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Posts com a tag "fotojornalismo"

Bastidores: fotojornalista vs fotógrafo de moda

15 de junho de 2015 0

Dois vídeos de behind the scenes publicados nos últimos dias no site Petapixel me fizeram pensar a relação entre as duas especialidades: fotojornalistas e fotógrafos de moda. Apesar de ambos serem fotógrafos, seus trabalhos têm muito pouco em comum.

No primeiro, o fotógrafo Joel Markmund mostra os bastidores de uma cobertura fotográfica de um jogo de futebol – no caso, a final da Champions League entre Barcelona e Juventus.

Joel acorda cedo, carrega sozinho duas grandes malas cheias de equipamentos. Passa por cadastramento de imprensa, posiciona câmeras remotas uma vez que o deslocamento dentro do gramado é limitado, corre para pegar uma lugar à beira do campo, espreme-se em meio a um grupo de colegas de profissão, torce para que a ação ocorra do seu lado do gramado e transmite tudo enquanto a partida rola – rezando para todos os santos para que a internet esteja estável.

No segundo vídeo, o fotógrafo de moda Gerd Tschebular trabalha em uma locação externa, provavelmente escolhida por ele. O horário das fotos é o de luz ideal. Além de seus dois assistentes, que carregam e posicionam a iluminação a seu gosto, a modelo segue suas orientações. Ele leva o seu tempo para construir a imagem ideal.

Então, qual a conclusão? O trabalho de fotojornalista é mais difícil que o de fotógrafo de moda? Talvez até aqui eu tenha dado essa impressão, mas eu diria que não. Lidar com clientes pode ser tão difícil quanto lidar com editores. Talvez o trabalho in loco seja mais complicado para o fotojornalista no que diz respeito a conseguir a foto ideal, mas o fotógrafo de moda precisa controlar mais elementos – dirigir a modelo, lidar com os assistentes, deixar a roupa ou o produto de quem o contratou em evidência. Sem falar nas incontáveis horas de pós-produção.

A rixa entre os dois grupos é antiga, e eu já estive nos dois lados do espectro. Eu fiz a minha escolha não a partir de dificuldade, mas de idealismo. O que importa é que o profissional faça as imagens que o movem, que têm sentido para si. Ao colocar na balança, preferi o jornalismo. Mas para os desavisados, espero que fique a experiência: são dois mundos completamente diferentes.

Fotógrafo do Pioneiro fala sobre vitória no Prêmio Sebrae de Jornalismo

11 de junho de 2015 1

Repórter fotográfico do Pioneiro, Jonas Ramos conquistou nesta quarta-feira o Prêmio Sebrae de Jornalismo 2015 na categoria Fotojornalismo. Em abril, Jonas havia ganho a etapa estadual da competição. Os vencedores foram anunciados em evento em Brasília.

Tecnicamente, gosto muito do trabalho dele. O Jonas tem uma capacidade muito interessante de balancear luz natural com flashes. Sua maior assinatura é o estilo usado nos retratos.

Ele é o tipo de fotógrafo que não chega no fim do expediente com a roupa intacta: deita-se no chão batido, na grama, no asfalto ou onde for para entregar ângulos inusitados em suas imagens. É, enfim, um apaixonado pela fotografia que acredita em seu poder de mudar o mundo – ou pelo menos de mudar a maneira como o enxergamos.

 

Eu e Jonas conversamos rapidamente após o anúncio do prêmio, para que eu pudesse passar melhor a vocês a imagem (com o perdão do trocadilho) de quem é esse cara. Confiram abaixo:

O prêmio Sebrae de Jornalismo é um dos mais conceituados do país, quem é da área sabe o alto nível dos trabalhos inscritos. O que te levou a escolher e acreditar nesse material?

J: O que me levou a acreditar no material foi como eu tratei com carinho a pauta quando me foi proposta. Tenho um mote na minha vida que é acreditar no poder da fotografia. Acredito que através da fotografia consigo enxergar um mundo melhor. Quando soube que faria a história de artesãos da Serra fiquei muito empolgado, porque é uma pauta que rende boas fotos. Quando cheguei na pauta, deparei-me com personagens com histórias muito bonitas e com um amor tão grande pelo trabalho deles. Isso somado ao meu amor pela fotografia fez com que o ensaio fotográfico ficasse muito bom.

Como foi teu contato com os personagens? Tiveste algum cuidado ao representar essas pessoas? Fala um pouco de como tu ‘pensaste’ a pauta desde tua chegada lá.

J: Sempre quando vou para uma pauta já imagino como a foto sairá. Como a pauta se chamava Mãos da Serra, quis enfatizar as mãos desses personagens. A pauta me moldou e isso também é muito bom porque ela tem o poder de te levar a caminhos que tu não esperavas, fazendo com que as fotos fluam de outra maneira e que o momento se torne único.



E como foi em Brasília, na cerimônia de premiação? Não é o teu primeiro prêmio, porque lembro do da Defensoria Pública em 2014. Este é o maior até hoje?

J: Estou muito feliz pelo prêmio, é o reconhecimento pelo meu trabalho. Não foi meu primeiro prêmio, mas esse foi nacional. Foi também um reconhecimento de uma filosofia de fotografia, então estou muito feliz.

Quem te inspira?

J: Antes eu me inspirava em fotógrafos como German Lorca. Quando vi uma fotografia dele é que decidi que queria ser fotógrafo. Hoje me inspira poder mostrar a vida de um jeito único.

O que tu pretendes realizar com a tua fotografia?

J: Quero que as pessoas enxerguem na minha fotografia a possibilidade de ver um mundo melhor.

O ícone da fotografia analógica hoje faz vídeos. E você?

20 de maio de 2015 0

No segundo post sobre as falas de James Estrin – criador do blog Lens – e Pedro Meyer – criador do Zone Zero - durante o FestFoto, trago a visão deles em relação a mudanças no fotojornalismo e na linguagem visual, além das adaptações necessárias aos profissionais da área.

Todos os pensamentos a seguir são de Estrin, exceto o último, em que Pedro resume o raciocínio e convida os fotógrafos contemporâneos a abrirem os olhos para as mudanças.

Estrin:

“Houve uma mudança de mentalidade, os jornais passaram a usar mais de uma foto, então você não precisava se preocupar em colocar tudo em um enquadramento, mas em ter imagens que não se repetissem e contassem a história.”

“Ao invés de fornecer ilustrações para as matérias de outros, eu quis ser um contador de histórias. Comecei a escrever cada vez mais, logo depois comecei a gravar áudios e fazer slideshows. Em 2006, comecei a fazer vídeo.”

“Na época em que todos começaram a desempenhar essas tarefas a mais, muita gente não via que eram ferramentas para levar as matérias adiante, só o que mudava era a plataforma.”

“Os fotógrafos mais velhos diziam que o fotojornalismo acabara por causa das mudanças econômicas e tecnológicas, mas eles estavam errados.”

“Eu sou um otimista, a imagem é mais importante hoje do que em qualquer ponto no passado. Através das redes sociais você consegue fazer coisas que eram impossíveis antes. Você não precisa convencer editores e curadores para que seu trabalho seja visto.”

“Hoje nós conseguimos publicar livros sem precisar de editoras. Alem disso, as redes sociais, o Instagram e seu próprio website podem alavancar seu trabalho.”

“Há muitas ferramentas a mais do que simplesmente a fotografia.”

“Diga o que tem para dizer e você poderá mudar as coisas com isso. Você consegue não só ser visto, mas pode criar organizações, fazer campanhas interessantes, fazer mais.”

Meyer:

“O maior ícone da fotografia analógica tradicional, a Leica, hoje faz vídeos. Ela se atualizou. Ela!”

Você já repensou sua fotografia hoje?

18 de maio de 2015 0

O FestFoto acabou. Participei somente do último dia do encontro, que foi bastante produtivo. Não necessariamente para aprender, mas para questionar. Ideias que me fazem repensar o que eu faço interessam mais do que ouvir aquilo que eu já defendo. E é pensando nas tantas reflexões possíveis acerca da fotografia que separo duas das ideias de James Estrin – criador do blog Lens – e Pedro Meyer – criador do Zone Zero -, os figurões que participaram do festival, no primeiro dos posts que farei sobre as falas desses dois. Claro, as respostas já não são mais puramente deles, mas minhas interpretações. O próximo post será sobre a visão deles em relação a mudanças no fotojornalismo e na linguagem visual, além das adaptações necessárias aos profissionais da área.

Pedro Meyer:

O que pode mudar mais o fazer fotográfico de alguém?

A resposta mais óbvia, a evolução tecnológica, não foi a maior responsável pelas mudanças no olhar de Pedro, mas o tempo. Precisamos nos colocar não só como seres no presente, passíveis de apreender o conhecimento de agora, mas como pessoas que acumulam experiências ao longo dos anos.

Por que obrigar a realidade e a encaixar-se numa apresentação linear?

Tudo se encaixa com tudo ao longo do tempo. Nossos pensamenos refletem nossos conhecimentos e fazemos relações entre as coisas a todo momento. Por que não usar uma fotomontagem para justapor elementos que não estavam perto geograficamente, mas que fazem todo o sentido se trabalhados juntos? Ninguém vê seus arquivos como matéria-prima. Contudo, assim deveria ser: nossas fotos são um grande arquivo de mãos, de rostos, de monumentos e de lugares que podem ser usados infinitamente. Não é possível, em uma vida, se fazer todas as combinações existentes em um arquivo.

James Estrin:

Qual a real importância da publicação de uma fotografia para quem a vê?

Os editores que publicam as fotos veem três mil delas por dia. A pessoa que chegou até a sua foto só o fez porque ainda não está olhando para a foto anterior. As fotografias podem comunicar, mas não prendem as pessoas. Depois de publicada e vista, a imagem cumpriu o seu papel, então perde interesse enquanto a próxima imagem a consumir se torna o novo foco. A grande questão é como evitar estar entre 95% dos fotógrafos, que fazem seu trabalho sem se destacar, e tentar causar impacto com cada “próxima” fotografia.

Se você pudesse conhecer o mundo somente através de fotos, você acha que as imagens existentes representariam justamente as pessoas e lugares?

Pense na África, se nunca foi lá. Você sabe como vive a classe média? Como são os grandes supermercados? E os bons restaurantes? Como se vestem os taxistas? Como são as academias locais e como se veste quem vai malhar? Se você teve dificuldades para responder, quer dizer que temos problemas de representação: a maioria das fotos existentes revivem os estereótipos e deixam de mostrar seres humanos completos, com todos os elementos da vida que os rodeia. Na verdade, é comum que a maior parte dos contadores de histórias seja estrangeira ao seu assunto. Vemos o mundo, principalmente, através de olhos e lentes americanas e europeias.

A VII, uma das mais relevantes agências de foto do mundo, está com inscrições abertas

18 de março de 2015 0

Já é possível enviar pedidos de inscrição para ser membro da agência VII. A VII (lê-se ‘Seven’) começou como uma agência de 7 fotógrafos: Alexandra Boulat (falecida em 2007), Ron Haviv, Gary Knight, Antonin Kratochvil, Christopher Morris, James Nachtwey (que deixou a agência em 2011) e John Stanmeyer. Posteriormente, nomes como Marcus Bleasdale, Donald Weber e Ed Kashi juntaram-se ao grupo, que hoje totaliza cerca de 30 profissionais.

A agência não é grande em tamanho, mas em impacto. A VII ganhou espaço no mercado e prêmios em todas as áreas do fotojornalismo e fotodocumentarismo desde sua criação. Seus membros passaram de concorrentes (e ganhadores) do World Press Photo a jurados, tamanha a importância dada ao grupo. Hoje, ser da VII é o objetivo de qualquer fotógrafo que queira ter inserção no mercado mundial e contato com bons projetos sem perder sua voz.

As inscrições vão até maio. O texto completo do guia oficial de inscrição traduzido está abaixo:

_________________________________

Guia de inscrição para membros da VII 

A VII aceitará inscrições para membros a partir de 16 de março de 2015 até 1° de maio de 2015. Por favor clique aqui para preencher a inscrição.
Se você está interessado em ser membro da VII Photo, por favor prepare o seguinte:

Requisitos em texto:

Uma breve explicação sobre o seu desejo de juntar-se à VII em não mais de 500 palavras. Apresente claramente os motivos de sua inscrição.
Uma explicação do conteúdo das imagens submetidas em não mais que 500 palavras.
Uma curta biografia de até 500 palavras.
Observação: todo o texto deve ser enviado em inglês.

Requisitos em mídia:

Um arquivo ZIP com até 50 imagens seguindo as especificações:

72 DPI
Lado maior com até 1440 pixels
Compressão JPEG 83
Metadados IPTC completos
Por favor, renomeie cada imagem com suas iniciais e o número da sequência. Exemplo: JS-001, JS-002, JS-003, até JS-050.
Observação: Se você trabalha com multimídia ou videografia, envie não mais que três links de seu trabalho em movimento.

As qualidades que a VII procura em novos membros são tanto fotográficas quanto de personalidade. Nós aceitamos uma grande variedade de estilos, enfoques e filosofias em relação a fazer imagens, contar histórias visualmente, fazer reportagem e seguir motivações pessoais artísticas. O que é crítico em importância é o nível de qualidade, profissionalismo e visão. Além disso, sua personalidade e desejo de colaborar, cooperar e se envolver no crescimento da agência é essencial. Nós estamos procurando por pessoas que tenham ideias e sejam dispostas a aceitar desafios e projetos em seu enfoque criativo.

Caso novos membros sejam aceitos, haverá um período de dois anos onde ambos os lados avaliarão a situação, baseados no nível fotográfico e na personalidade do indivíduo. Durante esse período, haverá uma taxa mensal e uma redução na percentagem das vendas arquivais, trabalhos e projetos. Aplicantes bem-sucedidos serão tratados da mesma maneira que membros completos com a exceção de direito a voto. Além desse período, um novo membro tornar-se-á dono da empresa.

Se você tiver mais questões, pode procurar tanto Ed Kashi quanto Stefano De Luigi.

Obrigado por considerar a VII Photo.

Google trabalha em software capaz de criar legendas para fotografias

11 de fevereiro de 2015 0

Resultados de pesquisa já são satisfatórios. Imagem: Reprodução / arxive.org Transformar imagens em palavras até então é um dos grandes desafios daqueles que trabalham com inteligência artificial. Com o grande crescimento de softwares de reconhecimento facial, contudo, já era esperado que os problemas gerais em reconhecimento de imagens genéricas começassem a ser vencidos pelos programadores e pesquisadores da área.

A primeira grande evolução recente foi o reconhecimento de face, usado em câmeras para otimizar o foco. Em seguida, a identificação de sorrisos para fotografias automáticas, e, então, a sugestão de marcação de fotos de amigos a partir do banco de dados do Facebook. O Google, por sua vez, passou a permitir a busca por imagens, mostrando itens que contêm elementos parecidos com a figura original e trazendo todas as vezes que resultados similares apareceram na rede ou repetiram o uso do objeto.

Tudo caminhava para um suposto maior entendimento da tecnologia em relação a fotos, mas daí a fazer com que, em seu primeiro contato com uma fotografia, um software seja capaz de descrever uma cena em palavras usando somente equações de padrões presentes no quadro é uma conquista muito interessante na área. E é nisso que trabalham os pesquisadores do Google atualmente, com resultados já satisfatórios.

A tarefa de legendar fotografias, que toma tanto tempo dos profissionais de imagem em seu trabalho diário, passará a necessitar somente do ajuste fino: algumas correções, a adição de informações extra-quadro e os nomes das pessoas presentes (caso não apareçam seus rostos, porque a probabilidade é que em breve até isso os computadores sejam capazes de fazer sozinhos), além de sutilezas perceptíveis somente a olhos humanos (ainda).

É um pequeno passo que nos separa do sucesso de tal software, sendo que seu funcionamento pleno pode alterar a rotina de redações e agências de notícias no mundo todo. Imagine, no futuro, as imagens saindo já legendadas diretamente da câmera, com as melhores tags de maneira a otimizar resultados em ferramentas de pesquisa. Como fotógrafo e amante de internet, aguardo ansiosamente para testar e trabalhar dessa maneira.

A melhor entre as categorias de melhores fotografias do ano

15 de dezembro de 2014 0

Fim de ano: os melhores em tudo estão sendo escolhidos. Mas quando o assunto é fotografia, o que merece estar no topo dos melhores, o que importa mais: a qualidade da foto, sua influência, seu valor ou o fotógrafo? Entre três categorias que fazem parte dos assuntos fotográficos mais abordados na última semana, mostro, questiono e avalio qual eu preferiria vencer.

1: A foto mais influente

Times escolheu as 10 fotos mais influentes do ano. Um selfie da Ellen DeGeneres, ebola, Ucrânia, migrantes, Gaza. Realmente são alguns dos grandes assuntos do ano, mas o ano de 2013 tinha muitas fotos mais icônicas que, a meu ver, causaram mais mudança que estas.

As fotos mais influentes são fruto da mais subjetiva das categorias. No que elas realmente impactaram? Será que impactaram pelo momento em que se apresentaram? O alcance é específico ou global? No Brasil, escolheríamos as mesmas fotos? Quais as motivações dos jurados que as escolheram?

2: O melhor fotógrafo

O The Guardian está escolhendo o fotógrafo do ano de 2014, que deve ser anunciado em 29 de dezembro. Muhammed Muheisen (AP) e Goran Tomasevic (Reuters) são, para mim, dois dos melhores fotógrafos da atualidade e estão na lista. Tomasevic levou o prêmio do ano passado, Muheisen ganhou ainda neste ano o prêmio Oliver S Gramling, a maior honraria de sua agência.

Nesta lista, todos os fotógrafos entregam material de altíssimo nível ao longo do ano. Mais, ao longo de anos, décadas até. Eles merecem ser valorizados em um mercado que, comumente, esquece suas grandes obras ao olhar para as próximas fotos que chegam na agência. Qual seria o critério mais adequado: quem publicou mais fotos, quem ganhou mais prêmios, quem causou mais mudança ou quem melhor conta histórias? Fico com o último.

3: A foto mais cara

A foto Phantom, de Peter Lik, é supostamente a nova foto mais cara do mundo. Ela teria sido vendida por 6.5 milhões de dólares. O anúncio do valor gerou muita discussão no mundo da fotografia: seria uma jogada de marketing, uma compra feita pelos próprios investidores de Lik? Será que a foto é tão boa assim? Será que alguma foto pode ser tão valiosa? Isso diz algo sobre o restante da fotografia, desvalorizando ou reconhecendo a importância do meio?

A foto mais cara interessa a duas pessoas, realmente: a quem a vendeu, que ficou milionário, e a quem a comprou. Qualquer que seja a reação causada pela imagem, a capacidade de uma fotografia transportar, causar sentimentos, emocionar não é única: todas as artes, a música inclusive, podem causar isso. Apesar de o fotógrafo artista, que busca se manter através da produção de obras esporádicas, ter necessidades que exigem que o pagamento por foto individual seja elevado, a justificativa se aplica para quem vende, não para quem compra. Por que pagar tanto? Mas se o dinheiro está sobrando, por que não se dar ao luxo? Porque é muito dinheiro e ponto. Com este dinheiro, compra-se um acervo inteiro de um bom fotógrafo, contrata-se uma grande equipe para fotografar por um ano ou monta-se uma empresa de fotografia de alto nível.

Se eu tivesse o poder de premiar a ‘melhor categoria entre as melhores do ano’ seria certamente a de fotógrafo do ano. Ter uma foto escolhida como a melhor para um grupo de jurados ou como valiosíssima perante algum comprador excêntrico pode ser interessante, mas perde valor quando comparada à avaliação, ao reconhecimento e à premiação de toda a sua caminhada profissional. Ter a importância de seu trabalho reduzido a um instante ou ganhar dinheiro por um lapso de loucura de alguém não supera a produção, cotidiana, de um material sempre melhor que o do dia anterior. Estes grandes fotógrafos, que se arriscam, que criam, que batalham todos os dias para contar histórias e que mantém o altíssimo nível, eu os saúdo. Estarei com os dedos cruzados esperando o 29 de dezembro.

Agência AP escolhe suas melhores fotos do ano de 2014

05 de dezembro de 2014 0

A agência de notícias Associated Press, a AP, está entre as grandes do mundo. Jornalismo diário, esportes, entretenimento: tudo é coberto pelos seus contribuintes fotojornalistas ao redor do globo, incluindo muitos dos mais premiados profissionais da indústria.

Todos os anos é feita uma seleção das fotografias mais marcantes, que contam o ano por si. As 150 imagens que representam 2014 foram escolhidas pelo diretor de fotografia Santiago Lyon e pelo diretor adjunto de fotografia Denis Paquin.

>>> Atenção: parte do material disponibilizado nos links pode ser considerado muito violento para certas audiências. Recomendamos especialmente que crianças e pessoas sensíveis a cenas de violência não vejam as fotos. <<<

No blog da AP você pode ver uma seleção menor das fotografias, enquanto aqui estão todas as 150 fotos escolhidas.

Meu pitaco sobre: é notável a predominância de imagens de esporte, que é uma das maiores fontes de renda das agências. A abrangência das modalidades e eventos acaba comprimida na seleção, que prioriza os eventos com mais nome – como a Copa do Mundo FIFA, os Jogos Olímpicos de Sochi e o Super Bowl. Entre os temas que mais aparecem fora do esporte, estão o conflito Israel-Palestina, com muitas imagens de violência; política, especialmente focada em Obama e sua família, mas há até uma foto de Dilma Rousseff em um restaurante popular no Rio; conflitos no Iraque; protestos, do Peru à Ucrânia; e retratos de celebridades que faleceram durante o ano, como Robin Williams.

As duas fotos que mais me marcam na seleção aparecem tanto no site – fotos número 63 e 93 na galeria - quanto no blog: o sargento que recebe uma medalha de honra, retratado com sua mão prostética ao peito (foto de Ted S Warren), e a imagem do soldado africano que se prepara para esmagar com uma pedra a cabeça de um possível miliciano de grupo contrário, já falecido (foto de Jerome Delay).

Revista Time escolhe os 27 melhores livros de fotografia de 2014

29 de novembro de 2014 0

Red Hook Editions

Os editores da revista Time reuniram alguns amigos ao redor do mundo, incluindo feras como Martin Parr da agência Magnum e fundadores de grandes editoras de livros, e escolheram os melhores livros de fotografia de 2014. Todos são livros de fotografia, não sobre fotografia e teoria. Fotos no papel, junto com suas histórias, para colocar no bolso, levar consigo e sentir arrepios ao devorar e conhecer um pouco mais dos olhares de quem capturou as imagens.

Conheço alguns dos trabalhos e muitos dos profissionais por trás das 27 obras escolhidas, mas ainda não tive a oportunidade de colocar as mãos em nenhuma delas. O jeito é transformar os selecionados em uma lista de natal perfeita para fotógrafos. :)

A manipulação no fotojornalismo e a desconfiança na era Photoshop

14 de novembro de 2014 0

A revista American Photo Mag abordou a questão da manipulação fotográfica no jornalismo esta semana.

Moldada entre opiniões de fotógrafos e códigos de conduta retirados de agências, o que fica claro na matéria é que esta é uma época dura para a criatividade fotojornalística. Cada vez as limitações são maiores, assim como as exigências. Mas sobressair-se fica difícil quando técnicas amplamente aceitas se praticadas em filme são recriminadas se alcançadas através de meios digitais.

O que é comum nos discursos de empregados e empregadores é a necessidade da preservação do sentido original da cena, em especial através da proibição tanto da adição quanto da remoção de elementos da fotografia. Alterar o quadro com a manipulação de pixels ataca fortemente a ética jornalística.

Como forma de defesa de seu negócio os fotógrafos pedem pela confiança dos leitores, que devem acreditar que suas fotos são representações justas da realidade – apesar de não serem objetivas. A veracidade é a principal responsável pela valorização da imagem e quanto mais informações o leitor tiver sobre o processo de escolha e processamento de uma foto, mais autêntica ela vai parecer. Então mostrar claramente a forma de trabalho é a salvação contra a desconfiança da era Photoshop.

Entre as alterações de processamento ainda aceitas estão o corte para reenquadramento, o ajuste básico de tons, cores, saturação e luminosidade e a conversão para preto e branco. Ainda assim, se exageradas, mesmo essas mudanças podem ser consideradas abusivas.

Até que os profissionais entendam onde se encaixam e qual seu papel como contadores de histórias e que os consumidores de imagens saibam diferenciar entre as fotos de “ficção” e “não-ficção”, o medo de ser enganado por manipulações vai seguir colocando em risco o poder testemunhal da fotografia.