Obras da Copa: Estádio Maracanã, obra com autossustentabilidade. E o Beira-Rio e o Olímpico?
02 de maio de 2012 0Fiquei sabendo detalhes sobre as obras de reforma do Estádio Maracanã no Rio de Janeiro com vistas à Copa do Mundo. O estádio municipal, já considerado o maior do mundo, dá um exemplo de sustentabilidade ambiental. Deixando de fora as licitações e as previsões orçamentárias sobre as quais se houve tantas notícias, vou falar do exemplo que traz para a manutenção do meio ambiente, matéria de vital importância para a humanidade nos dias de hoje.
Em razão dos nossos desvarios ambientais (poluição, extinção de espécies, gastos desenfreados da cadeia de produção) nos encontramos entre a manutenção dos recursos ambientais não renováveis e a sustentação do desenvolvimento de todas as nações. Ficamos obrigados a inserir no nosso dia-a-dia, cuidados com os recursos naturais não renováveis sob pena de daqui a pouco tempo entrarmos em colapso ambiental definitivo e irreversível.
Não existe mais opção: ou nos tornamos econômicos com os gastos ambientais ou comprometeremos de vez a vida em nosso planeta. Devemos colocar definitivamente em nosso pensamento e daí em nossas ações, todas as formas de sustentabilidade e economia, de tudo o que disser respeito aos recursos naturais. Devemos nos conscientizar do custo ambiental que envolve a todas as nossas ações. Devemos calcular quanto de água gastamos para uma construção, uma confecção, uma plantação e uma vida doméstica. Devemos nos conscientizar de quando gastamos de ar, de árvores, de plantas e de animais para, em um sacrifício macabro e sem propósito, gastarmos impunemente neste planeta, a fim de mantermos nossas vidas, consumistas em demasia. Devemos recusar a cartilha do consumo que nos diz que hoje quem pode mais e possui mais, chora menos. Não é verdade.
No final da conta, no resultado total da soma, estamos perdendo recursos não renováveis com nosso modo de vida que, se fosse mais simples e menos artificial na alimentação, no vestuário, em transporte e nas construções de nossas suntuosas casas, estaríamos de fato sendo luxuosos, nobres e muito, mas muito inteligentes. Vamos ter que encontrar um jeito de trocar o ter pelo ser, de não necessitarmos de demonstrações de poder e abastança para sermos considerados seres inclusos na tribo dos tolos consumistas modernos! Aqueles que, no acender das luzes da ribalta, são os cidadãos respeitáveis... Ostentação já era!!!
Para dar um exemplo, falo da vida doméstica. Quanto de alimentos, roupas, energia elétrica e combustíveis não podemos poupar? Quanto podemos poupar se adquirirmos produtos de energia limpa e de produção autossustentável? Precisamos nos conscientizar do conceito de universalidade e ponto final. Não nos resta outra consciência que não a do fato de que tudo o que fizermos aqui, mesmo dentro do recôndito de nosso lar, repercute de muitas formas em Kiribati (Polinésia francesa), para dar um exemplo de distância... Somente um exemplo!
Mas uma ação especificamente me chama a atenção, as obras de reforma do Maracanã. Tudo foi projetado para que os restos da construção de 60 anos sejam reaproveitados: 75% da caliça, material de demolição do concreto, vai para as fábricas de tijolos que, prontos, voltam para as obras de reforma; as escavações chegam a vinte metros no solo e o caldo de terra e água (lama) percorrem 80 quilômetros de caminhão para chegar às fábricas de cerâmica, certificadas ambientalmente, retornando ao canteiro em forma de lajotas; o solo do gramado que assistiu a grandes craques e grandes eventos e que recebeu nutrientes e água por seis décadas (riquíssimo) e que agora é retirado, vai para um viveiro de mudas da mata Atlântica, na Ilha de Guaratuba, perfazendo a inimaginável quantidade de mil toneladas; canos de irrigação do gramado e tufos de gramas também recebem destinação especial; os ferros retorcidos vão para fábricas de churrasqueiras que também possuam certificação ambiental; uma parte das cadeiras do antigo estádio ainda com os nomes dos donos perpétuos, vai para o estádio do São Cristóvão (RJ), time da segunda divisão e outra parte para clubes municipais, também do Rio de Janeiro. As traves das goleiras estão guardadas no Maracanã por que já são históricas. Assistiram campeonatos, gols, competições e grandes lances de grandes jogadores. O destino delas é o Museu do estádio.
Pergunto a todos os canteiros de obra para a Copa: Quem dá o mesmo exemplo das obras sustentáveis e ambientalmente corretas do Estádio Jornalista Mário Filho, o Maracanã?
E aqui? Os construtores que vão implodir o Estádio Olímpico e estão, antes disto, construindo a Arena, pensaram em algo sobre reaproveitamento? Sobre tornar o Monumental realmente imortal e útil de verdade para a humanidade? E o Beira-Rio, depois de tanta discussão sobre o início das obras de reforma, está reaproveitando o material da demolição de forma sustentável? E as outras obras da Copa que povoam o país possuem esta consciência? E os órgãos públicos de liberação e supervisão destas obras pensaram em algum certificado ambiental obrigatório? Devemos começar por nossas casas a pensar no meio ambiente, nossa verdadeira morada, mas quem começa?
Parabéns prefeitura do Rio de Janeiro! Sua casa dá um grande exemplo.
Alice Prati
