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Posts de julho 2009

E o cadáver, ninguém vai tirar ?

31 de julho de 2009 1


  

Está acontecendo agora a exposição de arte mais importante do mundo, a Bienal de Veneza.

E lá, no Pavilhão da Dinamarca, tem uma instalação inteira chamada Os Colecionadores, que mostra a vida íntima de um colecionador, pelo visto, homosexual, que se suicida. Na piscina, na frente de casa (uma instalação), boia o cadáver dele.

Só que qdo cheguei lá um funcionário iniciou a limpeza da piscina, aspirando-a.

Com o cadáver (um boneco, muito bem feito) boiando ao lado. E, no fundo da piscina, o relógio e pertences dele.

No mínimo muito estranho para quem passava por ali, vendo um corpo caído na piscina ao mesmo tempo em que, tranquilamente alguém trabalhava, sem dar bola para o cadáver.

Postado por Alfredo Fedrizzi, Porto Alegre

59 graus em 2 dias

24 de julho de 2009 2

Sai da Rússia direto pra Veneza, fazendo um pit spot antes de retornar ao Brasil. Vim para dar uma espiada na Exposição Internacional de Arte, mais conhecia como Bienale di Venezia, já que tenho acompanhado o que acontece no mundo das artes plásticas. Nada a ver com montanhas mais. A não ser o contraste:  estava a 27 abaixo de zero e agora estou a 32 graus positivos. Uma variação de 59 graus em dois dias. Haja saúde. Depois mostro algo da Bienal.

Tomas Saraceno, Galaxy Forming along Filaments, like Droplets along the Strands of a Spider´s web

Ivan Navarro, Death Row 

Postado por Alfredo Fedrizzi, Veneza

Beleza e dentes de ouro

24 de julho de 2009 2

Aqui as mulheres jovens são praticamente todas altas, loiras, de olhos azuis e muito bonitas. Só falam russo. No verão, como agora, adoram usar mini-saias curtíssimas. Os homens são todos grandes, lembrando os das colonizações alemãs no interior do RS. Em geral, elegância não é o forte para os russos se vestirem. Pelos nossos padrões. Já os dentes de ouro correm soltos pelas bocas russas. Alguns chegam ater toda a boca dourada! Acho horrível, mas parece que eles gostam.

Postado por Alfredo Fedrizzi, Porto Alegre

Capitalismo chegando

23 de julho de 2009 1

Pela Rússia, por todo lado se percebe a chegada de uma espécie de capitalismo desorganizado. Explico: por exemplo, na área do turismo, convivem enormes estruturas estatais, como a Intourist, que possui hotéis grandes, envelhecidos e ineficientes, com hotéis internacionais ou pequenos hotéis privados, que atendem melhor. Nos primeiros, excesso de funcionários é a tônica. Gente pra controlar tudo, menos para atender bem aos clientes. Caras amarradas, senhoras gordas e velhas, que parecem que estão fazendo um enorme favor em atender àquele que, em última instância, está pagando seu salário: o cliente. Nas empresas aéreas, a mesma coisa. Nesta viagem voei TAM, Aeroflot, KWA e Lufthansa, por exemplo. Na Aeroflot, ninguém fala inglês,. No guichê deles no aeroporto de Moscou a senhora gorda que atendia simplesmente fechou o guichê e saiu, deixando uma fila a ver navios (ou aviões!). Nenhum resquício de um simples atendimento ao cliente. Anos-luz do encantamento ao cliente, como persegue sempre o incansável presidente das Lojas Renner, José Galló, por exemplo. Mas as marcas das empresas mais avançadas estão por toda parte. Carros japoneses e alemães novos e potentes se vê em abundância pelas ruas. Contraste enorme com os antigos Lada (que chegamos a conhecer no Brasil). McDonalds, Coca Cola, Pepsi, muitas grifes de roupas européias e americanas e muito da música americana está nos carros, bares, restaurantes e na TV. Uma mistura que, me parece, fará com que, aos poucos, o consumidor russo se torne mais exigente e obrigue as ineficientes empresas e estruturas remanescentes do período anterior, a se atualizarem e prestarem mais atenção ao cliente.

Postado por Alfredo Fedrizzi, Porto Alegre

3 dias na mesma cama

23 de julho de 2009 2

Manoel Morgado e Andrea Cardona formam um casal muito diferente. É difícil dormirem mais de 3 dias numa mesma cama. Optaram por viver na estrada. Ou melhor, nas montanhas. Ficam em torno de 180 dias por ano – metade do ano – em cima das mais altas montanhas do planeta. Acabam de chegar do cume do McKinley, a mais fria montanha da terra, que fica no Canadá. Estão aqui conosco e daqui vão direto pro Kilimanjaro, na Tanzânia. Depois tem uma série de outras até chegarem, em maio de 2010m, ao Everest, a maior do mundo. Não têm casa, carro e coisas normais, das pessoas. Mas têm tudo o que se possa imaginar de apetrechos de montanhas. Roupas que abrem atrás, para facilitar as necessidades básicas se precisar tirar a roupa em lugares muito frios, placas solares para gerar energia na altitude, grampões, para botar embaixo das botas e muita coisa estranha aos comuns. Passam o ano pulando de montanha em montanha, de continente para continente.

Postado por Alfredo Fedrizzi, Elbrus

Recorde a todo tempo

23 de julho de 2009 0

Por causa do crescimento do Everest, cada novo montanhista que chega a seu cume, é um novo recordista de altura, já que ela cresce em torno de 2,5 cm por ano.

Manoel Morgado, no cume do Elbrus 

Postado por Alfredo Fedrizzi, Elbrus

Montanhas que crescem

22 de julho de 2009 0

Pelos deslizamentos, erosão e coisas do gênero, sempre pensei que, com o tempo, as montanhas iam diminuindo de tamanho. Mas existem algumas que acontece exatamente o contrário: estão sempre crescendo. O Everest, a maior do mundo, é uma delas. Já teve 8.848 metros e hoje está com 8,850m. Isso se deve ao movimento de placas geológicas, que se movimentam durante milhões de anos. Ali a placa do sub-continente indiano se mete por baixo da placa centro asiática e empurra a montanha para cima. Já imaginaram a força disso? Uma montanha inteira em movimento? Trilhões de toneladas de pedras levantadas! Outra que cresce é o Alasca Range.

Postado por Alfredo Fedrizzi, Elbrus

Violência

22 de julho de 2009 0

Uma frase de George Schaller, no livro "Stones of Silence", explica o fascínio e o cuidado que se deve ter com as montanhas:

" As montanhas não são gentis. Esquece-se de sua violência. Indiferentes, atacam quem por elas se aventura, com neve, vento, frio".  Como aquela região é, em grande parte, muçulmana, aqui vai um pensamento popular que ilustra o cuidado que devemos ter: "Confie em Alá. Mas amarre seu camelo".  

Postado por Alfredo Fedrizzi, Porto Alegre

Seracs, gretas e glaciares

22 de julho de 2009 0

Todo esporte tem suas tribos e sua terminologia. Em alta montanha também. Aqui temos convivido com expressões como:
 - gretas (crateras que se abrem pelo diferente ritmo de descida do gelo São perigosíssimas, porque muitas vezes estão encobertas por neve recém caída;
- seracs: colunas de gelo, partes de glaciares que vão se quebrando e que insistem em querer cair em cima da gente.
- glaciares: acúmulo de gelo que se formam durante séculos e vão descendo as montanhas muito lentamente, como se fossem rios de gelo;
- cornices: acúmulo de neve no topo das montanhas, provocados pelo vento forte, que formam uma espécie de teto de gelo;
- morenas: ao contrário do que o nome pode sugerir, são rochas moídas pelo peso dos glaciares, que descem.

Perigo, no caminho do Elbrus 

Postado por Alfredo Fedrizzi, Elbrus

Ninguém fala inglês

22 de julho de 2009 1

Quando se chega num lugar novo, se observa mais. Aqui, por ser um grande país, com uma língua tão diferente, imaginei que mais gente falasse inglês. De cada 10 pessoas, meia fala inglês. E assim mesmo, meia boca. Os demais, nenhuma noção. Ficam envergonhados ou falam em russo mesmo. Placas de rua, metrô, cardápios de restaurante. Tudo em cirílico, esse alfabeto onde o P é o R, o B significa V, o 3 é o Z, o N invertido é o I deles, e assim por diante. Impossível decifrar. E ninguém pra ajudar. Para quase 100% das pessoas que pedi ajuda, ninguém falava inglês e, em alguns casos, nem entendiam o que estava escrito com caracteres “normais”. Se bem que o Papi me alertou que não temos muita autoridade nisso. O metrô de SP não tem nada em inglês. E eu lembro que Porto Alegre não tem nem placas com os nomes nas esquinas de muitas ruas.

Placa no metrô de Moscou

 

Postado por Alfredo Fedrizzi, Porto Alegre