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Posts de outubro 2007

DE ZURIQUE À FEIRA DO LIVRO

31 de outubro de 2007 0

   Como a grande imensa maioria do povo brasileiro sou mais um a vibrar com a vinda de uma Copa do Mundo aqui pro país. Só que, além de todas as questões políticas que agora começarão a aparecer em torno das cidades que terão o direito de sediar jogos, o que me preocupa e me chama a atenção, é que a chegada de um Mundial no Brasil tem um sentido contraditório. Senão vejamos: a alegria, o status, a sensação de que é possível num país de Terceiro Mundo se organizar tal evento, a injeção de investimentos e montantes de dinheiro que serão empregados em transformar o Brasil no lugar certo e dentro das exigências Fifa pra Copa, ao mesmo tempo me faz refletir que só a partir de um episódio como este, o que não é pouco eu sei, é que nossos governantes se dão conta de que é preciso mudar e mudar quase que radicalmente. José Serra, governador de São Paulo por exemplo, afirmou ainda lá na Suíça, que muito antes de se confirmar o Mundial de 2014 no país, já estava tratando da criação do trem-bala, ligando Rio-São Paulo com o governador carioca Sérgio Cabral. É uma senhora idéia e uma criação benéfica pro centro do país que sofre com a saturação que se transformou o deslocamento entre os dois estados via aérea. Pode ser que até seja verdade, não duvido. O que me chateia é que só a partir da confirmação da Copa aqui, é que a notícia vem à tona. No mais, é esperar e torcer muito pra que todos trabalhem empenhados em fazer do maior evento futebolístico do planeta, algo que vai transformar o Brasil, não só naqueles 30 dias de disputa!!

   Transcorre como sempre de %22vento em popa%22 a Feira do Livro no centro de Porto Alegre. Aproveito o momento então pra recomendar uma leitura muito interessante. A Rafaela me emprestou e estou terminando de ler %22TRANSFORMANDO SUOR EM OURO%22, do técnico da seleção masculina de vôlei Bernardinho. É fantástico!! Uma luta incessante de uma cara extremamente perfeccionista que jamais desistiu de alcançar os objetivos propostos, tanto no esporte, quanto na vida em geral. Se acharem pelas bancas, comprem, não vão se arrepender!

Postado por Jader Rocha, POA

????????????? = Copa no Brasil...

30 de outubro de 2007 7

Se eu fosse definir sem palavras a Copa do Mundo de 2014 no Brasil, seria da forma como coloquei no título desta coluna. Uma infinidade de pontos de interrogação diante da perspectiva futura desta competição no país e o que representará.

Se o dinheiro público nas esferas federal, estadual e municipal for utilizado para acelerar o desenvolvimento da infra-estrutura que tanto precisa avançar no Brasil, a Copa do Mundo recebe de mim as mais calorosas boas-vindas, a mais animadora expectativa de um povo excitado pela visitação, pelo alarido e pelo colorido de um evento desta natureza. Trabalhei nas últimas duas Copas e vi a população integrada a um espírito universal, cosmopolita, fronteiras derrubadas pelo mesmo amálgama. A liga era o futebol. A Copa fez bem à Coréia, ao Japão e à Alemanha.

No entanto, se os recursos de governo forem gastos em reforma ou construção de estádios, a Copa do Mundo de 2014 nada mais será além de uma inútil perda de tempo. Não é papel de governo num país emergente com tanto por fazer como o Brasil empenhar verbas em cimento de estádio para se ver futebol. Esta tarefa cabe à iniciativa privada, que correrá os riscos inerentes ao capitalismo e também colherá os frutos deste mesmo sistema, ou seja, lucro.  Emprego e renda serão gerados pelo evento Copa, o que representa bem-estar para os brasileiros. Com atribuições bem definidas, articuladas e ao mesmo tempo independentes, acredito na importância da Copa nestas terras.

Nem levo em consideração questões pontuais que hoje seriam inaceitáveis para realizar um evento assim. O caos aéreo, por exemplo, enfrentado até agora apenas com palavras bravateiras de Nélsom Jobim sem a correspondente tomada de medidas eficientes, não pode sequer ser cogitado para daqui a sete anos. A insegurança que hoje aflige a todos não pode ser combatida por episódios. Garantiu-se o Pan no Rio com uma força-tarefa. Em 2014, não se trata do Rio de Janeiro. É um país inteiro envolvido, não se pode enviar tropas da hora, Bopes de aluguel para enfrentar a violência. É preciso encontrar soluções permanentes para uma questão tão aflitiva, de modo que segurança seja assunto vencido em 2014.

Se a Copa deixar o legado do desenvolvimento, da passagem de um estágio transitório para um definitivo de nação desenvolvida, a escolha do Brasil como sede será tratada com gratidão eterna dos brasileiros para com a FIFA. Caso contrário, se for uma ação entre amigos irresponsável e nebulosa, viveremos um capítulo triste a mais na história do país. Oremos...e façamos nossa parte, isto é, cooperação e atenção, integração e fiscalização, confiança e alerta a cada passo a partir de já.

Postado por Maurício Saraiva

As pedras e o fiasco

30 de outubro de 2007 13

As pedras no caminho eram inevitáveis, não se faz uma trajetória de Libertadores com asfalto e linhas retas. O Grêmio teve dificuldades contra um time que ainda pode cair, o Náutico, mas se permanecer na primeira divisão será por força do seu ataque, o segundo do Brasileirão. A defesa pode derrubar o time pernambucano, e por isso houve tantos gols no jogaço de domingo. O Grêmio não chegou a jogar bem, mas Mano mexeu com precisão. Anderson Pico fazia sua pior partida como profissional, Bustos foi para esquerda e Luciano Marreta entrou de lateral/ponta. Fez o cruzamento para o gol da vitória de Marcel, outra opção do treinador que preferiu tirar Tuta em melhor desempenho do que o companheiro.

Mas já passou, agora é preciso vencer o Atlético Paranaense. Na verdade, para assegurar Libertadores 2008 nem há necessidade de vencer em Curitiba, desde que o Grêmio confirme outras duas vitórias no Olímpico e ganhe do América em natal. São mais três vitórias em cinco jogos, pronto. Seria fantástico fazer três pontos na Arena para uma virada nesta sina autodeterminada pelo time gaúcho de apequenar-se fora de Porto Alegre. Trata-se menos de futebol e mais desta palavrinha abstrata chamada atitude.

« Fiasco. Ou você vê outra palavra para definir a campanha do campeão do mundo no campeonato de seu país ? Perder para o Paraná já seria ruim por si só, mas torna-se ainda mais preocupante quando treinador e dirigentes vêem outro jogo. Acreditam que mereciam melhor sorte na Vila Capanema. Com base em quê, cara-pálida ? O Inter jogou pouco ou quase nada, Clêmer cansou de fazer defesas difíceis, o time foi uma massa disforme em campo, enfim, de onde a convicção do merecimento de uma melhor sorte ?

Resultado : o jogo contra o Sport virou Inter x Barcelona. Decisão, tensão, angústia, falta de naturalidade, todos os componentes misturados numa partida que deveria ser apenas um  cumpirmento de tabela para o Inter assegurar presença na Sul-Americana do ano que vem, o que resta. Diante do fiasco de domingo, o time gaúcho está a três pontos da zona do rebaixamento. Por mais improvável que pareça o campeão do mundo cair, a matemática recomenda que o dono da faixa tenha cuidado e esteja em alerta.

Postado por Maurício Saraiva

QUAL A SURPRESA?

29 de outubro de 2007 7

   Pra mim nenhuma. Esta foi a avaliação da rodada do final de semana. No Olímpico, embora defensivamente, o Grêmio tenha se esforçado pra entregar o resultado, o time ganhou do Náutico e embolou definitivamente a briga por vaga à Libertadores. Vai ter que corrigir muitos erros, não será fácil encarar o Atlético na Arena em Curitiba. Jogo emblemático.

   Falando em Curitiba, o Inter seguiu dando fiasco. Você colorado que me lê neste momento, já se deu conta de que em função das trapalhadas, dos equívocos e principalmente, dos maus resultados ao longo deste campeonato, o Inter patina, patina e não se afasta da zona de baixo da tabela? Impressionante. A cada jogo, se acredita em melhora, em maior empenho, mas nada disso acontece. Pobre torcedor!! Que termine logo a temporada!!

   Enfim, uma rodada que só confirmou tendências, sem surpresas, sem sobre-saltos. Tal qual a eleição que confirmou Cristina Kirchner como a primeira presidente da Argentina.

Postado por Jader Rocha, POA

PLANEJAR...E BEM

26 de outubro de 2007 7

   O Inter embarca pra Dubai no início de 2008 pra disputar um rentável torneio com outros três grandes times do futebol europeu e mundial. Ao que tudo indica vai ser no dia 2 de janeiro, data em que na teoria, o grupo de jogadores estaria se reapresentando do período de férias. É importante pro clube se fazer representar numa competição assim, com exposição e bastante dinheiro envolvido. O Inter não vai lá por acaso, chegou a este convite por méritos próprios. Vide o prestígio alcançado com a conquista do Mundial ano passado. Digo isto porque o grande desafio da atual direção e comissão técnica do clube, é planejar e executar este começo de temporada da maneira mais correta possível. É só lembrar o desastre que foi 2007. O grupo que foi ao Japão teve que cumprir os 30 dias de descanso estabelecidos por lei. Um grupo alternativo, chamado de Inter B, ficou com a responsabilidade de abrir o Gauchão. Foi levando uma pancada em cima da outra e quando os titulares foram requisitados, a campanha já estava comprometida. Sem contar a diferença do condicionamento físico do time, com grupos distintos de preparação. Ir a Dubai, participar, ser lembrado em outro centro, representar o Brasil e se possível faturar a taça, é o que os colorados almejam. Eu repito, desde que planejado e...bem

Postado por Jader Rocha, POA

Boleiro não é criança

26 de outubro de 2007 3

Jogador de futebol é tratado como criança, mas não é criança. Boa parte dos boleiros passou dificuldade na infância, teve uma educação complicada e sobreviveu a toda intempérie com base no seu talento ou perseverança. A partir da soma destas mazelas da infância e da adolescência, pode-se explicar muita coisa que o jogador faz de errado durante a carreira. Mas não tudo.

Veja o caso de uma das revelações do Brasileirão, Thiago Neves. Assinou contrato com o FLuminense e pré-contrato com o Palmeiras. Está criado o imbróglio, o clube paulista quer fazer valer a assinatura que valeu ao jogador um adiantamento em dinheiro. O clube carioca também se julga no direito de utilizar seu camisa dez na Libertadores do ano que vem. Tamanha lambança tem origem na fragilidade ética de Thiago Neves e do seu empresário.

O que levou o meiocampista a este dúbio comportamento foi a adoção de uma estranha %22lei da garantia mínima%22. Thiago estava em atrito com o Fluminense, o empresário ofereceu seu empresariado ao Palmeiras, este se interessou, acertou números e adiantou dinheiro. O jogador recuou, entrou em acordo com o Fluminense e desautorizou seu procurador. Agiu infantilmente tanto quando se deixou levar pelo empresário que o queria fora do clube carioca, como ao mudar de idéia e isolá-lo para permanecer no Fluminense. Em meio a tudo isso, 400 mil reais lhe foram adiantados pelo Palmeiras. A primeira coisa a fazer é devolver o dinheiro ao clube, evidente. Mas se os paulistas insistirem em contar com o jogador e não houver acordo com os cariocas, só a justiça esportiva dará jeito.

São cenas de um futebol que passou por uma mudança significativa. Os jogadores se diziam escravos dos clubes. Alguns deles apenas mudaram de senhor com a Lei Pelé. Não mais o clube, e sim o empresário.

Postado por Maurício Saraiva

Quando o fim se aproxima

25 de outubro de 2007 3

Você já pensou no que deve sentir um jogador consagrado quando a carreira está terminando ? Fiquei tentando-me colocar no lugar do craque no apagar das luzes ao ver Romário ontem brincando de treinador no Vasco. Justiça se faça, o time que ele colocou em campo jogou um excelente primeiro tempo contra o América do México e poderia ter goleado. No segundo tempo, o próprio Romário entrou como jogador, mas a vitória ficou mesmo em um a zero e o Vasco sai da Sul-Americana.

Para um jogador que encerra a carreira e vira técnico, a transição não é fácil. Ele não dependerá mais do próprio esforço ou talento, e sim da capacidade dos outros para chegar ao sucesso. Vai precisar liderar pessoas das mais variadas formações, administrar vaidades, fazer escolhas. Tudo diferente de quando jogava bola. Depois, adaptado ao novo cargo, começará a gozar as benesses. Será considerado estrategista, terá o poder de escalar ou sacar quem achar que deve, a ele serão atribuídos os títulos. Aí, deverá saber lidar também com os fracassos, porque os insucessos serão debitados em sua conta.

Mas e para quem não vai virar treinador ou sua corruptela, comentarista ? Viverá a passagem da celebridade para o anonimato em questão de dias. Jogadores do padrão de Romário não vão empobrecer, mas talvez a mídia não se interesse mais por eles como antigamente. Romário é carismático, vai virar algum personagem constante do mundo da bola. Mesmo assim, as luzes serão outras, menos intensas, e alguém assumirá a banca que o gênio nascido na Vila da Penha desfilava pelaí no auge de sua carreira.

Paulo Roberto Falcão fez uma frase muito interessante na definição do fim do ciclo do jogador de futebol. Ele diz que todo ser humano morre só uma vez, menos o boleiro, que morre a primeira vez quando abandona a carreira. Talvez esta definição possa avançar para outras profissões desempenhadas com paixão e abstração, como atores e cantores. Consigo entender o que passa na cabeça de quem se despede, pela inexorável passagem do tempo, daquilo que ama fazer.

Em filosofia de botequim, seria legítimo dizer que os humanos são facilmente adaptáveis à felicidade e à plenitude, mas pagam um preço incalculável para lidar com a tristeza e o fim.

Postado por Maurício Saraiva

O RIO GRANDE FERVE!!

24 de outubro de 2007 2

    Será um grande final de semana aqui no Rio Grande do Sul. Pra quem é amante da velocidade eis uma grande pedida. A etapa de Tarumã da Stock Car Brasil. Já estamos no play off decisivo, dez pilotos brigando pra ver quem será o grande campeão da temporada. Já sinto o cheiro dos churrascos assados em profusão no autódromo. A adrenalina daqueles que se deslocam já no sábado pra lá com barracas, muita comida e espírito de festa e velocidade. Quem tiver a oportunidade que vá a Tarumã conferir.

   Outro evento bem legal que estará na terrinha é o Sul-Americano sub-15 de futebol. As dez seleções da América do Sul se enfrentando em duas sedes, Porto Alegre e Bento Gonçalves de sábado até onze de novembro. É um teste importante pro Estado no que diz respeito a envolvimento das comunidades, infra-estrutura e organização. Vale conferir. O Brasil vai atrás do bi da categoria. Em 2005, fomos campeões na Bolívia, goleando os argentinos por 6 a 2 na final. Eram quatro os gaúchos: André, atacante do Grêmio e Tales, Rafael Foster e Tuché, atacante e zagueiros respectivamente do Inter. Pra 2007 serão o zagueiro Gerson, do Grêmio, o meia Fernando, do Grêmio e mais os atacantes Guilherme, Grêmio e Felipe, do Inter. Gurizada boa de bola atrás de mais um título pro nosso país. Rasgando retas e vibrando com belos gols, assim vai estar o Rio Grande, bombando!!

Postado por Jader Rocha, POA

O tumulto e a paz

24 de outubro de 2007 2

A derrota para o Flamengo proporcionou um início de semana turbulento no Grêmio. A frase de Mano Menezes sobre a saúde do time para a reação foi repercutida, é da essência do jornalismo aprofundar a investigação sobre uma polêmica até que ela se revele a nu. Como também é usual que o frasista polêmico use o recurso de atribuir a confusão criada à má interpretação de quem o ouviu. Nada de novo no planeta redondo que habitamos e maltratamos.

Agora, o importante é que o Grêmio reencontre seu jogo. A volta de Eduardo Costa deve ajudar muito. Ele é o melhor volante do Brasileirão, deveria estar na seleção. Sua saída complicou demais a primeira metade do meio-campo gremista. Nunes não dá a resposta na qualidade desejada, os parceiros acusam o golpe, o setor decresce. A outra mudança prevista, Marcel na vaga de Tuta, também vai ter vantagem para o time. Não pela juventude de quem entra - juventude não é mérito, é circunstância -, mas sim pela qualificação.

Seria excelente que Diego Souza fosse reabilitado pelo seu treinador. A crítica que sofreu no pós-jogo com o Flamengo me pareceu demasiada. Ele é um dos principais condutores da campanha gremista não só no Brasileirão. Na temporada inteira, Diego vem sendo o jogador mais importante. Mais do que Tcheco, mais do que Carlos Eduardo, ele teve papel  essencial até agora. Mano Menezes não deveria estar tão insatisfeito com quem tem realizado tão boa performance neste ano.

Vencer o Náutico, depois os outros dois jogos no Olímpico e o América em Natal vai colocar o Grêmio na Libertadores 2008. Menos do que isso, vai ser preciso recorrer à imortalidade... 

Postado por Maurício Saraiva

ROMÁRIO TÉCNICO, NÃO FALTA MAIS NADA!!

23 de outubro de 2007 4

   Nem vou me alongar muito no tema. Mas é impossível não tocar no assunto. Sinceramente não acreditei quando ouvi que Romário será o técnico interino do Vasco até a próxima quinta. Ele mesmo já disse que não tem a menor possibilidade de continuar nesta função, então pra que colocá-lo? Por que não anunciar o treinador logo, fazê-lo trabalhar hoje e assistir a partida de amanhã diante do América do México pela Copa Sul-Americana. Por que deixar pra um dia depois da partida o anúncio e colocar o Romário pra treinar o time? Romário de treinador. Meu Deus!! Tão de brincadeira!!

Postado por Jader Rocha, POA

O fim de ano vermelho

23 de outubro de 2007 12

A vitória sobre o Juventude não pode servir para que dirigentes e profissionais colorados tornem a se distanciar da realidade que qualquer torcedor conhece desde o início deste ano. A quantidade quase interminável de equívocos cometidos após o título de campeão do mundo trouxe ao Inter um ano horroroso. Quem quiser se enganar com a Recopa ganha sobre o Pachuca, que o faça. Mas as desclassificações prematuras no Gauchão e na Libertadores, mais o Brasileirão  medíocre apontam que 2007 foi um fiasco reluzente.

No entanto, o discurso pós-jogo de domingo continha sinais perigosos de que a lição não foi aprendida. Abel Braga disse que esperou a hora certa para destrancar o meio-campo que tinha Edinho mais Wellington com Guinazu e Magrão. Ora, a hora certa não seria quando o time estivesse a três pontos da linha do rebaixamento, mas sim bem antes. Mesmo sem Marcão, havia Rubens Cardoso para a lateral-esquerda. Alex já poderia estar no setor mais cedo. Menos pela fase que atravessa, mais pela função de destravar o setor. Basta olhar o elenco colorado ou o time que enfrentou o Juventude para se chegar à conclusão de que a posição que o Inter deveria estar disputando está muitos degraus acima. Vaga de Libertadores, no mínimo.

Se tiverem aprendido algo das agruras de 2007, os dirigentes já estão planejando o ano que vem. Poucos reforços seriam necessários para o time titular. A rigor, um lateral-direito, nada mais. Sobram opções de frente, o meio está abastecido, o restante da defesa tem jogadores em número e qualidade suficientes. Mas quem comandará o processo de formação de time para 2008 ? E o preparo físico tão defasado de um jogador para outro, como se padronizará ?

Antes, é verdade, o Inter precisa confirmar os cinco pontos sobre os 44 atuais para escapar do rebaixamento de vez. E os oito pontos que garantiriam vaga na Sul-Americana do ano que vem. Restam seis jogos, Nilmar ainda vai estrear. Será o início da temporada ainda em 2007 ?

Ou os dirigentes  colorados repetirão o planejamento estapafúrdio e o técnico insistirá numa empáfia suicida ?

Saberemos.

Postado por Maurício Saraiva

FERRARI DE GELO

22 de outubro de 2007 3

   Está nas mãos do homem mais frio e competente do circo da Fórmula Um o título de 2007. Foram dois vice campeonatos até a consagração de ontem em Interlagos. Confesso que torci pro Alonso, aliás, como já tinha escrito aqui dias atrás, achando que o espanhol pelas características seria o mais bem preparado pra faturar o tri. O inglês Hamilton sentiu a pressão. Duas corridas, dois erros e a taça quase encaminhada foi pro espaço. Não adianta, num meio como este, onde milhões de interesses estão em jogo, sangue frio e competência, estão entre os quesitos que devem ser priorizados num piloto desta categoria. Hamílton foi audaz, competente, surpreendente até duas provas atrás. Não soube lidar com a carga que se colocou sobre seu capacete. Enquanto isso, a frieza de Haikonnen o levou a ser campeão pela primeira vez. Contou, é claro, com um parceiro dedicado. Nada que tirasse o mérito do finlandês, o mais novo integrante da galeria que já conta com nomes como Prost, Senna, Piquet, Mansell, Alonso, Fangio e Schumacher.

Postado por Jader Rocha, POA

Resultados normais

21 de outubro de 2007 7

O Flamengo confirmou sua melhor faceta recente de time em ascensão para alcançar a terceira vitória seguida e candidatar-se, com alguma esperança, à última vaga de Libertadores 2008. Vaga à qual o Grêmio ainda é mais candidato do que o time carioca. A vitória da equipe de Joel Santana foi justa, o Grêmio até não jogou mal na segunda metade do primeiro tempo, mas antes e depois foi inferior  como costuma ser fora de casa. Mano Menezes acusou falta de saúde - o que interpreto como falta de preparo físico - no segundo tempo, e a frase pode render algum mal-estar interno junto a Flávio Trevisan que, aliás, faz grande trabalho.

A saída de Diego Souza no intervalo para entrada de Danilo foi um equívoco do treinador. A importância de Diego para o time o autoriza a ser um jogador que só deveria sair por lesão ou profunda sonolência. Não era o caso, e o decréscimo foi forte. O Flamengo, parece incrível, teve um meio-campo mais marcador do que o do Grêmio. E também contou com o jogador diferencial da partida, Íbson, que hoje está apto a ser titular da seleção brasileira de Dunga.

Ainda acredito no Grêmio com uma vaga de Libertadores 2008, mesmo que seja aquela da seletiva. Os jogos de Porto Alegre, como o próximo contra o Náutico, são de vitória obrigatória. Fora de casa, há o enfrentamento com o América rebaixado, vitória também da obrigação. Com cem por cento de aproveitamento no Olímpico e esta vitória em Natal, por exemplo, o Grêmio se classifica. Menos do que isso, esqueça.

Na próxima coluna, o Inter . 

Postado por Maurício Saraiva

REFLEXOS DO DOMINGO

21 de outubro de 2007 5

   Queria aqui mais do que analisar a derrota, merecida aliás, do Grêmio no Maracanã, escrever algo a respeito das atuações dos jogadores, tal qual faz Zero Hora quando conceitua os atletas em determinados jogos. Diferentemente do jornal, quero expôr o meu pensamento sobre o que vi.

 

SAJA - Nenhuma culpa nos gols, esteve várias vezes encarando sozinho os atacantes do Flamengo. Ainda fez milagres.

PATRÍCIO - Sinceramente, o que acrescentou sua volta ao time em detrimento do Bustos?

WILLIAM E LÉO - Começaram perdidos, mas aos poucos encontraram a maneira de jogar. Já era tarde!

ANDERSON - Voltou a demonstrar o velho problema de marcação.

NUNES E LABARTHE - Tinham um problemão a frente chamado Ibson. Perderam quase todas no meio. Atuações fracas.

TCHECO E DIEGO SOUZA - Diego só saiu ao que me parece porque sentiu lesão, era um dos mais lúcidos do time. Tcheco pouco fez. No segundo tempo poderia ter marcado e errou.

JONAS E TUTA - Impressionante a apatia do camisa nove. Era um jogador a menos pro Grêmio. Jonas demonstrou mais vontade, só que bastante marcado.

DANILO RIOS - Carece de mais experiência. No andar da carruagem, sentiu o jogo.

SANDRO GOIANO - É titular desse time, não pode ser reserva do Nunes ou do Labarthe. Joga mais e é líder em campo.

MARCEL - Correu, se arriscou e algumas vezes, até armou o meio. Por aí se vê que a tarde tinha tudo pra dar errada mesmo!!

   A briga pela Libertadores apertou, a bola de neve cresceu. Do Palmeiras ao Grêmio, segundo e quinto respectivamente, só três pontos de diferença. Mas se quiser sonhar com a América, é preciso o Grêmio jogar mais. Não em casa. Fora, sem a torcida a favor, o time ainda é muito inferior e presa, por vezes, fácil de ser batida.

   No Beira-Rio, nada mais do que obrigação a vitória colorada. Três a zero que comprovam a superioridade do Inter sobre o Juventude, reabilitando por hora a equipe do Abel. Muita coisa é preciso ser corrigida. Claro que ganhar e de goleada, dá o ânimo novo e a empolgação pra seguir melhorando. Não é do tamanho do Inter a décima primeira posição. É preciso ter sequência esta reabilitação. Quanto ao Juventude, só resta esperar as férias e planejar 2008 na segunda divisão. Pra %22papada%22, uma pena!!

Postado por Jader Rocha, POA

FIM DO ANO PRA GAVILÁN

19 de outubro de 2007 6

    Foi grande realmente a expectativa quanto ao desfecho do julgamento de Gavilán esta tarde no STJD lá no Rio. Acompanhei atentamente a votação e a cada relato trazido da sala do tribunal carioca. Como os gremistas já devem ter visto, lido e ouvido, Gavilán está suspenso por 120 dias, aliás, votação unânime. Não me surpreende em nada esta definição. A imagem que retratava o lance em cima do Valdívia era clara, forte e sem nenhum questionamento. Por mais que se saiba que o chileno não é nenhum santo não, passou o tempo todo provocando e etc, nada justifica a agressão desferida por Gavilán. Cabeça quente, pavio curto, nada serve pra defender a posição adotada pelo jogador do Grêmio nesta tentativa de um revide em cima de uma possível provocação. O ano termina pra Gavilán. E termina da pior maneira que poderia. De um dos símbolos da conquista do vice campeonato da Libertadores, à punição de hoje a tarde. Gavilán não chegou à toa a essa situação. Agrediu, foi flagrado e terá de cumprir a pena. Pra quem não vinha sendo mais titular, tentando recuperar um espaço que havia sido perdido, não poderia nada mais ser pior do que esta parada forçada. Às vistas do Tribunal, a cena em que Gavilán dá o soco em Valdívia é tão forte quanto a agressão do Coelho em Kérlon no clássico entre Atlético e Cruzeiro e quanto ao soco do Obina no Índio. A punição foi rigorosamente a mesma. Uma pena pro paraguaio que perde uma ótima oportunidade de reestabelecer-se. Fim de ano, fim de papo, acho até que no Grêmio a trajetória de Gavilán, já era.

Postado por Jader Rocha, POA

Quem decide o jogo do Grêmio ?

19 de outubro de 2007 4

Está menos nos pés dos jogadores do Grêmio e mais nas chuteiras flamenguistas o destino do jogo de domingo. Depois de vencer o Vasco na quinta-feira à noite, o Flamengo ficou a cinco pontos da última vaga de Libertadores, hoje ocupada pelo Grêmio. O fato tanto pode transformar o Flamengo num time embalado, atento e perigoso, como também causar na equipe carioca uma soberba que seria excelente para o o time gaúcho.

O Flamengo ainda não conseguiu encaixar uma sequência de três vitórias no Brasileirão. O elenco é bom, há jogadores suficientes para uma campanha de vaga na Libertadores 2008. Mas a inconstância flamenguista é bem conhecida e deriva dos permanentes problemas administrativos que o clube enfrenta desde sempre. A marca é a mais conceituada do Brasil. A torcida, a maior. Ainda assim, o Flamengo tem a maior dívida do futebol brasileiro. Pelo potencial, deveria ser o correspondente ao Real Madri em termos de poderio financeiro e qualidade de time. Na vida real, vive turbulências ininterruptas.

Que Flamengo estará diante do Grêmio domingo ?

Quanto ao time gaúcho, sua produção decresce significativamente longe do Olímpico. Tem sido esta a história gremista, o que não significa que haja um decreto ordenando que seja para sempre deste jeito. De tanto jogar mal e/ou perder longe de Porto Alegre, pode ser que o Grêmio tenha aprendido como lidar com adversários mandatários. Seria extraordinário que o técnico Mano Menezes afirmasse seu time no palco principal do futebol brasileiro. O adversário direto, Palmeiras, enfrenta no Parque Antártica o rebaixável Paraná. Tendência, vitória palmeirense.

Ou seja, o Grêmio precisa pontuar.

Postado por Maurício Saraiva

Não à patrulha

18 de outubro de 2007 4

Depois da vitória no Maracanã, pensei que as referências ao evento ficariam restritas ao futebol, essência do que se viu na noite da quarta-feira. No entanto, vi na Internet há instantes uma extensa notícia sobre a festa pós-jogo de três  jogadores brasileiros, um deles Ronaldinho Moreira, numa boate da Barra da Tijuca. E fiquei projetando que efeito a informação teria sobre os brasileiros que vibraram com a goleada sobre o Equador.

Bem, em mim o efeito é zero. Não sou polícia, não faço parte da Liga das Senhoras de Santana para julgar o comportamento das pessoas. Pelo contrário, vejo toda legitimidade do mundo destes jogadores para uma megafesta com direito a camisinhas e mulheres. Pode horrorizar a alguém que homens bem-sucedidos, recém saídos do dever cumprido no trabalho queiram-se divertir ? E que a diversão inclua sexo e mulheres ? Qual o problema ? Não treinariam na manhã seguinte, retornam aos clubes de origem na Europa e pronto. Quem estivesse no evento estaria por livre e espontânea vontade. Quem decidisse se relacionar com os jogadores teria livre arbítrio e maioridade para tanto. Qual o problema ? 

A boate pertenceria a um dono iraniano ou iraquiano que já foi preso por tráfico. Não acredito que os boleiros soubessem. A casa está aberta, legalizada, alvará em dia ? Então, não estão cometendo nenhum crime. Faço questão de tratar deste assunto, uma vez que logo se ouvirão vozes para fazer julgamento moral sobre os profissionais da seleção envolvidos no episódio. De minha parte, insisto pela normalidade da cena. Vágner Love, Robinho e Ronaldinho não cometeram qualquer deslize, tanto quanto se saiba. Se têm namoradas ou esposas, terão que responder a elas por uma eventual traição. A ninguém mais.

No assunto que interessa de fato - o futebol -, a seleção brasileira volta a atuar pelas Eliminatórias em novembro.  

Postado por Maurício Saraiva

SERÁ?

18 de outubro de 2007 3

   O primeiro tempo foi de chorar. Nada de criatividade, zero de inspiração e muito pouco de sintonia entre time e torcida, que aliás vaiou com razão. A burocracia do time era tamanha que o gol só saiu num lâmpejo de força e técnica de Maicon, o único no jogo e vamos combinar né, se o Vágner Love não fizesse...No segundo tempo, Ronaldinho, Kaká e Robinho resolveram entrar em campo e aí apareceu a tão esperada qualidade da equipe. Um trio com estas caracterísitcas nenhuma outra seleção no mundo tem, então, por que desperdiçar 45 minutos? Menos mal que a inspiração veio, os gols surgiram. Viva Robinho, Viva Kaká!! Cinco a zero, maravilha, goleada, melhor saldo nas eliminatórias, vice-liderança, dois pontos a menos que a Argentina. Agora não dá pra se iludir e achar que estes 22 convocados são os definitivos. É preciso melhorar bastante, trocar duas ou três peças e seguir firme no caminho rumo a África do Sul. Tomara que Dunga tenha aberto bem os olhos!!

Postado por Jader Rocha, POA

Diferença oceânica

18 de outubro de 2007 1

A diferença de qualidade entre os jogadores da seleção brasileira e os do Equador é do tamanho do mar do Rio de Janeiro. Oceânica. A primeira explicação para a goleada do Brasil sobre os equatorianos está aí, na individualidade. Mas o time de Dunga como um todo enfrentou dificuldades até o dois a zero. É do futebol contemporâneo ver uma equipe melhor do que a outra vivendo uma agonia até deslanchar sua vitória. Porque o time inferior faz o fácil, que é encolher-se e diminuir os espaços. Como se fizesse uma guerrilha contra um exército mais bem treinado e numeroso. Assim, sobraram passes para trás e para os lados, faltou Ronaldinho, por exemplo, que só foi deslanchar quando o jogo virou festa. O segundo gol, dele, teve a cara das peladas da Vila Nova. Um chute ruim de Kaká, Ronaldinho meteu o pé para ver o que acontecia, o goleiro não pôde voltar sobre a direção anterior e pronto, gol.

 

O melhor da festa foi Robinho, claro. O drible que desconcertou seu marcador é uma molecagem no melhor sentido da palavra. Conheço jornalistas, treinadores e jogadores que condenariam aquele jogo de pernas que Robinho usou para confundir seu marcador. Chamariam de deboche, uma vez que consideram futebol um esporte mal-humorado, bruto, cinza, tosco, carrancudo. Felizmente, Robinho desconsiderou estes conceitos medievais e usou o espaço de um pedaço de tijolo para driblar o equatoriano, cruzar e Elano marcar o gol. O futebol ainda pode valer a pena.

Na próxima coluna, a dupla grenal.

Postado por Maurício Saraiva

Tropa de Elite

17 de outubro de 2007 6

Este é um blog de esportes, mas vi dois filmes tão espetaculares nesta semana, que preciso escrever sobre eles.

O primeiro foi Edith Piaf - um hino ao amor. A atriz principal, Marion Cotlard, é um fenômeno de transferência de personalidade. Ela não interpretou a maior cantora francesa de todos os tempos ; transformou-se nela. O filme é bom, tenta abranger grande parte da vida do Pequeno Pardal, como Edith Piaf era conhecida, mas ainda maior é a atuação da protagonista. A trilha sonora fantástica é cantada às vezes pela própria atriz, outras vezes por Edith. Espetacular é o mínimo para dizer sobre as interpretações.  A cena de epílogo em que Edith Piaf volta à cena para se apresentar no Olympia de Paris e canta a música que resume sua vida é indescritível.

O outro filme que vi foi Tropa de Elite. O fenômeno da transformação do ator no personagem real que ele interpreta se repete, desta vez com Vágner Moura. Todo o elenco apresenta  alto nível de interpretação, mas Vágner está uma oitava acima. Consegue transmitir toda a angústia, a impotência de alguém que se vê dentro de uma situação em que gostaria de agir de uma forma, mas só sobrevive se proceder de outra.

A grosso modo, só há bandidos no filme do diretor José Padilha. É tentador transformar o capitão Nascimento de Vágner Moura em herói, mas o nível de violência da polícia que ele comanda é apenas um item a mais no caldeirão de motivos que tornam o Rio de Janeiro, hoje, uma cidade sem solução. As cenas de ação são impressionantes, as imagens panorâmicas das favelas nos morros fazem pensar na inviabilidade da vida naquelas condições geográficas, a mesquinha corrupção a granel dos policiais tira a esperança de melhora, mas sempre resta a mensagem de que honestidade e bestialidade podem ser encontradas em doses maiores ou menores em qualquer grupo social.

Incômoda e fundamental é a abordagem da classe média e sua relação com o tráfico. Um tanto reducionista, é verdade, mas certeira como um soco na boca do estômago. Como já disse uma vez Hélio Luz, um gaúcho que virou delegado e depois deputado no Rio, %22Ipanema faz passeata pela paz no domingo de manhã, mas antes cheira cocaína no sábado à noite...%22 É claro que não é toda Ipanema que se droga, no exemplo citado, mas a parte que assim se comporta já é suficiente para sustentar o crime organizado e amontoado nas ladeiras cariocas.

Recomendo. Os dois filmes são obras de primeira qualidade e me fizeram variar da emoção que vem da arte à angústia que brota da violência. Ambos, bela e fera, nascidos e acalentados em nós, humanos.

Postado por Maurício Saraiva