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Posts de julho 2012

Crateras lunares da Rua Espanha

31 de julho de 2012 0

Lisiane Lisboa
lisiane.lisboa@diariogaucho.com.br

Bem diferente do que se pode imaginar do país europeu de mesmo nome, a Rua Espanha, no Bairro Espírito Santo, em Cachoeirinha, está coberta por barro e buracos.

A moradora Élia Ivone Otto Lopes, 57 anos, colocou a casa à venda por não aguentar o transtorno diário.

- Em dias de chuva, é um terror. Parece as crateras da lua. Os carros passam e ficam atolados - reclama a aposentada.

O filho, Alexsandro Otto Lopes, 34 anos, presenciou as reuniões do Orçamento Participativo (OP) no ano passado. De acordo com o relato do frentista, a pavimentação foi aprovada, mas nenhuma melhoria foi prevista.

O trecho sem saída no qual a família Lopes mora é uma extensão da Rua Espanha. Tem aproximadamente 800 metros, e paralelepípedos em 500 metros. O restante é coberto por terra densa e vermelha e crateras profundas, prejudicando a passagem de carros e pedestres.

- O carro do meu filho quase estragou. Para sair de casa, só com sapato velho. Colocar tênis branco é pedir para ter prejuízo - ironiza Élia, que mora no local há quatro anos.

Nome da rua não é reconhecido

Muitos moradores conhecem a via como Nova Espanha. No entanto, a prefeitura de Cachoeirinha esclarece que o trecho é uma extensão da Rua Espanha, sem registros oficiais de nomenclatura.

- Sendo velha ou nova, o que queremos é asfalto. Não podemos ficar esquecidos, só porque o trecho é pequeno. Existem dezenas de moradores aqui - reivindica Alexsandro.

- Asfalto até o final do ano - A Secretaria de Obras de Cachoeirinha informa que a Rua Nova Espanha está dentro do roteiro de pavimentação a ser cumprido ainda em 2012, pois foi votada em 2011 e escolhida pelos moradores da região como demanda prioritária do OP.


Um reencontro abençoado entre padrinho e afilhada

30 de julho de 2012 0
Lisiane Lisboa
lisiane.lisboa@diariogaucho.com.br

A jovem Savana da Luz Castro, 17 anos, não lembrava do rosto do padrinho que a batizou na Capela Menino Jesus de Praga, na Lomba do Pinheiro. Ao lado da madrinha, Sandra Martins, falecida em 2004, estava Paulo Ricardo Duarte Peralta, 49 anos. Passados 16 anos da cerimônia, por força do destino, padrinho e afilhada tomaram rumos diferentes e nunca mais se viram.

Nas conversas com a mãe, Irene Beatriz Castro, 58 anos, ela falava sobre a aflição de não ter mais contato com o homem que lhe abençoou na igreja, seguindo o ritual com a água benta. Decidiu, então, escrever para a seção Onde Anda Você? e aguardar notícias.

- Ao tocar o telefone, surpresa e emoção

Após a publicação, o primeiro contato que Savana teve com a família do dindo foi com Ana Paula Peralta, 25 anos, filha de Paulo Ricardo.

- Chorei de emoção quando soube que a gente ia se reencontrar - lembrou a moradora do Bairro Lomba do Pinheiro.

Quando o padrinho ligou para marcar o encontro, o coração disparou. De Casca, no Norte do Estado, Paulo foi até a Lomba do Pinheiro para abraçar a saudosa afilhada.

- Prometemos que não vamos ficar tanto tempo afastados. A internet ajuda o contato mais frequente, mas visitas não têm preço - emocionou-se Paulo.

Ele conta que precisou viajar para outra cidade por conta do emprego. Por isso, se afastou dos compadres e de Savana.

– Pensava em reencontrá-los todos os dias, mas não tinha ideia como fazer. É uma alegria saber que essas coisas acontecem de verdade, não é só em novela - comenta.

Juntos, Savana e Paulo planejam novos momentos de afeto. As expectativas da menina foram superadas depois de dar um abraço apertado no dindo:

- Ele é uma figura importante para o meu crescimento. É muito amoroso e se preocupou com os meus estudo. Era exatamente isso que eu esperava dele.

A origem dos dindos

A doutrina católica afirma que a origem dos padrinhos de batismo remonta aos primeiros tempos da Igreja, há mais de 2 mil anos, quando os pagãos se convertiam e recebiam o Batismo e, assim, a vida espiritual.

Além dos pais biológicos, havia pessoas que não eram parentes, mas tinham a responsabilidade de ensinar os caminhos da vida aos pagãos convertidos. Pelos padrinhos, eram levados à pia batismal.

Os dindos, como são carinhosamente conhecidos entre nós, são considerados pais espirituais, responsáveis, juntamente com os pais naturais, pelo crescimento intelectual e emocional do novo ser que chegou ao mundo.


Uma praça boa pra cavalo!

27 de julho de 2012 0


Lisiane Lisboa
lisiane.lisboa@diariogaucho.com

O centro de lazer dos moradores do Bairro Parque dos Eucaliptos, em Gravataí, transformou-se em campo aberto para cavalos. Há dois anos, a comerciante Gentilha da Silva Brittes, 37 anos, denuncia o abandono na Praça dos Eucaliptos, na Rua Coronel Oliveira. Ela conta que brinquedos para a diversão da gurizada foram roubados há tempos e não há manutenção da limpeza no local:

- A praça está abandonada. Os cavalos tomaram o lugar para se alimentar. Os carroceiros deixam seus animais nas árvores, não se importando com a segurança de quem mora nas proximidades.

O único espaço que identifica o lugar como uma praça é uma quadra de futebol, cercada e em boas condições. No entanto, está em desuso, pois é preciso desviar dos grandes animais que habitam a área.

- Não há jardim que aguente

Gentilha tenta manter as mudas de árvores em frente à sua residência, na Rua Pereira Neto, mas seguidamente depara com um equino amarrado nos jovens troncos plantados.

Além do transtorno da tropa, Donisete da Cunha Stuart, 43 anos, reclama da sujeira do ambiente. O lixo espalhado no entorno impressiona quem passa por ali.

Muitas reclamações foram feitas junto à prefeitura da cidade, porém, todas sem êxito.

Conforme os relatos, as discussões com os donos dos animais são constantes, o que dificulta o entendimento para a melhoria do local.

- Os moradores sentem falta de um lugar para passear. Era uma praça tão bonita, sempre cheia de gente. É uma pena vê-la nesse estado - lamenta Gentilha, moradora do bairro há nove anos.

Carroceiros já foram orientados

A Secretaria Municipal de Serviços Urbanos de Gravataí informa que os cavalos pertencem a carroceiros que moram nas imediações da praça, localizada no Parque dos Eucaliptos, que costumavam deixar os animais soltos. O grupo foi orientado a não permitir que os cavalos fiquem no local, para evitar danos. A prefeitura continua realizando trabalho de limpeza na área e insistindo na conscientização aos moradores.


Acesso? Só depois de vencer os buracos

26 de julho de 2012 1


Lisiane Lisboa
lisiane.lisboa@diariogaucho.com.br

Quem utiliza as duas pernas para caminhar não nota o problema de imediato. Porém, quem precisa do auxílio de duas rodas ao se locomover luta para subir a calçada pela rampa de cadeirantes no encontro da Rua Walter Spalding com a Avenida Ipiranga, no Bairro Azenha.

O que deveria facilitar a vida dos deficientes físicos causa insegurança aos cadeirantes, tamanha é a buraqueira do acesso.

A telefonista Aline Massoni, 31 anos, passa pelo local diariamente no caminho do trabalho. Reclama à prefeitura da Capital desde novembro do ano passado. Nos dias de chuva, ela teme não chegar em casa a salvo.

- Há alguns dias, estava chovendo e fui passar pela rampa esburacada. Minha cadeira quase virou para trás e não havia ninguém na rua para me ajudar - lembra com agonia.

- Risco de virar e cair para trás

Como Aline usa uma cadeira de rodas motorizada, tem a possibilidade de parar seu transporte ao soltar o controle. No entanto, garante que quem está sobre uma cadeira manual corre sérios riscos de cair e se machucar ao tentar subir na calçada:

- As rodas deslizam como carro atolado. Na subida, a cadeira empina e ameaça nos derrubar. Quem precisa das mãos para empurrar as rodas sofre muito mais.

Das cidades brasileiras com mais de um milhão de habitantes, Porto Alegre é a que tem maior acessibilidade. A Capital tem 23,3% dos domicílios com rampas para cadeirantes nas vias urbanas.

Aline concorda que existem muitas rampas, mas denuncia a precariedade dos acessos.

- Imagino como deve ser ruim uma cidade com menos acessibilidade. Mas não adianta fazer uma descida na calçada e não mantê-la em condições de uso - protesta Aline.

Melhoria prometida para semana que vem

Ao ser contatada pelo jornal, a Secretaria municipal de Obras e Viação (Smov) informou que a Divisão de Conservação de Vias Urbanas (DCVU) agendou os serviços de manutenção na referida rampa. A previsão é de que até a próxima semana os consertos estejam concluídos.


E dizer que era para ser de emergência...

25 de julho de 2012 0


Lisiane Lisboa
lisiane.lisboa@diariogaucho.com.br

A agonia do descaso supera a dor da patela (rótula do joelho) esquerda quebrada de Silvio Everton de Oliveira Duarte, 27 anos. O morador da Avenida Luís Pasteur, em Esteio, aguarda cirurgia desde o dia 13 de junho, quando sofreu um acidente de moto a caminho da empresa na qual trabalha, em Cachoeirinha.

Acompanhado do pai, Silvio Luiz Lopes Duarte, 56 anos, o jovem percorreu os hospitais de Cachoeirinha, Esteio e Sapucaia do Sul para encontrar um traumatologista que realizasse uma cirurgia de emergência em seu joelho. Para o desespero da família, o procedimento só foi encaminhado oito dias após o acidente, no Hospital Nossa Senhora das Graças, em Canoas. Em um primeiro momento, nenhuma previsão foi dada ao paciente, que recebeu alta com uma tala. Somente ontem, recebeu o aviso que a cirurgia foi marcada.

A revolta tomou conta do pai, que resolveu protestar por meio de uma faixa pendurada no portão com os dizeres: "Moro em Esteio há 30 anos. Meu filho está com o joelho quebrado há um mês. Está para ser operado em Canoas. Quando?"

Peregrinação durou dez dias

Após o acidente, o jovem recebeu os primeiros socorros no Hospital Padre Jeremias, em Cachoeirinha. Contudo, o serviço de traumatologista não estava disponível para encaminhar a cirurgia da fratura da patela, já diagnosticada pelos exames emergenciais de raio X na instituição. No Hospital São Camilo de Esteio também não havia especialista para atendê-lo.

Finalmente, em Canoas, no Hospital Nossa Senhora das Graças, conseguiu marcar a cirurgia.

- Meu pai é as minhas pernas. Ele não merece ser ignorado pela saúde do município onde mora - relata Silvio, que se mantém em pé com muletas emprestadas por um vizinho.

Pai teme que fiquem sequelas

Enquanto aguarda, o esteticista automotivo conta que não sente mais dor, mas assusta-se com o inchaço do joelho. O pai tenta confortar o filho dizendo-lhe que, se ele perder o movimento da perna esquerda, o mais importante é vê-lo vivo, junto aos pais, irmãos, mulher e filhos.

- Só queria que meu filho ficasse bem. Esse tempo com o osso quebrado pode causar sequelas - teme o aposentado.

Cirurgia amanhã

Por meio de sua assessoria de imprensa, o Hospital Nossa Senhora das Graças, em Canoas, confirmou que a cirurgia de fratura da patela está marcada para amanhã.

A demora foi justificada pelo fato de não conseguirem contato com o paciente pelos telefones informados. O hospital garante que o prazo de espera dos mais de 600 pacientes, para todos os tipos de cirurgia, não ultrapassa 90 dias.

- Falta verba

O secretário da Saúde de Esteio, José Antonio Silveira, afirmou que não há verba para realizar cirurgias emergenciais de traumatologia no Hospital São Camilo. Por isso, Silvio foi encaminhado à instituição de Canoas, que é referência neste tipo de procedimento na Região Metropolitana.


Quem vai garantir os passinhos da Isabelly?

20 de julho de 2012 0


Por AMANDA MUNHOZ - amanda.munhoz@diariogaucho.com.br

Com apenas três meses, Maria Isabelly Gebert da Silva já foi apresentada à burocracia e ao descaso da saúde de seu município. Atestada com o pé direito torto ainda no útero da mãe, a manicure Kayulane Francine Lopes Gebert, 20 anos, sabia da necessidade que sua filha tinha de sair do Hospital Dom João Becker, onde a menina nasceu, com gesso. Dia 11 de abril deste ano, a linda garotinha de olhos azuis nasceu.

A alegria de ter um casal de filhos - ela também é mãe de Kauê, dois anos -, logo transformou-se em preocupação. Mandaram mãe e filha para casa, sem a botinha indicada.

- Levei a ultrassonografia morfológica comigo no dia em que dei à luz. Eles sabiam que ela precisava colocar gesso - explica a moradora do Bairro Boa Vista, em Gravataí, com um olhar que revela a sua angústia.

"Às vezes, penso em desistir"

O desespero da mãe é pela estrutura que a família não tem para encarar uma situação dessas.

Nem por um instante, faltam forças para Kayulane brigar pelos direitos da filha. O problema é outro:

- A médica me disse que o pezinho poderia ir para o lugar nos primeiros três meses. Depois, é possível que precisará ser feita uma cirurgia, mas não sei se o coraçãozinho dela aguenta- lamenta a mãe, explicando que Maria Isabelly tem o arco aórtico à direita, um problema congênito raro no coração, tratado na Santa Casa de Porto Alegre.

Seguindo a orientação do hospital, Kayulane fez o encaminhamento de atendimento para a filha no posto de saúde do seu bairro logo que deu alta.

E a resposta, de lá para cá, é sempre a mesma: que não há esse especialista em Gravataí, e que a solicitação foi encaminhada à Central de Marcação de Consultas, em Porto Alegre.

- Às vezes, penso em desistir. Mas os meus filhos são tudo para mim. Sei que preciso seguir em frente - desabafa.

Ao invés de saúde, confusão e burocracia

A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Gravataí afirma que no dia 16 de maio a menina teria consulta com o ortopedista-geral do município, na Central de Especialidades Casa Amarela. Como estava hospitalizada, a consulta foi remarcada. Ocorreu no dia 6 de junho, quando Kayulane entregou os documentos solicitados. Eram necessários para o encaminhamento à uma consulta de ortopedia pediátrica em Porto Alegre. A SMS dizia, em um primeiro momento, que a mãe não havia entregue. Ontem ainda, no final da tarde, os documentos foram encontrados e encaminhados.

Kayulane garantia, o tempo todo, que havia levado os documentos solicitados. Tem em seu poder um recibo que dá conta do que afirma.

Consulta pode ser realizada logo

A Secretaria Estadual da Saúde informa que o atendimento à menina depende apenas da iniciativa da prefeitura de Gravataí. Cidades do Interior se classificam de duas formas nesta fila por marcação de consultas. Municípios pequenos são enquadrados em uma reserva técnica, que, atualmente, tem 39 crianças esperando. Gravataí, entretanto, é um município grande. Entra em outra classificação, que tem três consultas garantidas por mês. Isabelly pode ser atendida logo. Basta ser solicitado.

Opinião de médicos especialistas

Consultados pelo Diário, os médicos Carla Cabrera e Rogério Vargas, pediatra e ortopedista, respectivamente, afirmam que a menina, provavelmente, tem uma síndrome genética. Dizem que nem sempre, nesses casos, as crianças saem engessadas do hospital. No entanto, Isabelly deveria ter sido encaminhada para um ortopedista para que o planejamento do tratamento fosse feito.

- Com três meses, ainda há o que fazer sem intervenção cirúrgica. Depois dos seis meses, só a cirurgia mesmo - afirma Carla.

O hospital diz que orientou

O Hospital Dom João Becker entende que fez sua parte. Orientou a família a buscar a rede pública de saúde.

Armadilha no meio da Graça Aranha

19 de julho de 2012 0


Por AMANDA MUNHOZ - amanda.munhoz@diariogaucho.com.br

Atenção, motoristas e motociclistas! Passar pela Rua Graça Aranha, no Bairro Aparecida, em Alvorada, exige muito cuidado. Um buraco de dimensões semelhantes ao de um pneu, localizado quase na esquina com a Rua Frei Caneca, é uma armadilha para quem não sabe de sua existência e transita pelo local.

- Ele é profundo. Se uma moto passa por aqui, cai. E o condutor pode se machucar feio - alerta Ana Paula Gonçalves Muniz, 38 anos.

Moradora próxima ao problema, a empresária teme pela segurança de quem, assim como ela, usa a via quase todos os dias.

Dias de chuva: os piores

A situação teria começado há cerca de 15 dias com um buraco bem menor. Como a via é passagem de coletivos, o local, aos poucos, foi cedendo. E, hoje, está tirando o sono da vizinhança.

Os dias de chuva, segundo Ana Paula, são os mais assustadores. O local fica tomado pela água e os motoristas não conseguem escapar.

- Todos nós estamos preocupados. A cratera é bem no meio da rua, atinge os dois sentidos - confirma a moradora, alertando que o asfalto está rachado.

Pavimentação, outro problema

Mas os problemas de calçamento na região não terminam aí. Ana Paula, para chegar em casa, entra na Rua Frei Caneca, uma transversal à Graça Aranha. Dobra na primeira via à direita e, na primeira, à esquerda, até chegar à Rua E.

Nessa subida, parte do paralelepípedo não existe mais. E, mesmo que os motoristas passem bem devagar, o carro sofre.

- Meu carro está na oficina em função do desnível - desabafa.

Corsan é a responsável

O secretário de Obras e Viação, José Luís Corrêa, enviou uma equipe até a Rua Graça Aranha, que constatou serem os buracos responsabilidade da Corsan. Ele mandou um ofício em caráter emergencial para a companhia de água, solicitando conserto. Quanto à pavimentação, será providenciada a vistoria.

Resultado desastroso

Ainda na Graça Aranha, quase esquina com a Rua Vasco Alves, outro buraco ameaça a segurança dos motoristas. No entanto, esse abriu em função de um serviço realizado pela Corsan, segundo Cleiton Gonçalves, 33 anos.

- Pedi uma ligação de água e eles me cobraram pelo serviço, já que teriam de refazer o asfalto - explica o policial militar.

Passado um mês do começo da obra, o morador sequer recebeu o boleto da cobrança, e os problemas já começaram.

Exatamente onde o asfalto foi aberto e refeito - a menos de uma quadra da outra cratera -, começou a ceder.

Buracos, a herança do conserto

17 de julho de 2012 1


Por AMANDA MUNHOZ - amanda.munhoz@diariogaucho.com.br

Três buracos em uma mesma quadra na Rua Barão do Amazonas, no Bairro Partenon, sinalizam que algo deu errado na obra do Dmae, concluída há menos de dois meses no local.

Localizadas exatamente onde foram abertas pela equipe da prefeitura, as cavidades estão levando medo aos moradores, que temem que algum pedestre se machuque no local. Mesmo o problema não sendo em frente à sua casa, o aposentado Gentil da Silva, 78 anos, fez jus ao seu nome e fechou os primeiros sinais de uma erosão em frente a um terreno baldio, próximo de sua moradia.

- Fiquei com medo por quem não tem conhecimento sobre essa situação. Juntei alguns cascalhos e tapei - conta Gentil.

Segundo sua vizinha, a dona de casa Tânia Menna Barreto, 56 anos, a obra na Rua Barão do Amazonas seria um desvio na canalização de água e teria sido concluída há menos de dois meses.

Calçada de edifício nem foi fechada

Neste intervalo, Norton Fagundes Garcia, 35 anos, é um dos moradores que teme pela segurança da vizinhança e do entra e sai de carros da sua garagem. Parte da calçada abriu e foi preciso improvisar para que nada pior aconteça.

- Coloquei um pedaço de madeira ali. É bem onde os carros passam. Daqui um pouco, não conseguiremos mais passar - lamenta o analista de TI.

Logo adiante, ainda na mesma quadra, no número 2000, a calçada sequer foi totalmente consertada. As laterais estão longe da lajota clara e bonita que parte do calçamento ainda tem. A única coisa que os moradores sabem dizer é que a promessa é de que, ainda na semana passada, o problema seria resolvido. Nada feito, nem sinal.

Buracos estão alinhados

O que faz a comunidade ter certeza de que as crateras são provenientes da interferência do Dmae na região é que os buracos estão na mesma linha.

As cavidades que começaram a aparecer na calçada vizinha são exatamente na mesma linha do areal deixado na calçada do edifício de número 2000.

- E o mais interessante é que o departamento só fechou um trecho da frente das casas. Eles alegaram que têm permissão para a obra no trilho. E a parte que eles quebraram para abrir? - questiona Tânia.

Conserto nas calçadas

O Dmae informou que vai fazer as adequações necessárias nas calçadas. A obra é do Programa de Substituição de Redes de Água. A rede antiga foi trocada por material mais resistente.

Buraco teimoso vai e volta em Gravataí

13 de julho de 2012 0

Por AMANDA MUNHOZ - amanda.munhoz@diariogaucho.com.br

Impedida de entrar pela porta da frente na própria casa. Essa é a situação de Salete Dorneles Lopes, 53 anos. Moradora da Rua Adão Baino, no Bairro Morada do Vale l, em Gravataí, há mais de duas décadas, a cuidadora de idosos precisa acionar a prefeitura para que fechem a boca de lobo que, pelo menos uma vez no ano, cede e abre um buraco imenso.

Neto de Salete, Diogo Lopes Gonçalves, dez anos, sabe que precisa ter um cuidado redobrado ao entrar e sair da casa da avó.

- Mesmo ele sabendo, fico com medo, porque muitas crianças brincam por aqui. E se alguma delas cair? - questiona a moradora.

Calçada não é prioridade

Nesta última vez, a prefeitura foi até o endereço e começou o processo de  reconstrução do local. No entanto, há dois dias a cratera está aberta e os funcionários não voltaram para a conclusão da obra.

- A promessa é que viriam hoje (ontem) pela manhã, e não vieram - afirma Salete.

Sabendo que de tempos em tempos, normalmente de ano em ano, o problema retorna, já que não é executada uma boca de lobo revestida, Salete nem pensa em gastar para deixar a frente de sua casa mais bonita. O problema, há 25 anos, acompanha a família, que optou por deixar a estética de lado, e guardou o basalto e as pedras comprados para a construção da calçada.

Garagem é o único acesso

O muro, a moradora também hesitou em colocar. Mas acabou fazendo a obra. No entanto, vê que, com o passar dos anos, ele se inclina mais um pouco.

- Dei o prazo para a prefeitura que daqui a dois anos, no máximo, vou fazer a minha calçada. E não quero mais saber disso. É só eles fazerem um trabalho bem feito e pronto. Ninguém aguenta mais - desabafa a moradora, que, enquanto o problema não é totalmente resolvido, precisa entrar pelo portão da garagem sempre que o buraco volta a aparecer.

Canos trocados

A Secretaria Municipal de Obras e Viação (Smov) de Gravataí informa que já foi feita no local a troca dos canos de esgoto. Explica ainda que parte do buraco foi tapado na tarde de ontem.

Também diz que está previsto para hoje a colocação de uma nova tampa para a boca de lobo.

Água acumula e desgosta moradores na zona sul da Capital

12 de julho de 2012 2

O valo quando chove...

Por AMANDA MUNHOZ - amanda.munhoz@diariogaucho.com.br

Quando o dia é de sol, a tranquila Rua 297, da Estrada Campo Novo, no Bairro Aberta dos Morros, é um exemplo de um lugar bom de se morar. Mas quando o tempo vira e chove, Sílvio dos Santos, 27 anos, tem vontade de fugir e deixar tudo para trás. Ele sabe que não pode, que precisará, mais uma vez, encarar o alagamento da via e torcer para que a água não invada sua casa.

Na maioria das vezes, por estar em uma parte mais alta da rua, o promotor de vendas vê o problema chegar à sua porta, mas não tem maiores prejuízos. Os seus vizinhos da frente, no entanto, não têm a mesma sorte. Em dias chuvosos, eles já sabem o que vai acontecer: água pelo joelho.

Saco plástico já não funciona

Desde que mudou-se para este endereço, há três anos, Sílvio tem problemas para sair de casa quando chove.

- As sacolinhas plásticas não adiantam. Saio para trabalhar com os pés descalços e levo uma toalha. Quando chego em um lugar seco, coloco o calçado - conta o morador.

O problema teria se agravado há um ano, quando o terreno para onde a água escorria, foi aterrado. Desde então, os pedidos de providências via telefone com o Dep aumentaram, sem sucesso.

...E em dias secos.

"É esperar vir o sol e o valo"

- Ligamos sempre, pedimos que eles venham até aqui. A equipe avalia, mas não fazem absolutamente nada - afirma Sílvio, explicando que o departamento sempre promete a abertura de um valo, mas não cumpre.

Enquanto os alagamentos não cessam de vez, o morador sabe bem o que fazer:

- É esperar vir o sol, não tem outra alternativa - lamenta.

O que diz o Dep

O Dep afirma que um morador aterrou uma vala existente dentro de sua propriedade e isto causou o bloqueio do escoamento das águas pluviais da rua. O departamento já contatou este vizinho e ele deu permissão para que a Seção Sul de Conservação execute a reabertura da vala e sua limpeza.

O serviço está na programação para ser iniciado na próxima semana.