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Aeroportos: decolam?

07 de fevereiro de 2012 0

O primeiro leilão de três dos principais aeroportos brasileiros – Guarulhos, Brasília e Viracopos (Campinas) – arrecadaram R$ 24,5 bilhões e superaram em 347% os preços básicos do edital. Com administrações profissionais, cada aeroporto com um consórcio diferente -  constituído por gente do ramo, como construtoras de rodovias, administradoras de aeroportos em outros países  e empresas de infraestrutura – a máquina pesada do Estado poderá voltar-se para o seu escopo principal: educação, saúde e segurança.

       É de se perguntar: por que não fizeram essas concessões em parcerias público-privadas antes? A Infraero, sozinha, não tem fôlego para segurar uma expansão de demanda que já supera os 25% ao ano.


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Aviso prévio

07 de fevereiro de 2012 0

Há lições para Floripa e para SC neste tipo de greve – temerária, por incontrolável e ilegal: a PM baiana recebe pisos salariais indignos, de R$ 1.900. E seu efetivo, de 31 mil soldados, tem diminuído nos últimos 10 anos, a exemplo do catarinense (11 mil PMs, para um quadro ideal de 20 mil).

       Salvador, uma cidade maravilhosa, como Floripa, sofre com a degradação assustadora nos seus níveis de segurança, a ponto de começar a ser riscada como cidade turística de ponta, concorrente do Rio e da própria Florianópolis.

       Especialistas apontam: o tráfico de drogas está acabando com uma das capitais brasileiras da cultura. As lições estão aí, boiando na superfície, como um aviso prévio.


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Ação incivil

07 de fevereiro de 2012 0

O que acontece em Salvador, Bahia, é o oposto da civilização, é a incivil ação. É o flerte com a barbárie: uma greve de forças armadas, que resulta numa explosão de violência. O “placar” muda a cada instante. Até o momento deste texto estava em 93 homicídios em cinco dias. É número de “guerra civil”, numa cidade que sediará, daqui a meses, a Copa das Confederações e a própria Copa do Mundo.

       O mais grave é a desmoralização das autoridades. O governador Jaques Wagner ameaçou o líder da manifestação, o PM Marcos Prisco, com prisão em penitenciária de segurança máxima. O grevista respondeu que, em outros tempos (2001), o atual governador financiara greves do mesmo tipo. Hoje, é a oposição ao governo que também aposta no “quanto pior melhor”. Um desastre.

       É a desmoralização da política inconseqüente.

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Ilha Formosa

07 de fevereiro de 2012 0

O comandante suíço-alemão Carl Gustav Seidler, capitão do [Caroline], tornou-se quase um Desterrense. Por aqui aportou nada menos do que 24 vezes, entre 1823 e 1827, transportando imigrantes alemães ao Rio Grande do Sul. Nunca deixou de fazer escala na Ilha, que chamava de Ilha Formosa. Não seria um nome tão mais adequado para a Ilha-Capital, no lugar da mal-pensada homenagem ao desafeto “Floriano”?

       Seidler amou a Ilha e tudo o que aflorava de sua superfície:

       - Chamam esta Ilha de “Jardim do Brasil”. Ela merece esse nome pela sua luxuriante vegetação, seu clima temperado e os fantásticos panoramas que oferece, de quase todos os pontos-de-vista.

       O gringo por pouco não deixou o barco que comandava, naturalizando-se ilhéu perpétuo. Em todo caso, nunca deixou de confessar sua abrasadora paixão:

       - Muito especialmente me haviam gabado a cordialidade e a gentileza dos moradores, a sociabilidade das senhoras, a barateza dos víveres e o romântico dos passeios. Ao ancorar aqui no breu da madrugada, desejei que amanhecesse mais cedo para que pudesse gozar imediatamente deste Paraíso na terra. Não tive mais sono. Como o amante impaciente e saudoso, ou como o enfermo febril, esperei no convés pelo raiar do dia.

       Finalmente uma estreita franja raiou no horizonte, prenunciando o nascer do sol. O disco dourado espalhou brilhos sobre a crista das ondas e o verde escuro dos montes surgiu ainda mais visível e mágico.

       - A Ilha era uma grande sedução. Logo arriamos os botes e, com remadas enérgicas, endireitamos para o Largo do Palácio...

       Ciumento, Seidler revelou um projeto da Inglaterra, estimulado pelo óbvio desleixo da Coroa Portuguesa. Os da pérfida “Albion” cobiçavam a Ilha de Santa Catarina e encaminharam um pedido de concessão, semelhante ao que abocanhou Hong-Kong por 99 anos.

Meu Deus! Seríamos hoje, quem sabe, uma possessão inglesa, como Barbados, como as Falklands. Ao invés de “camarão ao bafo”, “steak and kidney pie”?

O comandante suíço-alemão botou a boca no trombone. Sensibilizou o governador da Província para que pressionasse o Rio de Janeiro e o tutor de Pedro II durante a trina regência, José Bonifácio de Andrada. Foi o tutor que “vetou” o negócio, ao contrário do que teria feito D. Pedro I, como acreditava o “gringo ilhéu”.

       Passado o “perigo”, o navegador deixou escrito:

       - Fosse por D. Pedro I, o primeiro negociante do Brasil, esta Ilha já teria sido barganhada com os ingleses. Entretanto, por mais que até hoje os brasileiros se tenham deixado ludibriar pelos ingleses, têm sido bastante inteligentes para não ceder, por dinheiro ou convenção, esta belíssima Ilha de Santa Catarina...


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Lei mais seca

06 de fevereiro de 2012 0

Desde que a Lei Seca vigora no Brasil, há três anos, 600 mil brasileiros já foram flagrados dirigindo alcoolizados. Ou seja: assumiram o risco de matar seus semelhantes ao empunharem um volante como arma. Desses, 47 mil se recusaram a submeter-se ao teste do bafômetro. O máximo que aconteceu a esses transgressores, muitos deles convertidos em assassinos, foi ter a CNH apreendida e pagar uma fiança.

       Projeto para mudar a lei, criando a figura da “presunção da embriaguez”, poderá levar os motoristas espertinhos a testar o próprio bafo, ou assumir as conseqüências.


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Controles incômodos

06 de fevereiro de 2012 0

Um “detector” assim serve, por exemplo, para esclarecer porque o Tribunal de Justiça do Distrito Federal gasta com pessoal cinco vezes mais do que o Supremo. Há desembargadores ganhando mais de R$ 400 mil em “vantagens eventuais”. E um simples funcionário, analista judiciário, cujo salário é de R$ 11 mil, embolsou em dezembro nada menos do que R$ 205 mil. Um técnico, oficial administrativo, com salário de R$ 6,5 mil, levou para casa no mês de Papai Noel cerca de R$145,9 mil. Enquanto a folha do STF é de R$ 287,8 milhões, o Tribunal de Brasília “contenta-se” com R$ 1,4 bilhão – sendo o vencedor destacado desse inenarrável campeonato.


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A próxima batalha

06 de fevereiro de 2012 0

A próxima batalha jurídica a ser travada no plenário do STF, provavelmente nesta quarta-feira, incorpora a “serpente” hospedada na liminar concedida pelo ministro Ricardo Lewandowski, que questiona a aptidão do CNJ em consultar o Conselho de Controle de Atividades Financeiras, Coaf, órgão do Ministério da Fazenda que detecta movimentações inusuais em contas correntes. Todas as democracias maduramente resolvidas contam com um órgão com essa aptidão: identificar movimentação de dinheiro suspeito em contas de pessoas físicas. O Coaf existe no Brasil desde 1998 e integra um tratado internacional pactuado entre nações que desejam combater a lavagem de dinheiro sujo ou mal havido.

       Querem argüir a “inconstitucionalidade” do órgão. Ora, respeitado o sigilo das contas bancárias e preservado o nome do suspeito investigado, não há nada de errado com o Coaf.

       Quem deve temê-lo são aqueles que não saberiam explicar o intumescimento de suas contas, premiadas com uma “derrama” de dinheiro público. 


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O calor e o sofredor

06 de fevereiro de 2012 0

 Leio que no Qatar, onde acontecerá a 22ª. Copa do Mundo, depois das copas do Brasil e da Rússia, faz um calor de 54 graus durante o dia. Por isso os estádios serão climatizados. E os sheiks já se comprometeram a climatizar as ruas! Dinheiro, lá naqueles emirados, como se sabe, não é problema. Com não se pode climatizar a “atmosfera” aberta, talvez estejam pensando em refrigerar uma grande redoma, dentro da qual se abrigará a Copa e seus estádios, num clima de 23 graus.

       Depois desses primeiros dias de fevereiro, com essa canícula do Senegal, estou pensando seriamente em me mudar para o interior de uma caixa de ar condicionado, com o único consolo de que já foi muito pior sentir calor nos séculos 19 e 20.    

       Um simples “banho de mar”, por exemplo, acabava no “Conselho de Ética”. Ou nas penas das  “Posturas Municipais” do século 19. O sujeito que vestisse um prosaico “short” acabaria preso e enquadrado como um tarado, em flagrante atentado ao pudor.

Em Floripa, com um calor de “rachar catedrais”, ainda assim os hábitos não permitiam ao vivente o “refrigério” de um mergulho na baía norte.

     Ar condicionado, banho de mar e cervejota gelada. Nenhum desses três refrigérios existia naquela época. Ar condicionado eficaz é modernidade do terço final do século 20. Cerveja é um “bem” ancestral , vem lá dos tempos dos faraós – tudo bem. Mas a condição de hiper-gelada, é “complemento” que dependia da fabricação de um excelente freezer e de bons compressores.

             Quanto ao banho de mar...acreditem: era proibido.

             Imaginem um dia de calor intenso, como o de ontem, beirando os 40 graus. Tirar a camisa e correr para um mergulho era “crime municipal”. Um crime contra as “posturas”, capitulado no artigo 86 do “Código de Posturas Municipais”.

              A “Notícia Histórica de Nossa Senhora do Desterro”, de mestre Oswaldo Cabral, registra um interessante caso de banho “castigado”.

      - Na força do calor de 1857, quatro rapazes foram tomar banho de mar na Praia de Fora. Um deles era  filho do Administrador da Fazenda Provincial, Antônio Justiniano Esteves. E o garoto Esteves Júnior acabou na delegacia. Hoje empresta o seu nome à rua que termina no local do seu delito: a rua Esteves Júnior...

Pais severos eram a marca daquele século. E dizem que o jovem Esteves Júnior pôde sentir no próprio lombo o peso da mão paterna. O artigo 86 simplesmente multava  - “se fosse cidadão livre” – ou encarcerava – “se fosse escravo”,  aquele “que se pusesse nu e assim se mostrasse nas praias e nas fontes, incorrendo “em ato escandaloso” , terminantemente proibido.

   Nu era qualquer espécie de “pouca roupa”. Banhar-se sem camisa, já era estar nu...

Praia, definitivamente, não era lugar de passeio, nem de gente. Muito menos de aglomeração de pessoas seminuas. No passado, ninguém jamais conceberia a idéia de sugerir esse público refresco:

-        Vamos tomar um banho de mar!

   Era o que de mais esdrúxulo poderia acontecer a uma pessoa no verão: por-se quase nua neste marzão de Deus.

       Quando o banho de mar passou a ser tolerado, em Floripa, por volta de 1920, os banhistas entravam n’água tão vestidos quanto um padre ou uma freira, os homens em “shorts” alongados, com ridículas perneiras, as mulheres com “maiôs” que eram vestidos de tecidos atoalhados. Molhados, tornavam-se o caminho certo para uma gripe, uma pneumonia.

       Com essa “lua” que anda fazendo, contudo, nem em praia de nudista a temperatura melhora.

       Ler esta crônica, caro leitor, que vem falar de calor, só seria palatável dentro de uma caixa de gelo, como aquelas que a fábrica Hoepcke abastecia até o início dos anos 1950.

       Entre tijolos de gelo e serragem, os humanos tentavam dar à vida algum refresco.


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Sem lei

05 de fevereiro de 2012 0

  Salvador vive o que está se tornando um hábito neste Brasil sem lei. Corporações armadas como a Polícia Militar, fundadas na obediência devida pela hierarquia, com regime de constituição muito diferente das organizações civis, chantageiam uma cidade e seu povo. Nenhuma campanha salarial, por mais justa que seja, deveria admitir tamanha aberração. Resultado: em apenas 5 horas, Salvador assistiu a 13 homicídios.

       O instituto da greve no serviço público ainda não foi regulamentado pelo preguiçoso e omisso Congresso Nacional. 


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Indiferença cultural

05 de fevereiro de 2012 0

 Clama aos céus, também, a gritante falta de valorização da cultura local, cujas raízes estão desaparecendo, como constata o professor e expert em Turismo, Antônio Pereira Oliveira. “As rendeiras mais velhas morrem e não são substituídas por suas filhas, que não consideram a produção da renda um meio de sustento da família”. Tampouco há a valorização financeira e artística dos vários tipos de renda, com pontos de venda e show-room mostrando sua tradição, como acontece com a arte vidraceira da Ilha de Murano, por exemplo.

         - O mesmo ocorre com os engenhos de farinha e com as danças folclóricas, como o Boi de Mamão, que também não contam com local específico e fixo para se apresentarem aos visitantes, como acontece em várias partes do mundo.

       Terra que despreza sua própria herança, que turismo pode oferecer? 


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