Os treinadores dos grandes clubes são visados porque têm o poder de escalar e formatar times que, por sua vez, são foco da paixão de milhões de pessoas. No contracheque de Silas e Fossati, por exemplo, um percentual bem expressivo seria destinado a tudo que eles precisam ouvir na imprensa, o grito de burro vindo do torcedor, as vaidades dos jogadores, o contexto que tanto pressiona suas preciosas cabeças. Quem não está pronto para tanta cobrança sempre pode mudar de profissão. Virar um "invicto", isto é, comentarista esportivo. Ou bancário, funcionário público e ter o fim-de-semana livre. É o destino de cada um.
Não há como ser treinador sem sabedoria. Na lida diária com o adverso, na escalação das equipes, na estratégia a ser implementada para chegar à vitória ou ao título. Na cabeça de cada torcedor gremista, difícil é entender por que Maylson não é titular, uma vez que a concorrência joga menos do que ele e faz menos gols. Na ideia de cada colorado, complicado é descobrir a lógica que norteou a equivocada decisão de poupar titulares contra o São Paulo completo no Beira-Rio.
Para quem lida apenas com resultado de campo, argumentar a favor do trabalho de Fossati, por exemplo, é fácil. O Inter está na semifinal da Libertadores eliminando o atual campeão da Libertadores. Antes de desclassificar o Estudiantes, , classificou-se em cima de outro argentino, o Banfield. No Beira-Rio, só tem vitórias no torneio. Se vencer em casa a primeira semi contra o São Paulo, jogará por dois de três resultados no Morumbi. Se for à final e vencer no Beira-RIo o Chivas ou o Universidad, outra vez jogará a decisão com 60 por cento de chance de ser campeão, pois ao adversário só o resultado de vitória interessará.
Porém, se o analista ou o torcedor, cada um com seu olhar e objetivo, avaliar o conjunto da obra, encontrará defeitos de grandes proporções na escalação e na estratégia do treinador e, claro, da direção de futebol que não providenciou recursos humanos com qualidade suficiente para formar um ataque e uma defesa melhores do que o que se vê. Ao mesmo tempo, a maneira acidentada pela qual o Inter chegou entre os quatro pode representar um fortalecimento do espírito de grupo, da liderança do técnico e da capacidade de crescer na hora certa. Aí, ninguém pode duvidar que é possível o time gaúcho ser bicampeão da Libertadores.
No caso de Silas, ele não é culpado de que a direção não tenha providenciado um titular para a lateral-esquerda e um terceiro atacante de mais qualidade para a perda eventual de Jonas ou Borges. De outra parte, é sua a responsabilidade de arrumar uma defesa que leva tanto gol de escanteio, bem como resgatar a formação de um meiocampo que já deu certo e foi deixado de lado - Adílson, William Magrão, Maylson e Douglas. É hora da sabedoria, algo que vem de dentro do profissional mas aumenta com a carga de informações e vivências vindas de fora a cada jogo, a cada campeonato.
Sabedoria.

Tu sim Saraiva, merece ter teu espaço lido por todos.
O único blog que paro para ler, já esperando uma análise (ou como queiram) de qualidade e SABEDORIA como diz teu texto de hoje.
Parabéns!
legal Maurício, gostei, bem isento, fazendo uma análise lúcida (pra mim pelo menos).
Agora eu acho que o Fossati não é tão culpado assim, acho que ele tem boa idéia de futebol.
Observei em duas entrevistas após jogos pela LA, onde ele confirmava com o reporter que o time não jogava compactado, não se apresentava junto e isso era uma dificuldade que o time enfrentava. outra, na Argentina, ele dizia que o que ele entendia, e tinha como filosofia era que até um arremesso lateral do adversário, em seu campo defensivo deveria ser pressionado pelo seu time. ë lógico que o Inter não faz isso, e não é culpa dele, pois tenho certeza de que ele cobra isso, mas o Time é displicente e desinteressado.
Lembo o Grêmio ano pasado, teve alguns (muitos jogos) que pra mim eles estavam fazendo corpo-mole, pois não era um time ruim (sinceramente eu achava melhor que este, embora tenha melhores nomes) e ficou claro com briguinhas declaradas nos finais de partidas.
É uma pena qu isso aconteça e os treinadores sempre levarem a culpa.
Acho o Silas um ótimo treinador, gostaria que ele estivesse no Inter, mas o Fossati é bom também, mas agora, se os caras não querem jogar a valer mesmo, aí não tem jeito.
No jogo contra o S. Paulo, mesmo ouvindo várias críticas dos analistas, eu gosti do Time. O S. Paulo é um time de jogadores muito fortes e com boa qualidade, os caras parecem qu toma alguma coisa, pois a explosão muscular deles, arranque e reflexos são impressionantes, jogam pra não perder e sabem que vão marcar algum gol. Ainda não tinha visto o Inter com tanta entrega e quando entrarão os titulares 9claro que descansados) o inter deu um sufoco e nào marcou por detalhe. O lance do penalty foi, mas acho até que é o tipo de lance complicado, mas pra mim foi falta do Dagoberto juntando os dois jogadores do inter, um acabou achando que o outro é que lhe tocou, mas o foi o Dagoberto, pra mim ficou bem claro iso, mas é só uma observação. em 2008 o grêmio deu banho neles aqui em POA e os caras ganharam por 2X0 (lembro que o gr6emio foi criticado, mas eu pensei, pô! os caras jogaram muito melhor, mas o que vale é bola na rede né?) Abraço.