
Cáren Cecília Baldo
caren.baldo@diariogaucho.com.br
Responsabilidade cresce quando atividade profissional é voltada ao cuidado dos pequenos. Se cogita entrar no mercado, confira o que pensa quem já está na área.
Primeiro, tem que gostar. E bastante - algo fundamental em qualquer profissão. Depois, é preciso reunir características como paciência, dedicação, interesse, tolerância, prazer em ensinar e vontade de sempre aprender. Assim, forma-se o perfil necessário para trabalhar com crianças.
Neste dia dedicado a elas, o Espaço do Trabalhador conversou com profissionais que passam muitas horas cuidando do bem-estar dos pequenos, seja em creches ou em casa. E, em um item, todos concordam: quem escolhe esta área tem uma responsabilidade muito grande, não apenas com o cuidado, mas com a formação das crianças.
Gurizada exige muita atenção
- É algo muito sério. É a parte fundamental da vida delas, na qual vão construir muito da personalidade que terão quando adultas - salienta a coordenadora pedagógica da Escola de Educação Infantil Capela Navegantes, Nilciomara Homercher da Silveira, a Neca, 42 anos.
A escolinha do Bairro Assunção é conveniada à prefeitura de Porto Alegre. Atende 50 crianças, a maioria, moradoras da Vila Guaíba, com idades entre dois anos e cinco anos e 11 meses. Elas ficam na creche de segunda a sexta-feira, das 7h30min às 18h.
E exigem bastante de quem cuida delas:
- As crianças têm acesso a muitas informações, elas participam da vida adulta desde muito cedo, por meio das novelas, da internet. São sedentas por conhecimento, surpreendem o tempo todo. A gente precisa estar sempre atualizado e ter muito jogo de cintura - explica Neca.
Formação é essencial
Ela chegou a começar o curso de Direito mas pendeu para a Pedagogia, 13 anos atrás, quando começou a trabalhar com crianças. Para Neca, formação continuada é essencial. Fazer oficinas, cursos rápidos e ler livros ou revistas especializadas no assunto, ajuda bastante. Ela mesmo pretende terminar uma pós-graduação.
De serviços gerais a educadora
O primeiro emprego dela foi como auxiliar de serviços gerais. Mas Ivone Vieira Pinheiro, 29 anos, já sabia, desde a pré-adolescência, que queria ser professora. Depois de um ano, as demonstrações de atenção e cuidado com as crianças lhe garantiram uma chance para se dedicar aos pequenos.
Isso foi há dez anos. A coordenadora da creche aconselhou Ivone a se qualificar.
- Eu tinha só a sétima série. Então, fiz o Eja e terminei o ensino fundamental e o médio. Depois, fiz o curso de educador (educador assistente, obrigatório para técnicos em desenvolvimento infantil - os antigos atendentes de creche). Levei três anos para fazer isso tudo, mas valeu a pena - afirma a moradora do Bairro Cristal, que em seguida passou para a nova função.
TEM DE SABER OUVIR O CHORO
A técnica em enfermagem Ivana Russi Gomes, 34 anos, veio para a Capital para cuidar de uma prima bebê quando tinha 20 anos. Fez o curso de recreacionista e, em 2004, formou-se no técnico. Atuou por cinco anos na UTI pediátrica do Hospital Santo Antônio e, há um ano, começou na CTI neonatal do Hospital Mãe de Deus.
Foi lá que ela conheceu os prematuros Cassiano e Marina, de quem está cuidando há nove meses - desde que nasceram.
Ivana tem jornada de quatro horas diárias, de segunda a sexta, na casa dos gêmeos, além da rotina no hospital, que inclui plantões de 12 horas.
- Quem trabalha com crianças tem que ter paciência. Tem que ser tranquilo, entender que a criança sempre vai chorar para pedir o que precisa. Ouvir o choro é importante. E tem que amá-las - dá a dica.
Dicas de especialistas
Dicas da coordenadora da educação infantil da Secretaria Municipal de Educação de Porto Alegre, Gisela Deux Nassif Azem, e da presidente da Associação das Creches Beneficentes do Estado (Acbergs), Maria Verônica Dariva
- É preciso pensar no atendimento integral da criança. Para isso, qualifique-se.
- As crianças são muito sinceras, se mostram por inteiro e precisam de significado no que recebem.
- Entender as famílias é fundamental.
- 99% das pessoas que trabalham com crianças pequenas são mulheres. Seria interessante que os homens participassem, pois é importante ter o referencial masculino nas creches.
Cursos e empregos
- Na rede pública de Porto Alegre, é preciso fazer concurso para trabalhar na educação infantil. Nas escolas conveniadas, não. A contratação é via CLT, e os profissionais (monitores) devem ter no mínimo ensino fundamental completo e curso de educador assistente.
- A Acbergs oferece o curso, com duração de três meses e custo de R$ 250 (podem ser parcelados em três vezes).
- A entidade também recebe currículos na Travessa Francisco Leonardo Truda, 40, sobreloja, sala 8 (secretaria), no Centro. Telefones 3013-4379 e 3013-7952.
Piso salarial
- De acordo com o Senalba/RS, para técnicos de desenvolvimento infantil (220 horas) é de R$ 911,89.