Depois da estabilidade econômica, quando a inflação foi domada pelo Plano Real, houve um aumento de renda das famílias, principalmente as mais carentes, devido ao controle inflacionário, onde os mais prejudicados são os de menores salários, bem como, ao incremento real do salário mínimo e assistência social do governo.
As famílias tendo uma renda maior, em razão também da criação de mais empregos com carteira assinada, foram ao consumo dos bens que deixaram de comprar quando a inflação era alta e as taxas de juros impraticáveis. Hoje em dia, as facilidades de crédito são muitas, o consumidor sofre tentações com a disponibilidade dos cartões de crédito, empréstimo consignável e cheque especial.
Com todas estas opções, usa-os sem um planejamento financeiro. Quando vão as compras não importa qual a taxa de juro que estão pagando e sim, o valor da prestação que vão pagar e acrescentam mais uma prestação ao orçamento. O que está ocorrendo é que muitos consumidores não honram com suas despesas. O salário mensal já não é suficiente para pagar as suas dívidas. Qual a solução para resolver o problema? Eis a questão, pois às vezes, os consumidores optam por caminhos onde o custo da solução e, todavia, muitas vezes não resolvida, é o mais oneroso.
Apesar dos cartões de crédito e cheque especial, por exemplo, serem instrumentos válidos quando utilizados com disciplina, aproveitando os seus benefícios, o que não é vantajoso é que o consumidor faça-o uso do cartão de crédito, e quando do vencimento da fatura, pague somente o valor mínimo, acumulando o débito que incidirá encargos em torno de 11% ao mês. A mesma coisa, vale para o cheque especial, que deve ser usado apenas por curtos períodos, e não como um acréscimo ao seu salário. Os encargos do cheque especial variam de banco para banco, mas estão em média em 9,11 % ao mês.
A melhor solução para cada consumidor endividado varia muito, pois cada caso é um caso a ser estudado, mas no momento a de menor custo é o empréstimo consignável, pois os juros estão em média em torno de 1,97 % ao mês. Só para exemplificarmos, vamos simular que o consumidor A, tenha um total em dívidas de R$ 5 mil, e financie com juros de 3,5% ao mês pelo período de 12 meses. Isso daria uma prestação de R$ 517,42. Caso opte pelo empréstimo consignável, com juros de 1,97 % ao mês, a sua prestação cairia para R$ 471,93. Uma diferença de R$ 45,49 por mês o que daria no final dos 12 meses R$ 545,88.
É lógico, que a melhor maneira de não se endividar é comprar a vista, com os recursos poupados, que sobraram do mês, mas caso não seja possível, procure comprar sempre sem juros. Quem quiser ter as contas em ordem, deve monitorar os seus gastos. À medida que você for controlando a sua vida financeira, os benefícios começarão a aparecer. Cuide de seu dinheiro, pois somente você sabe o quanto é difícil ganhá-lo. A receita é simples, gaste somente o que se ganha e poupe na medida do possível.
Artigo do economista Manoel Gil Costa Soares


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