AMANDA MUNHOZ | amanda.munhoz@diariogaucho.com.br
Precisei pular a janela dos fundos com o meu filho recém-nascido nos braços para conseguir sair de casa – desabafa Janaína da Cunha Sampaio, 30 anos. O motivo foi a inundação do terreno de sua mãe Marli da Cunha Sampaio, 59 anos, na Rua Lima e Silva, no Bairro Tijuca, em Alvorada. A professora está morando provisoriamente neste endereço.
Não é a primeira nem será a última vez que a família vê a previsão do tempo marcar chuva e se apavorar. Há um ano, a via foi contemplada com a pavimentação asfáltica. A benfeitoria veio e acabou com o sossego da vizinhança. O nível da rua ficou mais alto do que as residências. A água escorre e chega até os locais mais baixos, o pátio dos moradores, no caso.
Carro ficou do lado de fora
O problema, a princípio, era só de seus pais. Porém, de uns
dias para cá, como o seu filho nasceu, Janaína resolveu mudar-se para a casa da mãe, para receber ajuda nos primeiros cuidados do bebê. O momento que deveria ser de calmaria e destinado a corujar o pequeno Renan está sendo de muita preocupação. Com a chuvarada no feriado, o carro da família sequer conseguiu entrar no próprio pátio. Sair da casa virou missão impossível.
Sem saber como escapar da água que invadiu os cômodos, a mãe agarrou o filho nos braços e correu para a janela que dá para a casa dos fundos.
– Ele tinha 13 dias de vida e pulamos pela janela, não havia outra alternativa para sair dali – lembra.
Contenção dificulta entrada da água
Com medo que, mais uma vez, o destino dos móveis seja o lixo, Marli fez um contenção de concreto nas portas. Quem entra na casa da família precisa pular obstáculo.
– Já perdemos sofá, guarda-roupa, cozinha. Tomamos essa providência, mas a água entrou de qualquer forma – relata Marli.
Ela garante que a vizinhança procurou a prefeitura e de nada adiantou.
A conta é do dono
O secretário de Obras da prefeitura, José Luís Corrêa, informa que o nivelamento de terrenos com a via pública é de responsabilidade do proprietário. Esclarece também que entre as obras que estão sendo executadas naquela via estão as do PAC, feitas para melhorar a vazão da água.
Ele acredita que com a conclusão, mesmo para os terrenos situados abaixo do nível da rua, a situação melhore significativamente.


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