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Entrevista - Marcus Vinicius Barbosa

14 de outubro de 2013 3

Raquetadas do Bocão

Marcus Vinicius Barbosa, conhecido como Bocão, é o tipo de pessoa que traz uma raquete tatuada na história. Desde pequeno foi exposto ao tênis. Incentivado pela mãe Maurilia e principalmente pelo pai Venício, o garoto de Brusque despontou como uma das maiores promessas do cenário nacional. Campeão brasileiro aos 14 anos e pupilo de ninguém menos que Larri Passos, Marcus chegou ao posto de quarto melhor jogador juvenil do mundo. Entre saques e voleios, idas e vindas, ele veio parar em Balneário Camboriú, onde se estabeleceu e, de forma diferente, deu sequência ao esporte, que continua sendo sua grande paixão.

Rafaela Martins/Agência RBS

Rafaela Martins/Agência RBS

As primeiras raquetadas de Marcus foram dadas no clube Bandeirante, em Brusque, sob a supervisão do professor de tênis Ademar Fumagalli. Com um desempenho surpreendente desde cedo, o pai Venício não hesitou em apostar as fichas no filho. Partiu em busca do técnico Larri Passos, que aceitou o desafio de ir treinar em Brusque o pequeno prodígio. Em um segundo momento, Marcus se mudou para Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul, para dar sequência aos treinamentos. O resultado da nova fase viria em seguida. Além de vencer o campeonato brasileiro juvenil aos 14 anos, o esportista ganhou ainda outro três títulos nacionais em categorias sub-21. O êxito era tanto que não sobrava espaço sequer para as competições estaduais.

A parceria bem-sucedida com o técnico Larri Passos se estendeu até os 17 anos, quando o destino impôs uma pausa na carreira de Marcus. Foram três anos e algumas cirurgias e tratamentos na Europa lutando contra uma lesão no punho. Quando ele pensava finalmente em voltar a jogar, as expectativas já não eram as mesmas. O momento era de introspecção e tristeza, mas principalmente de buscar alternativas. A maneira de se inserir novamente no esporte seria deixar de lado a carreira como atleta e estrear como treinador. “Ouvi de muita gente que eu teria sido como o Guga, mas se continuasse jogando, penso que nossos caminhos não teriam se cruzado. Percebi que minha paixão era pelo tênis, independentemente de jogar ou treinar”, conclui.

Hoje, além de manter uma amizade próxima com Guga Kuerten, com quem desenvolveu projetos, Marcus está reinaugurando em Balneário Camboriú a academia de tênis que lançou em 1996. As conquistas como técnico têm sido tão expressivas como as que acumulou como jogador. “Quando iniciei este projeto, fui convidado a treinar tenistas como André Sá, que figurou entre os 50 melhores do planeta. Também já estiveram sob meu comando Ricardo Mello e, mais recentemente, Tiago Fernandes, primeiro brasileiro a se tornar número 1 do mundo na categoria infanto-juvenil. Em 2010, ganhou o Australian Open, um dos quatro torneios Grand Slam do tênis”, recorda.

Hoje, aos 42 anos e pai de quatro filhos, Marcus vê o esporte como uma referência para a educação. Assim como seu pai aprendeu com o futebol e deixou um legado, Marcus também espera transmitir ensinamentos. Os filhos adolescentes Guilherme e Ricardo foram iniciados no tênis, mas não levaram a ideia adiante. “Admito que gostaria que eles tivessem jogado um pouco mais para aprender a competir, ganhar e perder”, observa. No entanto, a esperança se renova com os gêmeos Vinícius e Mateus, de apenas dois anos. Se depender de Marcus, o futuro do tênis catarinense será próspero.

RAPIDINHAS

Um ídolo: o técnico Bernadinho, que trabalha com vôlei e vem promovendo uma renovação do esporte. Renovar não é fácil.

Uma lembrança: a vitória de Tiago Fernandes em 2010. Ele venceu o Australian Open, subiu na arquibancada e me deu um abraço de agradecimento.

Um sonho:  Criar uma linha de produção e renovação dentro do tênis como existe em esportes coletivos, que descobrem e formam novos talentos.

Uma raquetada: nos governantes que não aproveitam eventos como as Olimpíadas para incentivar o esporte nacional. Enquanto outros países desenvolvem seus atletas, nós não temos projetos a longo prazo.

Esporte é… educação e formação de caráter. O esporte ensina o ser humano através dos problemas. É preciso superar obstáculos como a dor, lesão e distância da família.

Comentários (3)

  • Ana Paula Barbosa. diz: 15 de outubro de 2013

    Parabéns pela trajetória profissional, dedicação ao tênis e a meta de edificar valores humanos através dele.

  • Ademir Soares de Lara diz: 15 de outubro de 2013

    Marcus! Você fez história, você é uma referência no tênis com certeza,sucesso em seus novos desafios.

  • marta diz: 16 de outubro de 2013

    parabens marcus !!! lembro de vc quando ganhava os torneis. sua mae contando suas victorias no salao de beleza ai em balneario de camboriu….beijos

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