Outro dia acompanhei atentamente um debate que acontecia na Rádio Gaúcha sobre as viagens do Governador ao exterior. Começa que, na minha opinião, não são viagens "do Governador", mas missões do estado, porque delas participam políticos, acadêmicos, empresários.
Em toda a minha vida tenho viajado bastante. Conheço mais de 60 países e, em muitos, já estive dezenas de vezes. Vejo a importância de conhecer outras culturas, outros modos de encarar a vida. E, em muitos desses lugares, o Brasil ainda é pouco conhecido. Só é lembrado pelo futebol, Carnaval, praias e lindas mulheres desnudas. Só mais recentemente é que começamos a nos tornar mais conhecidos por questões mais significativas, como nossa democracia, novas maneiras de participação popular, arquitetura, o desempenho da economia. Assuntos mais nobres. E o RS nisso tudo? Somos, ainda, ilustres desconhecidos. Passamos a entrar no mapa através de episódios como o Orçamento Participativo, o Forum Social Mundial, a vinda da GM para Gravataí, o Museu Iberê Camargo. Constatei isso pessoalmente como, por exemplo, uma vez estava em Delhi, capital da Índia. Conheci um indiano, que me perguntou de onde eu era. Falei: "Brasil, Porto Alegre". E ele: "ah, a cidade do Forum Social Mundial!" Nos falta agressividade, inovação, ousadia, para inventarmos coisas que realmente chamem a atenção das pessoas. No turismo, durante muito tempo acreditamos que mostrar de tudo um pouco é o que funcionava. Sem nos darmos conta de que o que temos de diferente é o que interessa. O frio, por exemplo, é o diferente para grande parte do Brasil. E nossos "canyons" do Itaimbezinho e toda aquela região é o que pode funcionar para muitos europeus. O resto interessa a muito poucos. Ouvi isso do presidente da TAP, há poucos dias, em Lisboa. Porque eles têm coisas parecidas. Ou melhores. Ou seja, é preciso focar.
Estive na última missão governamental à Europa, junto com vários empresários, gente de universidades e entidades públicas. Acho fundamental que nos apresentemos. Estamos atrasados. O Brasil é a bola da vez e isso não vai durar pra sempre. Outros estados estão se vendendo em feiras, levando missões de empresários para todos os cantos. E nós, timidamente, quando iniciamos isso, somos criticados. Acho uma visão estreita. Falar com entidades empresariais, como foi feito na Espanha, com investidores e incubadoras empresariais de Londres, enfim, mostrar o que temos de bom para gente que tem dinheiro, que não tem perspectivas de investir nos seus próprios países, tem que ser incentivado e elogiado.
Quem não concordar com isso, convido a conhecer o que os chineses têm feito para se divulgar mundo afora. Mesmo em SP, têm enormes estruturas divulgando seu país e buscando oportunidades comerciais. Muitos países do mundo incentivam cada estado a buscar negócios diretamente no exterior. Isso gera investimentos, empregos, salários, competição. Bom pra todos. Mas temos que pensar grande, trabalhar muito, continuadamente, e levar material completo do que somos e queremos atrair (filmes, folders, estatísticas, oportunidades, dados). Investidor é objetivo e focado.
As missões do RS têm que continuar. Para que não fiquemos tão isolados e desconhecidos, como estávamos até hoje.