
Por Amanda Munhoz - amanda.munhoz@diariogaucho.com.br
Canalização desembolsada pelos moradores do Loteamento Santa Luzia, em Sapucaia do Sul, está exposta às variações do tempo há cinco anos.
Canteiro de flor, cercas e banco. Essas foram as utilidades encontradas pelos moradores do Loteamento Santa Luzia, em Sapucaia do Sul, para os canos de concreto que, há cinco anos, fazem apenas figuração em frente às residências.
Em 2006, a comunidade elegeu como prioridade no Orçamento Participativo as obras de rede de esgoto. No ano seguinte, a boa notícia.
Prefeitura fez um acordo
A prefeitura destinaria R$ 56 mil às melhorias da vila mediante um acordo com os moradores: eles desembolsariam o custo dos canos de concreto e o município arcaria com a mão de obra. Apenas um lado cumpriu o acerto.
Cada uma das 430 famílias do loteamento precisou driblar as despesas e pagar cerca de R$ 100 para a compra dos canos. As estruturas, à espera das obras prometidas, estão todo esse tempo expostas às variações do clima e muitas precisarão de substituição pelo estado de deterioração avançado.
Dinheiro dos moradores jogado fora
Ao que tudo indica, as famílias desembolsaram R$ 100 à toa. De acordo com a assessoria de imprensa da prefeitura de Sapucaia do Sul, o prefeito da época não poderia acordar com os moradores do loteamento as obras de canalização da área, que pertence ao governo do Estado. Relata, inclusive, que, além de prometer agir em área que não é municipal, não orientou os moradores quanto ao material que deveria ter sido comprado para a realização da obra, resultando na compra de canos impróprios para o fim.

Melhorias não saíram do papel
Membro da diretoria da Associação Comunitária dos Moradores do Loteamento Santa Luzia e morador da Rua São Judas Tadeu, Paulo Roberto Pereira dos Santos, 48 anos, pede socorro e atenção para a vila desde 2003, quando as primeiras casas começaram a ser construídas.
– Com o empenho de toda a comunidade conseguimos a regularização da nossa área e queremos as melhorias prometidas – desabafa o representante comercial, que, na época do acordo com a prefeitura, era o presidente da associação.
Buracos funcionam como canalização
Pela falta de canalização, cada casa tem o seu poço negro, um buraco profundo por onde a água do esgoto escorre. Como é uma obra improvisada e sem planejamento, é comum a água podre de uma residência invadir o terreno vizinho.
– E ninguém pode reclamar, pois todos nós fizemos o que está a nosso alcance para organizar essa bagunça – relata o vendedor Paulo Alexandre dos Santos, 32 anos, morador da vila há oito anos.

Crateras são consequência
Ao entrar no Loteamento Santa Luzia é preciso caminhar com atenção. Caso contrário, há duas possibilidades: cair num buraco ou pisar no esgoto que escorre por, praticamente, todas as ruas.
– A água que corre constantemente pelas ruas provoca uma buraqueira. E, como não há manutenção, está cada dia pior. Só a minha esposa já caiu duas vezes na Rua Paraíba – conta o pedreiro Gelson Prestes Ferreira, 34 anos, que afirma ainda que a via é caminho de estudantes.
No ano passado, duas pessoas morreram em um incêndio na vila. Os bombeiros tiveram dificuldade de chegar ao local devido ao mau estado das ruas.
Liberação sem prazo
A Secretaria de Habitação, Saneamento e Desenvolvimento Urbano do Rio Grande do Sul (Sehadur) afirma que a vila está em processo de regularização. A Sehadur afirma que o Estado já individualizou os lotes e aguarda a liberação de recursos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) no valor de R$ 5,2 milhões para as obras de esgoto e pavimentação. Porém, não tem como precisar uma data para que isso ocorra.
Ex-prefeito se explica
A reportagem contatou o ex-prefeito de Sapucaia do Sul, Marcelo Andrade Machado, que deu a sua versão sobre as obras no seu mandato.
– Em acordo com o Ministério Público e com o aval dos técnicos da Secretaria de Planejamento sobre o tipo de canalização, acertamos que os moradores comprariam os canos de concreto e nós, prefeitura, ficaríamos com a mão de obra. Estávamos esperando, apenas, a transferência dos lotes para os moradores e começaríamos a fazer a nossa parte no acordo.