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Um dígito

22 de fevereiro de 2012 0

 O governo está diante de um dilema em sua meta de perseguir juros unidigitais já nos próximos dois meses, com a Selic baixando para 9,75%. Com isso, muito provavelmente terá que mexer no rendimento da tradicional Caderneta de Poupança, que se tornará atrativa até para os grandes investidores. Tendo liquidez imediata, além da  isenção de taxa de administração e IR, a poupança estará rendendo seus 7,5% ao ano (6,17% mais TR), enquanto os fundos de renda fixa tornar-se-ão menos rentáveis com a compressão dos juros.

       O problema será mexer num “cofrinho” popular em ano de eleição – ainda mais para baixar sua remuneração. O “ataque” às Cadernetas poderá ficar para depois de outubro.


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Primárias&caciques

22 de fevereiro de 2012 0

             Para modernizar esse conceito de “capitania hereditária”, os partidos precisariam do instrumento democrático que já existe em democracias mais desenvolvidas. São as “primárias”. Os candidatos não saem do bolso do colete do detentor do poder, mas de uma saudável disputa “interna corporis”. É uma “vacina” do partido contra as caciquias, os sobas e os habituais usurpadores, que abusam do QI – o dedão do “Quem Indica” – para conservar suas capitanias.

       Por que os partidos não aproveitam o ar benfazejo da Ficha Limpa para renovar sua atmosfera interna e passar a considerar a “meritocracia” partidária, dispensando o compadrio ou a vassalagem? 


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Capitanias& herdeiros

22 de fevereiro de 2012 0

 Foi-se o Carnaval, os novos foliões são os políticos e o circo eleitoral, sobre os quais se erguerá o futuro da cidade e do Estado. A Lei da Ficha Limpa exercerá, no período, o indispensável ofício de instrumento “depurador”, o que tornará a próxima eleição uma das mais “asseadas” da história da República. Alguns costumes políticos é que ainda precisam mudar: a idéia fixa de alguns potentados em “fazer o seu sucessor”. É um erro. Uma corruptela da democracia. O sujeito é titular de um mandato, já não pode ser reeleito, e pretende deixar em seu lugar um “herdeiro”.  É uma “cartilha” antiga, de “capitanias”, de apropriação patrimonialista, como se o mandato e o poder dele emanado tivesse um “dono”.


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Sempre a mais bela

22 de fevereiro de 2012 0

Respiro fundo. Tenho um nariz pequeno e por isso estiquei-o ao máximo, como o bico dos beija-flores, querendo me abastecer dos polens que levitavam na manhã de sol.

       Olhei o ostensório erguido pela natureza para guardar a Lagoa da Conceição e suas dunas. Na baía sul, contemplei o Cambirela – esse belo Himalaia da Serra do Mar -  seio empinado que dispensa recheios e espartilhos.

       Manhãs cristalinas são como a “Hora da Consagração”. Deitam luzes sobre o sacrário.  Nas primeiras horas da manhã, o tórrido verão não prejudica a sacra visão da Lagoa, como entidade de suprema beleza. “Aquele recanto de águas e terras que é um dos mais belos do Mundo”, na prosa de Virgílio Várzea.

 Olhar esse “quadro” da querência é a única endorfina que me consola neste Brasil pós-Carnavalesco. Venerar, com orgulho, as intimidades da minha terra e sentir o conforto dessa paz e desse patrimônio visual, que ninguém nos tira.

À medida que o tempo avança, a contemplação desse berçário acende nos viventes aquela indestrutível cumplicidade com “o seu lugar”, o seu recanto, o seu chinelo, o seu pijama.

É comum pedirem os homens, antes de  morrer, que trasladem seus ossos para o lugar onde viveram a infância, onde sentiram pela primeira vez o aroma das flores, onde aspiraram o oxigênio da mãe e sugaram a via láctea da primeira refeição.

E de onde vinha esse fortificante? Dos seios. Por isso prefiro os seios, como os americanos.

Claro, como bom brasileiro, ainda vivendo a  atmosfera desse recente Carnaval, não economizo um olhar sobre a dita “preferência nacional” -  aqueles dois hemisférios femininos, ao mesmo tempo curvilíneos e voluptuosos.

       Minha terra – e não falo só da Ilha, mas de toda Santa Catarina – do litoral praieiro ao oeste ondulado pelos altiplanos, é uma sucessão de seios.

O Estado é um triângulo deitado, o vértice no Peperiguaçu, lá na fronteira gringa, e a base no Atlântico, em cuja mesa o Criador serviu um “espumante” de raro sabor e pura beleza: 531 quilômetros de praias...     

Santa Catarina - assim como a Ilha que lhe é homônima - é uma beldade deitada no mapa da América do Sul. As pernas ficam no Oeste, o umbigo no Vale do Rio do Peixe. E os seios se empinam na Serra do Mar - com seus bicos intumescidos emergindo da renda azul e sensual.

Se desfilasse na avenida da beleza, a Santa & Bela Catarina seria coroada com o fácil campeonato de um  enredo eternamente vencedor.


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Carná popular

21 de fevereiro de 2012 0

Ponto para a Secretaria de Turismo da Prefeitura. O Centro Histórico e seu entorno, transformados em grande palco do Carnaval de rua, é idéia que não poderia dar errado.

       Desde que o Carnaval foi exilado da Praça XV e da Paulo Fontes que os blocos de sujos e foliões “avulsos” não brincavam com tanta alegria, mudando o rosto do tríduo na Ilha e devolvendo-lhe a espontaneidade.


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Reciprocidade

21 de fevereiro de 2012 0

             Pelo menos oito catarinenses foram barrados neste início de ano pela imigração espanhola do Aeroporto de Barajas, em Madri. Mesmo com a crise européia, não se admite o “método” utilizado pelas truculentas autoridades. Confinam os recém-desembarcados, reviram seus pertences e conferem as exigências da recepção: mil euros, hotéis pré-pagos, declaração de espanhóis “responsáveis” pelos visitantes. “Prendem” os brasileiros num quartinho, sem direito a refeições e os deportam no primeiro voo para a América do Sul.

       O Itamaraty já marcou o dia 1. de março para que passem a vigorar, sem o seu lado cruel, as mesmas regras para a recepção de espanhóis nos aeroportos brasileiros. Interessante: empresas como o banco espanhol Santander salvam-se da crise com a poupança do povo brasileiro. E lá, tratam os nacionais como lixo importado. Reciprocidade neles.


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Narcopaís

21 de fevereiro de 2012 0

Aprovada em 2006, a lei de entorpecentes endureceu a punição a traficantes, com a pena mínima subindo de 3 para cinco anos. O objetivo era ser implacável com o tráfico e abrandar a tipificação do usuário, visando a sua recuperação.

       Com um “presente” pré-carnavalesco, o Senado baixou resolução suspendendo parte da lei, em decisão tomada a pedido do STF, que se arrependeu de proibir a troca da pena por trabalhos comunitários. Agora, os “pequenos traficantes” não ficarão mais presos, cumprindo penas alternativas.

       É um grave retrocesso. Como se fosse possível medir o “pequeno traficante”, diferenciando-o do grande. Todo pequeno comerciante de drogas é um projeto de “grande traficante”, infelicitando a família brasileira. Políticos e autoridades judiciárias acabam de legalizar o tráfico, desde que “pequeno”. Alguém duvida do uso da nova lei pelos cartéis?

       É a “meia gravidez” aplicada ao tráfico – monumento à impunidade que poderá transformar o Brasil numa narcorepública, como o México.


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Tias no samba

21 de fevereiro de 2012 0

1.  Praia e Carnaval formam um bom par. Folia e arquibancadas até que combinam, como no futebol. O velho esporte bretão é que deu um tempo. Futebol e Carná é que não combinam. Até porque a concorrência é, reconhecidamente, desleal. Nas praias e nas passarelas, deusas seminuas; nos estádios, pernas cabeludas.

Além da praia, há o Carnaval, com as cuícas roncando mais alto que o desmoralizado apito dos juízes de futebol. E as Escolas de Samba estão cheias de graça, com suas musas de dar água na boca As musas jovens e as musas coroas, que até as cinquentonas estão bombando na Avenida.

Qualquer ensaio de escola de samba enche a arquibancada, principalmente se entre as chamadas “madrinhas” de bateria estiverem uma Sabrina Sato, uma Val Marchiori, uma Juju Salimeni, uma Andressa Soares -  a mulher Melancia. Ou até inesquecíveis veteranas, como Luisa Brunet e Luma de Oliveira, sem falar na eterna rainha da Ilha, a ainda muito jovem Jaqueline Aranha.  

Ai, meu Deus, a Luma. Espécie de Rainha da Luxúria, Luma adorava aparecer, fazer espuma. Mostrar a uva. Quer dizer: a modelo e empresária – não necessariamente nessa ordem – comprazia-se em mostrar ao mundo que a sua barriguinha ainda era côncava, que os seus seios se mantinham turbinados com 500 ml de silicone, que a sua “perseguida” continuava tão hígida, sedutora e arejada que merecia ser vista por toda a galera.

Ai, a Luma. Com ela, tudo se avoluma, se é que me entendem. Enquanto a galera se acostumava, o ex-maridão espumava. Ai, a Luma.

Luma continua exibicionista: mira-se no espelho, namora a própria imagem. E agora desfila até na divisão de acesso!

Em casa, Luma costuma perguntar pergunta ao fiel espectro:

– Espelho meu, haverá no mundo boazuda mais desejável do que eu?

O Espelho incentiva, gosta de ver o ex-maridão chateado, rico e  enciumado:

– Vai Luma, espalha essas belezuras pela avenida!

Pois as musas “coroas estão fazendo bonito neste Carnaval. A Brunet, a Ana Hickman, a Ellen Roche, até a Rita Cadilac! Todas cinquentonas – ou quase.


2. Beleza é fundamental, é verdade, até por decreto poético de Vinicius de Moraes. Mas convém não exagerar: há entre as mulheres jovens – e as nem tão jovens assim – um compromisso “mortal” com a beleza. A qualquer preço, a prazo ou à vista,  mesmo ao custo da perda da identidade. Elas nem se importam em se tornar “outra pessoa”, desde que seja bela.

A nova valorização dos seios grandes não partiu da Associação de Bebês Lactentes, nem da multinacional Parmalat ou de Anita Ekberg, a “peituda” felliniana de “A Doce Vida”. Partiu de um novo senso estético que reclama mulheres mais cheinhas, assim como as Majas de Velásquez, ou as gordinhas de Peter Paul Rubens, o gênio holandês das mulheres opulentas.

 Inventor do silicone em 1904 – embora com outros propósitos – o cirurgião inglês Frederick Stanley Kipping jamais imaginaria que a principal utilidade do seu invento seria… adubar a plantação de melões em hortas planas.


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Os amigos torcem

20 de fevereiro de 2012 0

       O escritor Salim Miguel, uma “cordilheira” da literatura catarinense e brasileira, compunha seu romance mais surpreendente, em obra que está sendo ilustrada por seu amigo artista plástico, Tércio da Gama, quando sofreu um acidente caseiro e necessitou de uma intervenção neurocirúrgica.

       Seu estado inspira cuidados no Hospital de Caridade, mas seu quadro é de esperançosa evolução. Os amigos torcem fervorosamente por sua plena recuperação. 


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Dez anos depois

20 de fevereiro de 2012 0

O enredo mais difícil de colocar em andamento  foi o da Protegidos da Princesa, contando a história da Guerra do Contestado, com suas vertentes épicas, religiosas, místicas, econômico-sociais, num magnífico desfile que – a despeito dos problemas com um carro alegórico – pode levar a “Princesa” ao título, o que não acontece há 10 anos.

       De parabéns toda a Escola, a autora Martha Fernandez Gonzaga e o carnavalesco Raphael Soares, que levaram a saga do Contestado às ruas com fantástico didatismo, num enredo que poderia, facilmente, descambar para deslizes do tipo “samba do crioulo doido”. Ao contrário: a “ópera móvel” da Protegidos teve clareza e dinamismo, com começo, meio e fim.

       A garra da “mais antiga” também foi comovente, superando um incêndio em plena avenida e, com a adversidade, “incendiando” o seu próprio show. 


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