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Posts de novembro 2007

MANCINI

30 de novembro de 2007 3

   Está para ser anunciado Vagner Mancini como novo técnico gremista. Gosto da escolha, apesar de ter escrito nesta semana, que pro momento atual do clube, serviria apenas um técnico de ponta. Mancini ainda está longe disso. Mas o fato de ter levado o modesto Paulista a faturar a Copa do Brasil, no Rio, contra o favorito Fluminense o credenciou. E convenhamos, que ganhar uma competição assim, nestas condições, o tornam um vencedor e com méritos. Por isso, aprovo sua vinda, claro se comprovada. A escolha por Vagner Mancini, também demonstra a convicção dos dirigentes que comandam o clube em apostar em nomes que buscam um trabalho a longo prazo e que sem muita experiência na profissão e sem grandes oportunidades em grandes times, possam realmente fazer a diferença. Luis Felipe Scolari, na primeira vinda pra cá em 87 e agora com Mano Menezes comprovam esta teoria. Os dois estiveram com Paulo Odone. Com Adílson Batista até que se tentou, mas o momento delicado do time e as constantes irregularidades, pesaram contra ele. Mancini chega tendo identificação com o Grêmio, apesar de pouco tempo aqui. Além disso, pesa a seu favor, a maneira correta e extremamente profissional como lida com o trabalho. É bastante dedicado, estudioso. Um treinador que está sempre atento as evoluções técnicas e táticas dentro do dinamismo do futebol atual. Chega para reestruturar o Grêmio, formar um novo grupo e tentar levar o clube a conquistas importantes em 2008. Um desafio e tanto!!

Postado por Jader Rocha, POA

NAS MÃOS DA DUPLA

29 de novembro de 2007 4

    Quis o mundo do futebol, este que encanta, decepciona, apaixona, desespera e faz vibrar, que o futuro de Corinthians e Goiás, lutando pela sobrevivência na Série A, seja contra a dupla Gre-Nal. Tudo vai depender daquilo que vamos acompanhar num domingo eletrizante. Acredito que os dois gaúchos irão sem dó nem piedade pra cima dos dois agonizantes. Creio, também, que Grêmio e Inter, sairão de campo com os três pontos, o que pode implicar na queda do Goiás e do Paraná, livrando o Corinthians, é o que penso. Embora preocupante, a situação do Corinthians é um pouco melhor do que a do Goiás. Essa pequena vantagem de um ponto faz com que o time paulista, pelo que fiz da minha projeção, possa perder aqui, desde que o Goiás não passe pelo Inter, entenda-se, perca o jogo. Que rodada, que sufoco!! A dupla GreNal será protagonista de uma sensacional disputa. Torcer e secar, escolha o que fazer no dia 2, ele promete!!

Postado por Jader Rocha, POA

Teste de grandeza

29 de novembro de 2007 8

Eu tenho certeza que há colorados pensando que a hora da vingança chegou. Como diz o ditado, %22a vingança é um prato que se come frio...%22

Se o Inter perder para o Goiás e o Corínthians não vencer o Grêmio, o time paulista cai para a segunda divisão. O Goiás joga em casa, o Corínthians, fora. Para quem lida cegamente com a paixão - e o ressentimento é filhote desta emoção exarcebada -, seria o momento certo de o Inter entregar o jogo e rebaixar  o Corínthians, campeão em 2005 sem honra, nem glória. Naquele ano, a decisão do STJD de anular resultados de campo por conta do caso Edílson deu aos paulistas o título e aos gaúchos, o vice. O sentimento magoado de sofrer uma injustiça permaneceu adormercido entre os vermelhos, atenuado pela conquista da América e do mundo no ano passado.

Bem, eu só posso esperar grandeza do Inter. Os dirigentes, os profissionais colorados não cogitariam perder de propósito para que se fizesse a vendetta contra os corintianos. O Inter ainda é o campeão do mundo, não consigo imaginar um time que alcance esta dimensão se autorizando perder para vingar um mal anterior. Então, nada impede que o Goiás vença por merecimento domingo que vem. Foi goleado pelo Atlético Mineiro na penúltima rodada, precisa da vitória,  vai lotar o estádio. O inadmissível seria o Inter deixar-se derrotar.

Quanto ao Grêmio, vive uma espécie de fim de festa na despedida de Mano Menezes. Se vencer o Corínthians, ainda precisará de resultados paralelos improváveis para ir à Libertadores 2008, como o Cruzeiro não ganhar do rebaixado América no Mineirão, por exemplo. Se perder para os paulistas, o Grêmio fará parte de uma página épica da história corintiana, a fuga do rebaixamento fora de casa na última rodada. O mesmo Grêmio que já escapou da degola em 2003 vencendo o Corínthians no Olímpico na rodada final.

Só consigo trabalhar em futebol acreditando na lisura e no profissionalismo dos envolvidos. Qualquer outro debate que gire sobre má-fé, derrota proposital, malícia e outros quetais não me interessa.

Postado por Maurício Saraiva

PORTAS ABERTAS

28 de novembro de 2007 3

   A maneira como conduziu-se o processo de anúncio da saída de Mano Menezes do Grêmio deve ser elogiada. Correta a atitude da direção gremista e do próprio treinador, convocar uma entrevista coletiva pra anunciar o que já estava definido. Antes, tudo se tratava de especulação, boato. Pra torcida, o principal alvo, gerava angústia, impaciência e desconforto na tentativa de saber o que realmente estava conduzindo %22nas internas%22 do clube. Mano sai de uma forma bem diferente daquilo que estamos acostumados a acompanhar no dia a dia do futebol por aqui. Técnico que sai, vai embora, na maioria das vezes, dá uma entrevista de despedida, o presidente ou um dirigente da área do futebol comunica a demissão e estamos conversados. Mano Menezes cumpriu uma trajetória bastante exitosa nestes dois anos e sete e meses de Grêmio. A Série B, dois campeonatos gaúchos, o vice da Libertadores e duas participações de campanhas entre os dez primeiros no campeonato brasileiro da Série A, credenciam Mano como um técnico do grupo dos mais valorizados do nosso território. Sai de portas abertas, vai trilhar um novo caminho, aqui no centro do país, ou fora, buscando a compensação financeira e profissional. Um dia, não tenho dúvidas, volta ao Rio Grande. É assim sempre!!

Postado por Jader Rocha, POA

Nuvens no céu azul do Grêmio

27 de novembro de 2007 2

Não está definido o presidente para o ano que vem, muito menos o treinador que comandará a equipe em 2008 no desafio da Copa do Brasil que leva mais rápido à Libertadores.

Há nuvens no céu azul do Grêmio por conta destas indefinições. Paulo Odone tem o objetivo de dirigir o processo de construção da nova casa gremista, e pode fazer bom trabalho por lá. O Grêmio não tem como revitalizar o Olímpico e ainda discute se o novo estádio deve ser no mesmo lugar do atual. Mas se o presidente em mandato sair, será necessário agilidade para que 2008 não comece sem estratégia. Deverá ser um dirigente de consenso, uma vez que precisará estar articulado com o atual para definir política de futebol. O novo treinador, por exemplo, não pode ser contratado em janeiro. Seria um atraso na preparação gremista que dificilmente teria reversão ao longo da temporada. Em futebol, o sucesso pode vir por acaso, mas terá sido a exceção confirmando a regra. E a regra é planejamento.

= Eu nunca tive dúvida de que a torcida do Brasil de Pelotas é um espetáculo a parte. Mas a quantidade de comentários da coluna %22Festa do Interior%22, todos xavantes, me deixou ainda mais convencido de que o clube pelotense merece um projeto de futebol capaz de transformar o Brasil em terceira força gaúcha no futebol brasileiro. Um dos leitores que enviou comentário entendeu que eu gosto da idéia de terceirizar departamento de futebol, caso do Caxias. Eu não me fiz entender ; prefiro o futebol comandado pelo próprio clube, não terceirizado. Mas o Caxias encontrou na terceirização a única solução para avançar, respeito a idéia. No entanto, o Brasil de Pelotas pode fazer diferente, embora não possa prescindir de investimento pesado para alcançar sucesso no campo. E o investimento passaria não só por formação de time, mas de recuperação do estádio Bento Freitas, garantia de fonte permanente de recursos, programa de sócios e marketing avançado. Aliás, neste sentido, o Brasil é vanguarda. Promove eventos que ajudam a encher o estádio. Torço muito para que o clube supere o empobrecimento econômico da zona sul do estado e faça mais do que se manter na primeira divisão.

Amanhã, o Inter.

Postado por Maurício Saraiva

CAMINHO ABERTO PRA PEQUIM

27 de novembro de 2007 0

   Dunga já havia antecipado que convocaria apenas atletas que atuam em clubes brasileiros pra compôr a seleção brasileira que disputa com a seleção do campeonato nacional um amistoso no dia 9 próximo. Dando uma olhada na nomenclatura, acredito que Dunga tenha acertado na maioria. Dos quatro jogadores da dupla, fica apenas a incógnita sobre Maycon. O volante não vem atuando, nem no banco tem ficado, mas Dunga tem seus critérios. Os outros três, Diego Souza, Renan e Léo são afirmações e candidatos, inclusive, a serem titulares na Olimpíada quando os que atuam no exterior também estarão no grupo definitivo. Finalmente Alexandre Pato terá seu momento. Vai ser a grande oportunidade de mostrar ao treinador que já merece figurar na seleção principal. Torço, primeiro, pra que o Milan o libere. Tendo condições de atuar, não tenho dúvidas que será destaque com a camisa amarela e dela não vai largar tão cedo. Quero aqui ressaltar, dos 22 convocados ontem, quais os 11 que eu escalaria pra este amistoso. RENAN(INTER), APODI(VITÓRIA), BRENO(SÃO PAULO), LÉO(GRÊMIO) E NEI(ATLÉTICO/PR). CHARLES(CRUZEIRO), RAMÍREZ(CRUZEIRO), DIEGO SOUZA(GRÊMIO) E THIAGO NEVES(FLUMINENSE). PATO(MILAN) E KEIRRISON(CORITIBA).

Postado por Jader Rocha, POA

A força do interior

26 de novembro de 2007 18

A classificação de Brasil de Pelotas e Caxias para as finais da Copa Amoretty é o que de melhor poderia acontecer para a competição. Grêmio B ou Inter B usam o torneio com um time que lembra os antigos aspirantes. O que a dupla grenal tem a observar - a qualidade dos garotos que entram no profissional - independe de conquistar o título do campeonato que leva à Série C do Brasileirão. Inter e Grêmio não têm nada a ver com a terceira divisão. Logo, o título é o de menos.

Bem diferente é o significado de ser campeão da Copa Amoretty para Brasil e Caxias. Ambos têm planos para a Série C, sonham com a B e deliram com a A. O Caxias terceirizou seu futebol, planeja a médio e longo prazos. O Xavante, ao contrário, ainda não consolidou uma idéia de profissionalismo de resultados crescentes. O máximo que fez foi retornar e permanecer na Primeira Divisão do Gauchão. No entanto, não há torcida tão espetacular no interior do estado. Para ser exato e não poupar palavras, não há torcida tão notável no Rio Grande inteiro.

A partir de quarta-feira, Brasil e Caxias decidem que vai para a Série C no ano que vem. Vantagem pelotense é jogar a segunda em casa, o que foi definitivo para que o Xavante eliminasse o Ypiranga domingo passado. Mas qualquer resultado vem bem. É uma mola propulsora para as ambições de quem pretende ser uma força emergente do futebol gaúcho, ainda mais depois do rebaixamento do Juventude.

Postado por Maurício Saraiva

UM REINÍCIO

26 de novembro de 2007 5

   Todas as questões que se colocam a respeito do futuro gremista levam a crer que Mnao Menezes vai estar fora, longe do Olímpico pra 2008. A direção, ainda esperando oficialmente pelo encontro que está marcado pra semana que vem, já trabalha nos bastidores em busca do novo comandante. E se atiram aos quatro ventos imensas e infinitas possibilidades. De Mário Sérgio a Tite, surgem várias alternativas. Penso, que se for pra ser executada essa troca, que o Grêmio invista num profissional tarimbado, de currículo extenso e vitorioso. No estágio que o clube atingiu após a volta a primeira divisão, um treinador que viria como aposta é um gol contra. É preciso história, trajetória. Um técnico que saiba conduzir uma transição que se desenha bastante desafiadora. Será um exercício e tanto pros dirigentes que tem a responsabilidade de comandar o futebol do clube!

Postado por Jader Rocha, POA

No país da Copa

26 de novembro de 2007 1

Um domingo para lembrar, não para esquecer. Num só dia sagrado do futebol, três episódios de diferentes gravidades, mas todos nascidos da mesma célula. A do descaso, negligência, incompetência. Faltam sete anos para a Copa no Brasil, mas o que precisa mudar é para já, e não para 2014.

« Em São Paulo x Botafogo no Morumbi, jogo de transmissão em tevê aberta marcado para as 16 horas, o atraso foi de 15 minutos. O motivo ? Nenhum. Simplesmente o São Paulo já era campeão e fez festa antes, muitos abraços, gente demais no campo...e o desrespeito ao torcedor, ao telespectador, às emissoras que compraram os direitos do campeonato e têm uma grade de programação...parecia casados contra solteiros esperando para decidir se o goleiro dos solteiros devia jogar pelos casados porque mora junto com a namorada há três anos !

« Em Caxias x Grêmio B, Copa Amoretty, a partida atrasou 50 minutos porque o Caxias, mandante, não providenciou uma ambulância para a partida. O veículo vinha de Porto Alegre, atendeu a uma emergência, atrasou e a direção do Caxias não foi capaz de articular uma alternativa que evitasse o atraso. A tal ambulância chegou mesmo da Capital, o atraso acarretou a chegada do nevoeiro que transformou o jogo em algo quase invisível, o amadorismo venceu, o profissionalismo passou longe !

« Em Bahia x Vila Nova, Série C do Brasileirão, a Fonte Nova estava cheia, 61 mil espectadores. Bahia classificado à Série B, gente pulando nas arquibancadas mal-cuidadas e envelhecidas do estádio, degrau cedendo, gente morrendo, se ferindo, e o governador baiano prometendo um novo estádio. Ele desconhecia um relatório de engenheiros que assegurava ser a Fonte Nova o pior de 29 estádios vistoriados por profissionais da área. Bobô, ex-jogador do Bahia, hoje superintendente da secretária de esportes do governo, disse que não havia sinais de que o estádio estivesse em tão mau estado. O quadro pronto e acabado da negligência no país da Copa de 2014.

É preciso mudar mais do que o aspecto físico dos estádios brasileiros. A mentalidade de quem dirige não pode ser esta que norteia os envolvidos nos três episódios acima citados. Mas como confiar que vai ser assim ?

Veja o caso boquirroto do penta do São Paulo. Os dirigentes são-paulinos dizem que o clube é o primeiro pentacampeão brasileiro. Eles parecem não ter memória quanto ao que disseram os dirigentes do São Paulo em 1987, quando ajudaram a fundar o Clube dos Treze e deram razão ao Flamengo e ao Inter que decidiram não enfrentar Guarani e Sport que vinham da Série B. Naquele ano, os campeões da segunda divisão representaram o Brasil na Libertadores, o Clube dos Treze comprou a briga. A CBF, desafiada em seu poder, até hoje rejeita a oficialização do título flamenguista. E dfisso se valem os dirigentes atuais do São Paulo para afirmar que o clube é o único penta do Brasil. Está em cena a incoerência, a falta de compromisso com a lógica e de ética. O Inter foi prejudicado, o Flamengo também, mas podiam ser outros, o mérito não está em %22quem%22, mas sim em %22como, por quê ?%22

Ou começamos já a corrigir pequenos e grandes defeitos, ou chegaremos ao ano da Copa de 2014 ameaçados de um vexame mundial sem precedentes.   

Postado por Maurício Saraiva

Será verdade ?

23 de novembro de 2007 4

Para quem trabalha em jornalismo esportivo, é uma tarefa muito minuciosa separar a realidade do boato. Às vezes, o que começa boato vira verdade. Ou ainda o boato transforma uma verdade que está em curso e muda o rumo dos acontecimentos. Quando o boato toma volume e se agrega a outros boatos correlatos, surge a boataria, uma onda que vai levando tudo de roldão, inclusive a verdade.

Mano Menezes, é o boato da hora, nem comandaria o Grêmio na última rodada contra o Corínthians em Porto Alegre. Já teria decidido sua saída, o que seria um tanto intempestivo. Não há por que o treinador gremista sair como se estivesse brigado com o clube ou tivesse sido demitido subitamente. Mano Menezes vai marcar sua passagem pelo Grêmio como um técnico vitorioso, capaz de alcançar resultados bem acima da qualidade do material humano que tinha em mãos. Faltou o grande título, é verdade, mas ganhar a série B é uma conquista de âmbito nacional. Ser bicampeão gaúcho também repercute. E talvez o mais importante título de Mano no Grêmio nem seja o de campeão, mas sim o de vice da Libertadores deste ano.

Já afirmei antes neste espaço que Mano não permaneceria para o ano que vem, questão de mercado. O técnico está bem cotado no centro do país, seu nome chama a atenção de clubes estrangeiros e não mais o que avançar em Porto Alegre. Dificilmente a direção gremista oferecerá grande acréscimo de qualidade no grupo de jogadores. Então, Mano estaria-se repetindo ficando aqui.

De qualquer forma, estou conjecturando em cima do forte boato de que o técnico nem comandará o Grêmio na última rodada. Fico curioso para saber se o boato vai virar fato ou se transformará uma realidade que tinha outro rumo.

Postado por Maurício Saraiva

E O LUÍS FABIANO ERA RESERVA

22 de novembro de 2007 3

   Hoje nem vou analisar a medíocre atuação da seleção brasileira no Morumbi. Me permito só deixar este questionamento no ar: as razões que fizeram com que o técnico Dunga mantivesse Luís Fabiano no banco, optando por Vágner Love contra os peruanos, ainda continuam tendo fundamentos? O artilheiro do campeonato espanhol, acredito, tenha provado exatamente o contrário com os dois gols e a boa movimentação. Na barca furada que se transformou o time na virada contra os uruguaios, só ele e Júlio César saíram com crédito. Ainda bem que o próximo jogo de eliminatórias é só na metade do ano que vem. Até lá, espero, os conceitos do treinador da seleção deverão mudar. Nomes novos surgirão e alguns da atual lista deverão assistir do sofá de casa nossa classificação pra Copa da África.

Postado por Jader Rocha, POA

Ledo engano

21 de novembro de 2007 1

O Brasil escapou de ser goleado pelo Uruguai em pleno solo nacional. Não fosse a atuação soberba do goleiro Júlio César, o time de Dunga teria saído do primeiro tempo com três gols na sacola. Afora o trabalho fantástico do goleiro brasileiro, houve a falta de pontaria dos atacantes uruguaios durante todo o jogo, pois também no segundo tempo o Uruguai foi melhor do que o Brasil e perdeu outras três chances de gol.

Luiz Fabiano de centroavante foi tudo o que Vágner Love não vinha sendo. Dunga teve o defeito de insistir com convocações discutíveis como a do ex-atacante do Palmeiras e Afonso, mas foi sábio ao começar o jogo de ontem com o ex-camisa nove do São Paulo. Quando o Brasil levava totó do Uruguai, Luiz Fabiano empatou no fim do primeiro tempo. Quando Júlio César contabilizava milagres na segunda etapa, Luiz Fabiano virou. Problema dos uruguaios se não souberam transformar a imensa superioridade em campo em gols que assegurassem a vitória. Sob grande dificuldade, jogando pouco futebol e com muita bravura, a seleção brasileira encerrou o ano em segundo nas Eliminatórias.

Mas há muito, muito por fazer na seleção. Ronaldinho Moreira, por exemplo, precisa centrar-se outra vez na carreira, aprimorar forma física, interessar-se pela sua profissão e voltar a ser um extra-classe. No jogo do Morumbi, parecia um fantasma de si mesmo. Robinho também ficou muito abaixo do que se esperava dele. Ter dois jogadores deste nível jogando tão menos do que sabem é um baque para qualquer time. Por outro lado, Maicon deu um grande exemplo de superação, participou dos dois gols e fecha a temporada defendendo sua posição de titular. Em compensação, Gilberto Silva e Mineiro não podem ser o começo do meio-campo da seleção. Sobra burocracia, falta qualidade. Mineiro no São Paulo era uma peça encaixada num sistema que escancarava suas qualidades e mascarava seus defeitos. Na seleção, não dá. E Gilberto Silva tem jogado pouco futebol se comparado a outros candidatos àquela posição.

Enfim, a parte boa é que Dunga tem tempo para reavaliar, fazer novas convocações e consolidar os acertos que vai fazendo ao longo do caminho. Só não pode se enganar com a vitória do Morumbi. O Brasil ganhou um jogo que, se futebol fosse justo, teria perdido sendo goleado.

Postado por Maurício Saraiva

Vida de treinador

21 de novembro de 2007 2

Treinador ganha bastante dinheiro trabalhando em seleção. Alfio Basile treina a seleção argentina, tem prestígio, reconhecimento, dá palestra com bom cachê...pois imagine o que passou na cabeça dele quando Tevez foi expulso aos 25 minutos do primeiro tempo contra a Colômbia. A estratégia para vencer os colombianos foi para o espaço, a Argentina ainda fez gol com Messi e depois tentou suportar a pressão do time da casa. Não conseguiu, primeira derrota dos argentinos, e a pergunta na cabeça de Basile : por que Tevez deu um biquinho sem bola no seu marcador e deixou o time com dez ?

O Brasil hoje enfrenta o Uruguai no Morumbi debaixo de muita pressão. E não se diga que é uma injustiça; o time de Dunga não vem jogando bom futebol, a escalação é discutível, há convocações esquisitíssimas, enfim...Ao mesmo tempo, o Brasil é o atual campeão da Copa América, tem duas goleadas sobre a Argentina e só perdeu para seleção de ponta como Portugal de Luiz Felipe. Depois da partida de hoje, a seleção só joga Eliminatórias de novo em junho do ano que vem. Com a vitória da Colômbia, o Brasil se vê obrigado a vencer para também chegar a oito pontos. O Uruguai está longe de ser mau time e nem pensa em tremer por jogar no Morumbi.

A noite promete. 

Postado por Maurício Saraiva

CONTRARIANDO

20 de novembro de 2007 2

   Tem que coisas que realmente não consigo entender. Riquelme é o artilheiro da atual eliminatória sul-americana com quatro gols, levou quase que sozinho o Boca à conquista da Libertadores diante do Grêmio numa final de cinco a zero, somando os resultados dos dois jogos, tendo ele Riquelme, marcado três gols. Foi escolhido o craque da competição. Tem um talento fora do comum, uma precisão como pouco se vê nas cobranças de faltas. O Villareal, clube que detém os direitos do jogador, não o quer. O motivo? Eu, sinceramente não sei. Na contra-mão disso vem o Real Madrid, a Inter de Milão e a Juventus, todos os três poderosos da Europa, entrando na briga para tê-lo a partir de janeiro. O Boca já acena com a possibilidade de contar com o Riquelme no Mundial. E o Villareal não o quer...vai se entender!!

Postado por Jader Rocha, POA

Dois mundos

19 de novembro de 2007 1

Cada vez que a seleção brasileira se apresenta em território nacional, fica a impressão de que os jogadores se tornaram estrangeiros em sua própria terra. Aliás, não só os jogadores ; o próprio treinador, morador de Porto Alegre, se comporta como se não se sentisse confortável entre os seus.

Nesta segunda-feira, torcedores foram barrados no treino do Morumbi. Pode ser apenas um cuidado com a segurança, mas é, antes de mais nada, um jeito de manter a distância entre realidades tão distantes como estas dos jogadores brasileiros milionários na Europa e a população brasileira sempre desafiando a lei das probabilidades para construir algum futuro decente.

É preciso tentar compreender o fenômeno. Os jogadores que enriqueceram no Exterior vivem esta realidade mercê do seu esforço, suor e talento. Ninguém foi jogar lá fora por ter olhos verdes. E se continuam a ganhar bom dinheiro nos clubes estrangeiros é porque dão a resposta em campo, integraram-se àquela realidade, fazem por onde. Eles vivem um sistema de meritocracia. Quando retornam ao convívio dos pares no próprio país, passam por algum constrangimento. Embora o Brasil tenha melhorado seus indicadores econômicos e reduzido de fato a pobreza, assusta a todos nós a questão da segurança. Ainda há muita, e alguns focos de miséria dão a idéia de que o processo é endêmico, ou seja, não tem solução no curto ou no médio prazo. Esta urgência de viver, ter, assegurar algum prazer ou vantagem tem a ver diretamente com a falta absoluta de certeza de que haverá um amanhã. Esta angústia coletiva da Nação sôa sufocante a quem vem de outra cultura. Imagino que os jogadores %22europeus%22 do Brasil vivam emoções conflitantes como vontade de ajudar e de sair correndo ao mesmo tempo.

São estas sintonias em estações diferentes que se colocam frente a frente na hora do jogo. Os brasileiros que esgotam os ingressos uma semana antes querem dos seus super-heróis satisfação plena ou seu dinheiro de volta.

 No mais das vezes, não conseguem nem um, nem outro.

Postado por Maurício Saraiva

GARRA, VONTADE

19 de novembro de 2007 1

   Depois de assistir a medrosa e burocrata seleção brasileira de futebol empatar de novo com o Peru, fiquei com a sensação de que é preciso mexer e muito na estrutura do time se quisermos visualizar uma nova conquista de Copa. Menos mal que grande parte destes jogadores que ontem estiveram quase que no auge da ausência do futebol bem jogado, não farão parte de um futuro próximo da equipe. Faltou garra, vontade. Faltou bola. E a Argentina agradece!!
Diferente do futebol, a seleção masculina de vôlei soube se recuperar plenamente da chacoalhada que levou na estréia da Copa do Mundo pros Estados Unidos. Ainda cedo, diante dos atuais campeões europeus, os espanhóis, foi possível perceber que a bronca conhecida do Bernardinho surtiu efeito. Foi suado, complicado mas nada como um bom 3 x 0 pra levantar a moral. Restam dez jogos ainda. O Brasil vai estar entre os três que carimbarão o passaporte à Pequim. Só é preciso estar atento as armadilhas que o sucesso traz. O melhor time do mundo parou na primeira rodada, mas logo na sequência se fez respeitar mais uma vez. Amanhã contra o Egito o natural e óbvio, é de novo um 3 x 0. Tomara que aconteça. Estarei acompanhando!

Postado por Jader Rocha, POA

Em construção

19 de novembro de 2007 2

Empatar com o Peru em Eliminatórias não é novidade. Os jogos contra o Brasil sempre representarão aos adversários a chance de uma visibilidade maior em caso de vitória, o que significa uma correria louca e um cuidado redobrado por parte dos desafiantes.

O que me preocupa é a maneira como o time de Dunga se colocou em campo no segundo tempo. Vencia por um a zero e decidiu usar uma estratégia de apequenamento na intenção de chamar os peruanos para o próprio campo e ampliar o placar no contra-ataque. O Brasil virou Trinidad Y Tobago na segunda etapa e o castigo veio naturalmente. O gol de empate do Peru era questão de tempo.

Há três posições e uma função em aberto na seleção. Se aumentarmos o rigor do critério, o número de posições indefinidas sobe para cinco. As duas primeiras posições do meio e o comando do ataque não serão de Gilberto Silva, Mineiro e Vágner. As duas laterais não deverão ser de Maicon e Gilberto. E a função de Ronaldinho Moreira por certo não será a de auxiliar de volante. Não vou discutir Ronaldinho, Robinho e Kaká, os três jogadores diferenciados que o time tem do meio para frente. Lúcio e Juan são afirmações na zaga, Júlio César no gol também não se discute. Porém, resta meio time a ser construído.

Dunga vai precisar de trabalho e sabedoria, não de ressentimento e impaciência para chegar a uma formação bem-sucedida.

Postado por Maurício Saraiva

Novo começo

16 de novembro de 2007 5

 À medida que uma crise de grande gravidade passa e vai ficando na memória distante de quem a sofreu, os critérios de avaliação do presente se modificam. Veja o caso do Grêmio; há dois anos, vivia o inferno da segunda divisão e saía dela dramaticamente na batalha dos Aflitos. Virou desfile em carro aberto e dvd.

Hoje, a dificuldade de consumar o sonho da volta à Libertadores entristece os gremistas. Fala-se em reformulação de grande escala, novo treinador, faxina geral. Mas não é no sistema %22limpa-trilho%22 que o Grêmio vai reconstruir uma idéia de elenco e time. A perda do treinador é iminente, o que faz necessário projetar um outro profissional. De resto, cabe à direção avaliar jogador por jogador para renovar o grupo. Faça-se justiça, o departamento de futebol do Grêmio já mostrou ser capaz de formar um bom elenco com parcos recursos disponíveis. A cada ano, Paulo Pelaipe consegue se desfazer sem muito alarde de jogadores que não jogam o suficiente para vestir azul. Ainda assim, o domingo passado retratou uma realidade cruel. Havia muitos jogadores médios - ou menos - entre titulares e reservas. Faltava qualidade a olhos vistos.

Partindo do princípio de que o clube vá conseguir liberar o dinheiro da venda de Lucas e Carlos Eduardo, ainda retido no Exterior, haverá dinheiro para honrar compromissos financeiros e reformular o grupo. Mesmo não estando na Libertadores, o Grêmio vai precisar investir num grupo capaz de disputar com chances reais o título da Copa do Brasil. Neste sentido, o objetivo de Grêmio e Inter passa a ser o mesmo. Aproveitar o torneio de menor dificuldade para garantir presença em 2008 na competição de clubes mais importante da América.

Seis ou sete jogadores deverão ser contratados para aumentar a qualidade geral do time. Há jogadores, como Tcheco e Diego Souza,  que não vão ficar. O goleiro Saja só volta no fim de fevereiro. Eduardo Costa, em março. O ataque é setor-problema desde o início do ano. E a lateral-direita não ficou bem nem com Patrício, nem com Bustos. Mesmo a lateral-esquerda pode ser discutida com Hidalgo. Está em curso há algum tempo um erro de avaliação sobre Gavillan. O paraguaio foi um dos dois jogadores mais importantes do Grêmio na Libertadores e sofreu um forte processo de esfriamento no segundo semestre.  Motivo ignorado.

Há muito por fazer no clube que promete ter, em pouco tempo, um novo e reluzente palco para jogar futebol.

Postado por Maurício Saraiva

VOANDO

16 de novembro de 2007 0

   Alexandre Pato anda mesmo vivendo dias intensos em terras italianas. Mesmo sem poder atuar de forma oficial, só estará em campo em janeiro quando poderá ser inscrito no campeonato nacional, o garoto tem sido alvo de elogios e bons treinos no Milan. Durante a semana o técnico Ancelotti chegou a afirmar que o jogador é melhor do que Ronaldinho Gaúcho. Está no caminho certo, mas por enquanto Ronaldinho é dono do posto. Pato é um fenômeno, no Inter já provou isso. Na Itália, anda neste sentido, já merecendo ser olhado por Dunga mesmo sem jogar.  E no CT do clube, arrebenta quando o assunto são os coletivos promovidos pelo treinador. Acabo de ver os dois gols marcados por ele numa movimentação recente. Não é nada surpreendente, de grau de dificuldade elevada, mas são dois gols que comprovam a eficiência do centroavante prodígio. De um lado ele, do outro Ronaldo Nazário, lutando contra a balança e as dores musculares. Pato será titular do Milan ao lado de Inzaghi, conforme anunciou Ancelotti. Ronaldo terá de esperar a vez. Em dias de escassez de atacantes bons no mercado...

Postado por Jader Rocha, POA

Luiz Fabiano

16 de novembro de 2007 0

Os critérios de um treinador para ter o comando e o respeito do grupo de jogadores nem sempre coincidem com a vontade do torcedor. Eu diria até que quase nunca coincidem...mas é preciso entender a posição do técnico. A posição de centroavante está em aberto no time brasileiro, uma vez que Vágner e Afonso dão resposta insatisfatória. No entanto, Dunga não poderia simplesmente eliminá-los do grupo sem que isso virasse uma onda de insegurança entre os jogadores. Pensariam : os caras foram campeões da Copa América com o %22hômi%22 quando as estrelas não quiseram participar, agora estão fora...trairagem...

Então, Dunga precisa avançar passo a passo. A lesão de Afonso trouxe a chance de Luiz Fabiano. O ex-centroavante do São Paulo tem 15 gols em 14 jogos no Espanhol, vive grande fase e espera pela chance com muita sede. Contra o Peru, é certo que Vágner começa como titular. Ele fez gol na vitória sobre o Equador e participou de toda campanha campeã na Venezuela. Porém, Dunga estará à vontade para subsituí-lo em caso de má produção, pois terá dado todas as chances para seu antigo titular e não será questionado pelos seus comandados. Entre os boleiros, ficaria a boa imagem de que Dunga não entrega a cabeça de ninguém no primeiro pedido da imprensa, o que dá ao treinador o comando e o respeito do grupo, como disse lá na abertura deste texto.

= O Inter anuncia parte do seu planejamento para 2008 pela voz do vice de futebol. Giovani Luigi diz que o esquema é 3.5.2, o que não deve ter saído da cabeça dele sem conversar com Abel Braga. De fato, com o material humano que o clube tem, é possível jogar neste esquema com sucesso. Se Élder Granja se recuperar e renovar contrato, a ala-direita estará bem servida. Na esquerda, Marcão larga em vantagem por ser do lugar, mas Guinazu poderá ser uma versão de Jorge Wagner adaptado àquela posição. Do meio para frente, sobram opções para um time compacto e perigoso. De qualquer forma, seria importante para os colorados que a direção contratasse uma opção para lateral ou ala pela direita e um meia de articulação. Cleiton Xavier pode ser reaproveitado, jogou bem no Figueirense, mas será uma aposta. Na verdade, falta bem pouco para o grupo colorado ficar completo.

=  Na próxima coluna, o Grêmio.

Postado por Maurício Saraiva