Em Blumenau, em oito ruas percorridas que dispõem de ciclovia ou ciclofaixa existem apenas dois espaços destinados ao estacionamento de bicicletas. A constatação foi feita pelo Santa entre os dias 17 e 18, quinta e sexta-feira.
Pelo Plano de Mobilidade por Bicicleta nas Cidades, elaborado em 2007 pelo Ministério das Cidades, prover estacionamento é a principal tarefa do poder público ao promover a bicicleta no meio urbano. Os pontos devem ser oferecidos próximos aos locais de intenso movimento, como comércios, shoppings e terminais de ônibus.
A prefeitura traçou um plano para revitalizar até o fim do ano os 50 quilômetros de ciclovias existentes e estender mais 38 quilômetros para interligar aos trechos atuais. No entanto, os paraciclos devem ser implantados somente depois das obras.
Coordenador do Programa Ciclovida, da Universidade Federal do Paraná, o professor José Carlos Belotto defende a cultura de mobilidade urbana mais saudável e sustentável em contraponto à cultura do carro. Um programa foi criado em 2004 para estimular os funcionários e alunos da universidade a utilizar o campus como local de estímulo ao uso da bicicleta. O grupo promove projetos e pesquisas para promover uma nova cultura de mobilidade urbana.
Simulador mostra as vantagens das bicicletas
A Universidade Federal do Paraná tem um simulador que mostra as vantagens da mobilidade ativa, no qual se pode calcular quantas calorias perderá, quantos quilos de gases poluentes deixarão de ser jogados na atmosfera e quanto economizará indo trabalhar ou estudar de bicicleta.

Na falta de espaços para estacionar, ciclistas usam postes, bancos e arvores no Centro de Blumenau (Foto: Artur Moser)
Entrevista: JOSÉ CARLOS BELOTTO, Coordenador do Programa Ciclovida
Jornal de Santa Catarina - Em Blumenau há 50 quilômetros de malha cicloviária fragmentada. A intenção da prefeitura agora é interligar até 140 quilômetros? É o bastante?
José Carlos Bertolotto - Curitiba tem 120 quilômetros. Mas há muita reclamação porque essa malha foi projetada pensando mais na bicicleta-lazer do que na bicicleta-transporte, ligando a maioria a parques. Não é a ideal. Nem sempre a bicicleta precisa ser segregada dos carros, se for ruas com até 40 Km/h pode compartilhar facilmente, sem infraestrutura que separe a bicicleta do carro. Dificilmente uma cidade consegue atender os ciclistas só com ciclovias e ciclofaixas. Essas estruturas são recomendadas para trechos mais intensos e com velocidade.
Santa - Qual o maior erro cometido pelos municípios ao se tentar introduzir a bicicleta no meio urbano?
Bertolotto - Não conversar com os ciclistas, reais usuários das bicicletas no dia a dia. Porque os projetos são feitos por técnicos das prefeituras que muitas vezes não têm o conhecimento prático de estar na bicicleta. Nem sempre os projetos atendem a necessidade dos ciclistas.
Santa - Apesar das ciclovias implantadas, não há paraciclos públicos disponíveis. De quem é a responsabilidade? Do poder público ou privado?
Bertolotto - Dos dois. As empresas devem adequar suas instalações para que seus funcionários possam usar bicicletas. E o Poder Público seria responsável pelas praças, terminais de ônibus e locais públicos de grande acesso de pessoas. As empresas, escolas, universidades também devem ofertar estacionamento.
Santa - Quais os benefícios do uso da bicicleta na mobilidade urbana das cidades?
Bertolotto - É necessário investir na bicicleta. E os empresários devem pensar nisso porque o funcionário que vai de bicicleta será mais saudável, mais bem humorado, porque o exercício produz a endorfina, hormônio da alegria, diminui doenças cardiovasculares, crônicas, diminui a poluição, ocupa menos espaço urbano e combate os congestionamentos.
Santa - Blumenau é uma cidade com geografia irregular e bairros cravados nos morros. Como é possível estimular o uso da bicicleta?
Bertolotto - Tudo depende de se iniciar o uso. No começo, quando a pessoa não tem condicionamento físico, as subidas assustam. Mas com a prática diária, a pessoa se condiciona. As bicicletas elétricas também ajudam na força adicional da subida. As convencionais, de marcha, ajudam a vencer a subida. Quanto ao suor é adaptação. As empresas também devem oferecer vestiários. O sucesso de uma cidade é integrar os vários modais de transporte.

Torço para que este projeto dê certo !! Mas para que isto aconteça nossa cidade tem que criar meios de viabilizar isto. Alem da ciclovia construir os estacionamentos. Sobre dizer que Blumenau tem geografia irregular tudo bem. Mas o que mais vejo é gente que vai de casa para o trabalho de carro, sendo que o caminho é uma reta e a distancia é de apenas 300 metros ! e até menos !! quando questiono sobre este ato eles dizem.....o carro é meu e a vida é minha !! ate ae tudo bem.....concordo com o cidadão. mas dae nao reclamem do transito !!!! risos. querem fazer daqui uma cidade de primeiro mundo ??então pensem como primeiro mundo !!!
Luciano, concordo com você em quase tudo que disse. Apenas acredito que hoje em dia temos que rever essa afirmação de que "o carro é meu e a vida é minha" , porque quando uma titude influência a qualidade de vida de todos, acho que nem tudo deve ser medido com um olhar individualista.Chega de discursos do "todos tem direito de ir e vir como bem entendem" , foi-se o tempo em que usar carro todos os dias não era exagero, que consumir muito e sem propósito era um direito de todos, isso é atitude capitalista. Temos que rever o progresso, porque isso que vivemos não é progresso não.
O problema maior, não é somente a falta de estacionamento para as bicicletas, é a total falta de verdadeiro planejamento para as ciclofaixas. Eu mesmo já usei a bicicleta por muito tempo para ir ao trabalho. Mas a falta de critérios na colocação das ciclofaixas, faz muita gente desisitir da idéia. Como exemplo temos duas vias entre outras pra citar; na rua Hermann Huscher, a ciclofaixa simplesmente acaba no trevo em frente ao hotel Viena, e ali em horário de pico é um salve-se quem puder.
Na rua Amazonas, a ciclofaixa onde tem ponto de onibus simplesmente some, e na continuação próximo a rua eng. Odebrecht, ela desemboca num bueiro disnivelado da pista. Depois a ciclofaixa continua e novamente some do nada quando chega na sinaleira da rua Gertrudes Metzner (ligação com o trevo do hotel Viena).
Fazer ciclfaixa por fazer, não adianta nada. Talvez por isso vemos pouquíssimos ciclistas usando.
O problema da ciclofaixa é que, apesar de sinalizada, o pedestre não entende ou não quer entender que ali é lugar de bicicleta e não de olhar a paisagem ou bater papo. E que a bicicleta anda mais rápido que o pedestre. Aí fica olhando feio quando pedimos licença pra passar... ninguém merece...
Parabéns pela reportagem, mas não só as bicicletas devam receber os méritos, os pedestres por sua vez também. Andam pelas ruas da cidade, e verifiquem quantas faixas de pedestres têm em suas extremidades guias rebaixadas para que tem mobilidade reduzida, conseguir concluir o seu destino com o minimo de esforço, ANDEM E VERIFIQUEM, pois Eu andei, e não encontrei salvos em alguns pontos. Lamentável isso, só no centro existe, enquanto no bairro o bicho pega, repintar as faixas adianta, mas não resolve, tem haver mudanças de visão, se colocar no outro lado.
é um absurdo numa cidade como a nossa não termos onde estacionar as nossas bicicletas. só não é mais absurdo do que um shopping center, localizado no centro de nossa cidade, que cobra 3 reais para estacionar bicicletas. estamos mesmo cravados no terceiro mundo...
sinceramente, eu tive vergonha de pagar para estacionar minha bicicleta num shopping center.
Bom dia, o que fazer qdo nossas ciclovias viram estacionamentos para carros, eu gostaria de saber onde reclamar, e se reclamar adianta alguma coisa?
existem o problema da falta de infra-estrutura em blumenau, mas também é problema cultural do próprio povo!! os infelizes ainda cultuam a idéia de que carro é sinônimo de "status"!! como se pagar 30 mil reais numa porcaria de carro popular fosse status!! isso é burrice isso sim... em alguns momentos defendo o uso do carro, mas sem dúvida como o luciano disse, para pequenos trechos o uso de carro é irracional!! Mas sem dúvida a prefeitura tem que investir mais em ciclovias e principalmente na interligação dos modais com terminais de ônibus!!
É realmente muito difícil encontrar uma vaga para a bicicleta que não atrapalhe os pedestres e nem a exponha demais. Outra idéia seria os empreendimentos particulares incentivarem mais o estacionamento de bicicletas. O Shopping Neumarkt, por exemplo, poderia não cobrar os R$ 3,00/hora que cobra de quem estaciona de bicicleta em um canto do recentemente expandido estacionamento.
Eu também gostaria de poder usar a bicicleta que tenho para poder vir trabalhar,
são 10 km, mas quem tem coragem de andar pela Rua das Missões,
já vim algumas vezes,
e todas as vezes quase fui atropelado.
Além da falta de estrutura de nossa cidade ocasionada pelo MAU PLANEJAMENTO. O David acabou de citar um problema maior ainda, O PROBLEMA CULTURAL DO PRÓPRIO POVO.
Querem um exemplo? Pode ter uma faixa de pedestre no centro ou em outro bairro. Se um carro para na faixa para que o pedestre ou ciclista atravesse, mesmo assim acaba fazendo meia travessia, sendo que os outros motoristas da via contraria não param o carro para que o pedestre atravesse de forma segura. Toda vez que atravesso na faixa eu agradeço o motorista, afinal de contas um bom ato incentiva um outro bom ato. Sem essa consideração de nada adianta mais faixas de pedestres, ciclovias, estacionamentos. Se continuar assim o jeito é carregar pedras na mochila quando através a faixa.
Além dos projetos mal feitos a execução também é mal feita, ou seja, ambos são concebidos por quem não pedala. Acessibilidade muito ruim, interrupção na colocação dos tijolos vermelhos, largura das calçadas compartilhadas fora dos padrões necessários, enfim, falta ATRATIVIDADE, e o pior, a velocidade absurda dos motorizados colocam em risco quem trafega em ciclofaixas. Isso sem falar dos carros estacionados sobre ciclofaixas e calçadas por toda a cidade. As áreas destinadas aos ciclistas sómente serão atrativas e seguras quando os políticos e homens públicos deixarem seus próprios filhos transitarem sobre elas.
Se a prefeitura quisesse fazer algo bom, que realmente inspirasse as pessoas a deixar o carro em casa e passassem a usar a bicicleta, já teriam feito. Tenho certeza que os prometidos 38km de ciclo-qualquer coisa serão qualquer coisa mesmo. Será um lugar de faz de conta para se andar de bicicleta, como os vários outros que já existem.
Só tem uma coisa mais ociosa do que os corredores de ônibus. São as ciclofaixas, ciclovias e afins. É de uma ociosidade incrível. Quando tem, ciclistas ainda usam o outro lado,onde não tem.
Por mim, acabava com isso tudo e fazia tudo pista para carro, que leva mais gente. Esse negócio de deixar uma área reservada, para passar meia dúzia por dia, é irracional.
Que visão!!!
Por mim, acabava com o step e o extintor de incêndio dos carros. Vejo tão pouca gente trocando pneu por ai. Menos até que bicicletas andando nas ciclovias. Carro pegando fogo então, é lenda. Pra não dizer que NUNCA vi, uma vez vi um que estava completamente queimado. Aparentemente o motorista não soube usá-lo. Então, vamos acabar com essas duas coisas inúteis e usar o espaço interno dos carros para transportar o que realmente interessa. Além de aumentar o espaço interno, vamos reduzir o peso, gerando economia de combustível. Veja só que maravilha!! Hoje mesmo vou arrancar fora esses dois 'acessórios' do meu carro.