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Liminar/jabuticaba

Liminar é “o que deve ser resolvido antes” para prevenir ou garantir direitos. O termo vem do Latim Limen – “porta, entrada”. Liminar quer dizer, pois, “desde logo, sem mais tardança, antes de qualquer outra coisa”. No Brasil, há liminares transformadas em sentenças terminativas, vigorando há 25 anos. A “porta” virou “lápide” para o sono eterno.

       Uma grave corruptela do Direito, um aleijão tipicamente brasileiro. Jabuticaba jurídica, sabor tupiniquim.


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Só aditivos

 Por que o governo não contrata uma consultoria chinesa, com aqueles mesmos experts que levantaram uma ponte oceânica de 42 quilômetros em menos de 3 anos, só para garantir a aplicação do rico dinheirinho do contribuinte na eterna restauração da ponte Hercílio Luz?

       O custo-benefício seria óbvio. Nunca se viu tantas trapalhadas como as que desempenha  a atual contratada. Parece que falta gente “do ramo” numa obra de considerável grau de complexidade, o que só denota falta de apuro técnico.   

       Parece que o único especialista da empreiteira é o advogado responsável pelos contratos de novos “aditivos”. 

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Palhaço-cidadão

 O trânsito fatalmente caótico em qualquer fim de tarde – como na quarta-feira, 18h30m, nas transversais do Terminal Trindade, que acessam a rua Lauro Linhares – poderia ter seus gargalos amenizados se houvesse um mínimo de “governança” nas ruas. O que acontece é a total “entrega” das ruas à má sorte do cidadão que paga impostos caríssimos, como IPVA e IPTU.

       Carros estacionados nos dois lados da rua secundária, e uma sinaleira inútil, cujo “abrir” e “fechar” nada significava – com o trânsito também emperrado na rua acessada - configuravam um labirinto.

       No lugar de um guarda, municipal ou estadual, “comandava” a fila um palhaço malabarista, argentino, que aproveitava a tranqueira para tentar alguns trocados.

       Os contribuintes quase se renderam à vontade de comprar o nariz do palhaço portenho. Enquanto isso, as autoridades tratam da sucessão ao governo de 2018...          


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Seria bom

Ah, seria bom se o tempo voltasse a ser previsível. Seria ótimo se no Verão houvesse sempre sol, calor e céu imaculado – não somente chuvas e trovoadas.

       Seria bom se o trânsito voltasse a ser o mesmo dos anos 1960, quando ainda era possível atravessar a rua lendo um jornal comprado na banca do Beck.

Seria bom se Coqueiros voltasse ao bucolismo de outrora, as roseiras subindo pelas paredes das casinhas brancas, tranqüilas e rústicas, a cuja sombra repousava um barco, descansava uma enxada ou jazia no coradouro uma tarrafa recém-lançada.  

       Seria muito bom se, no frescor da manhã azul, um anzol fisgasse o passado e o trouxesse para a superfície, estrebuchante como um peixe vivo, ainda elétrico no puçá. 

Seria um paru? Uma cocoroca? Um bagre ou um “biacú”?

Coqueiros exibiria palmeiras dobradas pelo vento sul, a proa de alguma canoa açoriana abrindo o mar envidraçado - que começava a se encrespar, a medida em que o vento aumentava a sua própria “respiração”.

“Homens e Algas”, de mestre Othon Gama D’Eça, mais do que um livro de contos e memórias, é um documento daquela vida à beira-mar na Coqueiros dos anos 1950-1960.

Palavras e paisagens se misturavam, texto e “aquarela” cheiravam a tinta à óleo. 

Personagens se exprimiam na língua nativa dos manés-pescadores - e o escritor combinava harmoniosamente o coloquial açoriano com a luxuosa tapeçaria de seus painéis descritivos:

       - Coqueiros, todos os verdes ao fundo. O verde áspero dos butiazeiros, o verde esguio dos canaviais, o verde reluzente das pitangueiras, o verde franjado dos cedros, o verde sombrio das laranjeiras e o verde crespo das goiabeiras, sob o vôo inquieto dos sanhaços.

Isso no tempo em que Coqueiros tinha butiás, canas, canoas, pitangas, goiabas e passarinhos. Hoje tem um trânsito pesado e uma crônica policial que já é digna de contos nada bucólicos, mais para Alfred Hitchcock do que para Othon D’Eça.

       Seria bom se a vida voltasse a ser doce (por que éramos jovens?) , apesar da amargura de James Dean – o Karl de “Vidas Amargas”, de Elia Kazan, impecável adaptação do “East of Eden”, de John Steinbeck.

       Dean era o herói de nossa rebeldia precoce, que não passava de um grande topete e do pente atravessado no calção, como se fosse uma faca.  Os jovens da Ilha pegavam o ônibus ali no Largo da Alfândega - e iam tomar banho de mar no Continente. Não se falava em “balneabilidade”, nem em “poluição”. Será que o banho era próprio? Bem, nunca peguei uma doença de pele ou vi algum cocô boiando, em mais de “trocentos” mergulhos do trampolim do Praia Clube.

       Queria muito pegar o “Gostosão” (ônibus)  – frente embutida, motor recuado, “pra dentro”, entre o motorista e os passageiros da janelinha – e nele subir outra vez a Felipe Schmidt, a rapaziada em pé no corredor, recendendo ao óleo dos bronzeadores, resposta ao Verão em curso. O trajeto incluía passagem sobre o assoalho de tábuas da ponte  - e, depois, sob a sua estrutura, na estrada de terra que serpeava até o aclive da igrejinha, ponto em que o ônibus “esvaziava”, bem em frente ao Praia Clube.

       No caminho, as casas dos pescadores mostravam, como na prosa de Othon D’Eça, “janelas besuntadas de azul, com uma data no alto  - e ranchos esguios, baixos, cobertos de folhas salitradas e canoas que cheiravam a algas e tintas frescas”...

Seria bom se o tempo voltasse. Seria.


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Natureza & preservação

             Esse pensamento “regressionista”, que quer reencontrar Adão e Eva, acaba patrocinando grandes desastres ecológicos. Como o que aconteceu na  Armação. Boicotaram um projeto da Fatma, de 2002, que previa dragagem do quebra-mar e enrocamento, com a reposição da areia da praia. O resultado todos conhecem: “bombardearam” a praia com pedras brutas.

       A natureza precisa de ajuda para se preservar. Não deve ser “imexível”. Mas “mexível” sempre que isso melhorar a vida da própria natureza. Tendo o homem como seu epicentro, até para monitorar o olho exploratório da pura cobiça.


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Uso do solo

A Ilha de Santa Catarina – e, em especial, a Lagoa da Conceição - precisa, sim, de um sério plano de uso do solo, para que o seu equilíbrio ecológico seja preservado. Deixá-la à mercê da cupidez imobiliária é um perigo. Mas enxergá-la como o último reduto de Tarzan e Jane, é outro equívoco. Por exemplo: construir uma “via expressa” pelo meio das dunas, até a Joaquina, seria impor uma cicatriz a um santuário. Mas duplicar a atual Avenida das Rendeiras, uma necessidade, soa como uma intervenção palatável e biodegradável ao meio ambiente.

       A sanidade ecológica é essencial ao mundo de hoje, mas dispensa o seu extremo, que é a “ecoteologia”. Vertente que quer regredir ao medievalismo e ao ascetismo pré-tecnológico.

       Tudo o que consegue não é “eco”, mas “caos”

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Ecologia lúcida

 A Ecologia é a ciência humana que estuda a estrutura e o desenvolvimento das comunidades “humanas” em sua relação com o meio ambiente. Há certas correntes da ecologia que não consideram o bicho homem e pregam uma regressão ao Jardim do Éden. Aí, o que geralmente acontece é a tolerância com processos invasivos e predatórios.

       O bom senso deve ser a primeira ferramenta. Querer demolir - como antecipou o colega Cacau Menezes, revelando ação do MPF -  casas e até um restaurante que funciona há 50 anos na Joaquina é mais ou menos como se os holandeses colonizadores de Nova York entrassem com uma ação para demolir o Empire State Building.

       Não há como retornar ao “statu quo ante”, a não ser como uma aberração do excesso de zelo. Metade da Ilha teria que ser demolida.


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“Modernança” e maresia

Quando a cidade e a Ilha se enchem de forasteiros, sinto a “comichão” de entoar hosanas e hinos a esta que é uma das mais belas paisagens existentes no Mundo.

Sou um ilhéu visceral, daqueles que não conseguem morar fora daqui, sem sentir e o cheiro da maresia e sem ir, pelo menos uma vez por semana, ao encontro da alma insular que se hospeda no Mercado Público ou no centrinho da Lagoa.

De todos os sentimentos humanos, nenhum é mais natural do que o amor pela aldeia, pelo vale ou pelo bairro, ou pela ilha onde vivemos os nossos primeiros anos. O berço, este lugar que é chamariz para os nossos ossos e a nossa carne, fala às nossas recordações conscientes ou inconscientes: um perfume, uma perspectiva, um eco, um bordão, um cheiro, o cheiro da terra, talvez. 

       Somos, sou, testemunha de tantas mudanças nesse lugar que mexe com os nossos sentimentos.    Pode parecer piegas, como admite o bom ilhéu. Mas pelo menos uma vez por semana não custa nada lamentar a perda das raízes “lugarenhas”. Nossa terra é aquela em que podemos conhecer nossos vizinhos, alegrar-nos com nossos progressos e afligirmo-nos com o nosso luto. É partilhar com os “comuns” o patrimônio da mesma cultura. É consolar-se com o fato de que as gerações vão passando, mas as tradições caminham junto, sem repelir certa “adaptação”.

       Dou as boas-vindas aos que chegam e, generoso, até divido com os adventícios o por-do-sol e os espelhos que refletem a beleza da Ilha. Estamos vivendo a segunda mais bela época do ano, o verão – pois o outono costuma ser ainda mais belo, com sua luz ambarina sobre o corpo sensual da Ilha-Mulher.

       Basta assistir, com devoção, ao maior espetáculo da terra, que é o nascer do sol na Lagoa da Conceição, instante em que o Todo Poderoso revive o melhor momento da Criação.

       O ideal seria a chegada do “progresso” sem” profanação”. E que os recém-chegados      

aqui encontrassem o Éden, sem conspurcá-lo.

       Melhor seria se nossos pescadores não deixassem de fiar e de lançar suas tarrafas, nossas rendeiras não abandonassem as rendas de bilro e as “tramóias” de bom crivo. E que convivessem, em paz, com os filhos da Web, a grande rede global.

       Não devemos ser ingratos, porém. O computador facilitou nossas vidas, tornou “instantânea” a comunicação universal – e já está, aos poucos, decretando o fim da telefonia fixa. Uma economia para o nosso bolso.

Aceito a “modernança”, mas admito: sou do tempo em que a única rede bem visível era a da pesca artesanal.


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Café na Ilha

A rede mundial de Cafés Starbucks – faturamento anual de US$ 11,7 bilhões e mais de 11 mil lojas apenas nos EUA – projeta dobrar o número de endereços no Brasil, passando de modestos 32 para 64, até o fim deste ano. Duas dessas lojas estão projetadas para os dois shoppings mais centrais de Floripa, o Beiramar e o Iguatemi.

       Durante décadas o Brasil exportou o seu melhor grão, só consumia café de baixa qualidade. O país está aprendendo a tomar o seu melhor café, acredita o CEO da Starbucks, Howard Schultz. O consumo de café fora de casa cresce de 15 a 20% ao ano.

Comparado com o México ( quase 400 lojas) o Brasil ainda é um bom projeto. A idéia é decolar junto com o consumo e chegar até 1.500 lojas em 2015. Vai ser café em dobradinha com o pão de queijo.


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A penca

Na primeira e provavelmente última reunião ministerial do ano, chamou a atenção a “penca” de ministros num plenário que mais parecia a arquibancada de um Fla x Flu. Compareceram 36 dos 38 ministros – e não havia cadeira para todos.

Se a presidente Dilma fizesse a caridade de extinguir a metade, nem ela daria pela falta dos ausentes.

       Tem ministra, como Ana de Holanda, da Cultura, que nunca esteve num despacho a sós com a presidente. E pode dar seu lugar à senadora Marta Suplicy sem conhecer o estofado do principal gabinete de Brasília.


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