Mais do que balançar as bolsas no mundo, a sangria de empregos nos EUA reacendeu temores sobre a recuperação da economia global, e os investidores devem continuar levando sustos repentinos até que os números mostrem uma virada na oferta de trabalho. Persistem dúvidas quanto à duração do aumento da desocupação.
Depois da perda de 219 mil vagas em setembro, os estimativas para outubro eram de corte de 150 mil postos nos EUA, que acabou amargando redução de 190 mil empregos. Assim como é o primeiro a revelar sinais de crise, o mercado laboral é sempre o último segmento da economia a reagir à turbulência.
Apesar do alerta de analistas, os investidores se retraem ao confirmarem nos dados oficiais as teses acadêmicas. A preocupação cresce quanto às consequências do fenômeno na economia real.
Os preços do petróleo, por exemplo, desandaram imediatamente ao anúncio do aumento do desemprego, porque os negociadores da commodity projetam redução proporcional na demanda por combustíveis no país.
Todos os segmentos da economia são afetados pela desocupação, que nos EUA já envolve quase 16 milhões de pessoas _ o equivalente à soma da população do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. Além de alcançar o maior patamar mensal (10,2%) em 26 anos naquele país, há um efeito negativo em razão da taxa chegar a dois dígitos.
_ Foi pior do que o esperado. Se o mercado de trabalho não está forte, a economia também não está forte _ pondera Phil Flynn, analista da PFGBest, empresa de investimentos sustentáveis de longo prazo com atuação em 80 países.
Mas também números positivos sobre a economia real foram anunciados na semana. No sábado, a China informou que as vendas de carro de passeio somaram 923.154 unidades ou 80% acima em relação a igual período de 2008.
É um sinal alentador: quase 1 milhão de pessoas, mais da metade da população de Porto Alegre, comprar automóveis esportivos em um único mês em um país onde, segundo algumas fontes, ainda predomina o trabalho escravo.
Postado por Marçal


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