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As lições do esporte amador

16 de agosto de 2011 1
Não foi a intensa disputa de forwards entre Farrapos e Rio Branco, os penais ou os tries que terão lugar de destaque no livro que contará a história do primeiro jogo de Campeonato Brasileiro no Rio Grande do Sul.
A cena que valeria o ingresso, caso fosse cobrado, ocorreu após o apito final, quando um jogador, curiosamente do clube paulista, desfilou pelo gramado com a bandeira do Rio Grande do Sul, e estimulou o estádio inteiro a cantar o hino gaúcho.
O nome deste personagem é Sandro Veríssimo, 29 anos, um dos fundadores do Guaíba Rugby Club. Ele vive em São Paulo desde o segundo semestre de 2008, quando passou a defender os pelicanos. Mesmo há três anos longe de casa, não perdeu o sotaque gaúcho, nem esqueceu do clube que o projetou. Sandro garante que um dia voltará ao estado e ajudará o Guaíba. O caminho é longo. Mas depois do que protagonizou no último sábado, provou ser um desejo sincero. “Voltar ao estado para jogar o Super 10 foi uma sensação muito forte, até chorei. Amo o sul, só saí daqui por que minha mulher é paulista e queria ficar perto da família. Se dependesse de mim, nunca iria para lá, nunca deixaria o meu Guaíba, clube que amo e defendo quando ele precisa”.
Você planejava correr com a bandeira pelo campo após o jogo ou foi um ato instintivo? O que sentiu naquele momento?
Não planejava, sequer havia levado uma bandeira. Mas quando fomos agradecer a torcida, vi um guri com uma bandeira do Rio Grande do Sul e na hora pedi para ele me emprestar. No começo ele não queria, talvez por eu ser do outro time, pensou que eu iria queimar ou algo assim. Até meu treinador pensou que eu arranjaria confusão. Mas no fundo, só queria beijar a bandeira e mostrar ao público a honra que tenho de ser gaúcho. Não nego que na hora me emocionei muito. Foi algo inexplicável o que senti.
Pretende voltar a defender um clube gaúcho? Quem sabe no Super 10?
Ainda quero levar o Guaíba, meu clube de coração, ao Campeonato Brasileiro. Mas antes vou lutar para que sejamos campeões gaúchos. Sei que é uma tarefa muito difícil, mas vou pelear muito para isso acontecer.
Sandro é um case legítimo sobre os valores do rúgbi. Prova amor ao jogo nas palavras e nas atitudes, de maneira instintiva. Em uma era de contratos milionários que mancham a inocência do esporte, é um exemplo de que, salvas raras exceções, a pureza ainda sobrevive, intacta, no esporte amador.

Comentários (1)

  • VALANDRO MANZONI diz: 17 de agosto de 2011

    Grande Pit Bull, parabéns pelas conquistas! Muito sucesso irmão, sua doação e entrega realmente são exemplar para todos.

    O cachorro loco aqui e a família do Guaiba Rugbi torce por voce.

    Abraço!

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