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crase com possessivos

Prezado Professor: ao responder a uma pergunta de um leitor, escreveste: “Cheguei À tua consulta de dezembro do ano passado…”. Existe essa crase antes de pronome possessivo? Klein

Meu caro Klein: eu podia ser chato no bodoque e responder, simplesmente: “Se eu usei, é porque tem, ora!”. Mas, como sou um eterno professor, lembro-te que não se trata de “existir crase” antes dos possessivos. A crase é a aproximação da preposição A com o artigo feminino A — mais ou menos como aproximar um fósforo da gasolina. Se eles entrarem em contato, nada vai impedir a combustão; da mesma forma, se os As se encontrarem, vai acontecer o fenômeno chamado de crase.

Lê o que escrevi em à Maria, a Maria: verás que antes dos nomes próprios podemos usar (ou não) artigo; dessa forma, nossa decisão vai influir na ocorrência (ou não) do artigo necessário para que a crase ocorra. Algo semelhante acontece antes dos pronomes possessivos: nosso idioma nos permite optar entre usar —  ou não — o artigo antes deles. Uns dizem “a janela DE meu quarto”; outros, “DO meu quarto”. “Leve isso A meu filho” ou “AO meu filho”. No feminino, portanto, “entregue isso A minha filha” (só preposição) ou “entregue isso À minha filha”  — preposição + artigo = bingo! Aqui ocorre uma crase, que deverá ser acentuada. Tudo depende da tua decisão de usar ou não o artigo.

Alguns autores dizem que aqui a crase seria opcional; seria o mesmo que dizer que, juntando o fósforo à gasolina, a explosão vai ser opcional. Claro que não é; o que depende de nossa opção é aproximarmos ou não o maldito fósforo. Uma vez tomada a decisão, as conseqüências fogem a nosso controle. A maior prova disso aparece quando usamos possessivos no plural; aí a trama fica bem visível. “Entregue isso A minhas filhas” (o A é preposição pura, sem acento) ou “entregue isso ÀS minhas filhas” (o S revela que o artigo está presente, e a acentuação é obrigatória). Abraço. Prof. Moreno

Depois  do Acordo:

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