AMANDA MUNHOZ
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"Eu vou lutar pela minha mãe até no inferno". O desabafo é de uma filha desesperada, que não sabe mais o que fazer para conseguir o que é de direito da família. Noeli Deolindo Lumertz, 54 anos, é quem cuida da saúde da mãe, Ana Schutz Lumertz, 85 anos, acamada há seis anos em decorrência de uma úlcera varicosa (lesão provocada pela acumulação de sangue venoso nos tecidos) na perna direita.
Moradora do Bairro Piratini 2, em Alvorada, a família conquistou na Justiça o direito de receber via município o material necessário para os curativos do ferimento da matriarca. Até fevereiro deste ano, tudo corria bem.
Troca de posto teria sido a causa
Depois, o desespero de Noeli começou.
- Dividiram a Rua Júlio de Castilhos em duas partes.
Antes, o nosso posto era o Piratini. Agora, disseram que o responsável por nos atender é o Tijuca, sendo que o primeiro é que tem todo o nosso histórico - explica a filha.
Pomada não chegou
Desde a mudança, Ana sente na pele o descaso. Os curativos feitos duas vezes ao dia precisam ser adaptados à quantidade de material que, agora, o posto envia. A pomada deveria vir seis unidades, já que cada uma dura de três a quatro dias. O tubo de soro fisiológico pequeno é suficiente para duas trocas do curativo, enquanto a Solução de Thiersch dura uma semana. O principal são os pacotes de gaze, que são usados três por dia, mais uma faixa grande e uma pequena.
Na última entrega, a surpresa:
- A pomada estava em falta e entregaram sete pacotes de gaze, duas faixas pequenas e duas grandes. E ainda tive que ouvir que deveria durar para o mês todo. Inclusive, sugeriram que eu reutilizasse os materiais - desabafa Noeli, que garante não poder cuidar direito da mãe.
Excesso de material
A Secretaria Municipal da Saúde de Alvorada, por intermédio da coordenadora de Enfermagem Luciana Silveira, informa que a paciente está sendo atendida pela UBS Tijuca. Afirma que recebe visita domiciliar de uma equipe, formada por agente de saúde, enfermeiras e médica. Na última sexta-feira, teria sido verificado que a ferida é pequena, não sendo necessário enfaixar toda a perna, como a filha estaria fazendo. Garante ainda que todo o material fornecido está sendo controlado e orientado pela enfermeira responsável, que é capacitada para realizar tal função.











