Os 2.177 candidatos inscritos para disputar 20 vagas de assistente administrativo em concurso público da prefeitura de Cachoeirinha terão de refazer a prova. O exame foi aplicado em 27 de maio. Segundo a administração do município, a decisão deveu-se ao descumprimento de obrigações quanto à organização do local de aplicação da prova pela empresa contratada, a Ética Concursos Públicos.
Ana Maciel, assessora de comunicação da prefeitura, explica que muitos candidatos manifestaram
indignação quanto ao horário dos testes:
– Algumas salas começaram (a prova) às 9h, enquanto outras, às 9h30min ou às 10h. Em todas, foi observada uma hora até a saída do primeiro candidato, mas a desorganização comprometeu o exame, pois causou tumulto e confusão.
● Datas de exames não estão confirmadas
A mesma empresa estava responsável por aplicar provas para outros cargos, como professores
de escolas, em julho, e para enfermeiros e médicos em setembro. Ao todo, são mais de 6,9 mil candidatos inscritos. Ainda não há confirmação das datas desses exames. A prefeitura deve escolher, até amanhã, outra empresa para dar continuidade ao concurso.
O Diário Gaúcho tentou contato com a empresa Ética Concursos Públicos mas, até o final da tarde
de ontem, não recebeu retorno.
Seleções públicas sob suspeita
Nesta semana, o repórter da RBS TV Giovani Grizotti revelou que prefeitos e vereadores usam concursos para empregar parentes e amigos – com a conivência de empresas organizadoras, que cobram até R$ 5 mil por vaga.
Do início do ano até segunda-feira passada, o Tribunal de Contas do Estado (TCE) recebeu 201
denúncias de possíveis problemas em seleções – quase o dobro de todo o primeiro semestre de 2011 (106). Concursos estão no topo do ranking de queixas no TCE. Há dois anos, estavam em quinto.
Agora, o Ministério Público observará a corrida das prefeituras para realizarem concursos em
ano eleitoral. O temor é que, no fim do mandato, ocorram tentativas de acomodar parentes e amigos por meio de fraudes.
