Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.

Posts com a tag "arte"

Agência Magnum faz seleção de seus 68 retratos mais íntimos

12 de novembro de 2015 0

A Magnum, a mais reconhecida agência de fotografia do mundo, tem boa parte de seus lucros da venda de fotografias individuais, muitas vezes com impressões limitadas, tal qual é o mercado de arte.

Em uma nova campanha de vendas, que dura até o dia 13 de novembro, a cooperativa reuniu 68 das suas fotos que melhor representam intimidade.

Fotos de casais enamorados, de pais interagindo com filhos e mesmo de relações sexuais fazem parte do acervo.

Entre os fotógrafos, nomes conhecidos como Steve McCurry, Alex Webb, Elliot Erwitt, David Alan Harvey, Robert Capa, David Seymour e muitos mais.

O preço individual das fotografias, que medem 15,4 x 15,4 centímetros, é de US$ 100. O box com as 68 custa US$ 4,9 mil. Todas as impressões possuem a assinatura do fotógrafo, bem como um curto texto explicando a foto e a sua importância para o profissional.

Todos os dias algumas dessas obras tão íntimas, tão pessoais, são publicadas no perfil da Magnum no Instagram. Vale muito seguir os caras. Como é bom admirar boa fotografia.

Montagem invalida a fotografia?

03 de setembro de 2015 0

Em uma matéria da revista Time, artistas apresentam a realidade através de fotografias que repetem um ponto de vista em momentos variados. Nas fotos, os padrões de cores e de imagens de fundo permitem comparações entre diferentes acontecimentos que habitaram o mesmo espaço. 

O uso de montagens permite que o artista James Mollison e seus colegas compilem seus recortes similares em um só quadro. O resultado da obra é atingido através da escolha das melhores expressões, dos mais marcantes olhares e dos mais visíveis padrões. Segundo Mollison, não se trata de uma alteração de realidade, mas de uma ordenação daquilo que aconteceu.

Técnicas fotográficas deste tipo sempre levantam questões éticas. Os profissionais deixam claro que o seu trabalho não é documental, mas uma releitura. Devemos entender que a fotografia é o meio de comunicação e não o resultado final. A linguagem utilizada permite que se encontre relações entre espaço e tempo e que elas sejam apresentadas em uma imagem bidimensional.

Para quem tem dúvida se isso é arte, fica o questionamento: o que é arte se não a expressão das limitações e as memórias de nossa existência? Nada deve ser proibido, mas os meios utilizados devem sempre ser deixados claros.

RS tem 449 museus. Caxias, 17. Quantos você conhece?

06 de julho de 2015 0

A conta do Twitter do governo do Rio Grande do Sul tem tido boas sacadas para estimular o consumo de cultura dentro do Estado. A mais recente é uma provocação às pessoas que visitam museus por todos os lugares, mas conhecem pouquíssimos dos 449 espalhados pelo RS.

Fui atrás dos números. Caxias do Sul possui 17 museus. Apesar de ser a segunda maior cidade, divide o quarto lugar no Estado com Rio Grande. A capital, Porto Alegre, lidera com 77. Pelotas, que é minha cidade natal, está em segundo com 19.

Mas, antes que reclamem que Caxias não está na vice liderança numérica, deixo a pergunta: quantos vocês, caros leitores, já visitaram? Quais? Qual foi a impressão?

Eu conheço alguns: o Memorial Ateliê Zambelli, o Museu Ambiência Casa de Pedra, o Museu dos Capuchinhos do Rio Grande do Sul e o Museu da Uva e do Vinho Primo Slomp, de Forqueta.

O Memorial Zambelli é um exemplo de lugar desconhecido por muitos caxienses que me encantou. Ali, escondido sob o monumento Jesus Terceiro Milênio, no parque da Festa da Uva, uma coleção de arte que faria juz ao ditado “sem pés nem cabeça” – as obras são, em sua maioria, trabalhos inacabados, frequentemente sem as extremidades dos membros, que eram adicionados nos retoques finais. Lindas esculturas, nunca vistas por tantos que circulam a poucos metros dali.

Memorial Ateliê Zambelli. Foto: Diogo Sallaberry/Agência RBS

 

Fica o convite para aumentar o número de museus visitados por cada um de nós. Aceito sugestões de onde ir e fico no aguardo das impressões de vocês!

O que o fechamento do IdeasTap diz sobre o futuro das artes no mundo?

10 de março de 2015 0

O IdeasTap, importante plataforma de financiamento artístico do Reino Unido, deve ser fechado nos próximos meses.

O fundador, Peter de Haan, publicou uma carta nesta segunda-feira sob o título O fim de uma era, anunciando a medida. No fim desse post, alguns dos principais trechos que explicam a situação da plataforma e que colocam em dúvida as políticas voltadas para as artes no país.

O texto projeta um futuro sombrio para as artes. Se pensarmos o impacto que a cultura tem no Reino Unido, tendo Londres como o seu grande ponto de convergência, e compararmos a produção e o alcance das artes lá com o que temos aqui, a análise se torna assustadora. Se uma indústria criativa que injeta dinheiro no mercado precisa sofrer cortes, o que restará para um país dependente de políticas artísticas de entrada, já que a arte é ainda muitas vezes vista como lazer e não possível fonte de recursos no Brasil?

O IdeasTap foi o responsável pela minha participação em um Magnum Professional Practice, um fim de semana de imersão em palestras com colaboradores, fotógrafos, encadernadores, webdesigners, curadores, donos de galeria e outros profissionais, todos ligados à agência Magnum, a mais reconhecida agência fotográfica do mundo. Foi através de um de seus concursos, que levava em conta análise de portfólio e um texto sobre objetivos e motivos para ser escolhido, que ganhei o patrocínio quase total do valor do ciclo de palestras.

A experiência, inesquecível.  O aprendizado, incomparável. Essa perda me deixa triste com esse mundo um pouco mais sem arte, mais desprovido de oportunidades. Serão menos os cartões de visitas trocados, as fotos debatidas, as cores trabalhadas, as palavras multiplicadas.

Segue alguns trechos que destaquei da carta de Haan:

“Hoje eu sou o portador de tristes notícias. Em 2 de junho de 2015, IdeasTap fechará suas portas. É um dia doloroso para mim, e para todo o time IdeasTap.
Nos últimos seis anos nós trabalhamos para fazer do IdeasTap o que é hoje, e estou enormemente orgulhoso do que nós e nossos membros alcançamos juntos. Ultimamente, contudo, nós simplesmente não temos fundos para continuar – mesmo assim honraremos qualquer comprometimento existente com nossos membros, parceiros, financiadores e fornecedores.

Eu montei o IdeasTap em 2008 em meio à crise financeira global de crescimento veloz. Meus fiadores e eu podíamos ver os impactos que teríamos em pessoas jovens que estivessem se formando e, em particular, estávamos preocupados com aqueles entrando o mundo das artes e indústrias criativas. Queríamos fazer algo sobre isso, é o IdeasTap foi a nossa resposta: financiamento para projetos criativos, oportunidades únicas na indústria, treinamento, aconselhamento, rede de contatos on e offline, alistamento de trabalhos e mais – tudo de graça.

Nós crescemos rápido, chegando a mais de 200,000 membros no Reino Unido hoje e milhões de pessoas visitando nosso website todos os anos. Nós demos mais de £2.3m (aproximadamente 9 milhões de reais) em financiamentos e monitoramentos para nossos membros e 62,000 pessoas se beneficiaram das oportunidades que criamos. Isto além de todos que conheceram colaboradores através de nosso site, encontraram empregos ou se inspiraram por nosso editorial e aconselhamento.

Apesar de nosso sucesso, até então o IdeasTap foi financiado primariamente pelo meu fundo de caridade. Nossos esforços para conseguir ajuda governamental ou corporativa falharam – e meu fundo de caridade, formado em 1999 para melhorar a qualidade da vida das pessoas e comunidades no Reino Unido, brevemente estará sem dinheiro. O resultado, inevitavelmente, é que IdeasTap fechará em três meses a partir de agora.

Após seis anos, o quadro das artes ainda é sombrio. Mais cortes em fundos estão vindo. O custo da educação superior está assustadoramente alto. O recente Warwick Report sugere que as artes não são cuidadas pelas agências do governo, e que a educação artística está constantemente se do marginalizada – apesar do grande valor que a indústria criativa oferece para o Reino Unido, tanto culturalmente quanto financeiramente. Eu espero que eles acordem, e logo.”

IdeasTap / reprodução

Isto é uma foto ou uma pintura? É hiperrealismo.

25 de novembro de 2014 0

No mundo das artes, quase tudo me atrai. Enquanto forma de expressão e de inspiração para alguém que trabalha com imagens, deixo as pinturas e os desenhos na mais alta posição de influência e gosto.

Só que como desenhista eu sou um ótimo… fotógrafo! Na verdade, isso ainda pode ser usado a meu favor: o tipo de arte que confunde os olhos sobre sua origem – se é uma fotografia ou uma pintura – é a que mais me atrai - o hiperrealismo.

Desde a primeira vez que fiquei na dúvida se aquilo que via era uma foto ou uma imagem criada com tinta ou lápis eu senti o coração acelerar. Depois de muito tempo é que entendi que o fotorrealismo e o hiperrealismo usam fotografias para coletar informações, que depois são reproduzidas – no caso do hiperrealismo, com ainda mais detalhes que as contrapartes fotográficas.

Imagino que quando William Henry Fox Talbot criou o primeiro livro completamente ilustrado com fotos em 1844, chamado “O Lápis da Natureza” (The Pencil of Nature), ele deve ter causado o mesmo impacto que este tipo de arte possui sobre mim. Como pode uma técnica, seja artística ou mecânica como a fotografia, criar uma representação de uma fração de realidade a ponto de fazer o seu apreciador esquecer que é uma réplica em conceito e visual, dissociada da fonte de inspiração? Você deixa de ver uma pintura de uma pessoa atrás de um vidro e passa a ver uma pessoa atrás de um vidro retribuindo o seu olhar.

hiper

O trabalho do hiperrealista Ivan Hoo teve destaque no The Huffington Post recentemente, o que reacendeu meu desejo de falar sobre o assunto e causou esta postagem. Ivan trabalha em madeira, criando suas pinturas sobre superfícies. Apesar da qualidade de suas obras, ele ainda não atingiu o impacto que a artista Alyssa Monks consegue me causar.

smirkalyssa

Para Alyssa, a pintura é a maneira de se comunicar com o mundo. Ela sente-se desconectada se não conseguir pintar. Alyssa vê os elogios com bons olhos, mas o que a interessa é causar uma reação, criar uma conexão ou resposta ao trabalho. Quando sua mãe morreu, sentiu a necessidade de desenhá-la enquanto se ia. Esta foi sua forma de expressão escolhida para tocar no assunto. E uma artista com sua qualidade tem o poder de recriar algo ou alguém, construir qualquer imagem do zero através do lápis. Apesar disso, ela e os outros profissionais desta escola seguem usando fotografias, que só podem capturar o que já existiu, como alicerce para suas obras, o que me diz muito sobre eles. Qualquer um que escolha se basear totalmente em uma realidade que comprovadamente existiu ganha pontos com meu lado jornalista - que ocupa uns 98% da minha personalidade.

Sapatilhas de Ballet que desenham de acordo com a dança

15 de novembro de 2014 0

reproducaovimeo

Como projeto final do curso de Design da Universitat Pompeu Fabra a estudante Lesia Trubat, apaixonada por dança, apresentou as sapatilhas de Ballet E-Traces, que usam sensores de pressão e movimento para criar desenhos digitais a partir da dança realizada. O conceito é expandir a arte através de sensações visuais usando novas tecnologias.

Que sejam bem-vindas todas as maneiras de ecoar a expressão artística! :)

Videogame, imagens de dor e fadiga visual

18 de setembro de 2014 0

A arte imita a vida, que imita a arte (ad infinitum).

Quando li há dois dias que o fotógrafo de conflitos Ashley Gilbertson, da renomada agência VII Photo, fora contratado para ‘fotografar’ um jogo de videogame altamente violento através da captura de tela que o jogo oferece, eu comecei a pensar em qual a real importância disso para o fotojornalismo.

Ao dissecar a entrevista de Gilbertson, considerei vital a associação feita com o trabalho de Mishka Henner, No Man’s Land, em que Mishka usa o Google Street View para documentar prostitutas à beira de estradas na Europa. Henner crê que, em 30 anos, a produção imagética mundial se dará através de um processo de curadoria, muito mais que de produção. Havendo tantas imagens disponíveis, por que não voltar os olhos para as já existentes?

Esta questão é o centro de um debate que envolve em grande escala as fotografias ilustrativas. Se traçarmos o paralelo, os jogos buscam, recorrentemente, representar uma certa realidade de maneira também repetitiva. Entre os diversos gêneros, guerra inclusive, é difícil escolher entre tantos títulos. E o quão danosa pode ser esta superdosagem de representação é o que me incomoda.

Como Gilbertson diz, torna-se difícil alcançar um público que está “acostumado a ver pessoas morrendo em massa em zonas de guerra por causa de jogos como este”. Isto faz o fotógrafo buscar diferentes maneiras de retratar a realidade, e depender cada vez mais de expressões, de olhares, de histórias pessoais para atingir os leitores.

Se um jogo de videogame consegue impactar um profissional acostumado a vivenciar guerras, consegue também modificar o pensamento civil. O olhar cansado a quem estão endereçadas as reais imagens de sofrimento deve ser reconstruído. Que isso parta de todos nós.

Foto: Diogo Sallaberry/Agência RBS