Dois anos depois da decisão do Conselho Monetária Nacional (CMN), que alterou o cálculo da Taxa Referencial (TR) para garantir o estabelecido por lei federal, a caderneta de poupança terá pela primeira vez um ganho de apenas 0,5% em todas as datas-base de um mês, pelo menos, até o dia 25 de março, período para o qual o Banco Central (BC) já divulgou os resultados.
Os recursos depositados na caderneta são remunerados mensalmente a uma taxa de 0,5% mais a variação da TR diária, fixada em zero há cerca de um mês. A TR, por sua vez, representa uma média ponderada dos juros pagos nos certificados de depósito bancário (CDBs) entre as 20 maiores instituições financeiras do país.
A queda da TR deve-se à manutenção desde julho de 2009 da taxa básica (Selic) em 8,75% ao ano, base na definição do retorno das aplicações de renda fixa. Na prática, esse teto só é atingido nas transações entre bancos ou por grandes investidores. Mesmo assim, ainda tem a cobrança do Imposto de Renda (IR), que consome 22,5% da rentabilidade nominal em operações com prazo de até seis meses.
Com ganho líquido médio de 0,59% em fevereiro, os CDBs projetam rentabilidade de 7,31% em 12 meses, quando a caderneta terá no mínimo 6,14% de remuneração. O governo chegou a estudar a tributação de contas com saldo acima de R$ 50 mil, mas a tendência é de o projeto continuar engavetado por mais tempo devido às eleições presidenciais. Ainda que atinja pequena parcela de poupadores, a medida poderia ser usada pela oposição na companha política.
Apesar do reduzido ganho, a caderneta ainda é a melhor opção para aplicadores de pequeno porte, que não têm condições de barganhar CDBs com taxas próximas da Selic ou livrar-se de pesadas taxas de administração em fundos de renda fixa. Os CDBs e os fundos, entretanto, tendem a reconquistar atração em relação à poupança se o BC retomar os aumentos da taxa básica, que, segundo analistas, deve voltar aos dois dígitos este ano, sendo a primeira elevação ainda em março.


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