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17 de maio de 2014 0

Rafa Rech por Alex Cordova

Ele prefere ser esta metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo. Rafael Menezes Rech, ou simplesmente Rafa Rech, é um jovem artista caxiense que revela sua verve a partir de várias plataformas – é modelo e fotógrafo, realizador audiovisual e performer, costureiro e artesão. Depois de viver entre oito cidades diferentes durante seus 26 anos de vida, como Porto Alegre, São Paulo e Nova York, o guapo fixou sua bandeira na Cidade do México e garante que de lá ninguém o tira. Pluralista por natureza, foi no curso de Realização Audiovisual da Unisinos que Rafa expandiu seus horizontes.

Hoje seus trabalhos mais recorrentes são como modelo, e seu visual original – com o bigode característico e muitas tatuagens – lhe garantem propostas e ensaios ousados e criativos. No entanto, quando não está modelando, este leonino se divide entre as fotografias que prepara para publicar em um livro, as ideias para instalações artísticas, vídeos e mostras e a produção de figurinos e fotos para o inusitado projeto La Negra Que Samba – uma alegoria sobre os clichês do Brasil para estrangeiro ver.

Entre sua agitada rotina, o filho do chef Nelson Rech e Margot Menezes Bordin ainda encontra tempo para pedalar e nadar, dois de seus maiores prazeres. Rafa, que se define como “uma estranha mistura de cores e sabores”, revela muito mais de seu inquietante universo. Confira!

Rafa Rech por  Edgar Sabdiel Cortes

Rafa Rech por Edgar Sabdiel Cortes

Você já viveu em Caxias do Sul, Porto Alegre, São Paulo, Nova York e agora está radicado na Cidade do México. O que leva de cada lugar por onde passa?
Na última década já vivi em oito cidades diferentes e acho que isso sem dúvida reflete o que eu sou hoje. Sou uma grande mistura de repertórios e experiências, uma confusão. Mas é muito divertido estar mudando, na verdade. São oportunidades para começar de novo e me focar em coisas que realmente importam. Nesse tempo infelizmente me despedi fisicamente de muita gente. Eu sou de ciclos… Tem gente que diz que eu nunca encontrarei a felicidade mudando tanto assim de casa e ambiente, e que a verdadeira paz está dentro da gente. Obviamente isso é verdade, mas também é verdade que o ambiente influencia a experiência.

E o México agora é seu lar definitivo? Como é seu dia a dia por aí?
No México eu encontrei meu cenário perfeito. Vou pro meu quarto ano aqui, apesar de ter só seis meses na Cidade do México. Antes, vivendo em Monterrey, era tudo muito diferente. Meu dia a dia é muito intenso. Os mexicanos são pessoas incríveis e adoram conhecer coisas diferentes. As opões de cultura e arte são muito diversificadas e esta é a cidade da América Latina com mais museus. É muito interessante conhecer esta metrópole depois de viver em São Paulo. São cidades muito diferentes! Aqui vou de bicicleta pra qualquer lugar, tudo é perto e o clima é delicioso. Claro, se você estiver de carro, a experiência pode ser pior que São Paulo. Há muitos jovens e estrangeiros por todos lados e a vibração é parecida com Buenos Aires. Eu amo e daqui ninguém me tira!

Rafa Rech por Carlos Medel

Rafa Rech por Carlos Medel

Como surgiu sua paixão pelas artes e quais foram as suas primeiras manifestações?
Com os audiovisuais, meu primeiro contato surgiu por acaso, num trabalho de escola no terceiro ano – período de escolha de profissão. Naquele tempo eu via muita MTV e tive uma ideia de fazer um videoclipe. Eu desenvolvi o conceito, dirigi, atuei e editei. Acabei sabendo do curso da Unisinos (de Realização Audiovisual) e não pensei duas vezes! Agora eu me envolvo em diferentes tipos de projetos, não só com o audiovisual. Nesse percurso, fui descobrindo que a gente não precisa fazer uma coisa só na vida. É até tedioso, né?

Sua formação é em Realização Audiovisual, mas sabemos que seus projetos vão além. Comente brevemente seu histórico profissional e principais trabalhos artísticos.
Em cada cidade que vivi trabalhei com diferentes mercados. Em Porto Alegre, basicamente com cinema. Em São Paulo e Nova York, com moda. Já em Monterrey, trabalhei com comercial e vídeos para web. Nunca nada foi planejado de fato. As oportunidades foram se dando e eu as fui agarrando. Depois de viver quase três anos em Monterrey, me cansei e decidi tentar a vida aqui na Cidade do México. Foi quando comecei como modelo profissional. Agora tento conciliar minhas duas profissões!

E você se expressa a partir de diferentes plataformas, como a costura, artesanato, fotografia, vídeo e performance. O que mais lhe agrada e o que ainda deseja fazer?
Os trabalhos manuais sempre me acalmam mais e os digitais me deixam um pouco mais tensos, isso é comum pra muita gente. A maioria do trabalho pago normalmente está relacionado ao uso de câmera digital e computador. Eu desfruto muito da fotografia analógica, paixão que o curso da Unisinos e a fotógrafa Jacqueline Jonner me proporcionaram. Há algum tempo estou trabalhando em um projeto de um livro de fotografia, com fotos tiradas em médio formato com a câmera russa Holga. Em algum momento ele sairá, estou esperando o tempo certo.

Rafa Rech por Jvdas Berra

Rafa Rech por Jvdas Berra

Rafa Rech por Jvdas Berra

Rafa Rech por Jvdas Berra

Rafa Rech por Jvdas Berra

Rafa Rech por Jvdas Berra

Quais são suas novidades dentro do projeto La Negra Que Samba? Pretende trazê-lo para o Brasil?
Na verdade, eu não tinha pensado em levá-lo ao Brasil. Eu acho que é um formato que funciona muito bem fora daí. O México é um cenário perfeito para isso, pela admiração que eles têm pela nossa cultura tropical. Eu acredito que a partir do instante que eu começar a envolver mais elementos da cultura mexicana nesse projeto seria o momento ideal de levá-lo para o Brasil. Aliás, são duas culturas extremamente diferentes, em questão de história e costumes, mas que se complementam esteticamente de uma forma muita perfeita. As cores, as texturas, os temas…

Quais são seus projetos para o futuro dentro das artes visuais?
Eu tenho um projeto de exposição dentro do La Negra que Samba, no qual a ideia é criar vários espaços que brinquem com o orgânico, o plástico, o analógico, o digital… Seria uma experiência sensorial em uma galeria aqui na cidade, mas a verdade é que a vida como modelo tem me desviado muito dos meus projetos pessoais. Estou querendo aproveitar esse momento. Está sendo legal!

Como modelo, você participa de ensaios e propostas que fogem do convencional. O que te atrai neste universo?
Estar em contato com situações novas e pessoas diferentes é muito motivador. O mais atraente disso tudo é interpretar papéis e personagens. Disso se trata minha pequena paixão pelas artes performáticas. Quando vivia em São Paulo, eu fazia performances com o coletivo da Voodoohop, que hoje é um dos maiores expoentes dessa arte orgânica e jovem no país, muito autêntica e original. Aprendi muito sobre a expressão corporal.

Rafa Rech para Hikis One

Rafa Rech para Hikis One

E quais foram as propostas mais desafiadoras e interessantes das quais participou como modelo?
Já teve de tudo. O bom de ter um estilo tão especifico como o meu, com as tatuagens, o bigode, etc., é que na maioria das vezes os trabalhos são muito divertidos e apresentam propostas mais inovadoras. Obviamente, pelo mesmo motivo, não ganho como um top (model) aqui no México, apesar da exposição e do alcance do meu trabalho. 

Qual é o fotógrafo que te registrou que mais capturou quem você realmente é? Conte um pouco sobre este ensaio.
Foi o Jvdas Berra, amigo que fiz quando vivia no norte do país, em Monterrey. Hoje ele também reside na Cidadedo México e sempre está produzindo muitíssimo material interessante com colaboradores de peso. Para este ensaio eu fiz as minhas próprias asas com folhas de palmeira seca. Já na locação haviam outros elementos que acabamos usando improvisadamente. Sabe como é… uma sacola de lixo que está aí atirada, colocada na cabeça, pode ficar interessante.

Quais são seus ídolos, ícones e mestres?
Ícones do mundo trash, como o duo da atriz Divine com o diretor John Waters. Cineastas tais como Lars Von Trier e os irmãos (Joel e Ethan) Cohen também fazem a minha cabeça, assim como Tom Zé, Mutantes, Tim Maia e Bezerra da Silva.

O que te inspira?
O céu, as nuvens, o vento, os entardeceres, o fogo, a terra e o talento alheio.

Como você se define?
Uma mistura estranha de cores e sabores. Uma explosão psicodélica, de um humor muito variável. Posso chegar do céu ao inferno com um estalar de dedos.

Além da arte, quais são seus prazeres, hobbies e paixões?
Exercícios, andar de bicicleta pela cidade com fones de ouvido, ir a brechós, nadar e namorar.

Podemos esperar uma visita sua em Caxias do Sul brevemente?
Olha, esta é uma pergunta difícil… Acho que só no Natal mesmo. Melhor vocês virem me visitar!

Rafa Rech por El Galo

Rafa Rech por El Galo 

RAIO-X

Filme: Pink Flamingos, de John Waters
Livro: Qualquer Acidez de Nelson Rodriguez
Música: Rádio Cómeme, cumbia ou deep house
Cor: laranja neon
Prato: bananas, laranjas e abacaxis
Lugar: Playa Mazunte, em Oaxaca, no México
Uma qualidade: ser camaleônico
Um defeito: ser volátil
Uma mania: tatuagem
Um aroma: pele
Um som: sintetizadores dos anos 80
Uma imagem: a Virgenzinha de Guadalupe
Um sonho: viver em alguma praia do pacífico quando for mais velho
Não vivo sem: minha bicicleta

Rafa Rech por Jvdas Berra

Rafa Rech por Jvdas Berra

Rafa Rech por El Galo

Rafa Rech por El Galo

Rafa Rech por Jvdas Berra

Rafa Rech por Jvdas Berra

Rafa Rech por Eunice Adorno

Rafa Rech por Eunice Adorno

 

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