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Vítimas do crédito fácil

19 de janeiro de 2009 1

Os latino-americanos, os negros e as pessoas de idade avançada são os grupos da população que mais vêm sofrendo com a crise das hipotecas nos Estados Unidos. A constatação é da agência de notícias The Associated Press (AP) em análise feita com base em dados oficiais.

Ainda que as minorias tenham progredido muito em termos de renda e de habitação desde 1990, explica Edward Wolff, economista da New York University, agora a situação começou a se reverter e a taxa de manutenção de moradias por negros e latinos voltou a cair.

Em torno de 10% dos proprietários de residências com hipotecas nos EUA tinham, pelo menos, uma prestação atrasada ou estavam ameaçados de ter os bens retomados até o final do ano passado. Trata-se de um número recorde. Em 2007, a taxa foi de 7,5%. Em 2006, menos ainda, de 6%. Segundo o estudo da AP, o custo dos imóveis tem maior peso na renda das minorias étnicas.

Pouco menos de um terço dos proprietários latinos gastam, no mínimo, 38% de sua renda em moradia, enquanto a mesma fatia de asiáticos e negros consome 25%, e, entre os brancos, 16%.

Em algumas regiões a tendência é mais evidente. Entre os que gastam no mínimo 38% de seus ingressos em moradia estão, por exemplo, 40% dos negros da Califórnia, Nevada, Oregon e Massachusetts, mais de 30% dos asiáticos da Califórnia e Florida, e quase a metade dos latinos em Rhode Island e, pelo menos, 40% no Alasca, Califórnia, Florida, Hawai, Maryland, Nova Jersey e Nova York.

Muitas famílias latinas recorreram a empréstimos onerosos porque só recebem dinheiro em moeda corrente e não têm contas bancárias, diz Janis Bowdler, diretora de finanças pessoais do Conselho Nacional da Raça, em Washington.

A maioria das famílias latinas têm receita estáveis, mas seu histórico de crédito é limitado e, portanto, sofrem com a baixa qualificação do crédito, uma medida que os bancos usam para medir o risco de pagamento. Muitas famílias latinas têm várias fontes de renda, sendo algumas em dinheiro corrente.

Durante o auge do mercado imobiliário, conforme especialistas, era mais rápido e lucrativo conceder empréstimos para famílias latinas sem exigir comprovação de renda, mas com taxas de juros bem mais elevadas. Os bancos concediam empréstimos e saiam deles bem rápido, ressalta Bowdler, reiterando que, com certeza, a liberação dos recursos era muito mais cara.

Muitas famílias procedentes da América Latina, entre as quais centenas do Brasil, estão até hoje sofrendo as consequências da obtenção do crédito fácil.

_ Nosso dinheiro é como um pedaço de goma de mascar e estamos espichando-o o mais que podemos _ confessa Joel Cazares, de Visalia, na Califórnia, que está tentando pagar sua hipoteca.

Postado por Marçal

Comentários (1)

  • bolsista diz: 19 de janeiro de 2009

    Aqui no Brasil os bancos não permitem o comprometimento de mais de 30% do valor da renda bruta para financiamento de casa própria. Isso dá mais ou menos 140% do que eu gasto em aluguel, sem fala da entrada à vista de 25% do valor do imóvel, mais taxas a juro de 8% ao ano. Se não for a primeira casa melhor é nem comprar, pois daqui a dois anos vou ter a entrada com o que eu tenho na bolsa mais o que conseguir guardar hehehe

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