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Posts de outubro 2008

Números de transição

31 de outubro de 2008 0

Mercado em dia

Depois de três pregões de ganhos exuberantes, a Bolsa de São Paulo (Bovespa) fechou com pequena baixa devido à realização de lucros em uma jornada em que o índice flutuou de 4,25% negativos na abertura até 1,32% positivo pouco antes do encerramento das operações.

Como é normal em períodos de transição, os números da bolsa podem ter diferentes leituras conforme o espaço de tempo de avaliação. Mesmo incluindo a segunda-feira, quando o índice desandou 6,5%, chegando aos 29.435 pontos e muitos já consideram o fundo do poço, a Bovespa teve seu melhor resultado semanal em 10 anos: 18,34%.

Essa excelente performance não conseguiu reverter o péssimo comportamento do mês. Com queda de 24,8%, segundo a consultoria Economática, outubro é quarto pior desde a criação do Ibovespa em 1968. Além disso, com desvalorização de 41,68%, a bolsa amarga, por enquanto, a maior queda anual desde 1972.

Mas a queda não foi mau negócio. Conforme operadores, o recuo deveu-se a uma saudável realização de lucros, afinal não é sempre que se ganha quase 30% em três dias. Até os papéis da Vale, depois de começar em queda, fecharam com ganhos, apesar de a empresa anunciar redução da produção em decorrência da desaceleração da economia global.

Postado por Marçal Alves Leite

Bolsas (fechamento)

31 de outubro de 2008 0

São Paulo/Bovespa -0,51%

Buenos Aires/Merval +3,82%

Nova York/Nyse +1,57%

Nova York/Nasdaq +1,32%

Postado por Marçal Alves Leite

Câmbio (fechamento)

31 de outubro de 2008 0

Euro comercial R$ 2,7459 e R$ 2,7488. Alta de 0,68%

Dólar comercial R$ 2,1580 e R$ 2,1600. Alta de 2,61%

Dólar flutuante R$ 2,0200 e R$ 2,1800. Baixa de 0,91%

Ágio 0,93%

Variação do dólar no mês: +13,39%

No ano: +21,69%

Variação do real no mês: -11,81%

No ano: -17,82%

Postado por Marçal Alves Leite

Sem lamentações

30 de outubro de 2008 0

Mercado em dia

O corte do juro norte-americano de 1,5% para 1% ao ano pesou mais no mercado do que o encolhimento de 0,3% do Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos no terceiro trimestre do ano. A Bolsa de São Paulo (Bovespa) emplacou três altas seguidas, disparando 27,22% no período.

Se o sentimento na terça-feira, quando várias bolsas mundiais haviam valorizado mais de 10%, já era de que o pior tinha passado, agora mais investidores engrossam apostas de que o fundo do poço da crise das hipotecas dos EUA pode ser mesmo os 29.435 pontos registrado pelo Ibovespa no começo da semana.

É claro, ninguém descarta novas baixas, tanto por solavancos com a divulgação de números da economia ou por motivo de realização de lucros. Hoje, por exemplo, é bem provável um movimento de venda, pois a lucratividade média em três pregões atinge o dobro da taxa básica, mantida em 13,75% ao ano, que é referência para a definição da remuneração das aplicações de renda fixa.

O maior número de ordens de compra do que venda, mesmo com o recuo da economia dos EUA, também é indício de amadurecimento dos investidores. Todos têm noção de que a economia real será afetada pela crise dos créditos podres. E não adianta lamentar a cada anúncio de novos indicadores. Afinal, a sobrevivência depende da administração do risco.

Postado por Marçal Alves Leite

Bolsas (fechamento)

30 de outubro de 2008 0

São Paulo/Bovespa +7,47%

Buenos Aires/Merval +6,00%

Nova York/Nyse +2,11%

Nova York/Nasdaq +2,49%

Postado por Marçal Alves Leite

Câmbio (fechamento)

30 de outubro de 2008 0

Euro comercial R$ 2,7271 e R$ 2,7301. Baixa de 0,95%

Dólar comercial R$ 2,1030 e R$ 2,1050. Baixa de 1,77%

Dólar flutuante R$ 2,0500 e R$ 2,2000. Estável

Ágio 4,51%

Variação do dólar no mês: +10,50%

No ano: +18,59%

Variação do real no mês: -9,50%

No ano: -15,68%

Postado por Marcal Alves Leite

Fôlego comprador

29 de outubro de 2008 1

Mercado em dia

Embalada pela perspectiva de corte dos juros nos Estados Unidos, confirmada à tarde pelo Fed (o banco central norte-americano), a Bolsa de São Paulo (Bovespa) emplacou a segunda valorização consecutiva. Em dois pregões, a alta chega a 18,38%.

Mais relevante do que a repetição de ganhos gordos, a resistência da bolsa em ceder pouco antes do término dos negócios reforçou as apostas em altas consistentes. Após o anúncio da redução da taxa para 1% ao ano, o índice recuou de cerca de 5% para 2%, mas reagiu até ultrapassar 7%, antes de fechar com ganho de 4,37%.

Alguns investidores, portanto, conseguiram realizar lucros, mas as compras predominaram sobre o interesse de vendas, dando fôlego à tendência de alta. O problema é que o giro financeiro, de R$ 4,968 bilhões, permanece abaixo da média diária do mês.

Responsável por acentuadas quedas no pior momento da crise, o retorno do capital externo é essencial para manter o desempenho positivo da bolsa. Sem descartar novas baixas, pois as operações de curtíssimo prazo são estratégicas na tentativa de compensar prejuízos com a turbulência, os investidores já miram o horizonte sem receio de tempestade no dia seguinte.

Postado por Marçal Alves Leite

Bolsas (fechamento)

29 de outubro de 2008 0

São Paulo/Bovespa +4,37%

Buenos Aires/Merval +2,61%

Nova York/Nyse -0,82%

Nova York/Nasdaq +0,47%

Postado por Marçal Alves Leite

Câmbio (fechamento)

29 de outubro de 2008 0

Euro comercial R$ 2,7531 e R$ 2,7563. Alta de 0,43%

Dólar comercial R$ 2,1410 e R$ 2,1430. Baixa de 2,06%

Dólar flutuante R$ 2,0500 e R$ 2,2000. Estável

Ágio 2,66%

Variação do dólar no mês: +12,49%

No ano: +20,73%

Variação do real no mês: -11,11%

No ano: -17,17%

Postado por Marçal Alves Leite

Hora da virada

28 de outubro de 2008 3

Mercado em dia

Contagiada pelo efeito dominó que começou na Ásia, onde Hong Kong disparou 14,35%, passando pela Europa, com a surpreendente alta de 11,28% em Frankfurt, até Wall Street, que avançou extraordinários 10,88%, a Bolsa de São Paulo (Bovespa) fechou com ganho de 13,42%.

Além de motivações pontuais, como a disparada das ações da Volkswagen devido ao interesse da Porsche em assumir seu controle, a perspectiva de corte dos juros nos Estados Unidos e na Europa foi essencial para acionar o movimento de compras contido há semanas.

Ainda persistem temores de recessão econômica mundial, especialmente nos EUA, onde a confiança do consumidor desandou em outubro ao menor nível em 41 anos, mas a sensação é de que o pior da turbulência já passou. Pelo menos, nos mercados, que costumam antecipar os fatos e, portanto, podem agora estar revelando indícios da hora da virada.

O Risco Brasil também indicou essa possibilidade, despencando de 607 para 523 pontos. O dólar chegou perto de R$ 2,15, mas reduziu a baixa devido à atuação de importadores.

Ao contrário de jornadas anteriores, quando operações Day Trade acabavam  neutralizando a alta, a Bovespa intensificou o ganho antes do encerramento dos negócios. Mesmo superior ao da véspera, o volume, porém, ficou abaixo da média de R$ 5,35 bilhões do mês.

Postado por Marçal Alves Leite

Bolsas (fechamento)

28 de outubro de 2008 0

São Paulo/Bovespa +13,42%

Buenos Aires/Merval +6,58%

Nova York/Nyse +10,88%

Nova York/Nasdaq +9,53%

Postado por Marçal Alves Leite

Câmbio (fechamento)

28 de outubro de 2008 0

Euro comercial R$ 2,7415 e R$ 2,7444. Baixa de 2,27%

Dólar comercial R$ 2,1860 e R$ 2,1880. Baixa de 2,50%

Dólar flutuante R$ 2,0500 e R$ 2,2000. Estável

Ágio 0,55%

Variação do dólar no mês: +14,86%

No ano: +23,27%

Variação do real no mês: -12,93%

No ano: -18,88%

Postado por Marçal Alves Leite

Tá com medo de quê, hein tchê?

28 de outubro de 2008 3

Blues do subprime: a vida continua em Chicago/Marçal Alves Leite/Dez2007

Por mais grave que possa ser, fazer estragos e bagunçar a vida da gente, essa crise “made in USA” não é nenhum bicho papão. Nem vai acabar com todo mundo e tampouco durar para sempre como andam apregoando por aí. Mas ela é perigosa sim e quem bobear pode dançar. É uma crise de alto risco. É subprime.

Devido à turbulência das bolsas de centros financeiros nem tão distantes assim, como Londres, Frankfurt, Paris, Tóquio, Xangai, Hong Kong, Chicago, Nova York e São Paulo, quem vacilar em qualquer rincão do planeta corre risco de ficar mais pobre ou menos rico através da perda de valor de bens patrimoniais, como títulos, moedas, máquinas, peças de arte e imóveis adquiridos com anos de trabalho e planejamento.

Wall Street é mais ali, fica no extremo sul de Manhattan. A Main Street, é claro, é mais para cá, na Quinta Avenida, em Nova York, ou na Avenida Michigan, em Chicago, ornamentadas ano inteiro com centenas de estandartes norte-americanos, mas também é na Rua dos Andradas, em Alegrete, na Rua da Praia, em Porto Alegre, na Avenida Paulista, em São Paulo, ou na Avenida Brasil, em Passo Fundo, onde poucas bandeiras brasileiras (com raras exceções) só tremulam nos desfiles da Independência. Mas é na rua do comércio que realmente acontecem as coisas, a crise brota e bota medo.

Morador desde os 24 anos na periferia de Chicago, terceira cidade em população nos EUA, mais importante do que Los Angeles e Nova York (bem provável também do mundo) em várias áreas das ciências, artes e esportes, terra da máfia e da lei seca, o candidato favorito dos ianques nas eleições presidenciais, o havaiano e advogado Barack Hussein Obama, afirma: “nós não podemos apenas ter um plano para Wall Street, é preciso socorrer Main Street”.

Wall Street é o grande mercado dos negócios financeiros, quase todos virtuais, pois só grandes ofertas são à viva-voz. O pregão é mais cenário para televisão do que ambiente de negociação. Main Street é a rua principal onde rola a economia real, o varejo, a negociação direta, o olho no olho para decidir o preço, o sorriso do comprador e a alegria contida do vendedor. É como feira livre. E isso nos EUA, no Brasil e qualquer outro país do mundo.

Vários leitores têm manifestado preocupação com o aprofundamento da instabilidade financeira dos EUA. Alguns revelam não só temores frente ao contágio, mas verdadeiro pavor ante prováveis perdas, principalmente quem possui ativos de renda variável. Calma gente! Paciência é palavra-chave mais do nunca. Vou repetir alguns argumentos constantemente repetidos nas últimas semanas.

Quem ingressou na bolsa num nível muito elevado não deve tomar decisão que piore a situação. Antes de qualquer atitude, é importante falar com o gerente do banco ou operador da corretora para avaliar em conjunto a melhor alternativa. A taxa de administração, lembre, é paga mesmo no saldo negativo e, portanto, é preciso fazer valer o direito de orientação. Em finanças não há espaço para rusgas pessoais ou dúvidas sem fundamento.

Mas, de antemão, sacar os recursos de conta com saldo negativo é aceitar o prejuízo. Mesmo que retorne quando a turbulência passar, o investidor corre risco de retornar num preço mais elevado. Ou seja, não na menor pontuação do índice (o fundo do poço), que representaria o melhor preço e, portanto, maior margem de ganho na recuperação.

Manter a aplicação é interessante em princípio, mas pode complicar caso as cotações caírem ainda mais. Quer dizer, a melhor solução também é danosa. Mas os ativos de risco são assim mesmo. Por isso, são de risco. É preciso segurar os nervos. Pensar e agir com inteligência para tomar uma decisão que devolva a tranqüilidade não importa se resgatando menos do que aplicou ou esperando sei lá quanto tempo para ter o valor depositado de volta.

O dinheiro é necessário. Faz parte das pessoas. Ninguém vive sem ele, jamais gosta de perder. E para não perder é essencial a serenidade ao permanecer sem fazer nada ou tomar decisão de mudar para outra opção. Ter paciência e agir com moderação, porém, não quer dizer aceitar passivamente a turbulência. Não confunda as coisas. Afinal, de um momento para momento, em questão de horas, minutos, segundos, naquele justo instante, os ativos podem estar valendo menos e menos, caindo e caindo.

Não dá para abandonar a aplicação ao léu, deixando de acompanhar, analisar e rever posições. Milhares de brasileiros vivem este desconforto. Isso faz parte do negócio.

Também não dá para ficar imaginando coisas, quebradeira de bancos e mudança de regras pelo governo. Se há desconfiança concreta em relação aos profissionais (gerentes ou operadores) ou instituições (bancos ou corretoras) aí sim é razoável tomar-se uma decisão radical. Mas bem pensada. Quer dizer, que tenha a ver com a possibilidade de maior retorno noutro lugar. Não adianta sair, por sair.

Mudar os recursos do mercado acionário (ações, fundos e clubes) para outra aplicação é fatalmente ir para modalidades de renda fixa, como CDBs e caderneta de poupança e implicaria em muitos anos, décadas, para recuperar a quantia inicialmente aplicada. Com ou sem crise, os poupadores devem ter noção de que as regras do mercado não mudam. E quem tem consciência do que é um ativo de risco jamais deve colocar na bolsa dinheiro com previsão de uso do dinheiro.

Agora o jeito é esperar, mas ninguém sabe por quanto tempo. Mas a decisão, como é relevante reiterar, deve ser tomada por cada um, pois cada qual sabe o quanto pesa para si suas economias. E, acima de tudo estar ciente de que, se não agiu no tempo certo para evitar a tragédia, mudar o percurso agora pode ser ainda pior. O principal é tomar a decisão e ficar tranqüilo nem que tenha de aguentar anos de espera.

Mas há esperança de mudança, para melhor, é claro, conforme palavras de um espetacular (espetacular, por favor, não confunda com especulador, pois o cara entrou na alta e é meu amigo) leitor: “vou aguardar, não farei resgate, pois creio que o mundo não vai parar. Vai demorar um pouco, mas tudo deve voltar ao normal. O mundo gira em torno da economia, não é? Acho que tenho reserva para tocar adiante por mais tempo”.

Postado por Marçal Alves Leite

Medo de retornar

27 de outubro de 2008 2

Mercado em dia

Com queda de 6,5% no dia, a Bolsa de São Paulo (Bovespa) amarga perda de 25,37% ou um quarto do valor de mercado das ações em apenas cinco pregões. Desde o recorde de 73.516 pontos obtido em 20 de maio, o índice já despencou 59,96%, alcançando o menor nível em exatos três anos.

Os negócios no mercado doméstico seguiram o ritmo de Wall Street, onde nem o anúncio de aumento nas vendas de casas novas nos Estados Unidos conseguiu sustentar os ganhos da rodada. Depois de operar no azul grande parte do dia, o índice Dow Jones fechou com baixa de 2,42%.

É que, apesar do maior volume de vendas, os preços dos imóveis caíram ao menor nível em quatro anos. As pechinchas atraíram quem aguardava para adquirir sua casa em condições favoráveis, mas os dados não revelam uma direção para a economia norte-americana.

Com a confiança abalada, os investidores apostam em ganhos de curtíssimo prazo (no mesmo dia), optando por sair do mercado no fim da sessão por temores de que na próxima seja ainda pior. Não é para menos. Só em outubro (até sexta-feira), o valor de mercado das 396 ações com transações na Bovespa desandou 32,63%, para R$ 1,204 trilhão.

Carro-chefe do Ibovespa, a Petrobras perdeu 42,31% do seu valor de mercado no período. Ou seja, os preços são de liquidação e, ainda assim, os investidores têm medo de retornar ao pregão.

Postado por Marçal Alves Leite

Carta da BM&F Bovespa

27 de outubro de 2008 0

O presidente do Conselho de Admistração da BM&F Bovespa, Gilberto Mifano, enviou nesta segunda-feira carta ao Ministro da Fazenda, Guido Mantega, ao presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, e à presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Maria Helena Santana. Na correspondência, Gilberto Mifano se pronuncia em consonância à carta-aberta divulgada em 23 de outubro de 2008 pela World Federation of Exchanges (WFE) para as autoridades mundiais.

O texto da WFE explica a contribuição das bolsas ao funcionamento do sistema financeiro, de forma a combater a crise global. Em sua apresentação, Mifano ressalta o fato de que a crise financeira mundial não teve início no ambiente das bolsas, e reafirma o comprometimento da BM&F Bovespa com a defesa do sistema financeiro e com o esforço contínuo para a restauração da normalidade dos mercados. A WFE é uma entidade global que reúne as 55 principais bolsas de valores, futuros e derivativos do mundo, entre elas a BM&F Bovespa, que faz parte de seu Conselho de Administração.

Postado por Marçal Alves Leite