A Bolsa de São Paulo (Bovespa) caiu 6,55% em três dias de turbulência provocada pelos PIIGS, sigla em inglês do bloco formado por Portugal, Irlanda, Itália, Grécia e Espanha, países europeus que enfrentam dificuldades financeiras, mas mostrou sinais de reação nos últimos negócios da sexta-feira. Em menos de uma hora, a queda de mais de 4% cedeu para menos de 2% numa jornada em que foi movimentado quase R$ 8 bilhões. Ou seja, a diminuição da perda decorreu de uma forte pressão compradora.
Também em Wall Street houve recuperação similar. Após atingir baixa de quase 2%, a Bolsa de Nova York (Nyse) reagiu pouco antes do encerramento, fechando com pequeno ganho. Confiantes na possibilidade de retomada dos preços, por terem ficado baratos devido às últimas quedas ou por apostas em solução para a crise dos PIIGS, muitos investidores anteciparam compras na expectativa de que neste começo de semana ocorra mudança de ânimos nos pregões.
Mais que esperar o momento para vender suas ações e, com isso, obter o retorno pretendido na operação, o lucro no mercado acionário depende das condições de compra. Quanto menos pagar, maior poderá ser a margem obtida na transação. Quem adquiriu um papel no final do pregão de sexta-feira, por exemplo, poderá conseguir, se as apostas positivas se confirmarem, um lucro mais elevado de quem comprar o mesmo papel na abertura hoje dos negócios.
Resultado de uma combinação de fatores, como evolução de preços no mercado e fundamentos econômicos das empresas, a análise de quanto se deve pagar por uma ação é uma decisão de cada investidor, que irá definir o valor a ser desembolsado segundo o prazo da aplicação. Em transações de curto prazo, há necessidade de detectar o fim de uma sequência de baixa para poder vender dias após em condição vantajosa. Em investimentos de médio e longo prazo, o aplicador pode dar-se ao luxo de ingressar a partir da consolidação do rumo de alta, pois a diferança tende a diluir-se no transcorrer dos meses da operação.
Independentemente de ciclos de alta ou de baixas, alguns papéis tendem a revelar desempenhos diferenciados, constituindo-se em oportunidade de negócios de compra, quando caem mais do que os outros, e de venda, quando sobem acima da média, atingindo o seu limite de preço. Entrar ou sair da bolsa, portanto, são os dois momentos que determinam o sucesso ou fracasso. Para uma atuação segura e sem surpresas, especialmente quanto à dimensão da crise dos PIIGS, os investidores devem buscam orientação de profissionais de confiança e, jamais esquecer, duas regras do mercado: comprar na baixa, vender na alta e nunca resgatar recursos de contas com saldo menor do que o aplicado.