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Posts na categoria "Fotografia"

Agência Magnum faz seleção de seus 68 retratos mais íntimos

12 de novembro de 2015 0

A Magnum, a mais reconhecida agência de fotografia do mundo, tem boa parte de seus lucros da venda de fotografias individuais, muitas vezes com impressões limitadas, tal qual é o mercado de arte.

Em uma nova campanha de vendas, que dura até o dia 13 de novembro, a cooperativa reuniu 68 das suas fotos que melhor representam intimidade.

Fotos de casais enamorados, de pais interagindo com filhos e mesmo de relações sexuais fazem parte do acervo.

Entre os fotógrafos, nomes conhecidos como Steve McCurry, Alex Webb, Elliot Erwitt, David Alan Harvey, Robert Capa, David Seymour e muitos mais.

O preço individual das fotografias, que medem 15,4 x 15,4 centímetros, é de US$ 100. O box com as 68 custa US$ 4,9 mil. Todas as impressões possuem a assinatura do fotógrafo, bem como um curto texto explicando a foto e a sua importância para o profissional.

Todos os dias algumas dessas obras tão íntimas, tão pessoais, são publicadas no perfil da Magnum no Instagram. Vale muito seguir os caras. Como é bom admirar boa fotografia.

Pra quem reclama de equipamento: fotos de moda com lanterna e iPhone

29 de setembro de 2015 0

Há cinco anos, o fotógrafo americano Lee Morris fez um vídeo que ficou famoso no mundo da fotografia. Com um iPhone 3GS, ele provou que não é culpa do seu equipamento se suas fotos não são boas o bastante.

Morris foi contestado, pois usava um esquema de iluminação de alta qualidade. Aqueles que não quiseram acreditar culparam as luzes, nem tão baratas, do profissional. Ontem, ele voltou a fazer o teste, mas com um iPhone 6S e materiais abaixo de 30 dólares. Lanterna, papelão, isopor. Nada que esteja longe do alcance de iniciantes.

O resultado é mostrado em um vídeo de quase nove minutos em que ele explica todos os esquemas de iluminação e os motivos pelos quais os está utilizando. Além do vídeo, Morris mostra as correções e ajustes que fez no Photoshop, como qualquer profissional de fotografia de moda, em sliders antes e depois. Será que os reclamões vão culpar o software de edição pelo bom resultado dessa vez?

Para quem tem interesse em aprender mais sobre iluminação e fotografia, vale dar uma conferida no Fstoppers, sempre tem alguma coisa legal por lá.

Selfie mata mais do que tubarão

23 de setembro de 2015 0
Foto: Christophe Simon / AFP

Foto: Christophe Simon / AFP

Vi no Link, um blog do Estadão que acompanho, a divulgação de uma pesquisa apontando que, neste ano, mais pessoas morreram fazendo selfie do que por ataque de tubarão (12 a 8). Desde o início da febre de fazer selfies penso que é uma prática sempre muito próxima do exagero. Temos exemplos diversos do quanto o povo passa do limite quando a ideia é garantir a sua imagem em algum lugar sem pedir ajuda pra alguém.

Já se falou sobre selfies em lugares inapropriados (velórios inclusos) e sobre as pessoas não aproveitarem um show ou um passeio, por exemplo, porque passam o tempo todo fazendo fotos, até conseguirem uma que acreditem estar legal para compartilhar. O Diogo escreveu sobre a invasão das selfies aqui no Spot no ano passado. No verão, chegou a febre do pau de selfie e, de tempos em tempos, uma dessas imagens acaba se tornando assunto. Mas, dessa vez, fui surpreendida. Talvez não apenas por ler que as pessoas morrem fazendo selfie, porque isso já foi noticiado, mas pelo comparativo.

Sabemos que ataque de tubarão não está entre as causas de morte mais comuns, claro, mas acho que a pesquisa da Mashable escolheu um bom tema para atrair o clique das pessoas mesmo com tanta informação na internet. Espero que ler sobre os riscos dessas fotos chame a atenção também para os exageros que as pessoas cometem. :)

Fotógrafa brasileira ganha 10 mil dólares em concurso pelo Instagram

15 de setembro de 2015 0
Foto: Adriana Zehbrauskas/ @adrianazehbrauskas/ Getty Images Instagram Grant Recipient 2015

Foto: Adriana Zehbrauskas/ @adrianazehbrauskas/ Getty Images Instagram Grant Recipient 2015

A Getty Images anunciou os vencedores do concurso feito em parceria com o Instagram, o Getty Images Instagram Grant, e tem uma brasileira no meio deles. Cada ganhador receberá US$ 10 mil e orientação de um fotojornalista premiado da Getty Images. Os trabalhos serão expostos na Photoville, o maior evento anual de fotografia de Nova York.

Adriana Zehbrauskas nasceu no Brasil e mora no México. Tem em seu portfólio muito do cotidiano latino-americano, como é o caso da foto acima, um retrato em família feito após uma ida à igreja. Segundo a assessoria da Getty, Adriana tem a intenção de usar a bolsa para financiar o projeto “Next of Kin: Family Matters”, que reunirá retratos de 43 famílias de estudantes desaparecidos da escola rural de Ayotzinapa no ano passado.

A fotógrafa trabalha principalmente com fotos em preto e branco, em sua maioria com pretos muito densos ou tendendo à subesposição. O estilo de edição não é difícil de igualar, mas a variedade de temas e a proximidade com os fotografados mostram o engajamento da profissional e resultam em um material de qualidade que se destaca entre muitos feeds da rede social.

O concurso teve mais de 1.200 inscritos em 109 países, e as avaliações foram feitas com base nos trabalhos já publicados no Instagram. A comissão que escolheu os vencedores é composta por David Guttenfelder, da National Geographic; Kira Pollack, da TIME; as fotógrafas Maggie Steber e Malin Fezehai; e o cofundador do @EverydayIran Ramin Talaie.

Os outros dois premiados são Ismail Ferdous, fotógrafo de Bangladesh, e Dmitry Markov, da Rússia.

Além dos três vencedores, os juízes reconheceram também o trabalho de cinco fotógrafos: Tasneem Asultan, de Dubai, nos Emirados Árabes; Kevin Cook, da Filadélfia, nos Estados Unidos; Igor Pisuk  de Estocolmo, na Suécia; Cassandra Giraldo, de Nova York, nos Estados Unidos; e Ako Salemi, de Teerã, no Irã. Eles vão receber uma orientação pessoal de um membro da comissão julgadora do Instagram Getty Grant.

A ideia do concurso é premiar fotógrafos que documentam comunidades sub-representadas em todo o mundo usando a rede social de compartilhamento de imagens.

Instagram com fotos de crianças refugiadas

12 de setembro de 2015 0

O polêmico caso do menino Aylan, refugiado sírio encontrado morto em uma praia turca, criou muitos debates sobre a publicação de fotografias de crianças em situações extremas. Eu já me posicionei aqui no blog contra imagens que revelam morte de maneira explícita, pois acredito que há muitas outras maneiras de comunicar: o que falta é sabermos enxergar a importância dos tantos documentos que informam, sim, sem chocar.

Um dos trabalhos que mais chama a minha atenção neste sentido é a conta de Instagram @everydayrefugees. Nela, é possível encontrar fotos de crianças refugiadas ao redor do mundo. Muitas das fotos são feitas pelo fotógrafo chefe da agência AP no Paquistão, Muhammed Muheisen, que também é um de meus fotógrafos preferidos.

O problema de refugiados é muito maior do que o problema na Síria, ele é de ordem mundial. Aqueles que conseguem fugir de seus países e passam a reconstruir suas vidas em novos lares possuem muitas necessidades básicas que também deveriam incomodar e pressionar as autoridades por mudanças em suas políticas para refugiados. As meninas e os meninos nessa situação devem ser protegidos, afinal, se não olharmos por nossas crianças, por quem faremos isso?

 

Câmera do iPhone 6S é mesmo tudo isso?

11 de setembro de 2015 0
Vice-presidente de Marketing Global da Apple Phil Schiller apresenta os novos iPhones em evento da empresa. Stephen Lam / Getty Images / AFP

Vice-presidente de Marketing Global da Apple, Phil Schiller, apresenta os novos iPhones em evento da empresa. Foto: Stephen Lam / Getty Images / AFP

No anúncio do iPhone 6S, a Apple parece reforçar a sua busca por oferecer a câmera ideal sempre à mão de seus clientes. Os números impressionam os desavisados, mas há mais por trás de megapixels e resolução de vídeo a se levar em conta.

Vale lembrar que tamanho não é o mesmo que qualidade. O aumento das fotos de 8 para 12 megapixels influencia a dimensão final da imagem, não o quão boa é a captura. Apesar de a Apple falar em uma nova tecnologia no sensor e em uma leitura de pixels diferente, poucas são as especificações técnicas da câmera que chegaram ao público. Sobre a objetiva, sabe-se que a abertura equivale a f. 2.2, ou seja, é uma lente rápida, boa para situações de pouca luz – o que não é nenhuma novidade nos telefones.

Nos vídeos, a filmagem em 4K já era esperada. Esse é um passo que pode aumentar a popularidade dos smartphones na mão de entusiastas do cinema. Foi um choque quando uma DSLR foi usada pela primeira vez nas telonas e quando começaram a fazer curtas com os iPhones. Porém, cada vez mais caminhamos para um mundo em que mesmo as ferramentas mais simples podem oferecer resultados de ponta.

Ainda sobre os vídeos, uma funcionalidade legal é a de tirar fotos de 8mp enquanto filma, mas com filmagens a 4K já seria naturalmente mais fácil extrair um frame de altíssima qualidade se necessário. E se você pensa em brincar com a velocidade da filmagem, saiba que terá de abrir mão da resolução, já que as gravações em 4K terão somente 30 quadros por segundo. Deve-se gravar em 1080p para 60 ou 120 quadros e em 720p para até 240 qps no modo slow motion.

O time-lapse recebeu uma certa atenção e o produto final deve ficar mais próximo de vídeos do tipo hiperlapse, com estabilidade melhorada através de um ajuste inteligente que mede os quadros anterior e seguinte para posicionar a imagem. Vale testar.

Posso me enganar, mas a tão bajulada Live Photos, que é a captura de pouco mais de um segundo de movimento para caso você queira ver o que aconteceu imediatamente antes ou depois de uma fotografia, parece-me destinada ao fracasso. O recurso já existe em outras marcas e nunca explodiu em popularidade. É mais provável que o vejam como um vídeo com tempo limitado do que como uma foto que acontece por mais tempo. Na comparação, a Foto com Som da Samsung me interessa muito mais, pois remonta aos audioslides, capturando o áudio ambiente por alguns segundos após o clique.

No dia deste post, as cinco câmeras mais populares no Flickr, rede social povoada por fotógrafos, são, em ordem, iPhone 6, iPhone 5s, iPhone 5, Galaxy S5 e iPhone 6 plus. O 6S deve encontrar seu espaço nessa lista em breve. A mentalidade mobile dá muito mais importância para uma câmera que está com você em todos os momentos do que para algo com cara profissional, com muito peso. Some isso ao processamento da câmera, que deixa as fotos com cara de prontas mesmo sem edição, e a expectativa do usuário comum é alcançada com sucesso. O profissional usa pela praticidade, mas, enquanto os arquivos RAW forem deixados de fora dos smartphones, há ainda muito mercado a ser ocupado pelos fabricantes de compactas e mirrorless.

Montagem invalida a fotografia?

03 de setembro de 2015 0

Em uma matéria da revista Time, artistas apresentam a realidade através de fotografias que repetem um ponto de vista em momentos variados. Nas fotos, os padrões de cores e de imagens de fundo permitem comparações entre diferentes acontecimentos que habitaram o mesmo espaço. 

O uso de montagens permite que o artista James Mollison e seus colegas compilem seus recortes similares em um só quadro. O resultado da obra é atingido através da escolha das melhores expressões, dos mais marcantes olhares e dos mais visíveis padrões. Segundo Mollison, não se trata de uma alteração de realidade, mas de uma ordenação daquilo que aconteceu.

Técnicas fotográficas deste tipo sempre levantam questões éticas. Os profissionais deixam claro que o seu trabalho não é documental, mas uma releitura. Devemos entender que a fotografia é o meio de comunicação e não o resultado final. A linguagem utilizada permite que se encontre relações entre espaço e tempo e que elas sejam apresentadas em uma imagem bidimensional.

Para quem tem dúvida se isso é arte, fica o questionamento: o que é arte se não a expressão das limitações e as memórias de nossa existência? Nada deve ser proibido, mas os meios utilizados devem sempre ser deixados claros.

Por que o Instagram passou a a aceitar outros formatos além do quadrado?

29 de agosto de 2015 0
Agora é possível controlar a intensidade da aplicação de filtros nos vídeos

Agora é possível controlar a intensidade da aplicação de filtros nos vídeos

Desde a atualização 7.5, o Instagram passou a oferecer a opção de usar fotografias e vídeos em seu formato original, sem a necessidade do corte quadrado. Agora, com o uso de um botão no canto da tela ou dois cliques sobre o conteúdo, é possível manter as orientações horizontal e vertical ou dar o corte padrão do app. Segundo o blog do Instagram, aproximadamente uma em cada cinco postagens na rede não obedecem o formato quadrado, o que faz com que os usuários procurem outros apps para adicionar bordas e manter intacto o aspecto original do arquivo.

A onda do Facebook, dono do aplicativo, é oferecer cada vez mais serviços dentro de seus produtos para que as pessoas não precisem sair dali para nada. O app de fotos estava falhando nesse aspecto. Eu noto que cada vez é mais comum a revisão de decisões a partir da expectativa do cliente. Isso também se reflete na segunda mudança do Instagram. A partir desta versão, todos os filtros para as fotos passam a ser disponibilizados para os vídeos, inclusive com controle de intensidade.

O controle do aspecto pode fazer mais do que deixar as pessoas felizes, pode haver aí uma melhora da qualidade dos vídeos, valendo-se da sensação cinemática que a horizontalidade dá e do uso de todo o enquadramento. Às vezes, eu tiro uma foto já com o formato quadrado selecionado no celular, pensando em postar. Talvez esse seja o início da morte dessa funcionalidade nos telefones. O impacto da mudança no design da rede é mínimo, porque o material será automaticamente centralizado no tamanho quadrado padrão, mas os benefícios são muitos. O Instagram foi das elites, virou popular e segue buscando espaço no grande público. E parece acertar cada vez mais, versão após versão.

App TinType simula processo fotográfico de ferrotipia, mas sem a magia analógica

25 de agosto de 2015 0

Dia desses estava lendo sobre o processo fotográfico chamado ferrotipia (em inglês, tintype ou ferrotype), que consiste em uma foto feita sobre uma chapa fina de metal revestida de colódio e banhada em sal de prata. A ferrotipia data da década de 1850, mais de 160 anos atrás. O processo surgiu como alternativa mais barata em relação à daguerreotipia, firmando-se nas duas décadas seguintes especialmente entre fotógrafos itinerantes. Esse foi o método usado nos registros de Mathew B. Brady na Guerra Civil Americana.

Conheça o processo analógico de ferrotipia neste vídeo do Kalamazoo Valley Museum

Em meio à minha pesquisa, o Google me ofereceu o aplicativo TinType do Hipstamatic, que nada mais é que um app simulador dessa técnica. Experimentei e gostei do visual, mas vi muitas limitações para um software pago (apesar de ser US$ 0,99) que não tem nada da magia química que faz a imagem surgir em uma superfície fotossensível analógica.

 Na primeira tela, o app permite ajustar entre preto e branco, colorido ou sépia e escolher entre o formato original e o quadrado. Se você escolher o quadrado, não é possível redefinir o corte: ele centraliza.

Na segunda tela, pode-se configurar o ruído do grão da imagem e a moldura, sendo que só há duas opções disponíveis.

Na terceira tela temos a ferramenta de destaque dos olhos. Ela clareia ao redor e o centro dos olhos com intensidade ajustável,  o problema é que em muitas imagens ele não reconhece onde estão os olhos e não permite a seleção manual.

A última tela é a de profundidade de campo, que permite ajustar a intensidade do desfoque a partir dos olhos, caso tenham sido identificados na tela anterior, ou do centro da imagem, sem direito de escolha do ponto focal.

Na hora de salvar, há a opção de compartilhamento no Instagram ou do envio por outros meios.

Como um app final, talvez ele deixe bastante a desejar. Junto com o Photoshop Express ou os próprios ajustes do Instagram, dá pra se beneficiar do visual bacana do filtro, especialmente para os aficionados em imagens antigas.

Em comparação ao processo original, a única vantagem das fotos é o sorriso, que agora é mais presente. Naquela época, o tempo de exposição era a principal causa da seriedade nos retratos, já que sorriso nenhum aguentava segundos e mais segundos sem amarelar.

Todas as fotografias desse post foram tiradas por mim e editadas somente no TinType.

Publicação de ensaio inédito de Alexandre Severo, fotógrafo de Eduardo Campos, levanta questões

20 de agosto de 2015 0

A edição mais recente da revista Unicaphoto, do curso de fotografia da Universidade Católica de Pernambuco, homenageia o fotógrafo Alexandre Severo e mostra material inédito do profissional. Severo trabalhava na equipe do ex-governador Eduardo Campos e foi uma das vítimas no acidente aéreo que matou os dois e mais cinco pessoas em agosto de 2014.

Segundo uma laboratorista da universidade, ele teria comprado uma máquina fotográfica analógica ainda em 2013 e pedido para que ela revelasse as suas fotos de teste, o que só aconteceu recentemente. Ontem, as fotos vieram a público na entrega do prêmio de fotografia Alcir Lacerda, da Unicap, onde Severo cursou fotografia, através de um vídeo e da publicação da revista.

No material, fotos do sertão, assunto muito abordado por ele, e de amigos. A publicação das prováveis últimas imagens em filme de Severo pode ter vindo como forma de homenagem, com o consentimento da família, mas me incomodam. O quão à vontade ele estaria para expor essas fotos em vida? Seria algo para seu próprio consumo, como tantas vezes faço com minhas fotografias, ou seria para os olhos do público?

Não tenho como saber qual será meu último negativo ou cartão. Mas a escolha das fotos, a linguagem e o tratamento utilizados devem partir de quem iniciou o processo de comunicação ainda atrás da câmera. A curadoria faz parte da assinatura de um fotógrafo. Para homenagens póstumas, acho mais correto usar as que já eram as preferidas do profissional: todos devemos ter o direito de decidir que pensamentos mostrar ao mundo.