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Filha reclama mais medicação

01 de maio de 2013 2

AMANDA MUNHOZ
amanda.munhoz@diariogaucho.com.br

"Eu vou lutar pela minha mãe até no inferno". O desabafo é de uma filha desesperada, que não sabe mais o que fazer para conseguir o que é de direito da família. Noeli Deolindo Lumertz, 54 anos, é quem cuida da saúde da mãe, Ana Schutz Lumertz, 85 anos, acamada há seis anos em decorrência de uma úlcera varicosa (lesão provocada pela acumulação de sangue venoso nos tecidos) na perna direita.

Moradora do Bairro Piratini 2, em Alvorada, a família conquistou na Justiça o direito de receber via município o material necessário para os curativos do ferimento da matriarca. Até fevereiro deste ano, tudo corria bem.

Troca de posto teria sido a causa

Depois, o desespero de Noeli começou.

- Dividiram a Rua Júlio de Castilhos em duas partes.

Antes, o nosso posto era o Piratini. Agora, disseram que o responsável por nos atender é o Tijuca, sendo que o primeiro é que tem todo o nosso histórico - explica a filha.

Pomada não chegou

Desde a mudança, Ana sente na pele o descaso. Os curativos feitos duas vezes ao dia precisam ser adaptados à quantidade de material que, agora, o posto envia. A pomada deveria vir seis unidades, já que cada uma dura de três a quatro dias. O tubo de soro fisiológico pequeno é suficiente para duas trocas do curativo, enquanto a Solução de Thiersch dura uma semana. O principal são os pacotes de gaze, que são usados três por dia, mais uma faixa grande e uma pequena.

Na última entrega, a surpresa:

- A pomada estava em falta e entregaram sete pacotes de gaze, duas faixas pequenas e duas grandes. E ainda tive que ouvir que deveria durar para o mês todo. Inclusive, sugeriram que eu reutilizasse os materiais - desabafa Noeli, que garante não poder cuidar direito da mãe.

Excesso de material

A Secretaria Municipal da Saúde de Alvorada, por intermédio da coordenadora de Enfermagem Luciana Silveira, informa que a paciente está sendo atendida pela UBS Tijuca. Afirma que recebe visita domiciliar de uma equipe, formada por agente de saúde, enfermeiras e médica. Na última sexta-feira, teria sido verificado que a ferida é pequena, não sendo necessário enfaixar toda a perna, como a filha estaria fazendo. Garante ainda que todo o material fornecido está sendo controlado e orientado pela enfermeira responsável, que é capacitada para realizar tal função.

Sem entrega de fraldas, direito da Evelyn é desrespeitado

26 de abril de 2013 1

Por AMANDA MUNHOZ - amanda.munhoz@diariogaucho.com.br

Já não basta ter de driblar todas as limitações que a filha Evelyn Meira Vieira, 21 anos, sofre em função da paralisia cerebral que tem, Sílvia Regina Meira, 50 anos, desde novembro do ano passado, encara também a deficiência da saúde no Estado. Para o seu desespero de mãe, as fraldas geriátricas que Evelyn deveria receber a cada três meses simplesmente não chegaram mais. O motivo? Ela não sabe.

- Ligo para a Secretaria Estadual da Saúde e tem vezes que dizem que falta motorista para me trazer, outras afirmam que não tem mais no estoque e por aí vai. Ninguém me diz nada concreto - desabafa a dona de casa.

Em março de 2009, Sílvia procurou os direitos da filha na Justiça. Ganhou a ação. Ficou acordado que o Estado disponibilizaria 720 unidades a cada três meses. Até novembro do ano passado, a família nunca teve problemas.

Quando atrasava, Sílvia ligava para saber o que tinha acontecido. A secretaria respondia e, em seguida, mandava os pacotes até a residência do Bairro Santa Tereza. Porém, os problemas começaram.

No mês de fevereiro, uma nova remessa deveria ter chegado. Só que já estamos beirando o mês de maio, quando vence uma nova entrega, e a família sequer tem previsão de quando voltará a receber o que é de seu direito.

Mãe quer entrega retroativa

Evelyn utiliza, em média, oito fraldas por dia. É o ideal para o conforto da menina. Agora, no entanto, a mãe está procurando se adaptar à quantidade que consegue por empréstimo.

- É um absurdo tão grande porque é nosso direito e ninguém diz absolutamente nada sobre o que está acontecendo. Eu até não ia cobrar os atrasados, só que agora eu quero retroativo. Preciso devolver fraldas a todos que me emprestaram - revolta-se a mãe.

Solução em breve

Ao ser procurada pelo Diário Gaúcho, a Secretaria Estadual da Saúde (SES) afirmou que o pedido já foi liberado no Setor de Suprimentos. A promessa: até o final da semana (hoje ou amanhã), portanto, já deve estar disponível para a retirada por parte da usuária.

Após transplante de córnea, aposentado ainda espera atendimento na saúde de Canoas

22 de abril de 2013 0

Por AMANDA MUNHOZ - amanda.munhoz@diariogaucho.com.br

Dizem que promessa é dívida. Mas quando o assunto é com a Secretaria Municipal da Saúde de Canoas, a situação é bem mais complicada. No dia 11 de abril, quando o Diário Gaúcho contou a situação enfrentada por Marco Antônio Teixeira, 61 anos, a SMS havia se comprometido a entrar em contato com ele para "verificar os reais motivos da falta de acompanhamento e encaminhá-lo para a retomada dos procedimentos necessários". Para o desespero do morador do Bairro Guajuviras, ninguém telefonou.

Angústia vem desde 2011

O aposentado, em dezembro de 2011, foi submetido a um transplante de córnea às pressas, em decorrência de uma úlcera, no Hospital Banco de Olhos (HBO). De acordo com a instituição, todo o procedimento que era de sua responsabilidade foi feito.

Após a cirurgia, Marco Antônio ainda realizou três revisões pelo HBO. Porém, depois, como é praxe, ele foi encaminhado ao seu município de origem para que um oftalmologista seguisse o acompanhamento, o que não aconteceu.

Procurada pela reportagem no dia anterior à publicação, a assessoria de imprensa da prefeitura de Canoas, em nome da Secretaria Municipal da Saúde, afirmou que a competência de retirada dos pontos é do Banco de Olhos. No entanto, comprometeu-se em fazer contato com Marco Antônio para desfazer o mal-entendido.

Como o procedimento ao qual o paciente foi submetido é muito delicado, era preciso que, após o transplante, ele ficasse sendo monitorado por um especialista no assunto. Isso porque os pontos são muitos e a linha corresponde a um terço de um fio de cabelo, facilitando que eles se soltem ou fiquem frouxos, situação que pode desencadear uma rejeição caso não seja resolvida.

Promessa e lamento

Como já se passou mais de uma semana da promessa, Marco Antônio só tem é que lamentar:

- Ninguém entrou em contato comigo. Não aguento mais essa espera - desabafa.

O Diário Gaúcho, mais uma vez, contatou a assessoria dei imprensa da prefeitura de Canoas para saber o motivo pelo qual ninguém havia contatado o paciente.

Recebeu uma resposta inadmissível pela gravidade da situação.

O número de telefone que a Secretaria da Saúde tinha não seria o do paciente. E assim...

Vista cansada de esperar

11 de abril de 2013 0

Por Amanda Munhoz - amanda.munhoz@diariogaucho.com.br

Marco Antônio Teixeira, 61 anos, só quer saber qual o tratamento para a vermelhidão, a visão turva e a coceira constante que sente no olho direito. A origem, ele sabe. Submetido a um transplante de córnea em dezembro de 2011, o aposentado, há um ano, tem pontos no local da cirurgia e sequer teve acompanhamento médico após.

Morador do Bairro Guajuviras, em Canoas, Marco Antônio lembra o quão bem atendido foi no Hospital Banco de Olhos, onde fez o procedimento cirúrgico. Mas gostaria de esquecer o depois.

- Fui encaminhado para o meu município. O Banco de Olhos me informou que este é o procedimento correto. Canoas deveria me acompanhar depois da cirurgia, inclusive, na retirada dos pontos - explica.

"Sou tratado desta maneira?"

O paciente fez exatamente o que lhe foi explicado. Procurou o Hospital Nossa Senhora das Graças, já em Canoas. Mas recebeu como resposta que o pedido para atendimento com um oftalmologista deveria ser encaminhado via posto de saúde. No posto responsável pela região em que mora, o UBS Caic, foi informado que deveria esperar.

Passados um ano e quatro meses sem retorno, o paciente desabafa:

- Morei minha vida inteira em Canoas. E sou tratado desta maneira? - questiona.

Na agenda vermelha, os comprovantes da espera estão todos grampeados, para que nenhum se perca. Em meio a eles, há uma receita indicando o grau correto para que o aposentado possa usar óculos. A consulta com o oftalmologista aconteceu durante este período de espera. Mas o profissional apenas olhou os pontos.

- Posso dizer que ele só olhou mesmo. Fez o exame para apontar o grau indicado para o meu caso e mandou eu voltar ao Banco de Olhos para ver a questão dos pontos - lamenta.

Jogo de empurra

O Hospital Banco de Olhos afirma que Marco Antônio realizou uma cirurgia de emergência no dia 7 de dezembro de 2011. Após, fez as três revisões pelo HBO, nos dias 13, 20 e 24 de dezembro do mesmo ano. Todas indicaram que estava tudo bem com o transplante. Porém, depois, como é praxe,  o paciente foi encaminhado para o município de origem, para que um oftalmologista seguisse o acompanhamento.

Já a Secretaria Municipal de Saúde de Canoas informa que a competência de retirada de pontos é do Banco de Olhos. Promete que entrará em contato com o paciente para verificar sua situação e encaminhá-lo. Tomara que assim seja e em prazo muito breve.

Olhar de especialista

De acordo com o oftalmologista Roberto Conte, é necessário acompanhamento médico no caso de transplante. Ele explica que se algum ponto estiver frouxo e não for retirado, pode acontecer rejeição. Outro detalhe apontado por Conte é a visão opaca, um alerta que pode indicar uma possível rejeição da córnea transplantada. Caso rejeite, o paciente terá de entrar novamente na fila de transplante. E a córnea retirada não poderá ser mais usada.

Um risco absurdo

Amanda Munhoz

Posso dizer que Marco Antônio e eu estamos no mesmo barco. Mas parece que eu tenho um colete salva-vidas. Ele, não. Fui submetida ao procedimento em outubro do ano passado. O transplante e a fila de espera via Sus são iguais. O problema, não.

O processo de cicatrização, segundo o meu médico e a minha experiência, é lento. Em cinco meses, tirei dois dos 16 pontos na vista e evitei uma rejeição. Como? Tendo o acompanhamento de um oftalmologista.

Não adianta campanha de doação de órgãos quando não há tratamento para transplantados. E se o corpo de Marco Antônio rejeitar a córnea? Não é mais fácil (e barato para o Estado) tratar com um colírio a interná-lo para fazer, novamente, o mesmo procedimento? E se a visão dele não permitir que ele espere por outra córnea na fila? É preciso que municípios e Estado abram os olhos para este problema. Ou deixarão a saúde mais cega do que já está.

Idosa espera há seis anos por uma consulta com ortopedista em Porto Alegre

20 de março de 2013 0


Por AMANDA MUNHOZ - amanda.munhoz@diariogaucho.com.br

Há seis anos, Jussara Rocha Damiani, 56 anos, aguarda por uma ligação. O telefone toca, só que a boa notícia nunca vem. Ela até imagina o dia em que a Secretaria Municipal da Saúde da Capital estará do outro lado da linha, informando que, enfim, a espera na fila por um ortopedista terminou. Mas, por enquanto, o momento tão aguardado é fruto só de sua imaginação.

A dor aguda que a dona de casa sofre nas costas não alivia nem por um instante. As tarefas domésticas que eram rotina, agora, precisam ser feitas aos poucos, intercaladas com pausas no sofá ou na cama.

Espera já dura seis anos

Diagnosticada com discopatia degenerativa na coluna, a moradora do Bairro Cavalhada só quer uma coisa:

- Tratamento.

Em 2007, Jussara procurou o posto referente à sua região, a Unidade Básica de Saúde Camaquã. As dores haviam dado os primeiros sinais. Encaminhou logo a consulta para que a situação não se agravasse. Ela sabia que não seria um atendimento para ontem. Mas, nem de longe, imaginou que esperaria tanto. Pelas contas, já passam de 54.504 horas de sofrimento.

- Minha neta de um ano e meio vem aqui e tenho muita dificuldade de pegá-la no colo, de brincar - desabafa Jussara.

SMS não conseguiu contato

A assessoria de imprensa da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) confirmou que a espera da paciente acontece desde 2007. No entanto, garante que, em 2011, quando o sistema da secretaria foi informatizado, Jussara teria recebido, no mínimo, três ligações, sem sucesso.

Em novembro do ano passado, uma nova chamada foi feita (de acordo com a SMS, provavelmente, o cadastro dela teria sido atualizado no posto de saúde). Desta vez, conseguiram falar com a paciente e foi dada, então, a autorização para a consulta com o especialista em ortopedia.

A espera, ao que tudo indica, deve terminar. No sistema da saúde de Porto Alegre consta que Jussara será atendida no dia 3 de abril, no Hospital Parque Belém.

Jussara não confirma ligações

Moradora do quarto andar de um edifício sem elevador, Jussara explica que quase não consegue sair de casa em função da quantidade de escada. Quando sai, quase sempre, é rumo ao posto de saúde. E desconhece os contatos feitos pela SMS.

- O meu telefone é o mesmo há dez anos. Neste meio ­tempo, nunca atualizei o cadastro. O número que o posto tem é o mesmo desde sempre - revolta-se a paciente.

Burocracia coloca vida em risco

10 de janeiro de 2013 0

Amanda Munhoz - amanda.munhoz@diariogaucho.com.br

"Eu só quero viver e criar os meus filhos." O desabafo é de Marizete Terezinha Mocellin, 49 anos, que luta contra um câncer de colo de útero. A felicidade da moradora do Bairro Barro Vermelho, em Gravataí, em ter ouvido da médica que reagiu bem ao tratamento, durou pouco. É preciso uma última etapa para que ela tenha certeza que sua saúde está sob controle. A braquiterapia, no entanto, foi encaminhada, com urgência, no dia 27 de novembro. Sem retorno algum, a autônoma, agora, entregou para Deus.

- Restou eu confiar Nele, não sei mais a quem recorrer. É uma burocracia sem fim. Preciso viver, tenho de criar os meus filhos - desabafa Marizete Terezinha.

Benefício ajuda nas despesas

Marizete descobriu a doença em um estágio bem avançado, já que estava sendo tratada, há seis meses, no posto de saúde do seu bairro, de uma lesão lombar.
- Só me davam medicamento para a dor e mais nada. Só fui descobrir o que realmente tinha em agosto de 2012 - explica.

Logo após a descoberta, Marizete Terezinha teve de se submeter aos tratamentos de quimioterapia e radioterapia. Foram 25 dias tendo de ir à Puc e, depois, ao Fêmina. Só de passagem, ela gastava, cada vez,   R$ 21. Como são procedimentos que precisam levar acompanhante, Marizete Terezinha tinha de desembolsar, a cada ida a Porto Alegre, mais R$ 21, para algum vizinho que se prontificasse a ir junto.

- Há dois meses, recebo um benefício do INSS de R$ 600. Foi todo este valor em passagem - lembra.

Além da despesa, mais de 10kg foram perdidos. Do processo doloroso, ficou só o orgulho de ter vencido mais uma batalha. Mas a angústia deu lugar à alegria.

"Eu já entreguei nas mãos de Deus"

Se a braquiterapia não for feita em seguida, Marizete Terezinha terá que, mais uma vez, submeter-se a sessões de radioterapia.

- Eu já entreguei para Deus. Não quero ter de passar por tudo aquilo. Eu tenho direito à vida, eu sei! - enfatiza a mãe de três filhos. Um já é casado, e os outros dois têm 14 anos e 18 anos. Ela  já cogitou vender a casa para pagar o procedimento de R$ 8 mil.

Prefeitura confirma urgência

A assessoria de imprensa de Gravataí confirma a gravidade e urgência do caso. Explica que os serviços de braquiterapia - alta complexidade em oncologia - estão em Porto Alegre, sob responsabilidade do Estado. Informa que é atribuição da Secretaria Municipal da Saúde dispor de mecanismos para o agendamento pronto e eficaz no Sistema Aghos (sistema estadual para marcação de consultas).

O problema foi encaminhado pela unidade no dia 29 de novembro de 2012. A data de cadastro no Aghos foi em 4 de dezembro de 2012. Considerando o caso em questão, três dias úteis. A Secretaria de Saúde de Gravataí reitera que os casos cadastrados no sistema são de total gerenciamento do Estado. O município fez, neste caso, o que lhe cabia.

Especialidade tem menor oferta

A Secretaria Estadual da Saúde afirma que todas as solicitações feitas para o caso de Marizete foram atendidas rapidamente.

A especialidade de oncobraquiterapia, no entanto, tem menos oferta do que as outras. Por isto, o tempo de espera é maior.

Mesmo assim, a Ses garante que fará o possível para encaixá-la na próxima abertura da agenda, que acontece na semana que vem.

Um ano e meio à espera de cirurgia

04 de janeiro de 2013 0

Amanda Munhoz
amanda.munhoz@diariogaucho.com.br


A chegada de 2013 traz a esperança de Márcia Rejane de Freitas, 46 anos, por dias sem dor. Há um ano e meio, a moradora do Bairro Granja, em Cachoeirinha, precisa adaptar-se ao caos da saúde no Estado, que não dá previsão de quando a cirurgia para retirada de uma hérnia umbilical será feita. Comer é uma das funções básicas que a dona de casa faz apenas por obrigação.

- Sinto azia, ânsia de vômito. Mal consegui comer nas festas de fim de ano. Sem contar que o médico já me disse que a minha pele, onde está localizada a hérnia, está muito fina - desabafa a dona de casa.


A explicação: falta de leito no hospital

Em abril de 2011, após constatado o problema, Márcia Rejane procurou o posto de saúde do seu bairro. A cirurgia, então, foi encaminhada. Quando completou um ano de espera, procurou a Secretaria Municipal da Saúde e garante ter ouvido como resposta que demoraria, pelo menos, mais quatro anos para que ela fosse chamada.

Já com dores muito fortes, ela decidiu buscar um encaminhamento judicial. Após oito meses de espera, a boa notícia: a cirurgia havia sido marcada para o dia 3 de dezembro de 2012, no Hospital Cristo Redentor, em Porto Alegre. Por falta de leito no dia, remarcaram para uma semana depois. No dia anterior à segunda data, desmarcaram o procedimento.

- Só me disseram que não poderiam mais fazer. Nem me deram previsão de uma nova data - lamenta.


Além de tudo, rombo no bolso

Depois de procurar os seus direitos novamente, Márcia Rejane descobriu que terá de providenciar três orçamentos em locais que façam o procedimento. E, com os números em mãos, deve entregar ao Estado. E é aí que ela enfrenta outro problema:

- É tudo por minha conta. Preciso pagar consulta, exames, passagens e não tenho condições. Preciso fazer uma endoscopia com biópsia que custa R$ 200. E esperar pelo Sus é complicado. Fiz o encaminhamento destes exames em maio de 2012. Até agora, nem sinal - desabafa.


Hospital confirma

Nos dias 3 e 10 de dezembro de 2012, todas as cirurgias eletivas, como é o caso, foram suspensas, pois o hospital teve que priorizar as de emergência. No dia 3, 22 pacientes aguardavam leito na Emergência e, no dia 10, outros 14. A paciente tem retorno marcado com seu médico para o dia 8 próximo, para o reagendamento da cirurgia. Neste período, se houver algum agravo, pode procurar a Emergência.


O que diz o Estado

Segundo informações da Central Estadual de Regulação Ambulatorial, a paciente teve uma solicitação de consulta agendada para o dia 18 de setembro do ano passado, no Hospital Cristo Redentor. Como a Central de Regulação é responsável pelo agendamento das consultas iniciais, não é possível informar alguma previsão para a cirurgia desta paciente.


O que diz Cachoeirinha

Na Central de Marcação há registro de encaminhamento datado de 21 de agosto de 2012. Mas a funcionária confirma que o primeiro encaminhamento foi em 2011. Ocorre que as informações estão em fichas de papel, que ainda serão repassadas para o sistema. Até o ano passado, a Saúde estava dividida em cinco prédios. Agora, todos os setores foram para um único prédio, com sistema integrado de telefonia e informática.

Problemas divulgados pelo Diário Gaúcho continuam sem solução

06 de setembro de 2012 1

Amanda Munhoz
amanda.munhoz@diariogaucho.com.br


A seção do Seu Problema É Nosso, diariamente, expõe situações em que as comunidades buscam por soluções. No entanto, algumas delas não têm um final feliz e acabam entrando para a história. São ruas sem patrolamento, postes tortos, autista sem tratamento. Leia abaixo quatro problemas que já divulgamos, mas que seguem sem um desfecho.

Crateras da Rua Paraí

Após a Smov ter comparecido à Rua Paraí, no Bairro Partenon, Letícia Gonçalves Nunes Gonçalves, 26 anos, achou que as crateras estavam com os dias contados.

- Taparam alguns buracos na entrada da rua, prometeram que voltariam, mas ficou só na promessa - lamenta a frentista.

O caminhão do lixo é um que não consegue mais entrar na via e conta com a boa vontade dos lixeiros de descer e recolher tudo. Para dar uma força ao recolhimento, o marido de Letícia, o também frentista Alexandre Gonçalves, 37 anos, empresta um carrinho de mão. Os dias de chuva são os mais desesperadores:

- Tem de usar botas. Caso contrário, não se chega limpo.

A Smov havia dito que o patrolamento estava dentro da programação. Mas ainda não foi realizado.

Tratamento em risco

Depois de receber a boa notícia da defensora pública Marta Beatriz Todesco Zanchi, Marisa Eliana de Araújo, 39 anos, comemorou. Era o fim do sofrimento do filho Antônio Carlos Lovera de Araújo, 12 anos. Autista, o morador da Vila Nazaré, finalmente, havia ganhado a causa e o seu tratamento especializado estava garantido. Engano seu.

- Achei que receberia a verba, mas ninguém se responsabilizou. Estou apavorada, não sei mais o que fazer - desabafa a dona de casa.

Em maio deste ano, o Diário Gaúcho mostrou o drama enfrentado pela família. Ao relembrar o caso em agosto, a defensora pública garantiu que a espera havia terminado e, em dois dias, passado o prazo burocrático, o dinheiro estaria liberado.

- Disseram que era o Estado que não estava cumprindo a decisão judicial. Na verdade, não sei de mais nada - lamenta a mãe.

Estado recorreu da decisão

Ao fazer contato com a Secretaria Estadual da Educação, a reportagem teve como resposta que a situação está com a Procuradoria Geral do Estado. A PGE, por sua vez, informou que a família ainda não recebeu a verba porque o Estado entrou com um recurso judicial, alegando que existem escolas públicas aptas para fazer o atendimento.

Alagamentos do Rubem Berta

Quando o tempo é para chuva, a preocupação de Potiguar Félix, 75 anos, morador da Avenida Adelino Ferreira Jardim, no Bairro Rubem Berta, aumenta.

Ele trabalha à noite como vigilante e precisa deixar a esposa Maria de Lourdes Lopes Félix, 70 anos, e o filho excepcional sozinhos em casa.

Vigilante perdeu o sossego

Se a canalização do esgoto não estivesse entupida, ele poderia ir tranquilo. Mas não é o caso.

- Se chove, sei que alaga tudo, todo o corredor. Tenho medo de que a água do esgoto volte para dentro de casa. Meu filho é grande, mas não entende - desabafa Potiguar.

De acordo com o morador do núcleo oito, um fiscal do Dep chegou a ir até o local. Porém, não levou maquinário.

- Ele só trouxe um livrinho, anotava algumas coisas, mas não fez nada - explica Potiguar, afirmando que uma família já se mudou do endereço por ter perdido roupas e móveis com os alagamentos.

Solução para novembro

Quando foi publicada a reportagem, no último dia 16 de agosto, o Departamento de Esgotos Pluviais (Dep) foi contatado pelo Diário.

À época, o responsável afirmou que está prevista uma obra para troca de 40 metros de canalização. No entanto, a previsão não é muito animadora. O trabalho é só para novembro. Quanto ao desentupimento, que preocupa os moradores, o departamento não se manifestou.

Por enquanto, o problema continua.

E o festival continua!

No dia 14 de agosto, a seção denunciou que em apenas duas quadras, na Rua Santa Maria, entre a Avenida Bento Gonçalves e a Rua Primeiro de Março, no Bairro Partenon, três postes levavam medo à Luciana da Rosa Gonçalves, 27 anos, moradora próxima.

A estudante relatou que as estruturas de madeira são as mesmas há mais de 20 anos. E, em dias de chuva, elas balançam, parecendo que vão cair a qualquer momento.

Na ocasião, a Ceee informou que faria uma vistoria técnica. No entanto, não houve retorno algum e nenhuma estrutura foi trocada.

- Recebemos uma correspondência da companhia falando que no dia 4 de outubro vão desligar a luz na parte da tarde, mas não informaram o motivo - afirma Luciana.

Sem resposta

O Diário fez contato com a assessoria da Ceee ontem, mas até o fechamento desta edição não havia resposta. Agora, os moradores esperam que tudo se resolva dia 4 de outubro.

Antônio já pode aprontar a mochila

22 de agosto de 2012 0

Amanda Munhoz
amanda.munhoz@diariogaucho.com.br

Uma criança sem tratamento, uma mãe desesperada e uma burocracia sem fim. Esta é a situação que Antônio Carlos Louveira de Araújo, 12 anos, enfrenta. Diagnosticado autista aos três anos, o menino conta com a garra da mãe, a dona de casa Marisa Eliana de Araújo, 39 anos. Desde o ano passado, ela procura um centro terapêutico para o filho, que já regrediu em função da ausência de tratamento.

Para ver a alegria no rosto do guri, a moradora da Vila Nazaré, em 2010, decidiu encaminhar o procedimento via particular no Ceate (Centro Especializado em Atendimento Terapêutico Educacional). Na época, a família pagava R$ 1,4 mil mensais e a mãe trabalhava como vendedora. Por dois anos, conseguiu manter a situação e viu a evolução do filho. No entanto, não teve condições financeiras de continuar.

- Situação se arrasta desde maio

- Até tentei colocá-lo em uma escola com atendimento especial, mas, por mais atenciosos que eles fossem, não funcionou - lamenta a mãe.

O Diário Gaúcho, em maio, relatou a situação vivida pela mãe e pelo filho. A Secretaria Estadual da Saúde, à época, afirmou que o Sus não contempla em seus serviços especializados as áreas combinadas de saúde e educação. A informação era que as pessoas com deficiência intelectual e as com autismo são atendidas nas Apaes. Ainda foi esclarecido que o Sus não poderia pagar o tratamento no Ceate.

- Mãe nunca deixou de lutar pelo filho

Após o contato do DG com a Secretaria Estadual da Educação, que garantiu não poder informar nada sobre alunos e professores da rede pública, uma profissional da secretaria entrou em contato com Marisa, oferecendo uma vaga em uma escola especial. A mãe afirma ter explicado que o filho não se adapta a esse tipo de procedimento.

- Estou desesperada, não sei mais o que fazer. A minha advogada disse que já foi dado ganho de causa para mim - desabafou Marisa, antes de saber que a boa notícia, tão esperada, estava próxima.

Ela contou que precisa esconder do filho a mochila, tal a vontade do garoto de frequentar uma escola.

Justiça garante escola

A defensora pública Marta Beatriz Tedesco Zanchi, encarregada do caso de Antônio, foi a portadora da boa notícia para mãe e filho. A Justiça deferiu e está garantida a verba para o menino frequentar uma escola particular. Na sexta-feira, segundo a advogada, vencido o prazo burocrático necessário, o dinheiro estará disponível.


Quem vai garantir os passinhos da Isabelly?

20 de julho de 2012 0


Por AMANDA MUNHOZ - amanda.munhoz@diariogaucho.com.br

Com apenas três meses, Maria Isabelly Gebert da Silva já foi apresentada à burocracia e ao descaso da saúde de seu município. Atestada com o pé direito torto ainda no útero da mãe, a manicure Kayulane Francine Lopes Gebert, 20 anos, sabia da necessidade que sua filha tinha de sair do Hospital Dom João Becker, onde a menina nasceu, com gesso. Dia 11 de abril deste ano, a linda garotinha de olhos azuis nasceu.

A alegria de ter um casal de filhos - ela também é mãe de Kauê, dois anos -, logo transformou-se em preocupação. Mandaram mãe e filha para casa, sem a botinha indicada.

- Levei a ultrassonografia morfológica comigo no dia em que dei à luz. Eles sabiam que ela precisava colocar gesso - explica a moradora do Bairro Boa Vista, em Gravataí, com um olhar que revela a sua angústia.

"Às vezes, penso em desistir"

O desespero da mãe é pela estrutura que a família não tem para encarar uma situação dessas.

Nem por um instante, faltam forças para Kayulane brigar pelos direitos da filha. O problema é outro:

- A médica me disse que o pezinho poderia ir para o lugar nos primeiros três meses. Depois, é possível que precisará ser feita uma cirurgia, mas não sei se o coraçãozinho dela aguenta- lamenta a mãe, explicando que Maria Isabelly tem o arco aórtico à direita, um problema congênito raro no coração, tratado na Santa Casa de Porto Alegre.

Seguindo a orientação do hospital, Kayulane fez o encaminhamento de atendimento para a filha no posto de saúde do seu bairro logo que deu alta.

E a resposta, de lá para cá, é sempre a mesma: que não há esse especialista em Gravataí, e que a solicitação foi encaminhada à Central de Marcação de Consultas, em Porto Alegre.

- Às vezes, penso em desistir. Mas os meus filhos são tudo para mim. Sei que preciso seguir em frente - desabafa.

Ao invés de saúde, confusão e burocracia

A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Gravataí afirma que no dia 16 de maio a menina teria consulta com o ortopedista-geral do município, na Central de Especialidades Casa Amarela. Como estava hospitalizada, a consulta foi remarcada. Ocorreu no dia 6 de junho, quando Kayulane entregou os documentos solicitados. Eram necessários para o encaminhamento à uma consulta de ortopedia pediátrica em Porto Alegre. A SMS dizia, em um primeiro momento, que a mãe não havia entregue. Ontem ainda, no final da tarde, os documentos foram encontrados e encaminhados.

Kayulane garantia, o tempo todo, que havia levado os documentos solicitados. Tem em seu poder um recibo que dá conta do que afirma.

Consulta pode ser realizada logo

A Secretaria Estadual da Saúde informa que o atendimento à menina depende apenas da iniciativa da prefeitura de Gravataí. Cidades do Interior se classificam de duas formas nesta fila por marcação de consultas. Municípios pequenos são enquadrados em uma reserva técnica, que, atualmente, tem 39 crianças esperando. Gravataí, entretanto, é um município grande. Entra em outra classificação, que tem três consultas garantidas por mês. Isabelly pode ser atendida logo. Basta ser solicitado.

Opinião de médicos especialistas

Consultados pelo Diário, os médicos Carla Cabrera e Rogério Vargas, pediatra e ortopedista, respectivamente, afirmam que a menina, provavelmente, tem uma síndrome genética. Dizem que nem sempre, nesses casos, as crianças saem engessadas do hospital. No entanto, Isabelly deveria ter sido encaminhada para um ortopedista para que o planejamento do tratamento fosse feito.

- Com três meses, ainda há o que fazer sem intervenção cirúrgica. Depois dos seis meses, só a cirurgia mesmo - afirma Carla.

O hospital diz que orientou

O Hospital Dom João Becker entende que fez sua parte. Orientou a família a buscar a rede pública de saúde.