Um leitor do blog provocou um assunto e aceito o motivo da trova: o beijo da Mônica e do Cebolinha ocorrido no novo gibi da turma, agora crescida e adolescente.Pois vamos a ele. Em primeiro lugar, vale lembrar que parte do encanto das personagens do bairro do Limoeiro é que elas não cresciam, representando nossa infância, inacessível, mitificada, estereotipada como as lembranças daquela época são. Isso para os adultos. Para os pequenos, como o são os consumidores dessas histórias, cada personagem vale pela sua imutabilidade: o Cascão não deve tomar banho, a Magali não deve fazer dieta, o Cebolinha não deve falar direito e a Mônica não tem porque ser diplomática, porque é aprazível encontrar em cada um essa identidade consigo mesma. São representações estanques, que por sua vez canalizam lados dos leitores que se identificam com esses aspectos de si mesmos. Entre as histórias havia algumas que eram projeções de futuro onde eles cresciam, que eram muito interessantes. Em geral associadas a uma certa representação de futuro meio estilo Jetsons, onde apareciam os casais, Mônica e Cebolinha e Magali e Cascão com seus filhinhos que misturavam as características deles. Era como, quando crianças, imaginávamos como seríamos no futuro, num futuro muito distante, hipotético e lúdico. Não é ao serviço desse tipo de imaginação que responde a nova invenção de Maurício de Sousa.
Trata-se de um quadrinho, desenhado vagamente no estilo mangá (embora seja de frente para trás, mas os grandes olhos arredondados e o estilo de corpo das personagens pertence a essa estética), onde a turma da Mônica vira adolescente, chegando inclusive ás raias do primeiro beijo, que estará nas bancas, ou já está, por estes dias.
Essas histórias correspondem á continuidade do que Maurício tentou com a personagem Tina e sua turma, adolescentes, mas que não conseguiram a força da baixinha dentuça para capitanear seu próprio gibi. Agora é a turma do Limoeiro que cresceu, e isso responde a uma expectativa das crianças de pensar algo que está previsto de acontecer antes de serem gente grande: a adolescência, a juventude. Pensar que um dia seremos grandes para beijar, andar por aí desacompanhados, olhar nossos pais na altura dos olhos deles, ficar mais tempo com nossos amigos do que com eles, que a escola será território livre de adultos familiares, e que nossos pequenos grandes dramas serão um segredo para eles é um sonho de consumo para as crianças. Antes de projetar-se adultos como papai e mamãe, elas pensam-se jovens livres de papai e mamãe. Isso já faz parte da cultura infantil há algumas décadas e não se estranha que se incorpore também nesse universo de histórias. Afinal, a juventude é uma época idealizada da vida desde a década de 50, para os adultos e para as crianças por conseqüência. Isso tudo
Já nossas expectativas quanto ao gibi são reservadas, pois as personagens, que eram tão fortes ficaram pasteurizadas. Somos tão interessantes quanto aquilo que conseguirmos fazer a partir dos nossos defeitos e a turma da Mônica adolescente perdeu suas melhores imperfeições, transformadas em sutilezas de caráter. Espera-se que quando ficamos grandes nos tornemos mais ricos, mas neste caso parece que eles ficaram mais pobres...
Postado por Diana Corso
