia não existe mais”. Especialmente nas últimas décadas, enquanto a esquerda chamava jovens para fazer formação doutrinal, a direita os reunia para batucadas, tão-somente para elas. São honrosas as exceções.

O caso do DEM demonstra esse conflito existencial mal curado. É patética a forma através da qual, para implantar uma suposta reinvenção, o partido desenhou seu próprio ocaso. E o mais exótico é que fez isso de caso pensado, contratando marqueteiro, cientista político e tudo mais. Eis que a primeira decisão foi abandonar a velha sigla PFL, demonizada pelos adversários e por boa parte dos formadores de opinião, mas que tinha muitos votos e adeptos.

Em vez de comprar a briga na opinião pública e renovar as práticas de viés corolenista da agremiação, os então liberais decidiram adotar um nome e um ideário que dialogasse com a dominação cultural em curso. E no lugar de tratar da imagem e das práticas que precisavam ser mudadas, quiseram transmutar suas ideias. Mudar o pensamento, abdicar de convicções. A começar pelo nome – Democratas –, que comunica com a esquerda norte-americana.

Os resultados evidenciam o erro estratégico: o velho PFL, agora revestido publicitariamente de ares modernosos, migra para o brejo. Faltou combinar a reinvenção com o eleitor. Virou presa ainda mais fácil para o inimigo, a quem pretendeu igualar-se – em vez de verdadeiramente renovar-se por dentro e com coerência. Figurando dentre as maiores bancadas da Câmara e do Senado há duas eleições, hoje o partido míngua. Um dado diz tudo: em 2006, tinha 65 deputados; hoje, não passa de 30.

Alguns líderes pareciam ter notado esse equívoco. Mas, há poucos dias, em comercial na TV, o Democratas gaúcho propunha a criação do “Bolsa Creche” como uma espécie de nova salvação da lavoura. Notadamente, uma tentativa pífia de comunicar algo como “olha, nós também somos sociais”, num claro rendimento ao viés de programas e discursos protagonizados por quem...? Pelo PT, justamente seu principal adversário e algoz. Tenta plantar flores em um terreno minado pelas armadilhas do seu concorrente, em vez de cuidar bem e melhor do seu próprio roseiral. É um caminho que nem diminui a força do adversário, porque não o critica, tampouco aumenta a sua, porque não demonstra identidade e originalidade. Muito menos coragem.

Datafolha: posição política do brasileiro

Os partidos de viés direitista ignoram que, em que pese os vetores de formação da opinião pública estejam dominados pela esquerda, as pesquisas identificam que parte considerável da população continua comungando de ideias conservadoras. O Datafolha, a propósito, ano a ano, mostra isso em pesquisa: os eleitores, inclusive jovens, perguntados, dizem-se mais de direita do que de esquerda. Esse potencial eleitoral é rasgado pelos partidos que poderiam comungar de tais identidades.

Seguirei com o assunto em outros posts.