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Aparência é barreira para o emprego

15 de dezembro de 2009 8

Em Tramandaí, o Sine está com dificuldades para preencher vagas porque as empresas exigem que funcionários sejam brancos e magros.

Para conseguir uma vaga de emprego em Tramandaí ou nas proximidades, um excelente currículo pode não ser suficiente. As exigências feitas por alguns empregadores ultrapassam os limites de qualificação ou experiência e incluem raça ou tipo físico. Discriminações que ferem, inclusive, os princípios da legislação.
Na agência do Sine de Tramandaí, entre as vagas com maior dificuldade para serem preenchidas estão as de açougueiro, padeiro, garçom, cozinheiro e manicure. Além da idade, requisito que já se tornou comum na hora de buscar um emprego, outras exigências aparecem no momento da seleção. 
– Os restaurantes limitam muito. Até a cor da pessoa influencia. Eles ligam para cá, não querem funcionário negro, não querem funcionário gordo, então isso dificulta – revela a agente de recrutamento e seleção do Sine, Vanira Braz.
Para justificar a preferência por pessoas magras, uma das explicações dos comerciantes ao Sine seria de que aqueles com excesso de peso cansariam mais rápido e teriam menor agilidade.
De acordo com o coordenador do Sine de Tramandaí, José Jairo Bueno da Silva, essas exigências são feitas de maneira informal. Por serem contra a lei, não são aceitas como requisitos na hora do recrutamento, mas prejudicam o encaminhamento de candidatos.
– Uma das coisas que inibe muito é a questão do perfil fora da ética, fora da lei. É um problema muito sério – destaca.

Candidatos devem ser “bem apresentáveis”
Nas caminhadas pelo comércio de Tramandaí, de acordo com a vaga oferecida, as exigências para se admitir um novo funcionário nem sempre incluem qualificação ou experiência.
Contudo, embora nenhum dos comerciantes entrevistados admita que faz a seleção baseado em tipo físico ou raça, alguns colocam a idade e o fato de ser uma pessoa de “boa aparência” como fatores que influenciam na definição do candidato que será contratado.

“Qualificação virou algo fútil”
No olhar de quem está fazendo a seleção de candidatos a emprego, a administradora de empresas Juliana Mendes, 26 anos, percebe o preconceito pelos quilinhos a mais. Moradora de Tramandaí há 20 anos e desempregada há seis meses, ela já trabalhou nas áreas contábil, de recursos humanos e como atendente em farmácia. Mas nada disso parece contar pontos na hora da seleção.
– Percebo que pessoas menos qualificadas são chamadas para uma vaga que poderia ser minha. Qualificação virou algo fútil, os empregadores optam pela aparência – lamenta.

Idade e peso influenciam
Com três cursos superiores – Relações Públicas, Letras e Gastronomia –, Beatriz Freitas, 58 anos, está há um ano em busca de uma oportunidade para mostrar a sua habilidade nas panelas. Mas, além do preconceito por causa da idade, ela também sofre por estar um pouco acima do peso.
– Sou gordinha, vou continuar assim, mas sei que isso acaba influenciando – desabafa.
Ela relata que, nas entrevistas de emprego, devido a questões físicas, outras pessoas menos qualificadas ocuparam uma vaga que poderia ser dela.
– Até os cursos que fiz eu tenho que esconder, porque às vezes os empresários acham que eu tenho conhecimento demais – destaca.

Sentiu-se discriminado? Denuncie
Quem se sente discriminado durante a seleção de emprego pode fazer uma denúncia. De acordo com o coordenador do Sine, essa é a orientação que a equipe passa aos candidatos que enfrentam essa situação.
– Nós falamos para que a pessoa procure o Ministério Público – afirma.
O presidente da Associação dos Magistrados do Trabalho da 4ª Região (Amatra IV), Luiz Antonio Colussi, destaca que a postura do Sine deveria ser de acionar a fiscalização do trabalho, para que investigue os casos de discriminação nas empresas.
– A Lei 9029, de 13 de abril de 1995, proíbe qualquer prática discriminatória para obter ou manter emprego – explica. 
Questionado, José afirma que o Sine relata esses casos aos fiscais do trabalho durante a Operação Verão, que é realizada há quatro anos.
– Nesse período, o resultado que obtivemos é de redução dos casos de discriminação, embora ela ainda persista – destaca.

Onde reclamar
* Em casos de racismo, na Delegacia de Polícia mais próxima.
* Em casos gerais de discriminação, na Coordenadoria de Defesa dos Interesses Individuais e Coletivos do Ministério Público do Trabalho.
* Neste caso, a denúncia pode ser feita pela internet, no site www.prt4.mpt.gov.br, no link Denúncia, pelos Correios ou pessoalmente na Rua Ramiro Barcelos, 104, Bairro Floresta, Porto Alegre. O Cep é 90035-000.

Comentários (8)

  • Juliana diz: 15 de dezembro de 2009

    Bom dia !!!
    Outra reclamação do sine de tramandai , é que lá , somente 15 fichas na parte da manhã e 15 a tarde para ver vagas no sine , isso é um desrepeito com o a população , pois em outras cidades é mais 80 fichas por turno !!!
    Vamos denunciar , pois tem vagas de emprego e não tem, fichas para atendimento !!!

  • Irene diz: 15 de dezembro de 2009

    No meu quadro de funcionários, gordinhos e magros são eficientes. A cor de cada um deles nem é lembrada. São todos de diferentes origens. A capacidade, força de vontade e dedicação não se medem pelo tipo físico ou cor.

    É assustador saber que o preconceito está logo ali na esquina.

  • MARIA CONCEIÇÃO diz: 15 de dezembro de 2009

    ESTOU CHOCADA COM ESSES EMPRESÁRIOS, O QUE ELES PENSAM DA VIDA, O QUE TEM QUE VALER É O CARÁTER DA PESSOA E NÃO A COR, QUE HORROR COMO PODEM EXISTIR PESSOAS ASSIM COMO ESSES EMPRESÁRIOS, TIVE QUE LER DUAS VEZES A NOTÍCIA PARA ACREDITAR, SINCERAMENTE NÃO ADIANTOU NADA ESSES EMPRESÁRIOS ESTUDAREM, SÃO UNS MONSTROS.

  • Twitter Trackbacks for Espaço do Trabalhador » Blog Archive » Aparência é barreira para o emprego [clicrbs.com.br] on Topsy.com diz: 15 de dezembro de 2009

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  • Angela diz: 15 de dezembro de 2009

    Pessoas preconceituosas perante Deus !!o que somos ?todos iguais… quando morremos vamos todos pro mesmo lugar e fedemos igual.
    Tem que analisar a competência da pessoa ,muita gente sem oportunidades como irão saber se não derem uma chance???????????????

  • Angela diz: 15 de dezembro de 2009

    Boa tarde!Por experiência própria sofri muito preconceito por ser morena,mas superei com meu trabalho e responsabilidade.Deixem esta maldade de lado e vamos nos unir selecionem sim,mas olhem no olho da pessoa ,na competência dela.Os detalhes do físico é só ajudar ,muitas não tem instrução pra manter a aparência.
    Eu sou vendedora a 10 anos,tenho colegas e na boa conversa mudaram o visual,sem ofensas e sem discriminações.

  • Rejane diz: 15 de dezembro de 2009

    Então… Não é somente em Tramandaí… Em todos lugares é assim.
    Infelizmente o inverso não pode acontecer: dos que procuram emprego discriminar os “patrões” caso eles sejam corruptos, desonestos…
    E outra, eu, por ser gorda, já estive super qualificada para uma vaga e ouvi, da assessora da deputada que “se eu fosse mais magra, até daria”… Detalhe… A mesma deputada levantava a bandeira da discriminação da mulher…

  • Guilherme diz: 15 de dezembro de 2009

    olha, não concordo com esse procedimento, mas isso só é reflexo da sociedade. Eu não faço esse tipo de descriminação na minha empresa (varejo), mas não precisa ser nenhum genio para perceber que os consumidores preferem ser atendidos por pessoas bonitas, tanto homens e mulheres. Em relação a raça, acho que não tem justificativa, apenas se estivessem em uma cidade onde o racismo fosse muito forte (sabemos que no interior existem cidades assim), mas isso não justifica tal crime. Como disse, este tipo de comportamento deve ser banido, todos devem ter oportunidades iguais, independente da cor, credo, idade, desde que tenha capacidade, ou pelo menos, vontade de aprender e vencer. Mas nossa sociedade, direta, ou indiretamente é assim, na hora que estão comprando ou consumindo um serviço, esquece dessa moralidade e pratica diversas formas de preconceitos, mesmo quando não são ativos (pessoas que são contra esste tipo de atitude, mas sem perceber, dão preferencia a locais onde existem pessoas mais bonitas, ou algo semelhante), e depois ficam indignados quando lêem estes absurdos.

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