Os gringos estão batendo de frente com Grêmio e Inter nesta virada do ano. E não vejo nada de errado no que fazem até agora. Nem Maxi Lopez, nem Guinazu agem desonestamente com seus clubes quando tentam mudar de ares em busca de independência financeira. Da mesma forma, a dupla grenal está respaldada em contratos assinados e defende seus interesses. Se houver conflito mais sério, a justiça pode decidir.
Veja o caso do atacante gremista; há uma proposta da Lazio, a pressão da esposa que quer viver na Itália e o desejo de Maxi em voltar para o mercado europeu. Para ele, o ideal seria sair vendendo o próprio passe ao clube italiano. Porém, o Grêmio está no caminho e agiu rápido para não perder seus direitos. Agora, toda negociação envolvendo o argentino passa pela concordância do clube gaúcho.
O também argentino Guinazu descobriu, por aquelas informações que vazam no vestiário, que há mais de meio time ganhando salário superior ao dele, capitão e principal ídolo do torcedor. Tal fato deve tê-lo magoado a ponto de cogitar sair do Inter. Assinou uma procuração a um empresário, veio uma proposta que dobraria seu salário no São Paulo. No entanto, o Inter tem contrato em vigor assinado por Guinazu e fez valer esta realidade jurídica indiscutível. O ideal é que os dirigentes do clube tivessem a sensibilidade de perceber a discrepância entre os ganhos do capitão e o de jogadores que dão metade da resposta dele. Chamassem o meiocampista e acenassem com um reajuste na volta das férias. Não foi feito, a crise se criou e ainda não está solucionada, uma vez que Guinazu não falou sobre o assunto.
Não julgo o jogador profissional que busca melhores salários em clubes de ponta. A carreira é curta, a pressão, imensa, basta uma fratura na perna e o mundo dourado vira um inferno. Claro, há limites para alcançar o objetivo. O mais evidente deles, não mandar às favas o profissionalismo. Nada de inventar lesão, de correr menos, de fazer beicinho. Está escrito, cumpra-se. Se não houver o entendimento no decorrer do contrato para um aumento, acertem-se as contas na hora da renovação. O torcedor até pode alimentar o sonho de que seu jogador atue por amor à camisa, mas não é obrigação do profissional amar este ou aquele clube. Ele precisa é correr pelo prato de comida, empenhar-se tanto, que até pareça torcedor do seu time. Pode beijar quantos escudos na camiseta quiser, contanto que honre sua profissão dando o seu melhor a cada clube por que jogar.
Ao final de 30 dias, estará justamente depositado o salário que o jogador fez por merecer pelo seu empenho. Aí, tudo certo.
Postado por Maurício Saraiva
