Três, quatro, cinco. Essas são as quantidades de carros normalmente estacionados em ruas onde há Área Azul no Bairro Itoupava Norte. Com a ampliação do estacionamento rotativo ano passado, após a implantação do corredor de ônibus na Rua 2 de Setembro, moradores e comerciantes dizem que as vagas passam quase o tempo todo vazias e poderiam ser eliminadas. O Seterb, porém, afirma que cogitou extinguir a Área Azul no local, mas que os empresários pediram a permanência para evitar que as ruas voltem a ser ocupadas por carros de trabalhadores e moradores da região.

Rua 25 de Agosto, na Itoupava Norte, às 10h30min de uma sexta-feira (Foto: Artur Moser/Agência RBS)
Comerciante e morador da Rua 25 de Agosto, na Itoupava Norte, Adolário Westarb acha desnecessário que a via tenha o sistema de estacionamento pago. Ele relata que, mesmo antes da rua receber a Área Azul, não havia carros estacionados com frequência, o que já torna desncessária a rotatividade. Para ele, as vagas deveriam ser suprimidas.
— Se tirassem as vagas e fizessem a rua ter duas pistas seria bom, pois melhoraria a saída na 2 de Setembro — opina.
O fotógrafo Rogério Tribess também questiona o pagamento. Segundo ele, a Rua Augusto Sutter, na Itoupava Norte, passa o dia todo sem carros estacionados e as próprias monitoras já disseram que não tem movimento. A vendedora Shirlei da Costa ouviu de comerciantes que o movimento caiu depois da implantação da Área Azul em praticamente todas as ruas da Itoupava Norte. Ela conta que empresas optaram por mudar para prédios com estacionamento próprio. No local onde ela trabalha não foram sentidos efeitos porque há vagas para os clientes.
— Ouvi gente do comércio reclamando. As pessoas saem de casa pensando onde irão. Se terão que pagar estacionamento, elas vão procurar outro lugar — observa.
No Bairro Victor Konder, as vagas de Área Azul também ficam desocupadas e a insatisfação é grande. Servidor público e morador na Rua Victor Konder, Carlos Alberto Ruschel observa que antes a rua vivia cheia de carros estacionados. Agora, há vagas, mas, se recebe visita, ele precisa avisar sobre a cobrança e ajudar a lembrar que, em duas horas, o veículo precisa mudar de lugar.
— Aqui tem muito prédio e tinha gente que deixava o carro na rua. Essas pessoas tiveram de buscar estacionamentos particulares. Acho que não há necessidade de Área Azul aqui, por ser região residencial.
A professora aposentada Regina Campos, que diariamente busca o neto na casa da filha, na Rua Eugen Fouquet, afirma que estaciona o carro na vaga rotativa, liga o alerta e tenta pegar a criança o mais rápido possível. Antes da Área Azul, ela não conseguia parar no local. Agora consegue, mas acha ruim o pagamento:
— Às vezes, vou demorar os 10 minutos do bônus, mas não tenho caneta. Em outras, arrisco não colocar o cartão e levo uma amarelinha. É um desaforo.
Presidente do Seterb, Sérgio Chisté afirma que a autarquia procurou os comerciantes da Itoupava Norte para propor a retirada da Área Azul, mas eles não aceitaram. Segundo ele, a justificativa é que, se não houver cobrança, as vagas serão ocupadas por funcionários de empresas e por moradores. A rotatividade, proposta pelo sistema, deixaria de existir. Ele garante que não há prejuízo em manter o serviço:
— Temos uma monitora que trabalha naquela região. Como não é uma área grande, uma pessoa dá conta de percorrer todas as ruas.
Já no Victor Konder, a retirada das vagas de Área Azul é descartada. O motivo é a proximidade com o Centro. Chisté afirma ainda que, naquela região, as paradas costumam ser rápidas, ou seja, o bônus de 10 minutos que há nos cartões são suficientes para a maioria das pessoas.
Nos três primeiros meses deste ano, o Seterb gastou quase R$ 100 mil para manter o serviço em toda a cidade. No total, há 23 monitoras. Em 2012, foram emitidas mensalmente, em média, 2.112 multas por não pagamento da amarelinha e por veículos estarem estacionados por mais de duas horas. De janeiro ao fim de março deste ano, foram 5.915 notificações.
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