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Social do fim de semana

08 de agosto de 2015 0

Fernando Bins - Andrei Cardoso, divulgação
Foto: Andrei Cardoso, divulgação


Páginas da Vida

Quando os pensamentos e elucubrações extrapolavam a mente de Fernando Bins Sandi, eles logo se transformavam em palavras. Suas ideias inicialmente formavam poemas, depois crônicas e logo contos. O processo para chegar à concepção de seu primeiro romance foi natural, e o rapaz nascido em Maravilha, Santa Catarina, mas radicado há muito em Caxias do Sul, deu asas à imaginação e letras para sua inquietação. Com dois romances publicados e pelo menos uma dezena de ideias para futuros literatos, o jovem de 25 anos vislumbra ansioso um mundo de páginas em branco para preencher.

Estudante de psicologia no último semestre da graduação, Fernando sempre foi afeito à literatura, inspirado desde criança pela disposição da mãe, Maria Virgínia Bins, em trocar as novelas pela leitura. Quando, na adolescência, se aproximou do universo intrigante de Agatha Christie e da sensibilidade do bardo inglês William Shakespeare, evoluiu de leitor voraz para escritor de suas próprias histórias. Das referências do suspense policial e investigativo com questionamentos pungentes sobre a moral, seu primeiro romance nasceu em 2013, intitulado “Contagem dos Inocentes”. Protagonizado por um investigador que tenta decifrar uma série de crimes na Serra Gaúcha, a narrativa ecoa a inteligência das tramas do detetive Hercule Poirot – herói máximo de Christie – numa roupagem moderna e ágil.

Menos de dois anos depois, Fernando libertou de seu imaginário outro personagem e história: um homem preso injustamente por um crime que não cometeu e seu processo de degradação física, intelectual e social. Inspirado por um fato, o escritor se valeu de seus estudos sobre a psique humana para compor sua segunda obra, batizada “Os Olhos do Condenado” e publicada em abril deste ano. Entre suas escritas e estudos, muitas leituras compõem os ritmados dias de Fernando, em obras que vão de Chuck Palahniuk à Sigmund Freud, passando por Patrick Süskind, Richard Dawkins e Robert Bloch.

Victor Hugo, autor preferido de Fernando, declarou certa vez que a vida já é curta, mas nós a tornamos ainda menor ao desperdiçar tempo. Para fugir desta máxima, o escritor caxiense busca entre suas constantes imersões literárias outras motivações para fugir da rotina, que ele confessa já serem bons vícios e que compartilha com a namorada, a estudante e empresária caxiense Maryleen Horsmann: “Café. Amor. Corridas pela cidade. Música. Gastronomia. Improviso. Cinema. Aventuras. Em base, todas essas drogas (extremamente) entorpecentes”.

Ele conta mais detalhes sobre suas aspirações e inspirações para o futuro, que contemplam poucas horas de sono, mas muitas linhas escritas. Confira!

 

 Fernando Bins - Rafaela Bins Sandi
Foto: Rafaela Bins Sandi, divulgação

 

Como e quando a arte da escrita entrou em sua vida?
Minha mãe sempre foi uma pessoa que trocou uma novela por uma leitura. Lembro que ela sempre reclamava que não conseguia conversar sobre a maioria dos assuntos que as outras pessoas conversavam. Acho que aquela inquietação me encantou, de certa forma; foi um mundo que me interessou. Hoje, entendo ela. Bem demais.

E quais foram os primeiros livros que leu e que o apaixonaram pela literatura?
Primeiras leituras foram na escola. “Um Leão em Família” é um exemplar que recordo. Mas fui introduzido propriamente na literatura através de “O Caso dos 10 Negrinhos”, de Agatha Christie e de sonetos de William Shakespeare. Quanto aos livros que me apaixonaram pela literatura, ainda estou os conhecendo. Diversas leituras me deslumbram. É sempre um processo apaixonante.

Quando percebeu que precisava dar asas – ou melhor, páginas – para suas aptidões para a literatura?
Comecei escrevendo poesias. Era triste demais. Tinha grande influência de música sertaneja de raiz e, portanto, os primeiros versos eram mais tristes que a morte da bezerra. Uma colega, na época, se propôs e digitar e imprimir o meu material e, ao mesmo tempo, dava sua opinião. Comecei a gostar desse processo. Fui me adaptando. Segui para as crônicas. Contos. Encontrei-me no romance.

Como nasceu seu primeiro romance, “Contagem dos Inocentes”, e sobre o que ele trata?
Como estudante de psicologia, tinha o interesse em escrever sobre algo ligado às doenças mentais. Então, lá pelas primeiras 50 páginas, surgiu um personagem – Erik Robbins – que pareceu gritar por mais espaço. E o dei. E gostei. Acabou que o livro se tornou um romance policial, tendo Erik como protagonista; um gênio que trabalha na Divisão de Criminologia do Departamento de Polícia. Ele, alicerçado aos colegas de trabalho, estuda as cenas do crime e as vítimas para chegar – e levar à justiça – um criminoso que assombra a cidade de Caxias do Sul.

O universo de “Contagem dos Inocentes” envolve um departamento de polícia e uma história de mistério e crime. Se aproximou deste ambiente na prática enquanto escrevia o livro, a partir de pesquisas e entrevistas? Como foi seu processo de escrita para esta obra?
Na verdade, quando escrevi o “Contagem”, não tinha intenção de publicá-lo. Era somente uma ideia que corria para as linhas de um arquivo de computador. Então, acabei não pesquisando questões mais técnicas de leis e sistemas brasileiros. Surpreendeu-me a publicação posteriormente. Acabou que o publiquei tendo como base somente o conhecimento teórico e a base de livros literários, filmes e seriados fictícios. O processo de escrita, como eu costumo dizer, foi um “pé no acelerador, sem freio, de olhos fechados”. Escrevi o livro em 13 dias. Cerca de vinte e poucas páginas por noite.

E quais foram suas expectativas e resultados com a publicação deste livro?
Não tinha expectativas de publicar, como disse. Contudo, quando o livro foi aprovado pelo FINANCIARTE, eu imaginei que viveria um mundo de fama e fortuna e fama e fortuna mais um pouco. Foi bem diferente. Mas, no somar dos dias, eu digo que o resultado foi bem melhor do que eu esperava. O reconhecimento e a possibilidade de conhecer tantas pessoas como conheci é algo que nem em meu mais megalomaníaco sonho eu poderia prever.


Foto: Rafaela Bins Sandi, divulgação
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Quais as origens de seu segundo romance, publicado recentemente, intitulado “Os Olhos do Condenado”?
A origem, como na maioria dos casos de inspiração, foi algo inusitado. Eu estava correndo, pela cidade, com um amigo. Ele me contou sobre uma notícia que viu, na internet: “Homem pega AIDS na cadeia, depois é inocentado do crime”. Aquilo latejou em mim; passei o resto da corrida e fui para casa pensando naquilo. Posteriormente, comecei a escrever, estudei questões técnicas do sistema carcerário e das leis e, assim, enviei mais este livro ao financiamento público municipal.

Na trama, desenvolve a história de um personagem acusado de um crime que não cometeu e seu processo de degradação física, intelectual e social. Qual é seu interesse e pensamento sobre essas questões?
Eu sempre deixo claro que não tenho posse da verdade. Com o livro, portanto, estou apenas expondo a minha opinião sobre o que influencia – e muito – na decisão de um sujeito, no meio social. Desta sorte, quero que o leitor se questione; me questione. Quero, ainda mais que expor uma ideia, abrir espaço para o diálogo; crescimento intelectual.

Como se deu essa troca de perspectiva para outro aspecto do sistema judiciário depois de “Contagem dos Inocentes”, onde o ambiente principal era um departamento de polícia, para o universo carcerário, onde se passa “Os Olhos do Condenado”?
Queria mais falar da situação de um homem, em um meio. Não como Erik, que era apoiado pelos seus colegas do departamento de polícia, mas como Felipe, que era oprimido e severamente prejudicado pelo sistema carcerário. Eu queria trazer, acima de tudo, a influência de um meio contrário; perverso, sobre um homem.

Percebe alguma relação essencial entre ambas as obras? Há alguma aproximação temática ou necessidade de discutir questões sociais e morais importantes que motivam sua escrita?
Certa vez, um colega escritor me disse que a literatura não tem compromisso algum com a realidade. De fato. Concordo com ele. Contudo, também vejo, na literatura, uma boa via para debater alguns temas. Acredito, infelizmente, que vivemos a máxima de “gostos, cores e amores não se discutem”. E isso sim eu acho que está errado. Acredito que devemos discutir – debater, mais propriamente – sobre tudo; que isso nos permite crescer; amadurecer e formar ideias, para depois defendê-las. Por isso, eu busco, através de minha escrita, trazer questões que eu acredito que uma fração da sociedade atual trate de forma banal; sem um outro ponto de vista. Eu quero que meu leitor se veja nos meus personagens, seja ele “Inocente” ou “Condenado”.

Seus estudos na graduação em psicologia contribuem e/ou influenciam seu processo de escrita e a construção de seus personagens literários?
Sem dúvida alguma. Bebo direto da fonte da psicologia, sempre que começo a construir um personagem. Isso, inclusive, me permite entrar no mundo deste. Acredito que acrescenta muito favoravelmente ao meu trabalho.

E como essas duas áreas, a psicologia e a literatura, se relacionam?
Como um casal de namorados pré-adolescentes: por vezes, os dois fazem juras de amor eterno e tatuam o nome do outro na pele; já outras, um não quer nem ver o outro pintado de ouro.


Foto: Rafaela Bins Sandi, divulgação
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Possui uma escrita característica, com narrativas envolventes e baseadas no gênero policial e suspense dramático. O que você destaca que caracteriza uma obra essencialmente sua?
Um relacionamento próximo com o leitor. Gosto de – enquanto escrevo – falar com o meu leitor para que este se sinta abraçado, igualmente, pela minha obra. Usufruo de metáforas; parágrafos de tamanhos variados; personagens humanos. Tudo isso, em suma, acredito que acaba colabora para que o leitor se sinta mais próximo.

Como recebe críticas e se relaciona com os espectadores de suas obras?
Adoro que critiquem o meu material. Críticas positivas e negativas. Sempre me motivo; me inspiro. Mas admito: prefiro um leitor que não goste de meu trabalho; me critique e me diga como posso melhorar do que aquele que diz gostar, mas mal leu o livro.

Já vivenciou alguma situação inusitada por conta de uma obra sua?
Diversas! Tenho algumas histórias para recordar, entre um café e outro. Algumas, melhor “deixar quieto”. Mas uma que me chamou a atenção foi de uma leitora da Bahia que disse que comprou o meu livro usado, através do OLX, de um vendedor do Rio de Janeiro. OBS: até então, não conhecia e não tinha vendido nenhum livro para o RJ. Outro acontecimento legal foi de uma leitora que levou o meu livro para a Nigéria. Achei demais! Meu livro mais viajado que eu!

E quais são seus projetos para breve? Já está pensando em suas próximas publicações?
Sempre estou pensando no futuro. Na minha cabeça, já tenho ideias para 10 publicações. Inclusive, com amigos, familiares, namorada, por vezes, empresto ideias, porque não consigo lidar com todas elas sozinho. Tenho um projeto para o ano que vem. Mas nada certo. Só um projeto. Quem sabe…

Integra uma geração composta por jovens caxienses plenamente criativos e talentosos. Quais são as características que destaca desta nova geração de profissionais?
Acredito que Caxias fomenta cultura em todas as gerações. Lembro de nomes fantásticos da história recente. Quanto à minha geração, creio que um diferencial é a interatividade; a comunicação virtual, as ideias que fogem do comum. Creio que essa nova leva de escritores está começando a tratar o livro de uma forma diferente; não só como algo a ser lido e repousado, em uma estante; mas um amigo para interagir, discordar e acompanhar.

Qual é seu processo de trabalho e criação para o nascimento de uma obra sua?
Eu costumo dizer que a inspiração é aquela namorada que “partiu; partiu; e nunca mais voltou!”, mas que, numa noite, vem, como um perfume, invadindo a janela do quarto, e lhe faz ter mil e uma recordações. Então, eu nunca sei onde e em que horário a inspiração vai me bater (ou me espancar). Por isso, eu sempre carrego um caderninho. Ali, eu anoto uma base de minha ideia. Em casa, eu uso esse esqueleto para fazer o texto “pegar no tranco”. Aí, surge, naturalmente.

Quais são os mestres da literatura que te inspiram e que você mais admira?
Victor Hugo. Chuck Palahniuk. Sigmund Freud. Patrick Suskind. Richard Dawkins. Robert Bloch. Ah! São tantos!


Foto: Rafaela Bins Sandi, divulgação
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Como você define sua personalidade e suas principais características? Elas são essenciais em sua área profissional?
Eu me defino como instável. Nunca sei como estou, exatamente. Eu sou tipo um gato (o animal): por vezes, eu quero ronronar e esfregar o meu bigode em qualquer colo. Em outros, eu sumo; não dou notícias e ignoro todo mundo. Em outros, eu só quero comida e tchau. Isso colabora, em meu profissional, sem dúvida. Acredito que essa personalidade “à beira do abismo”; “no olho do furacão” permite que eu cresça, me explore; me desbrave. Claro que certa angústia e imprevistos surgem; pelo caminho. É natural. Mas essa instabilidade colabora, sem dúvida, para o meu processo.

O que lhe inspira?
Café. Amor. Corridas pela cidade. Música. Gastronomia. Improviso. Cinema. Aventuras. Fugir da rotina. Em base, todas essas drogas (extremamente) entorpecentes.

Na pele de quem gostaria de passar um dia?
Do homem mais rico do mundo. Neste dia, investiria todo o dinheiro dele em políticas públicas; projetos sociais. O dia seguinte seria o melhor dia da vida dele (e de vários outros).

Quais são seus prazeres, hobbies e paixões?
Escrever. Cozinhar. Comer. Ler. Namorar. Estudar. Fazer coisas novas.

Como você se define?
Sou uma criatura complicada. O cúmulo do paradoxo. Evito o máximo possível me deparar e usar clichês. Quero sempre inventar o meu mundo e, se possível, não ter que viver uma realidade só porque o resto da sociedade me diz que é o certo. Sou um apaixonado pelo mundo e, ao mesmo tempo, um crítico de todos.  Sou um cara sério e cético, mas que ainda não aceitou que os adultos não podem ter amigos imaginários e que tenham que usar shampoos que ardem o olho. Sou um ponto de interrogação que olha, pelo horizonte, as respostas do que já sou e ainda posso ser, mas, no fundo, acho que sou uma boa pessoa.

 

Fernando Bins - Rodrigo Onzi, divulgação
Foto: Rodrigo Onzi, divulgação

Preferidos
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Filme: Um Sonho de Liberdade, de Frank Darabont.

Livro: Os Miseráveis, de Victor Hugo.

Música: Comfortably Numb, Pink Floyd.

Cor: branco

Prato: bem cheio

Lugar: num abraço

Uma qualidade: sonhador

Um defeito: impulsivo

Um aroma: as pedras da calçada, na chuva, depois de um dia quente

Um som: ouvir, sussurrado no ouvido: “eu te amo”

Uma imagem: um casal se beijando

Um sonho: ajudar outras pessoas

Não vivo sem: imaginação

 

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ESTILEIRA

 

Letícia Giovanella - Jeferson Deboni, divulgação
Letícia Giovanella num look que anuncia a primavera.

Foto: Jeferson Deboni, divulgação

 

Suelen Penso - Cristiano de Oliveira, divulgação
Suelen Penso com clássico pretinho básico para dançar na baladinha.

Foto: Cristiano de Oliveira, divulgação

 

Fabíola Paglioli Dannenhauer - Fernando Dai Prá, divulgação
Fabíola Paglioli Dannenhauer cheia de charme em preto e branco.

Foto: Fernando Dai Prá, divulgação

 

Quente

Mulheres expoentes da Casa da Amizade das Esposas dos Rotarianos de Caxias do Sul, Vilma do Nascimento, Zeni de Fátima Salvador, Eliete Sbabo, Lilia Tonietto, Izabel Bender e Ivania Chissini recepcionam personalidades da sociedade, neste sábado, na hora do almoço, para o projeto gastronômico e filantrópico ‘Feijoada da Amizade’. O encontro terá as honras do casal Raul e Nilva Randon, que abrem as portas do Salão do Lago da Randon para abrigar a reunião social.


Quinze

Os gramadenses Alexandre Davi Gehlen e Andréa Fernanda Perine Gehlen reúnem familiares e amigos para a grande festa ao redor dos 15 anos da caçula deles, Maria Carolina Perine Gehlen. A recepção ocupará os salões do hotel Serra Azul, na Região das Hortênsias, neste sábado à noite, com as atenções de Bruna, mana da aniversariante. A cerimonialista Clea Koch assina o aparato organizacional.

 

Paralelas


• As manas Angélica e Franciele Gottfried Mott alçam voo profissional juntas. Elas acabam de criar um escritório de advocacia nos domínios da Avenida Júlio de Castilhos.

• A executiva Carla Tomaz volta ao centro das atenções. Segunda-feira, a bonita esposa de Alexandre Bado celebra em família com a pimpolha deles, Sofia, a data querida.

 

 

Vera Vanin e Hieldis Martins - Fábio Grison, divulgação
Vera Vanin e Hieldis Martins prestigiaram o coquetel do 5º aniversário
da Revista Afrodite, liderado por Simoni Schiavo e Zeli Dambros.

Foto: Fábio Grison, divulgação

 

Simoni Schiavo e Zeli Dambros - Fábio Grison, divulgação
Simoni Schiavo recepcionada por Zeli Dambros
quando celebravam o aniversário da revista editada por Simoni.

Foto: Fábio Grison, divulgação

 


A caxiense Cristine Carvalho foi dar aula de estilo
em parceria com Claudia Piantini, em Curitiba.

Foto: Priscilla Fiedler, divulgação

 

 

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