Por existirem pessoas e profissionais sérios, competentes, plenos de princípios éticos, e que fazem o que gostam, é que temos muita força para acreditar que se cada um fizer a sua parte podemos ter um país e um mundo melhor. A idéia de que a razão e, principalmente, a razão científica, resolveria todos os problemas humanos, está cada vez mais em suspensão.
São inegáveis os avanços tecnológicos e as possibilidades de novas formas de viver e pensar que a tecnologia pode nos oferecer. Como também é inegável que cada vez mais somos capazes de destruir o mundo de várias formas e em poucos segundos. Em meio aos computadores, ao telefone celular, aos novos exames e tratamentos médicos, a Internet, existe o incremento da violência, do stress, o aparecimento de novos vírus, dos sectarismos.
A crise de paradigmas que falamos é grandemente reforçada pela sociedade de consumo, em que nos transformamos. E quando a crise chega, mesmo que não seja aqui, impregna vários setores de nossas vidas. Para viver precisamos trocar, e a vida é a permanência do movimento, das trocas.
Também o mesmo acontece no plano do conhecimento. Conversamos e mudamos nossas idéias porque constantemente as confrontamos com outras. É que aprender implica conflitos: todos sabemos da dificuldade de abandonar idéias que não mais funcionam.
Uma primeira diferenciação importante é entre a informação e o conhecimento. A informação está relacionada com a marca significante. São dados e fatos. São constituídos de unidades designadas sob a forma de bits. A informação não tem em si uma estrutura, é potencial. Já o conhecimento é a própria capacidade de integração de combinação das informações. O conhecimento é o organizador das informações.
Conceituamos tecnologia por oposição a tudo aquilo que possa estar contido numa suposta natureza humana. Assim, dificilmente pensamos que a roupa que vestimos, que o lápis que utilizamos para deixar marcas no papel sejam tecnologias. Eles habitam nosso cotidiano de tal forma que já fazem parte de nossa `natureza humana`.
É necessário sim amar o conhecimento, desassossegar-se com as dúvidas das pessoas e com as nossas próprias, desconfiar das coisas prontas, das respostas fáceis. A sofisticação dos recursos intelectuais é utilizável na elaboração de personalidades ricas.
O indivíduo se singulariza, constrói a sua unicidade. Em todos os momentos da história da espécie, como da história individual, o ser humano dispõe de recursos para associar-se aos seus semelhantes.
O termo inteligência é complexo, ele reúne os conteúdos da razão e da emoção. E é amor e emoção que colocamos no que fizemos. O amor é o meio procurado e desenvolvido pelo homem para vencer o isolamento e escapar da loucura. Sem amor, o homem torna-se árido, incapaz de encantar-se com a vida e de envolver-se com os outros. Sem amor não há sensibilidade, há a morte dos ideais.
O amor é um modo de ser, de viver, que se conquistar gradualmente, à medida que se desenvolve a sensibilidade para com as outras pessoas. É a capacidade de descentrar-se, sair de si, ir ao encontro do outro em uma atitude de zelo e respeito que nada quer em troca.
Amar é estar comprometido com a realização do outro, é querer seu bem. Ser amoroso é uma característica da personalidade e pressupõe uma vivência desde o seio materno. Só quem recebe amor é capaz de amar, ser gentil, afetuoso e talentoso. Amar, humanizar, ter atenção e carinho é possibilitar ao outro e a si próprio o exercício da liberdade criadora do próprio ser. O amor transforma um ser coisificado, humilhado, oprimido em um sujeito pleno de possibilidades.
Os avanços da tecnologia permitem-nos exercer nossas profissões com carinho, amor, humanização e dedicação, orientados pela ética para incentivar em cada gesto e em cada palavra o amor pela leitura sobre economia e tantos outros assuntos e ciências.
O homem se tornou homem pelo trabalho, que superou os limites da animalidade, transformando o natural em artificial, o homem, que se tornou um mago, o criador da realidade social, será sempre o mago supremo, será sempre Prometeu trazendo o fogo do céu para a terra, será sempre Orfeu enfeitiçando a natureza com a sua música. Enquanto a própria humanidade não morrer, a arte não morrerá, pois pela criação e publicação dos fatos e acontecimentos a obra tende a permanecer viva através dos tempos".
Artigo de Lilia Maria Apellaniz Dias e Edison Gilberto Dias extraído de carta enviada pelo casal em celebração dos meus 15 anos de Zero Hora. No original de sete folhas escrito à mão pela professora Lilia e também assinado pelo marido taxista, a autora argumenta dispor de dois computadores (um laptop), mas optar por redigir de próprio punho por ser a maneira em que melhor se expressa.
A publicação dessa maravilhosa carta (apenas com cortes de referências pessoais) dos fiéis amigos e leitores é uma homenagem a todos os leitores que, por meio do blog ou do jornal, acompanham-me com atenção, críticas e sugestões. Aproveito para agradecer aos colaboradores e simpatizantes em geral e lhes desejar muita saúde, trabalho, paz e felicidade no Natal, em 2009 e na vida inteira (Marçal).
Postado por Marçal Alves Leite
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