Dunga deu uma esclarecedora e emocionante entrevista no Painel RBS desta segunda-feira. Embora mantenha sempre uma desconfiança quando questionado, o treinador da seleção estava disposto a explicar suas razões para convocações, preterições, esquemas táticos e até sobre seu jeito de superar limites e suportar pressões.
Em dado momento, falando sobre a recuperação que viveu entre 1990 e 1994, citou o exemplo da mãe que acompanha solidariamente a doença que acomete há oito anos o pai de Dunga. Disse ele "se minha mãe suporta uma dificuldade dessa e supera, não serei eu a fraquejar". Foi aplaudido, ali estava um mistério desvendado. Dunga sabe o que é dor, o que é sofrimento no seio familiar. Nada pode ser tão grave, e assim ele enfrenta os desafios.
Sua personalidade traz ônus e bônus incluídos. Por ser como é, Dunga conseguiu dar a volta por cima depois da Copa de 90, virou o capitão do tetra e hoje treina a seleção. Ao mesmo tempo, esta mesma personalidade o faz desconfiado além da conta, intransigente à crítica e, por teimosia, sujeito a errar onde seria fácil corrigir.
Valeu ouvi-lo. Gostando ou não do trabalho deste gaúcho, é preciso respeitar sua trajetória. O que não impede que mesmo quem torça por ele mantenha o senso crítico.
Postado por Maurício Saraiva
