Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros

Novidades no blog

16 de maio de 2012 0

"Dança dos Tapuias"/Albert Eckout/1643

"Tudo aquilo que não pode morrer" e "Enquanto a chaleira chia, a batata assa" serão dois artigos semanais onde falarei de coisas importantes e de memórias que devemos preservar, conservar e restaurar, ou seja, coisas que não podem morrer para a humanidade e coisas que estão um tanto, eu diria, já moribundas, mas que não podem extinguir-se. Aquelas que valem a pena sabermos e utilizarmos bem, explorando todo o seu potencial gerador de conhecimento e, resumindo, de felicidade.

Tudo aquilo que não pode morrer foi criado para ajudar a considerarmos as origens e os objetivos das coisas que fazem parte do nosso cotidiano, mas que são de importância incontestável, pela utilidade que possuem para a humanidade. Aquelas coisas as quais merecem um olhar mais profundo, além de seu mero exercício, de sua utilização. Assim é que se mantêm memórias: com conhecimento e estudo, além da aplicação e do uso. Enfatizo que a utilização e a aplicação de saberes e fazeres sem conhecimento e conservação de origens, formas, conteúdos e estilos pode não preservar e sim criar outras forma de.

Enquanto a chaleira chia, a batata assa foi criado para que, semanalmente, possamos falar das memórias materiais e imateriais que estão postas a degradação por ação ou por omissão e que sequer percebemos pela correria do nosso dia-a-dia.

Tudo aquilo que não pode morrer: a língua

Hoje serei bem didática, pois penso que existem certas coisas que precisamos saber de verdade sem barganharmos com a falta de tempo e independente de nossos gostos, opções ou estilo de vida e a língua é uma delas e pela importância será nosso primeiro assunto.

Modernamente, a cultura do rapidinho, do restrito, do instantâneo e do sucinto, criando fragmentos e cacos quase sempre interpostos entre nós e a felicidade, responde imperativamente sobre tudo em nosso estilo de vida atual. Nada é mais tão completo, explicado e apreendido. Tudo é pequeno, rápido e, quando assim não o é, é híbrido, ou seja, faz sociedade com “outro algo” para minorar tempo ou custos.

A língua (idioma) é um desses pontos que sofrem minorações convenientes todos os dias. Não só em seu exercício, como em seu conteúdo. Explico: em seu exercício, por que podemos ter línguas mortas e línguas extintas e em seu conteúdo por que, em sendo dinâmica, uma língua sofre modificações. Um exemplo de modificação? Os tchus, os tchas e os tchetchereretchetches, que são utilizados em letras de músicas e o internetês, linguagem criada para comunicação via rede mundial de computadores.

Vamos segurar o tchan e criar tempo para aprendermos um pouco mais sobre tudo aquilo que não pode morrer! Do contrário, ficaremos somente tcl e kkkkkk! Não vai sobrar nem Oi!

Em todas as áreas dos saberes e dos fazeres humanos, a língua é um meio de formação e desenvolvimento da sociedade. Tudo é transmitido pela linguagem e, quando uma língua está extinta ou morta, perde-se uma cultura inteira em suas formas, seus pensamentos e sua sobrevivência. Não há mais como contar nada a ninguém, resumindo.

O que digo a seguir sobre a língua é algo que deveria ser de domínio básico para as pessoas, mas grande parte não sabe e se sabe, não lembra mais. Coloquei as coisas como texto de escolinha, mas é um dever uma pesquisa mais profunda, não?

Língua, por definição, é um sistema de signos orais gráficos que compõem um código que serve aos indivíduos em suas necessidades de comunicação. É um fator social que modifica, move e produz sociedade, ou seja, a sociedade é formada por comunicação, por linguagens, que são formas de transmissão de informações. A língua é uma das características mais importantes da identidade cultural de um povo.

Cultura é todo o fazer humano que pode ser transmitido de geração em geração.

Língua extinta: é uma língua que não possui mais falantes ativos e nem pode ser estudada. Exemplo: proto-indo-europeu.

Língua morta: é uma língua que não possui falantes ativos, mas que pode ser estudada. Exemplo: latim.

Hoje são 6.809 línguas faladas no planeta, das quais 2.500 estão ameaçadas de extinção.

A próxima língua falada a ser extinta é o Livoniano, que possui somente um falante. A última língua extinta foi o idioma EYAK, no Alasca, em 2011, com a morte das únicas duas pessoas que a utilizavam.

Nas três últimas gerações, 200 línguas desapareceram e 199 reduziram-se ao uso de apenas 10 nativos.

No total, mais de 192 línguas utilizadas pelas Nações Unidas foram extintas e 71 estão seriamente ameaçadas. Cientistas advertem que metade das línguas estará morta em cem anos e os maiores fatores que contribuirão para isso serão a dominação econômica e cultural e explosão demográfica.

Hoje o inglês é a primeira língua mais falada no mundo como segundo idioma e a segunda mais falada como primeiro. O chinês é o primeiro idioma mais falado no mundo.

Eis um dado intrigante sobre uma futura extinção anunciada de idioma: tribos Amoz e Africanas perderão os saberes e fazeres de sua atividade econômica quando sua língua for extinta, pois o conhecimento que possuem da região e de espécies naturais está associado ao nome que deram à plantas, animais e rituais. Uma indústria farmacêutica, por exemplo, não conseguirá encontrar uma espécie em determinada região sem a ajuda do povo nativo.

Segundo cientistas, a humanidade não caminha para uma língua universal como o Esperanto, pois mesmo que uma língua domine o mundo, em dez anos sofrerá modificações em diferentes países e culturas e uma nova língua acabará sendo criada. A língua humana é bastante dinâmica.

Dados:

Papua/Nova Guiné é o país onde existem mais idiomas. Possui 850 línguas faladas.

No Brasil, na época do descobrimento, eram faladas mil línguas. Hoje das 200 línguas faladas (UNESCO), 180 são indígenas, sendo que destas, 45 estão ameaçadas de extinção, 45 ameaçadas e 17 em perigo severo (Folha de São Paulo). No Oeste do Brasil existe uma língua falada por apenas duas pessoas, o Puruborá, e provavelmente será a próxima a ser extinta.

No século XVII, a língua oficial do Brasil passou a ser o português que se espalhou pelo mundo nos séculos XV e XVI, enquanto Portugal criava o 1º Império Colonial. Atualmente é a sexta língua mais falada no planeta (mais de 215 milhões de nativos) e é adotada nos seguintes países: Portugal, Guiné Bissau, Brasil, Angola, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde, Timor Leste, Macau e Guiné Equatorial.

O português é uma língua românica (do grupo ibero-românico) e sofreu várias influências até a atualidade. Composta de dialetos e subdialetos, falares e subfalares além de dois padrões reconhecidos internacionalmente (português brasileiro e português europeu) é a única língua no mundo ocidental falada por mais de cem milhões de pessoas com duas ortografias oficiais. Situação que o Acordo Ortográfico de 1990 pretende corrigir, adotando uma única forma.

Nossa língua ainda possui 356 mil unidades lexicais dicionarizadas no vocábulo ortográfico da língua portuguesa, sendo conhecida como a língua de Camões (Luis de Camões, autor de Os Lusíadas), como “a última flor do Lácio”, expressão criada por Olavo Bilac no Soneto da Língua Portuguesa e ainda como “A Doce Língua”, por Miguel de Cervantes.

O Brasil, desde 2010, possui o Inventário Nacional de Diversificação Línguística. Nele podemos encontrar curiosidades como o registro do idioma Talian que é a língua italiana influenciada pelo idioma português, falado aqui no RS pelos imigrantes italianos de origem vêneta e por seus descendentes.

Também em Santa Catarina, mais precisamente em Pomerode, tem o registro de instituição da língua alemã como idioma cooficial da cidade.

Os critérios para avaliação dos riscos de extinção de uma língua são:

Vulneráveis: faladas apenas no âmbito familiar.

Ameaçadas: quando somente as pessoas utilizam.

Sob perigo severo: quando as pessoas idosas utilizam cada vez menos.

Perigo crítico: raramente utilizadas pelos idosos.

Recomendo uma pesquisa mais aprofundada, pois aqui fui sucinta!!!

Alice Prati

Bookmark and Share

Envie seu Comentário