Depois da tormenta, vem a calmaria. Não é bem assim. A forte recuperação da Bolsa de São Paulo (Bovespa) não garante um céu de brigadeiro no horizonte das aplicações. Frente à tão desproporcional queda da véspera, é normal uma valorização de quase 8%, apesar de representar apenas cerca da metade da perda que o índice chegou a amargar no transcorrer da jornada anterior.
É a gangorra no pregão, que balança ao léu de acontecimentos de curto prazo. Mas não há, por enquanto, razões para investimentos de longo prazo na bolsa. O negócio é aproveitar as oportunidades imediatas sem laços sentimentais. Foi um dia de caça às barganhas, porque não é momento de compras pesadas. A situação ainda não é para relacionamentos duradouros. O futuro ainda é incerto.
Depois de tantos vacilos de democratas e republicanos quanto à votação do plano do governo dos EUA, o retorno para valer dos investidores depende de um comunicado oficial da aprovação da ajuda aos bancos e da completa dissecação da abrangência das medidas.
O pequeno giro financeiro, abaixo de R$ 5 bilhões, é um sinal de que os estrangeiros continuam fora do mercado. E sem eles não há sustentação de altas seguidas, que poderiam indicar uma mudança de ciclo. Mesmo com uma aprovação do pacote, o capital externo deve demorar para voltar ao pregão paulista. Após tamanho temporal, faz-se necessário uma reengenharia do que sobrou.
Também parte dos poupadores domésticos continua ausente, principalmente aqueles que dão preferência por investimentos na produção. Ou seja, aplicam em ações com objetivo de ganhar com base nos resultados econômicos das companhias. É pouco provável que a bolsa enverede por uma recuperação sem investidores conscientes. E, de forma racional, as aplicações na bolsa só serão viáveis com motivos concretos. De promessa, o mundo está cheio.
Postado por Marçal Alves Leite


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