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Para espanhol, Mercosul afasta Brasil da UE

17 de setembro de 2013 0

Professor de Historia Americana da espanhola Universidade Nacional de Educação à Distância (Uned) e pesquisador principal para América Latina e Comunidade Iberoamericana do Real Instituto Elcano de Estudos Internacionas e Estratégicos, Carlos Malamud faz um alerta ao Brasil para o deterioramento das relações entre Mercosul e União Europeia (UE).
Malamud acredita que isso está preocupando o governo brasileiro. Diz que a assinatura de uma tratado entre os dois blocos “está em suspenso” apesar da cúpula ocorrida em Madri, em maio de 2010, que terminou com a conclusão de que se faz necessária a aproximação.
E isso, segundo ele, preocupa muito o Brasil, que se vê “comendo poeira” com os tratados internacionais firmados mundo afora – inclusive os que envolvem o “rival” Bloco do Pacífico.
- Pouco se avançou na matéria – lamenta Malamud. – No presente mês de setembro, tanto a UE quanto o Mercosul teriam de apresentar suas ofertas em matéria comercial, já que nos aspectos políticos e de cooperação não parece haver muitas diferenças. Mas é precisamente nesse ponto, o comercial, que a resistência dentro do Mercosul são maiores. Não é a única causa do atraso, mas é uma das mais importantes.
Malamud lembra que muito mudou desde 2010. A UE ganhou novos integrantes, e o Mercosul suspendeu o Paraguai e atraiu a Venezuela. Diga-se: o Paraguai sempre foi um incentivador do acordo, até para, como país pequeno, abrir mais perspectivas. E, além disso, novos acordos dos dois blocos, com outros agentes, tornaram-se prioridade, até devido à pasmaceira das relações birregionais. Ou seja, tudo ficou quase que parado.
- Mesmo que seja apoiada por Dilma Rousseff e José Mujica, a incorporação venezuelana ao bloco sul-americano debilita a posição negociadora do Brasil junto á UE. O governo bolivariano tem uma filosofia comercial contrária ao livre comércio, e a abertura de barreiras comerciais não está entre suas premissas – diz Malamud, que acredita: no Brasil, há grande preocupação com a perda de preferências comerciais em relação à Europa.
O analista cita o jornal Financial Times, que vê na aproximação do Brasil com a UE um elemento essencial para nosso país avançar em seu desenvolvimento econômico e social.
- Em Brasília, já é um segredo falado nos bastidores que Dilma Rousseff perdeu a “paciência estratégica” que tinha com a Argentina kirchnerista. A relação dela com Cristina tem se deteriorado, e há muitos empresários, assessores e políticos que insistem: com a Argentina ou sem a Argentina, é necessário fazer logo um acordo com a Europa.
Ao mesmo tempo, ressalva, nem Brasil nem a própria UE querem comprometer o Mercosul.
- Por isso, a necessidade de buscar soluções criativas para se esquivar da atual rigidez institucional que impede os países do Mercosul de negociar unilateralmente seus acordos.
Se o Brasil conseguisse fazer isso, Malamud acredita que Uruguai e Paraguai iriam atrás.

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