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Pesquisas batem cabeça sobre prefeitura de Porto Alegre

24 de maio de 2012 1

As pesquisas são díspares em Porto Alegre até este momento e, por isso mesmo, não permitem conclusões mais precipitadas sobre favoritismo. Servem, isto sim, para concluir que há, claramente, dois protagonistas: Manuela (PC do B) e Fortunati (PDT). Disso não há dúvida. Porém, há sérias divergências, de um e outro levantamento, de um e outro instituto, sobre os números dos dois líderes.

Segundo os dados do Methodus, divulgados hoje, Manuela tem 41,3% contra 28,7% de Fortunati. Porém, o mesmo instituto, em pesquisa recente, de março, apontou que o prefeito tinha por volta de 33% contra 31% da deputada. Em dois meses, ela teria experimentado uma ascensão vertiginosa, enquanto ele teria descido pelo menos 5%;

O Ibope, por sua vez, também em março, disse que Manuela estava com cerca de 37% contra 28% de Fortunati – na mesma linha do que agora mostra o Methodus. Todavia, o Vox Populi, no começo deste mês, apontou 38% para Fortunati contra 31% para Manuela.

São três institutos críveis, mas há de se convir que alguém deve estar medindo mal. As recentes inserções de televisão podem explicar essa ascensão da comunista, mas é pouco provável que os comerciais, num período em que a eleição ainda não está na pauta da sociedade, tenham sido capazes de tão contundente crescimento. Só conjecturas e exercícios são possíveis, mas a contradição de números não permite conclusões taxativas.

A propósito: quem mais erra é a militância que sai a alarmar vitória ou derrota de um ou outro. Cantar vitória de Manuela é ignorar os bons índices de aprovação de Fortunati e o potencial de crescimento sobre a solidificação da sua gestão. Cantar vitória de Fortunati é ignorar o carisma de Manuela, que se soma ao apoio consistente da senadora Ana Amélia. Mesmo Vilaverde, de pífios resultados até agora, não pode ser descartado na disputa, pois ainda pode despertar a força dos costumeiros 20 a 25% de votos que o PT fidelizou na Capital.

Páreo aberto, abertíssimo.

Pesquisa mostra Manuela com 41,3% na Capital. Fortunati aparece com 28,7%

24 de maio de 2012 0

O Instituto Methodus acaba de divulgar nova pesquisa para a prefeitura de Porto Alegre. O levantamento foi realizado de 15 a 18 de maio de 2012. Segundo a empresa, a amostra é composta por 1.200 entrevistas, com eleitores de ambos os sexos, com idade igual ou superior a 18 anos, de diversas classes sociais e residentes no município pesquisado. A margem de erro da pesquisa é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, sobre os resultados obtidos no total da amostra.

A pesquisa está registrada no TSE sob o número:RS-00020/2012.

O principal resultado é este:

300 mil pessoas na Marcha para Jesus. E 250 na Marcha da Maconha. Adivinhe o que ganhou mais destaque?

22 de maio de 2012 7

Há notícias que parecem secundárias ao politicamente correto, inclusive ao jornalismo. A Marcha para Jesus, realizada no Rio de Janeiro, sob o comando do pastor Silas Malafaia, reuniu cerca de 300 mil cristãos. Eu disse mil – e não apenas unidades. É um público incomum para mobilizações de iniciativa social. Até mesmo as centrais sindicais têm dificuldade de juntar tanta gente.

No mesmo dia, em São Paulo e em diversas cidades do país, acontecia a Marcha da Maconha. As principais fontes dão conta de que não mais de duas mil pessoas se juntaram. Na Avenida Paulista, segundo o jornal Estadão, cerca de 250 ativistas iniciaram a concentração numa região próxima ao Masp. Isso mesmo, não mais que um quarto de milhar. O interesse da imprensa, porém, foi infinitamente superior. Basta dar um “googlada” para ver a desproporcionalidade da cobertura.

A motivação desse desequilíbrio é motivada, suspeito, pelo menos em grande parte, por preconceito contra os evangélicos. Pessoas simples, tementes a Deus, sem charme no vestir, sem causa para pedir, sem nada para invadir, sem rebeldia para exibir. Crentes do “incerto”, passionais.

É como se não existissem a um certo padrão de perspectiva pública. Ou, quando reconhecidos, são interpretados algo como seres estranhos, supostos cordeirinhos de pastores maquiavélicos. Em verdade, compõem uma maioria bem comportada, nem sempre contemplada pela dominação cultural em curso. Tementes a Deus, professam uma fé e pagam o preço de um preconceito, também discreto, que prefere ignorar uma realidade a dar a verdadeira dimensão que ela possui.

Para os que sofrem de injustiça

20 de maio de 2012 0

Para os que sofrem de injustiça – segundo A FÉ EXPLICADA, de Leo J. Trese, editora Quadrante:

“O mal é ideia do homem, não de Deus. E se o inocente e o justo têm que sofrer a maldade dos maus, a sua recompensa no final será maior; os seus sofrimentos e lágrimas nada serão em comparação com a felicidade vindoura. E, enquanto não chega esse momento, Deus guarda sempre os que o guardam em seu coração”.

Mistérios da fé

20 de maio de 2012 1

Estou lendo, nesta inspiradora manhã de domingo, enquanto minhas belas descansam de um movimentado e alegre final de semana, o livro A FÉ EXPLICADA, de Leo J. Trese.

Compartilho:

“Ninguém deve sentir-se frustrado por haver mistérios da fé. Só uma pessoa que sofra de consumada soberba intelectual pretenderá abdicar o infinito, a insoldável profundidade da natureza de Deus. [...] O ‘como’ da verdade está longe das nossas faculdades nesta vida porque nem o próprio Deus trata de nos explicar”.

Estatizar a história não é promover a verdade

18 de maio de 2012 2

Uma necessária preliminar

O debate em torno da Comissão da Verdade requer um pressuposto, uma preliminar. Porque quem se opõe à institucionalização dessa comissão tende a ser taxado por algo como saudosista da ditadura, contrário aos direitos humanos, uma espécie de alma fria insensível aos que foram vítimas daquele período.

Então, este é pressuposto: sou de fato um rapagote conservador, mas aqui não fala nenhum saudosista de ditadura de qualquer espécie – não vivi, mas também não tenho nenhuma curiosidade em viver algo próximo daquelas práticas. Também não sou filho, neto ou bisneto de militares, em que pese, se o fosse, teria igual legitimidade para opinar. Tenho asco de ditadura, nojo mesmo – seja de direita ou de esquerda, militar ou paramilitar, de ontem ou de hoje.

Então, que o leitor não trace, peço essa gentileza metodológica, uma divisão apriorística onde pretensamente, de um lado, estejam os defensores dos direitos humanos e, de outro, os seus detratores.


Estatização da verdade

Feita essa preliminar, quase maior que o mérito, vou a ele. A Comissão da Verdade propõe uma estatização da verdade, ou uma estatização da história, ou ainda uma oficialização da história.

Não há dúvida de que resta o que contar daquele período. Há cadáveres não localizados, há dados ainda desconhecidos. As falas emocionadas da presidente Dilma, ontem, e do seu ex-marido Carlos Araújo na Rádio Gaúcha, hoje pela manhã, confirmam que é preciso ampliar o conhecimento sobre aquela experiência, de modo a que ela jamais se repita.

Porém, a forma de fazer é que depõe contra a intenção. É no mínimo excêntrico: o governo, através de uma única caneta – a caneta da presidente –, convoca um grupo de sete sábios destinado a “dizer a verdade”. E eis que a verdade, como que por um toque de varinha mágica, passará a ser aquela chancelada pelo Estado, ou por aqueles seus membros designados. Mesmo respeitáveis, eles não podem avocar tal condição.


Como se conta a história?

A história se conta de maneira complexa, livre, divergente, contraditória, dialética. Por ponto e por contraponto. Não por um traço exclusivamente estatal. Abram-se aqueles arquivos todos, entreguem às universidades, aos cientistas, aos jornalistas, aos historiadores, aos antropólogos, aos legistas, aos intelectuais, aos pesquisadores e a todos quantos tenham interesse na verdade. Mas entreguem à sociedade livre, não à designação unilateral de uma pessoa ou de um pequeno grupo.

Só ditaduras estabelecem verdades oficiais de Estado em matéria de história, escreveu nesta semana o jornalista Reinaldo Azevedo. O Estado não tem o direito de impor à livre consciência das pessoas o que seja verdade e o que seja mentira em relação à história, digo eu.

Há ainda um problema técnico, de ordem temporal. Décadas depois, é tarefa hercúlea encontrar a verdade real, ou mesmo algo próximo dela. Há, pois, graves obstáculos de origem e de forma que relativizam as intenções da Comissão da Verdade proposta pela presidente Dilma.


Dois lados e revanchismo

A busca da verdade é também um ímpeto individual, fruto de um interesse de cada um para saber mais. Cada indivíduo ou organização é livre para procurar suas fontes mais críveis. E algumas delas dizem, por exemplo, que grande parte do movimento esquerdista de então não pretendia a democracia em seus primeiros movimentos, senão que outra ditadura – de inspiração cubana ou soviética. Basta analisar os documentos dos grupos de então para encontrar indícios primários nesse sentido.

Isso provavelmente ninguém dirá, bem como nada dirão em relação às vítimas militares e civis, atingidas por atentados criminosos de motivação política. Nada, porém, justifica a tortura e a utilização do aparato estatal para matar pessoas. Nada, ainda, capaz de explicar o excesso de tempo e de métodos que o regime militar levou em frente. Nada que torne aceitável, nem de longe, o que foi feito com pessoas como Carlos Araújo, que contou detalhes dolorosos de torturas e humilhações que sofreu. Nem com outros tantos que foram mortos.

Todavia, já há claras incitações de revanchismo no horizonte, conforme noticiou Zero Hora nesta matéria (clique no título para saber mais): Manifestantes protestam em frente à casa de suposto torturador de Dilma. E isso também é injustificável. Não parece ser a intenção da presidente, que repete objetivo diverso em todas as suas manifestações, mas é inegável que a iniciativa incita uma patrulha do ódio sempre pronta a atacar. São os mesmos que cantam loas para Fidel Castro e Hugo Chávez, inexpressivos no contexto social, mas sempre ávidos por uma baixaria que dê manchete. De democratas não têm nada.


Conciliação

A conciliação democrática do Brasil, se ainda está em curso, já se encontra avançado estágio de maturação. A maior prova é que uma ex-guerrilheira tornou-se, inclusive com apoio de boa parte dos militares, presidente da República. Outros tantos já foram indenizados e gozam de elevada situação social, política e financeira. E o que ainda falta saber – e falta –, cumpre à sociedade livre desvendar: historiadores, imprensa, academia, cientistas e todos quantos possam, sem a tutela estatal, trazer à tona o que ainda falta ser dito.

Frase do dia

17 de maio de 2012 3

Alguém me disse sobre outrem, mas que vale para muitos...:

“Ele é tão pobre que a única coisa que possui é dinheiro”.

Tem um avião na minha janela...

11 de maio de 2012 9

Compartilho, desde uma visão privilegiada - a janela do meu escritório -, o episódio do avião, que movimentou - ou melhor, parou - a tarde porto-alegrense. A Zero Hora está cobrindo o ocorrido.

 

 

Atualização às 15h30min: Acabaram de retirar a aeronave da Carlos Gomes. Ficaram só as asas. Ninguém havia pensado nisso antes?


Eles se jactam!

09 de maio de 2012 0

A expressão jactar foi usada por Leonel Brizola em um debate presidencial na eleição de 1989. Não vi mais ninguém que a utilizasse. Lembro que, desde que ouvi a palavra, corri para saber seu significado. E logo constatei que, como supunha, ela se empregaria em muitos casos. Vem do substantivo jactância, que para o Houaiss significa: atitude de alguém que se manifesta com arrogância e tem alta opinião de si mesmo; vaidade, orgulho, arrogância; pretensão de bravura ou altos méritos e conquistas; atitude de quem conta bravatas; fanfarrice.

Eles se jactam! Foi o que pensei novamente quando vi as fotos e os vídeos do governador Sérgio Cabral, do Rio de Janeiro, com sua trupe de amigos, curtindo momentos de deleite em Paris. Dentre eles, a propósito, figura Fernando Cavendish, dono da construtora Delta, que possui contratos robustos com o governo do mesmo estado.

A simples amizade entre empreiteiro e governante, em si mesma, não tem qualquer ilicitude. Tampouco a festa e a alegria. Mas Cabral poderia supor os riscos ao menos políticos de levar adiante, no exercício do cargo de governador, uma relação tão íntima justamente com um dos principais contratados do poder público. Bem como festas tão ostentativas, distantes e garbosas. Esqueceu, parece, tal qual se aconselhara à mulher de César, um pouco do pudor e do recato recomendado a quem exerce um cargo de tão grande destaque. Aquele festerê todo, definitivamente, não parece honesto – por mais que possa efetivamente ser.

Afora o aspecto político e moral, a patuscada parisiense tem um evidente contorno de breguice e mau gosto. Ora, não há nada mais ridículo do que ricos, ou emergentes, tendo comportamento de ostentação. É de uma pobreza espiritual inenarrável. Eles se jactam! – lembro novamente da frase de Brizola. É de uma jactância vergonhosa, por exemplo, a cena daquelas mulheres, dentre as quais a primeira-dama, ostentando sapatos Christian Louboutin que custam cerca de dez mil reais.

Num tempo em que predicados como o comedimento, a discrição e os bons modos são vistos como seres estranhos, não é de se duvidar que essa jactância toda se justifique. Porém, de um governador aprovado e estrela em ascensão na política nacional, Cabral corre o risco de ficar relegado à prateleira de políticos fanfarrões, bobocas e deslumbrados. Isso se algo mais pesado, no terreno da ilegalidade, não for descoberto, conforme tenta provar o deputado federal Anthony Garotinho, seu adversário político.

Ideologia ainda existe? – III: Ideologia a olhos vistos

03 de maio de 2012 0

O ideal é que o posicionamento em torno das grandes ideias políticas seja elemento decisivo para que pessoas se reúnam, por exemplo, em torno de um partido. Não o único elemento, mas um dos mais relevantes. E essa adesão inspira ou motiva, não é possível ignorar, grande parte dos movimentos tomados no cotidiano dos governos.

Ou alguém haverá de dizer que não há ideologia nas decisões de Hugo Chávez sob o comando da Venezuela? Ou que não havia naquelas tomadas por George Bush? Independente do mérito das escolhas, é inequívoco constatar que a formação – sim, ideológica – de ambos diz muito das escolhas feitas por eles no exercício do poder.

Também, sem muito esforço, é possível identificar que há uma direita que se organiza, por vezes, em torno de ideais liberais e, noutras, em torno de ideias conservadoras, de origem cristã. E do lado da esquerda, igualmente, é possível constatar todo um discurso e uma prática de governo inspirada no ideário marxista de materialismo e luta de classes.

Isso não é matemático e autoaplicável, mas são pensamentos que comandam e organizam ações. Tal influência é menor, todavia, no âmbito municipal, porque as necessidades costumam mais objetivas e concretas, assim como os consensos sociais.