1. Praia e Carnaval formam um bom par. Folia e arquibancadas até que combinam, como no futebol. O velho esporte bretão é que deu um tempo. Futebol e Carná é que não combinam. Até porque a concorrência é, reconhecidamente, desleal. Nas praias e nas passarelas, deusas seminuas; nos estádios, pernas cabeludas.
Além da praia, há o Carnaval, com as cuícas roncando mais alto que o desmoralizado apito dos juízes de futebol. E as Escolas de Samba estão cheias de graça, com suas musas de dar água na boca As musas jovens e as musas coroas, que até as cinquentonas estão bombando na Avenida.
Qualquer ensaio de escola de samba enche a arquibancada, principalmente se entre as chamadas “madrinhas” de bateria estiverem uma Sabrina Sato, uma Val Marchiori, uma Juju Salimeni, uma Andressa Soares - a mulher Melancia. Ou até inesquecíveis veteranas, como Luisa Brunet e Luma de Oliveira, sem falar na eterna rainha da Ilha, a ainda muito jovem Jaqueline Aranha.
Ai, meu Deus, a Luma. Espécie de Rainha da Luxúria, Luma adorava aparecer, fazer espuma. Mostrar a uva. Quer dizer: a modelo e empresária – não necessariamente nessa ordem – comprazia-se em mostrar ao mundo que a sua barriguinha ainda era côncava, que os seus seios se mantinham turbinados com 500 ml de silicone, que a sua “perseguida” continuava tão hígida, sedutora e arejada que merecia ser vista por toda a galera.
Ai, a Luma. Com ela, tudo se avoluma, se é que me entendem. Enquanto a galera se acostumava, o ex-maridão espumava. Ai, a Luma.
Luma continua exibicionista: mira-se no espelho, namora a própria imagem. E agora desfila até na divisão de acesso!
Em casa, Luma costuma perguntar pergunta ao fiel espectro:
– Espelho meu, haverá no mundo boazuda mais desejável do que eu?
O Espelho incentiva, gosta de ver o ex-maridão chateado, rico e enciumado:
– Vai Luma, espalha essas belezuras pela avenida!
Pois as musas “coroas estão fazendo bonito neste Carnaval. A Brunet, a Ana Hickman, a Ellen Roche, até a Rita Cadilac! Todas cinquentonas – ou quase.
2. Beleza é fundamental, é verdade, até por decreto poético de Vinicius de Moraes. Mas convém não exagerar: há entre as mulheres jovens – e as nem tão jovens assim – um compromisso “mortal” com a beleza. A qualquer preço, a prazo ou à vista, mesmo ao custo da perda da identidade. Elas nem se importam em se tornar “outra pessoa”, desde que seja bela.
A nova valorização dos seios grandes não partiu da Associação de Bebês Lactentes, nem da multinacional Parmalat ou de Anita Ekberg, a “peituda” felliniana de “A Doce Vida”. Partiu de um novo senso estético que reclama mulheres mais cheinhas, assim como as Majas de Velásquez, ou as gordinhas de Peter Paul Rubens, o gênio holandês das mulheres opulentas.
Inventor do silicone em 1904 – embora com outros propósitos – o cirurgião inglês Frederick Stanley Kipping jamais imaginaria que a principal utilidade do seu invento seria… adubar a plantação de melões em hortas planas.