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Posts com a tag "Doutor Trabalho"

Dr. Trabalho: brincadeiras e incidentes

15 de setembro de 2014 0

Na empresa onde eu trabalho houve uma briga entre dois colegas que sempre ficavam de brincadeira. Numa destas brincadeiras, um não gostou e jogou ferramenta no outro, mas acertou um terceiro colega que não estava envolvido no incidente. O terceiro colega acabou indo pro hospital, fazer curativos no rosto. Os funcionários causadores do fato ganharam uma advertência por escrito e continuam trabalhando na empresa. Isto está correto?

Juíza Julieta Pinheiro Neta _ Prezado leitor, o empregador pode despedir empregado, por justa causa, se este lhe ofender fisicamente ou aos seus colegas de trabalho, salvo se agir em legítima defesa (própria ou de terceiro).

Pelo seu relato, a empresa não considerou que os empregados tenham agido com intenção de agredir o terceiro colega e concluiu que o incidente não seria grave suficientemente para despedi-los. De qualquer forma, aplicou advertência, com intuito que as ditas “brincadeiras” não se repetissem, até mesmo pelo risco provocado, tanto para os envolvidos, quanto para outras possíveis vítimas.

Se reiterado o comportamento inadequado, a empresa pode extinguir os contratos de trabalho com os envolvidos nos acontecimentos, mas não está obrigada a fazê-lo. Bom trabalho!

* Toda a semana, são respondidas neste espaço as dúvidas dos leitores. A resposta de hoje foi elaborada pela Associação dos Magistrados da Justiça do Trabalho da IV Região (Amatra IV). Se você que ver a sua questão respondida, envie-a para empregos@diariogaucho.com.br.

Dr. Trabalho: empresa pode rejeitar atestado?

25 de agosto de 2014 0

Gostaria de saber se eu faltar um dia de serviço, meu patrão pode descontar dois dias do meu salário e não aceitar a declaração do médico?

Juíza Julieta Pinheiro Neta _ Prezada leitora, para melhor responder à sua pergunta, vou dividir a resposta em três itens.

Primeiro, as faltas ao trabalho podem ser justificadas e injustificadas. Quando um empregado não vai trabalhar porque está doente e comprova o seu estado, com a entrega do atestado médico ao patrão no primeiro dia volta ao emprego, a falta é considerada justificada. Os empregadores não podem se recusar a receber o atestado. E para a segurança do empregado, é sempre bom manter consigo cópia do documento.

Dois: se não for comprovada a justificativa, o empregador pode descontar o dia não trabalhado do salário do empregado. Além deste dia, o empregador também está autorizado, por lei, a descontar o valor correspondente ao repouso semanal remunerado.

Três: o que é o repouso ou descanso semanal remunerado? Como o próprio nome diz, é um dia semana que você não trabalha e recebe como se estivesse trabalhando. Todos os trabalhadores, urbanos e rurais, têm este direito. Porém, se o empregado não trabalhou integralmente durante toda a semana anterior (por exemplo, faltou um dia, sem justificativa), pode descansar, mas não recebe o salário deste dia.

Boa recuperação!

* Toda a semana, são respondidas neste espaço as dúvidas dos leitores. A resposta de hoje foi elaborada pela Associação dos Magistrados da Justiça do Trabalho da IV Região (Amatra IV). Se você que ver a sua questão respondida, envie-a para empregos@diariogaucho.com.br.

Dr. Trabalho: contracheques e carteiras retidas

19 de agosto de 2014 0

Na empresa em que eu trabalho, não recebemos nossos contracheques. Quando um empregado é despedido, assina todos os documentos de uma vez, rescisão, contracheque, recibos de 13º salário e férias. Até as nossas carteiras ficam retidas por meses. O que a lei diz sobre isto?

Juíza Julieta Pinheiro Neta – Prezado leitor, regras para a vida e que valem, também, para as relações de trabalho:
1) nunca se assina documento em branco. Ele sempre deve ser lido e, se não concordar com o texto ou com os valores, não deve ser assinado.
2) Recibos são assinados no momento do pagamento, nem antes, nem depois. Por isso, a situação que você narra está incorreta.
Na despedida, o termo de rescisão é assinado pelo empregado, no momento do pagamento em moeda corrente ou quando o empregador lhe entregar o comprovante de depósito bancário. Aliás, a rescisão deve ser homologada no sindicato, quando o empregado possui mais de um ano de tempo de serviço.
Quanto à carteira de trabalho, o empregador tem o prazo de 48 horas para fazer as anotações devidas e, quando a devolver, também deve pedir que o trabalhador assine recibo para ter comprovante de que a entrega foi feita. Caso a empresa descumpra sempre essas regras, pode ser realizada denúncia ao Ministério do Trabalho ou ao Ministério Público do Trabalho. Sucesso! A cidadania se constrói com o exercício dos direitos.

* Toda a semana, são respondidas neste espaço as dúvidas dos leitores. A resposta de hoje foi elaborada pela Associação dos Magistrados da Justiça do Trabalho da IV Região (Amatra IV). Se você que ver a sua questão respondida, envie-a para empregos@diariogaucho.com.br.

Dr. Trabalho: dia de prova

28 de julho de 2014 0

Quero prestar vestibular, mas as provas serão durante um dia de semana, justamente no meu horário de trabalho. Este dia de trabalho poderá ser descontado? Eu corro risco de receber alguma punição?

Juíza Julieta Pinheiro Neta – Prezada leitora, a lei permite que o empregado deixe de comparecer ao serviço, sem prejuízo do seu salário, nos dias em que estiver comprovadamente realizando provas de exame vestibular para ingresso em estabelecimento de ensino superior.

Ou seja, a falta é considerada justificada, não há desconto salarial e o empregador não deve aplicar punição ao trabalhador. Mas, não esqueça: pegue comprovante da sua participação na prova de vestibular e apresente no dia que retornar ao trabalho. E mais, comunique com antecedência o período ou o dia de provas para que seu patrão possa organizar o pessoal e manter a prestação de serviços para a comunidade.

Sucesso!

* Semanalmente, são respondidas neste espaço as dúvidas dos leitores. A resposta de hoje foi elaborada pela Associação dos Magistrados da Justiça do Trabalho da IV Região (Amatra IV). Se você que ver a sua questão respondida, envie-a para empregos@diariogaucho.com.br.

Dr. Trabalho: tarefas do motorista

21 de julho de 2014 0

O motorista de entrega tem a responsabilidade de zelar pelos cuidados do carro, observar qualquer imperfeição e estar comprometido com qualquer alteração no carro, exceto as despesas que devem ser arcadas pelo empregador, correto? Agora, lavar o carro e mantê-lo limpo não é desvio de função? Tenho um funcionário motorista e gostaria de saber se este procedimento está correto. Peço a ele para lavar o carro uma vez por semana. Todos os produtos e máquinas fazem parte da empresa.

Juíza Julieta Pinheiro Neta – Prezado leitor, antes de responder à sua pergunta, preciso alertá-lo da importância de acertar com o empregado, preferencialmente por escrito, as atividades que serão desenvolvidas e o salário que será pago em contraprestação.

Se foi ajustado desde o início do contrato de trabalho que o empregado motorista estará incumbido de observar e zelar pelo carro que dirige, não é devido pagamento de acréscimo salarial, segundo minha opinião, a partir do seu relato.

Além disso, você está correto ao dizer que o patrão é responsável pelas despesas do veículo. Quanto à limpeza do automóvel, seguindo o mesmo raciocínio, é importante que esta tarefa esteja prevista na lista de atividades do empregado e que não seja determinada já no curso do contrato. Porém, alerto que, dependendo dos produtos químicos manejados para limpeza do carro e dos equipamentos de proteção utilizados para tarefa, você poderá estar sujeito ao pagamento do adicional de insalubridade.

Obrigada pelo envio da pergunta.

* Semanalmente, são respondidas neste espaço as dúvidas dos leitores. A resposta de hoje foi elaborada pela Associação dos Magistrados da Justiça do Trabalho da IV Região (Amatra IV). Se você que ver a sua questão respondida, envie-a para empregos@diariogaucho.com.br.

Dr. Trabalho: indenização por cicatrizes

06 de julho de 2014 1

Sofri um acidente do trabalho sério. Não fiquei incapacitada para trabalhar, segundo o médico me falou, e consigo fazer as mesmas atividades que eu desenvolvia antes da tragédia. Mas fiquei com uma cicatriz muito feia no rosto e outra no braço. Tenho direito a alguma indenização?

Juíza Julieta Pinheiro Neta - Prezada leitora, a empresa pode ser responsabilizada pelo pagamento de indenização ao empregado em caso de acidente do trabalho.

Para tanto, é necessário que sejam preenchidos alguns requisitos:
a) ocorrência de dano (como por exemplo, este que relatas, chamado de dano estético);
b) interligação entre o trabalho e o acidente;
c) culpa do empregador (em alguns julgamentos, o empregador é responsabilizado, ainda que não tenha agido com culpa, se a atividade que desempenha é de risco).

Vale lembrar que, se o acidente ocorreu por culpa exclusiva da vítima, do trabalhador, não há indenização.

Na decisão judicial, após analisar os requisitos, se o empregador for considerado responsável,  a indenização é fixada a partir de prudente critério do juiz, observada a extensão do dano (o que no caso de cicatriz que provoca embaraço e constrangimento, pode ser demonstrado por fotografias e perícia realizada por perito médico) e bom senso.

Boa recuperação!

* Semanalmente, são respondidas neste espaço as dúvidas dos leitores. A resposta de hoje foi elaborada pela Associação dos Magistrados da Justiça do Trabalho da IV Região (Amatra IV). Se você que ver a sua questão respondida, envie-a para empregos@diariogaucho.com.br.

Dr. Trabalho: intervalo entre jornadas

30 de junho de 2014 0

Trabalho num estabelecimento que funciona durante o dia como restaurante e, à noite, como bar. Normalmente, sou garçom do bar e saio em torno de 2h ou 3h, conforme o movimento. Mas, um dia por semana, saio às 2h e volto às 11h para trabalhar no restaurante. Fico muito cansado nesses dias e não ganho nada além do meu salário. Está correto?

Juíza Julieta Pinheiro Neta – Prezado leitor, a lei prevê que, entre uma jornada de trabalho e outra, deva existir, pelo menos, um intervalo de 11 horas para preservar a saúde do trabalhador. Segundo seu relato, este intervalo, também chamado interjonada (entre jornadas), está sendo desrespeitado, pois entre as 2h e as 11h temos apenas nove horas.

Em tese, você faz jus, no mínimo, ao pagamento de duas horas extras (correspondente à diferença entre 11 e nove horas). Como esta matéria não é muito conhecida, converse com seu empregador. Lembrando, sempre: o melhor não é receber as horas extras, é preservar a sua saúde. O pagamento é mera reparação.

Bom trabalho!

* Semanalmente, são respondidas neste espaço as dúvidas dos leitores. A resposta de hoje foi elaborada pela Associação dos Magistrados da Justiça do Trabalho da IV Região (Amatra IV). Se você que ver a sua questão respondida, envie-a para empregos@diariogaucho.com.br.

Dr. Trabalho: horas extras

23 de junho de 2014 0

Gostaria de saber se o empregador pode obrigar o empregado a fazer horas extras e se o empregado pode se negar a fazê-las sem sofrer retaliações.

Juíza Julieta Pinheiro Neta – Prezado leitor, em caso de necessidade, por motivo de força maior ou para atender à realização ou conclusão de serviços inadiáveis, cujo atraso possa causar grande prejuízo, o empregado deve atender à solicitação do empregador de exceder a duração normal do trabalho, praticando horas extras.

Além disso, por acordo escrito entre o empregado e o patrão ou mediante convenção coletiva, pode ser permitida a prática de horas extras, não excedentes a duas horas diárias. Bom trabalho!

* Semanalmente, são respondidas neste espaço as dúvidas dos leitores. A resposta de hoje foi elaborada pela Associação dos Magistrados da Justiça do Trabalho da IV Região (Amatra IV). Se você que ver a sua questão respondida, envie-a para empregos@diariogaucho.com.br.

ARTIGO – Coloque o time da sua empresa em campo

16 de junho de 2014 0

esquema

Alexandre Nakandakari*

Futebol, Copa do Mundo e mundo corporativo. Que tal vermos o lado positivo desse caldeirão fervente que agita este país? Você já deve ter lido várias textos sobre a relação entre esporte e trabalho, mas trarei uma perspectiva diferente.

Pontapé inicial: sempre temos de começar o jogo avançando em direção à meta, ou seja, o gol. Quantas vezes você, seu departamento ou empresa se viram paralisados ou recuando ao invés de dar um passo adiante, nem que seja um avanço mínimo em direção ao que querem?

Olhar o futuro e esquecer o hoje: aquela história de que time campeão não escolhe adversário é a mais pura verdade. Você não pode jogar uma semifinal pensando na final! Mantenha em mente o seu sonho de ser campeão mas, atenção, o momento presente é o que o tornará real. Imagine o seu dia a dia: quantas vezes você trabalha em algo pensando no final da tarefa ao invés de estar atento aos detalhes do passo a passo?

Morrinho artilheiro ou zagueiro: Sun Tzu já dizia em seu manual da guerra que você deve conhecer onde será travada a batalha. Tudo bem, os times sempre fazem um reconhecimento do gramado, e os campos dos grandes estádios são um tapete, mas nem todos estão nesse nível. A questão é: na hora H, do chute ou defesa, entender como está seu emocional para manter-se atento às dificuldades inerentes do campo. Jogar futebol de areia pode ser um grande aprendizado…

Capitão técnico e emocional: nós adoramos os líderes. No esporte, na política, no trabalho. Eles são realmente muito importantes, mas fazem parte de um conjunto. Na psicologia do esporte, temos o líder técnico, aquele que é o representante do técnico dentro de campo, quem orienta taticamente a equipe, repassa as instruções, tem uma boa leitura de jogo. E há o líder emocional, aquele que está conectado com seus companheiros de equipe, apoia quem passa por uma situação difícil, motiva, incendeia ou apazigua, é quem identifica o adversário instável emocionalmente para a disputa. Você tem esses líderes em seu trabalho?

Consistência entre áreas: uma boa equipe é aquela que possui equilíbrio entre defesa, meio de campo e ataque. Consegue defender e atacar com consistência, possui harmonia na transição entre as áreas do campo, a bola rola (flui) até chegar à meta. Produção, vendas, financeiro, pós-vendas, entre outras áreas da empresa… Será que elas funcionam como uma equipe campeã?

Estado de presença: quando estamos presentes no aqui e agora, entramos na condição de atenção plena. A grande referência deste estado é Ayrton Senna e seu desempenho, que impressionava qualquer um. Quando entramos nesse estado de presença, pouco importa a pressão da torcida, a “catimba” do adversário ou qualquer que seja a interferência. Percebo esse estado principalmente nos jogadores de defesa, sua capacidade de antecipar a jogada e o movimento do adversário. E o seu estado de presença para antecipar as curvas da pista e movimentos dos adversários, como está?

* Sócio e coach da empresa Questão de Coaching, formado em educação física com especialização em treinamento desportivo, presta serviços como personal trainer e coach esportivo.

Responda: você está em desvio de função?

16 de junho de 2014 1

desvio-funcao

O post com maior número de comentários no Espaço do Trabalhador trata sobre desvio de função – são mais de 400. E  a reportagem que está no post surgiu para tentar sanar as dúvidas de leitores sobre o tema a partir de alguns exemplos, analisados caso a caso pela juíza Julieta Pinheiro Neta, da Associação dos Magistrados da Justiça do Trabalho da 4ª Região (Amatra IV).

No entanto, as perguntas continuam: muitos leitores que acessam o blog diariamente questionam se, estando contratados para um tipo de atividade, podem legalmente exercer outras, a mando de suas chefias.

De acordo com a juíza Julieta Pinheiro Neta, da Associação dos Magistrados da Justiça do Trabalho da 4ª Região (Amatra IV), caso alguém seja contratado como ajudante de limpeza e, na prática, trabalhe como telefonista, estará em desvio de função. Mas a análise de cada situação deve ser feita em separado, já que nem todas são tão óbvias como a citada no exemplo anterior.

Por isso, na enquete desta semana, o Espaço quer saber a opinião dos trabalhadores sobre o tema. Responda abaixo!