div class="gmail_quote"Decidi usar as férias para vir aos Estados Unidos, onde, no momento, sobrevoo o Texas. Um dos pretextos para a vinda foi o preço da passagem que encontrei no Decolar.com: um São Paulo/Miami a convidativos US$ 660. Mesmo comprando por fora as passagens PoA/SP e Miami/San Francisco (o trecho que estou fazendo agora), economizei US$ 200 em relação à segunda opção mais barata.p / Por outro lado, meus caros, comecei a viagem às 19h20 de terça e, se o (quarto) avião não der ré, chegarei ao destino depois de 25h40min da partida. É um pinga-pinga internacional.p / A sensação é parecida com a de pegar o Embaixador do meio-dia e meia, aquele que para no Grill.p / b Itinerário comentado/bp / b Porto Alegre - São Paulo:/b mamãe me deixou no Salgado Filho para um vôo tranquilíssimo e vazio da TAM para Guarulhos. 1h40 de sorriso bobo. Afinal, turma, tô de férias.p / b São Paulo - Ciudad de Mexico:/b aqui começa a economia. Um voo também tranquilo por uma surpreendentemente organizada e gentil Aeromexico, cheia de poltronas vazias, comidinhas apreciáveis (para paladares aéreos, claro) e com várias distrações interativas nas telinhas individuais. Só não entendi o porquê de o tempo de vôo ser de quase 10h. Que eu me lembre chega-se em NY em menos tempo./div div class="gmail_quote"br / Meu companheiro da fileira 14 do lado esquerdo, na janela, era uma bichinha magricela e simpatica com quem eu poderia ter conversado bastante, não fosse o rapaz envergonhado demais por saber ser o único a bordo incapaz de compreender ou balbuciar palavras nesse estranho idioma, o espanhol. Era cidadão americano, o rosto dizia, e passou boa parte do tempo jogando no seu iPhone./div div class="gmail_quote"br / Na fileira de trás, no trio de poltronas do meio, estava a mocinha mais querida do avião. Ela não mencionou nenhuma palavra, por falta de interlocutores, mas era a representante daquela classe de pessoas de aparência tão agradável que todos nós, os puros de coração, ficamos loucos para bater aqueles papos íntimos com desconhecidos que só as viagens proporcionam./div div class="gmail_quote"br / Além de ter ficado observando essas coisas que tu estás sendo obrigado a ler agora, eu me dediquei ao livro e a consagrar Gran Torino como o filme que mais vezes comecei a ver sem terminar. Essa foi a primeira vez, entretanto, que assisti a versão dublada em espanhol, porque eu ainda não havia dominado a estranha ciência de fazer com que o menu interativo da telinha obedeça a minha vontade, manifestada através do joystick. Nitidamente eu não era o único nessa condição - a bichinha assistiu uma comédia romântica com legendas em chinês e uma senhora na fileira da frente abria os braços a cada vez que o Tom Cruise dizia algo em francês.p / b Ciudad de Mexico-Miami:/b segundo capítulo da economia. Ás 9h30 locais da capital de todos os mexicanos, depois de fazer os tramites de migración, aduana e tomar um jugo de memey (no me preguntes) no Farolito com um croissant de jamón y queso do mexicaníssimo Starbucks Coffee, peguei a conexão da Aeromexico em um avião bem mais acanhado e, principalmente, cheio. /div p /div class="gmail_quote"Tive sorte e a poltrona do meio a meu lado (sempre pego corredor, a mamãe me ensinou) era uma das únicas vazias. Na janela estava uma americana típica: gorda, feia, mal-vestida e antipática, nos seus provavelmente miseravelmente (desculpa, mente) vividos 28 anos. Estranhamente (lá vamos nós again) não era americana, porque pediu e preencheu o formulário de imigração destinados para nós, os latinos muçulmanos terroristas nazistas./div div class="gmail_quote"br / Aguentei tranqüilamente as cerca de 5 horas a bordo lendo o guia da California que a Cassia me emprestou.p / b Miami-San Francisco:/b como sou um gênio da aviação, consegui um vôo da American Airlines para esse trecho que saia logo depois da minha chegada à capital de Cuba. Para não ter erro, entretanto, protagonizei uma dissimulada corrida contra o temido No-Show através dos pasillos que llevam hasta el portal del paradiso, donde los hombree de la #39;Migra#39; deciden quien entra o no en territorio Estadunidense./div p /div class="gmail_quote"Claro que eu não era o único nessa corrida - nós, os impacientes, sabemos que uma fila nos guichês de imigração brotam mais rápido que filhos daquele frei paraguaio, e que sempre convém ultrapassar ao menos uma parte dos companheiros de voo. Dizem os especialistas que cada ultrapassagem poupa, em média, 2min48s na fila de imigração de países com bandeiras sem amarelo ou preto. Um mexicano cabeludo travou uma disputa rodinha a rodinha comigo, trocando encontrões disfarçados nas curvas. Deixei-o para trás quando ele acreditou que conseguiria ser mais rápido do que eu evitando a esteira elétrica, congestionada de lesmas. Ele não sabia que uns #39;con permiso, con permiso#39; são o segredo da velocidade.p / /divdiv class="gmail_quote"Ah, sim, o voo. Quando dei a primeira olhada no relógio tive a impressão de que o tempo estava retrocedendo. São cinco horas de voo e sem dúvida as mais arrastadas, em poltronas padrão BRA de conforto, me acotovelando com um tailandês ou boliviano (as palavras que ele troca com um cara da poltrona de trás reforçam a tese da Tailândia). A composição dos passageiros do vôo, lotado, é uniforme: são todos americaníssimos, a maioria desses que mal falam inglês. São latinos, muslims, amarelos, velhinhos que usam andador, jogadores de basquete, duas cheerleaders, dois baianos, um hippie, um nerd e uns três capitães de times de futebol americano. Tenho a impressão de ser o único estrangeiro.p / ***p / Agora, tchê, já vejo lá no chão o território californiano. Explica-se: escrevi tudo isso no iPhone. Obrigado pela distração na última hora e meia.br / Hasta!br //div