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Alécio, pérola da Banda do Zé Pereira

27 de fevereiro de 2011 1

 

Com sandálias e camiseta do Zé Pereira, o mais antigo integrante da tradicional banda do Carnaval do Ribeirão da Ilha, Alécio Heidenreich, 82 anos, se emociona ao contar hoje histórias dos tempos quando tocava sax.

- Era gurizinho e já assistia o Zé Pereira pelas ruas do nosso Ribeirão da Ilha, onde hoje se cultiva ostras. Comecei como músico em 1951 tocando clarinete. Depois mudei para o sax.

As marchinhas preferidas eram - e são – são Mamãe eu quero e…

- Se a rede não virar, olê, olê, olá, eu chego lá! – cantarola Alécio.

Naquela época, lembra, os músicos tocavam desde janeiro nos clubes para ficar com a embocadura firme.

- Não existia energia elétrica e a gente fazia lanterna vermelha, amarela e azul com bambu. O pessoal ia clareando e brincando no meio do povo.

Alécio conta que tempos atrás fez lanternas iguais para mostrar aos mais jovens como era:

- Mas ninguém quis carregar.

Embora não toque mais por indicação médica, Alécio é considerado integrante da banda e inspira respeito inclusive do músico mais novo, Guilherme Pereira Bach, 12 anos, há quatro anos tocando trompete.

 - Alécio foi o grande músico da banda e ficou durante anos. Ele sempre vai nas apresentações – conta o garoto, que gosta de ver, de cima do trio elétrico, as pessoas “igual formiga lá em baixo”:

- E aqui do carro a gente se sente gigante.

Se Guilherme fosse tocar uma música para Alécio, seria Ressurgimento.

- É um dobrado. Quando a banda voltou, tocaram essa música. Tocaria essa para seu Alécio porque apesar de ele não tocar mais, vai sempre com a gente.

A escolha não é por acaso.

No Carnaval de 1952, o Zé Pereira não saiu por falta de instrumento e a tristeza tomou conta do bairro. No mesmo ano, as famílias se reuniram, compraram instrumentos, cuidaram da condução e alimentação e a banda voltou a tocar.

A primeira música foi Ressurgimento, do maestro Basílio Machado.

Foi na festa da igreja Nossa Senhora da Lapa. Na frente, os mais idosos, e os mais jovens atrás. Uns choravam e outros riam de alegria – recorda Alécio.

- Naquele tempo era um orgulho ser músico. O que a gente sabe, ensina. Queria que eles fossem além de mim.

Alécio é cheio de histórias para contar.

Trabalhamos a vida inteira por essa banda. Durante 25 anos dormi sentadinho no fusca para levar o maestro. Era tudo de graça, sem cobrar um tostão - recorda o ex-construtor de baleeira e secretário aposentado da UFSC.

Alécio assistiu sua banda arrastar uma multidão neste domingo. Encostado numa casa colonial do bairro onde nasceu, vestindo a camiseta da banda que lhe deu tantas alegrias.

Sandálias nos pés, brilho nos olhos.

Alécio Heidenreich. Nome para ficar registrado na história da cultura da Ilha.

Se fosse possível, registro com áudio:

Ressurgimento.

 

 

Colaborou: Gabriela Rovai

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Comentários (1)

  • Renato Silveira diz: 30 de março de 2012

    Parabéns pelo reconhecimento ao Sr. Alécio.
    Ele foi um grande Amigo do meu Pai o ” Seu Canhoto” que também tanto fez pela Banda de Música “Nossa Senhora da Lapa” e “Zé Pereira”.
    O “Seu Canhoto”, era quem consertava os instrumentos, além de tocar nas Bandas “Nossa Senhora da Lapa” e “Zé Pereira” juntamente com o Seu Alécio e outros Amigos mais antigos.
    Aproveitando a oportunidade, inclusive já está praticamente pronta uma (Marcha de Carnaval ) que fiz “Letra/Música” em Tributo ao meu Pai o “Seu Canhoto”, que será posteriormente entregue aos representantes da Banda de Música do Ribeirão da Ilha.
    Nome:-
    ” A BANDA DO ZÉ PEREIRA”-
    (Tributo ao “Seu Canhoto”).
    Mais uma vez, parabéns pela matéria com o Sr. Alécio sendo ele uma pessoa muito especial para a Banda de Música e para todos nós.
    Att:
    Renato Silveira

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