Confraria feminina discute estratégias de lucro frente à turbulência na bolsa
Alunas de um curso de análise gráfica de ações no ano passado na Escola da Bolsa de Valores, em Porto Alegre, resolveram manter as discussões sobre oportunidades do mercado de capitais fora do estabelecimento de ensino. Em jantares regulares e descontraídos realizados desde janeiro, como na última quarta-feira, a Confraria das Mulheres da Bolsa reúne cerca de 10 investidoras por encontro.
Sem apetite para conversa fiada, essas mulheres têm propósitos bem mais radicais. Não é confraternização feminina para aprendizagem do bê-á-bá da bolsa. O objetivo delas é afiar conhecimentos para ganhar dinheiro na contramão da estratégia utilizada pela maior parte dos investidores.
_ Trocamos informações sobre a negociação de compra e venda de ações no curtíssimo prazo. A volatilidade ocasionada pela crise exige uma mudança no estilo de operar por quem não deseja esperar muito tempo até obter lucro _ afirma Viviane de Oliveira, administradora de empresas e coordenadora da confraria.
Os preços dos papéis, lembra Viviane, passaram a oscilar com maior intensidade devido à turbulência gerada no aprofundamento da crise financeira global. Apesar das variações mais elevadas, porém, a bolsa enfrenta resistência em avançar com consistência. As incertezas quanto ao futuro acabam modificando os planos de retorno das aplicações. Em vez de um ano ou dois, por exemplo, um aplicador pode ter de aguardar até três ou quatro anos para alcançar o lucro pretendido.
Consciente de sua ousadia, outra integrante da confraria, a economista Kelly Hertel admite ter virado especuladora. Ao contrário dos investidores, que buscam ganhar no longo prazo, ela transforma brechas na evolução dos gráficos da bolsa em oportunidades imediatas de lucro:
_ Faço operações day trade conforme os repiques de altas e baixas, mas também costumo alugar ações ou fazer um swing trader para operar a favor da tendência _ ressalta Kelly.
Administradora de empresas, Karina Morais de Carvalho é outra trader que aposta na bolsa com ou sem turbulência. Motivada pelos resultados, ela vendeu uma empresa de viagens e turismo para se dedicar somente aos negócios financeiros. Karina se transformou em voraz operadora ao assumir estratégias de nomes exóticos como day trader, swing trader, position trader e aluguel de ações, que ainda soam esquisitos para muitos investidores tradicionais do mercado. Para Karina, são seus instrumentos diários de trabalho:
_ Passei a viver só com o lucro obtido na bolsa e, dependendo da tendência dos preços, deixo de operar no meio da tarde, optando dar um stop ou por dormir com a ação.
Postado por Marçal


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