Mercado em dia
Um dos segmentos financeiros em dificuldade nos EUA, que, em vez das hipotecas de alto risco do setor imobiliário (subprime), poderia ter sido o estopim da crise global desenfreada em agosto de 2007, a indústria de cartões de crédito finalmente foi contemplada com regras mais rígidas pelo governo norte-americano.
O presidente dos EUA, Barack Obama, sancionou na última sexta-feira a lei que regulamenta as atividades do setor, na qual, entre outras medidas, limita a liberdade das administradoras de aumentar os juros cobrados dos usuários. Considerada histórica, a nova legislação busca proteger milhares de consumidores endividados com cartões de crédito devido às práticas abusivas dos bancos.
Ao assinar a lei aprovada na semana passada no Congresso e que proíbe o aumento arbitrário de taxas, o estabelecimento de tarifas ocultas e alterações repentinas de contratos, Obama, porém, alertou sobre os perigos da dependência instável e incômoda do dinheiro de plástico, além de criticar os indivíduos que gastam mais do que ganham.
Obama vai mais longe, reiterando não desculpar, nem perdoar, os que atuam de forma irresponsável e que o povo tem que viver dentro de suas possibilidades. Para ele, é claro, os bancos também precisam atuar com transparência e responsabilidade.
Assim como nos EUA, onde 80% das famílias possuem cartões de crédito e 44% elas estão endividadas, muitos brasileiros abusam no uso do cartão de crédito, um dos instrumentos financeiros com maior nível de juros, chegando a superar 10% ao mês. Isso é equivalente ao máximo que os investidores podem receber em um ano em produtos de renda fixa.
Quem não paga integralmente a fatura do cartão também prejudica demais usuários, que, apesar de sempre serem pontuais, por motivos de força maior precisam ingressar no crédito rotativo. É que a inadimplência de alguns pesa na conta de todos. Quem gasta acima das condições não só complica o próprio orçamento como promove estragos na vida dos outros. E quando muitos perdem essa noção, a situação pode ficar fora de controle e se transformar em crise.
Postado por Marçal


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