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Posts de maio 2010

Simplificando

30 de maio de 2010 10

Éderson Moreira sabe que não será ele o treinador das semifinais da Libertadores, mas faz sua parte. Com a vitória em casa diante do Atlético PR, a primeira no Beira-Rio neste Brasileirão, aliviou a pressão imensa que vinha de todos os lados. Tinha fora para dentro, de dentro para fora, de dentro para dentro...Vencer era essencial. O primeiro tempo foi tenso, os jogadores estavam nervosos e inseguros e ainda assim só o Inter poderia ter ido para o intervalo como vencedor.

No segundo tempo, a bola parada que tantas vezes vitimou os colorados acabou por lhes dar a vitória. Os dois primeiros gols foram assim. O terceiro, este sim, uma ode ao trabalho coletivo que terminou no pé direito de Andrezinho. O quarto, enfim, obra pessoal e intransferível do grande nome do Inter na partida, Alecsandro. O interino colorado simplificou no melhor sentido da palavra. Se toda vez que o time jogou com 3 zagueiros os resultados estiveram abaixo do esperado, o 4.4.2 rendeu muito mais vitórias do que derrotas. Lá estavam dois meias, Giuliano e Andrezinho. Guinazu mais contido ao lado de Sandro, Glaydson guardando o lado e Kléber solto pelo outro.  Na frente, o ataque funcionou tanto desta vez, que Alecsandro e Wálter dividiram a autoria do primeiro gol. Incrível, os dois tocam na bola ao mesmo tempo, qualquer um poderia receber o crédito pela autoria.

Agora, o papel da direção é mixar "erro zero" com "agilidade dez". Não pode tergiversar, vacilar, dar margem a engano. Além de contratar treinador, precisa dar a ele um zagueiro veloz e um atacante superior. Se for mesmo rigoroso, o dirigente do futebol deve providenciar um goleiro titular no mercado.

= O Grêmio poderia ter vencido ou perdido no Maracanã, esteve perto dos dois resultados em momentos diferentes do jogo contra o Flamengo no sábado. Logo no início, enquanto Petkovic esteve a pleno, o time gaúcho tomou um gol e poderia ter sofrido pelo menos mais um. À medida que o sérvio sentia pesarem as pernas, o Grêmio igualou e foi para o intervalo melhor do que o Flamengo. Porém, Petkovic daria o canto do cisne no começo do segundo tempo entregando com pompa e circunstância a bola do jogo para Vágner Love que chutou em Víctor. Aí, o Grêmio empatou e ficou muito próximo da virada.  Jonas teve a bola do jogo gaúcha, chutou por cima.

Pela soma dos erros e acertos dos times, o empate ficou a cara do jogo.

Erro zero

29 de maio de 2010 26

Há uma série de interpretações a fazer na emblemática frase do mais vitorioso dirigente de futebol do Inter. Fernando Carvalho deu entrevista coletiva dizendo que é preciso "erro zero" na escolha do novo treinador colorado. Eu acrescentaria que não se trata de "erro zero" apenas nesta decisão tão importante, mas na própria atuação dele, Fernando Carvalho, à frente do departamento de futebol. Sim, porque Fossati estava cometendo um erro em cima do outro, porém não errava sozinho; o dirigente mais importante da área errava tanto ou mais do que ele. A diferença é o currículo. Fernando Carvalho foi campeão da Libertadores e do Mundial, carrega um crédito junto ao torcedor que lhe dá a chance de recomeçar de onde parou.

Jorge Fossati errava tanto e há tanto tempo, que parecia estar pedindo à direção para que fosse demitido. Tem emprego certo na seleção do Equador, não duvido que venha a fazer sucesso por lá. No Inter, a tarefa foi grande demais para seu momento profissional. Não deu a liga, é a verdade. Não entendia a pressão, via um jogo com um olhar todo próprio em que tudo o que fazia estava certo e, o pior de tudo, não cogitava a ideia de revisar conceitos. O prejuízo só não foi maior porque o treinador teve o mérito de, equivocado ou não, conduziu o Inter às semifinais da Libertadores. No entanto, dava sinais evidentes de que estava chegando ao seu limite. Errava na estratégia de jogo, no sistema tático, na escalação e nas mexidas durante o jogo. Para quem precisa de "erro zero", Fossati estava um tanto longe do parâmetro...

E agora, senhoras e senhores do Conselho ? Abel Braga, Mário Sérgio ou o sonho encantado de Luiz Felipe Scolari ? Este último nome representaria um mútuo desafio e uma injeção de ânimo no torcedor como nunca antes. Contratar um gremista confesso multicampeão para eliminar o São Paulo e depois ganhar a Libertadores ? E da parte de Luiz Felipe, desafiar toda a idolatria que lhe é ofertada pelo torcedor do Grêmio para transformar-se em um técnico estadista capaz de ficar acima das rivalidades regionais ? Este é o ponto.

Escolher Luiz Felipe Scolari seria, certamente, uma medida de "erro zero".

QUEDA ANUNCIADA

28 de maio de 2010 44

   Fossati passou pelo Inter com mais de 60 por cento de aproveitamento. Deixou o comando colorado com um título?! de Campeão da Taça Fábio Koff e semifinalista da Libertadores. Pouco, muito pouco, pra quem foi contratado pela experiência em competições internacionais e estratégias vitoriosas.

   O uruguaio bem que tentou, isso é fato. Não faltaram oportunidades pra ele demonstrar todo seu potencial e justificar a escolha. Porém, não adaptou-se ao estilo do futebol brasileiro. Não se adaptou ao Inter e nem o Inter a ele. Fazendo um a busca pela campanha, pelos jogos do Inter na temporada, não consigo encher uma mão, pra exemplificar quantas vezes o time jogou bem, ganhou e convenceu.

   Fossati sempre levou sua equipe no limite. Trabalhou com o extremo, testando, principalmente, a paciência do torcedor. Embora muitos e aqui pelo blog se tem uma sinalização, o achavam um estrategista de primeira, de plenas convicções. Eu, confesso, nunca as vi. Se vi, foram em raríssimas oportunidades.

   Em pouco mais de meio ano de Beira-Rio, o treinador não firmou esquema. Definiu, vez por outra, seus titulares. Ousou em modificar o Inter a cada jogo e com isso foi construindo uma trajetória sinuosa. Walter, desde que voltou, deveria mesmo ser sacado, sendo ele o melhor atacante? Giuliano, o jogador que melhor terminou 2009, deveria ser sacado da equipe da maneira como foi? As substituições do treinador agradavam e davam certo na maioria das vezes?

   Quantos questionamentos que agora servem pras teorias. Fossati não aguentou mais um fracasso. Sai do Inter sem ser unanimidade. Era uma questão de tempo. Abre-se uma nova frente no clube. Uma crise instalada antes da parada pra Copa. Os dirigentes precisam ser ágeis e inteligentes na reposição. A primeira tentativa no ano foi por água abaixo.

Um time sem rumo

27 de maio de 2010 49

É muito grave o momento pelo qual passa o Inter. Em menos de um mês, acumulam-se derrotas pelo Brasileirão e pela Libertadores. Todas elas têm um ponto em comum; o treinador escala o time com três zagueiros. Não interessa se titulares ou reservas, se com um atacante ou dois, o 3.5.2 de Jorge Fossati é um fracasso rotundo, gigantesco, de consequências abissais. Contra o Vasco em São Januário, o Inter chegou a estar vencendo por dois a zero, ainda que não jogasse bem. Valia-se da fragilidade impressionante do Vasco. Fabiano Eller, o grande zagueiro do Mundial de 2006, vai fazendo atuações sofríveis uma atrás da outra. Contra os cariocas, a pior de todas com direito a uma expulsão infantil que foi essencial para a virada vascaína. Mas ele estava em campo como terceiro zagueiro em detrimento de um quarto homem de meio, Giuliano. Na hora de mexer, Fossati outra vez fez sair Walter que jogava muito mais do que Alecsandro. Não bastasse o show de horrores do técnico colorado ao insistir em uma fórmula consagradamente malsucedida, o goleiro provoca ameaças de ataque cardíaco a cada instante ao torcedor do seu time. Abbondanzieri tem falhado em um gol por jogo. Foi assim no segundo gol do Estudiantes, no primeiro do São Paulo e no primeiro do Vasco ontem. Sai mal do gol, não faz boa reposição com os pés, enerva a defesa no limite máximo da tensão.

O Inter soma três derrotas seguidas. Não é isolado; na verdade, trata-se da consequência de uma estratégia reiteradamente equivocada do seu treinador sem nenhuma providência do dirigente maior do departamento de futebol. A posição no Brasileirão já é delicada, três derrotas e uma vitória. Na Libertadores, todos viram - com o olhar que quiseram, é certo - a maneira pela qual a classificação às semifinais aconteceu. Não há rumo no Inter. Não há comando. Viceja a teimosia e a visão míope de problemas que estão crescendo dia a dia. Os homens do futebol colorado não olham para dentro, não revisam conceitos, não repensam os erros e agindo assim perpetuam a incompetência que grassa no Beira-Rio.

Havia poucos colorados em São Januário, mas eles explodiram em impropérios contra Jorge Fossati quando o Vasco fez o gol da virada. Não apenas pelo resultado, mas porque estava evidente que as ações do técnico cooperavam para o desfecho ruim. O uruguaio faz um mau trabalho em seu primeiro clube como treinador no Brasil. A direção que deveria agir para respaldá-lo ou dar-lhe opções de ataque e defesa no elenco é omissa.

Se nada for feito, o Inter jogará no lixo seu primeiro semestre e comprometerá o segundo.

SAIU A "ZICA"

27 de maio de 2010 10

   Velha expressão cunhada pra determinar uma maré de azar, má sorte, coisas ruins. O Grêmio andava com a tal da "zica". Eliminado pelo Santos, presa fácil pro limitado Palmeiras, ontem o time do Silas a espantou.

   Silas teve a tarefa facilitada. Maylson, que voltou a ser titular, tomou conta do lado direito do meio. Como sempre, muita vitalidade e disposição tanto pra defender quanto pra atacar. Na etapa final, teve pelo menos duas chances pra fazer o seu. Acabou não conseguindo. Embora tivesse sido determinante na construção do resultado. Bem fez o treinador gremista em reconhecer ao final do jogo, que Maylson é, mais uma vez titular. A vitória aliviou a tensão, espantou a ansiedade. Mandou embora a "zica".

   Hoje a tarefa cabe ao Inter. Lá em São Sebastião do Rio de Janeiro, São Januário. Estádio de péssimas recordações da última passagem colorada por lá. Dois mil e oito, quatro a zero Vasco. Nova realidade, novos personagens. O time de Jorge Fossati é superior tecnicamente. Não tem comparação. O Vasco vem de derrota pro Avaí, teve o estádio invadido pela torcida cobrando resultado, tem Celso Roth ainda conhecendo o terreno.

   Acertar o time e construir a segunda vitória fora. Compensar o que não foi feito aqui diante do São Paulo. Hoje, Fossati tem a chance de recuperar-se. Titulares confirmados, Walter e Alecsandro atuando juntos pela primeira vez no Brasileirão. Nove da noite a gente confere!

A diferença

26 de maio de 2010 7

Não foi coincidência a vitória do Grêmio ter acontecido com tanto merecimento justo no retorno de Maylson ao time titular. Na verdade, embora não tenha feito gol, o jogador teve uma atuação de primeira e estabilizou o trabalho de meiocampo da equipe de Silas. Ocupando o corredor direito, Maylson marcou, articulou e apareceu na frente com perigo. Não fez gol por detalhe, mas devolveu ao setor firmeza e qualidade. Não é possível entendê-lo fora dos onze.

O primeiro tempo gremista foi muito bom. Adílson e Fábio Rochembach cresceram, Jonas assumiu a responsabilidade de ser o único atacante titular em campo, o trabalho coletivo apareceu. O gol cedo sempre ajuda a tranquilizar e passar a angústia para o adversário. O placar de dois a zero poderia ter sido maior, tamanha a superioridade do Grêmio sobre o Avaí. No segundo tempo, o jogo caiu de qualidade. Ainda assim, as melhores coisas protagonizadas pelo dono da casa passaram por Maylson. Porém, quem acabou premiado com o terceiro gol foi Rochembach. Jogou gripado, superou-se e fechou a conta recebendo belo passe de Fernando.

O campeonato brasileiro talvez tenha começado nesta quarta para o Grêmio. Agora, resta a Silas fazer bom uso do que viu acontecer em campo contra o Avaí. O próximo adversário, Flamengo, segue em ebulição. Desclassificado da Libertadores, perdeu para o Fluminense. Jogou cheio de meninos, foi vaiado, o vice de futebol está mudando, nada permanece no lugar na Gávea. Também por isso, será um adversário perigoso sábado.

Perigoso, porém vulnerável.

Convencendo ou não

26 de maio de 2010 5

O jogo de hoje contra o Avaí é daqueles em que a vitória é muito mais importante do que o merecimento dela. E olha quem está falando, um apaixonado pelo futebol bem jogado. Porém, não posso deixar de reconhecer a realidade quando ela se apresenta assim acinzentada e cheia de nuvens para uma equipe que não pontua há três jogos.

Silas está sendo outra vez ajudado pela providência. A nova lesão muscular de Leandro abre espaço naturalmente para o retorno de Maylson mesmo quando William Magrão estiver de volta. Hoje, Hugo será o homem da criação na ausência do suspenso Douglas. Há uma perda na articulação, um ganho na capacidade de conclusão a gol. Problema mesmo é na frente, a ausência de Borges custa muito caro ao time. O Avaí de Péricles Chamusca vem recheado de confiança pelos últimos resultados dentro e fora da Ressacada. Da última vez em que esteve no Olímpico, jogou muito atrás, sofreu prejuízo de arbitragem e pagou com a desclassificação na Copa do Brasil. Os reservas de então viraram titulares no meio e no ataque, o time cresceu, foi campeão catarinense e está forte no Brasileirão.

Nâo é jogo fácil, não.

= O Inter terá o desfalque de D'Alessandro, o que não chega a ser novidade em 2010. A lesão que o tira do jogo de amanhã contra o Vasco no Rio é de caráter subjetivo. Os exames não apontaram nada grave, mas o meia reclama de dor. Aí, a pergunta que não quer calar é : do que adiantou poupá-lo em mais da metade do tempo contra o São Paulo domingo passado ? De qualquer forma, Jorge Fossati insistirá no esquema que não vem funcionando com o time colorado. Serão três zagueiros. Menos mal que estarão em campo dois atacantes. Ganhar do Vasco em plena crise seria um estabilizador da campanha do Inter. Se perdeu duas em casa, zeraria a conta vencendo a segunda fora.

Saberemos.

= O atacante Adriano vai seguir sua peregrinação em busca de uma paz que ele não encontra porque procura fora, não dentro. Ele saiu de Milão porque estava infeliz. No Rio, alcançou o título brasileiro com o Flamengo, mas viveu um conflito pessoal atrás do outro com a noiva, a família e os amigos. Considera que está sendo injustiçado pela imprensa brasileira e voltará para a Itália. Os jornais romanos já manchetearam que a Roma estará atenta às atitudes extracampo do jogador brasileiro.  A lógica indica que o filme se repetirá tal como vem se repetindo na vida de Adriano. 

Tomara que eu esteja enganado.

Tom

O DESAFIO DE VENCER

26 de maio de 2010 3

   Nada mais apropriado do que o Dia do Desafio nesta quarta. Dia que consiste na busca pela prática esportiva, dizendo NÃO ao sedentarismo. Dia de atividade física, quinze minutos, no mínimo. Quer oportunidade melhor pros gremistas recomeçarem?

   E não serão somente os quinze minutos. Vão ser noventa, mais os acréscimos. O adversário tem o melhor ataque do campeonato, é vice líder, não perdeu pra mais ninguém desde o confronto aqui mesmo em Porto Alegre pela Copa do Brasil. Aliás, fala-se em Santa Catarina, de mágoas dos avaianos com Silas e tudo o que se criou a partir daquele confronto. A realidade é essa, a história nem tanto.

   Jogar em casa favorece. A invencibilidade no Olímpico, perdida na atual temporada, faz parte da rotina. Acontece com qualquer clube. Mas o Grêmio terá que superar-se. Não dá pra adiar a recuperação antes da parada pra Copa. Contra esse Avaí motivado, a perspectiva que se apresenta, é da real situação do elenco, do grupo que Silas dispõe. Faltam peças, sobram problemas. Mas quem não os tem?

   A formação de hoje não é a ideal, é a da hora. Apostar em Maylson, mesmo que "forçada" pela lesão de Leandro, é a grande providência. O garoto, desde a recuperação, já dava mostras de que teria lugar entre os onze. O treinador entendeu que não. Maylson dá capacidade defensiva e ofensiva. Ocupa espaços entre os volantes e soma-se aos atacantes com naturalidade. Sem Douglas, Maylson poderá tornar-se a noite, um referencial. Basta saber explorá-lo com inteligência.

   No mais é jogar e ganhar. Desafio dos bons pra testar os gremistas.

PRIMEIRA AMOSTRAGEM

25 de maio de 2010 3

   Chegando a hora da Copa e o olhar já vai se direcionando pras seleções que lá estarão a partir de 11 de junho em busca do caneco. Ontem vários amistosos e algumas impressões a respeito dos adversários, possíveis, do Brasil, numa sequência do Mundial.

   Em especial a "eles", os argentinos. O adversário da despedida em solo caseiro não era lá grande coisa. O Canadá, cuja última participação em Copa se deu em 86, não tem representatividade no futebol mundial. Tradição zero, por isso até a facilidade dos hrermanos em fazer o escore de 5 x 0.

   O que fica nem é o resultado em si, esperado, por sinal, mas a capacidade de alternativas que o grupo convocado por Maradona contempla. Se nas eliminatórias o treinador penou pra acertar o time, dá mostras de que a lista definitiva supera com folga, o grupo com o qual ele sofreu pra se classificar. Do meio pra frente sobram jogadores de técnica apurada e poder de definição. Se não tem Messi, só pra ficar no melhor do mundo, os argentinos dão-se ao luxo de olhar pro banco e ver um Higuaín, um dos poucos a se safar da temporada desastrosa do Real Madrid. Aguero, Di Maria, Verón, Tévez. Nomes que qualquer seleção gostaria de ter. Não estou aqui dizendo que a Argentina será a campeã do mundo! Candidata ela é, sem dúvida! Cresce em momentos assim. A primeira amostragem foi preocupante pra nós brasileiros. Não dá pra brincar com "eles", isso não!! 

Sabedoria

25 de maio de 2010 2

Os treinadores dos grandes clubes são visados porque têm o poder de escalar e formatar times que, por sua vez, são foco da paixão de milhões de pessoas. No contracheque de Silas e Fossati, por exemplo, um percentual bem expressivo seria destinado a tudo que eles precisam ouvir na imprensa, o grito de burro vindo do torcedor, as vaidades dos jogadores, o contexto que tanto pressiona suas preciosas cabeças. Quem não está pronto para tanta cobrança sempre pode mudar de profissão. Virar um "invicto", isto é, comentarista esportivo. Ou bancário, funcionário público e ter o fim-de-semana livre. É o destino de cada um.

Não há como ser treinador sem sabedoria. Na lida diária com o adverso, na escalação das equipes, na estratégia a ser implementada para chegar à vitória ou ao título. Na cabeça de cada torcedor gremista, difícil é entender por que Maylson não é titular, uma vez que a concorrência joga menos do que ele e faz menos gols. Na ideia de cada colorado, complicado é descobrir a lógica que norteou a equivocada decisão de poupar titulares contra o São Paulo completo no Beira-Rio.

Para quem lida apenas com resultado de campo, argumentar a favor do trabalho de Fossati, por exemplo, é fácil. O Inter está na semifinal da Libertadores eliminando o atual campeão da Libertadores. Antes de desclassificar o Estudiantes, , classificou-se em cima de outro argentino, o Banfield. No Beira-Rio, só tem vitórias no torneio. Se vencer em casa a primeira semi contra o São Paulo, jogará por dois de três resultados no Morumbi. Se for à final e vencer no Beira-RIo o Chivas ou o Universidad, outra vez jogará a decisão com 60 por cento de chance de ser campeão, pois ao adversário só o resultado de vitória interessará.

Porém, se o analista ou o torcedor, cada um com seu olhar e objetivo, avaliar o conjunto da obra, encontrará defeitos de grandes proporções na escalação e na estratégia do treinador e, claro, da direção de futebol que não providenciou recursos humanos com qualidade suficiente para formar um ataque e uma defesa melhores do que o que se vê. Ao mesmo tempo, a maneira acidentada pela qual o Inter chegou entre os quatro pode representar um fortalecimento do espírito de grupo, da liderança do técnico e da capacidade de crescer na hora certa. Aí, ninguém pode duvidar que é possível o time gaúcho ser bicampeão da Libertadores.

No caso de Silas, ele não é culpado de que a direção não tenha providenciado um titular para a lateral-esquerda e um terceiro atacante de mais qualidade para a perda eventual de Jonas ou Borges. De outra parte, é sua a responsabilidade de arrumar uma defesa que leva tanto gol de escanteio, bem como resgatar a formação de um meiocampo que já deu certo e foi deixado de lado - Adílson, William Magrão, Maylson e Douglas. É hora da sabedoria, algo que vem de dentro do profissional mas aumenta com a carga de informações e vivências vindas de fora a cada jogo, a cada campeonato.

Sabedoria.

BLINDAGEM NA SELEÇÃO

24 de maio de 2010 4

  Já há uma onda de protestos, insatisfação. Indignados, alguns torcedores que cercam o local onde a seleção brasileira concentra e treina visando a participação na Copa, gritam palavras de ordem, pedem pra que o técnico Dunga abra os portões do CT do Caju e os deixem acompanhar os treinos. Querem estar perto dos jogadores, levar um incentivo, um abraço, um carinho. Entendem que essa proximidade pode ser bastante positiva ao grupo. Dunga não.

   O treinado é bastante cético quanto ao assunto. O esquema armado pra blindar a seleção, os jogadores, de qualquer assédio é esse e ponto final. Salvo alguma excepcionalidade, duvido, mas duvido muito que as coisas que já acompanhamos nestes dias, se modifiquem. Não tem jeito. Dunga quer preservar o ambiente. Quer fazer o grupo só mentalizar a Copa, falar de futebol. Nada de tempo pra questões que fujam dos muros que circulam o local. A Seleção Brasileira está aquartelada, como a muito não víamos.

   A badalação de quatro anos atrás em Weggis já era. Pode esquecer! Dunga tem suas razões, muitas delas não concordo. Resta-me torcer e esperar que tudo isso represente o título.

DÚVIDAS E INCERTEZAS NA DUPLA

24 de maio de 2010 4

   Grêmio e Inter zero ponto. Nada pior pra um começo de semana. Aqui, o time do Fossati perdeu pro São Paulo na prévia da Libertadores e ainda ouvi colorados dizendo que "perdeu quando podia". "Depois vai ser diferente". "Esse não valia nada". Tá bom, tá bom. E lá na frente, será que muda o suficiente pra fazer um jogo de excelência e classificar-se? A parada pra Copa vai ser benéfica? O treinador mudará o estilo? Manterá uma coerência?

   Já o Grêmio em São Paulo intensificou sua "RPE". Ressaca Pós Eliminação". Era nítida a vontade de passar pelo Palmeiras, dando a ideia de que a queda na Copa do Brasil estava superada. O Palmeiras tem um time mediano, nada mais do que isso. E mesmo com esse time mediano, inferior tecnicamente ao Grêmio, impôs seu futebol, marcou e não precisou fazer muita força pra superar a defesa gremista. Os sinais do desgaste eram evidentes. Vai mal o Grêmio do Silas nesta arrancada. Quarta a chance de começar uma reação. Já tem gremista na redação dizendo que é pra equipe esquecer o Brasileirão e se dedicar à Copa Sul-Americana. É cedo, precipitado. Mas se bobear...

Fim-de-semana zero ponto

23 de maio de 2010 40

Quero ter o cuidado de não atribuir isoladamente a Jorge Fossati mais um erro de estratégia do Inter que perdeu para o São Paulo por dois a zero. Não posso acreditar que o departamento de futebol não tenha conversado com o técnico para decidir se o time jogaria completo ou autodesfigurado. Pois bem, decidiu-se que o Inter se encarregaria de enfraquecer-se contra o adversário da Libertadores na semifinal.

Não consigo entender por que Andrezinho e D'Alessandro começaram no banco, considerando que o próximo jogo da Libertadores é depois da Copa. Se fosse para poupá-los, que acontecesse na rodada de quarta-feira, quando o Inter joga fora de casa. No Beira-Rio, era importante vencer o São Paulo. Para tanto, fundamental que estivesse em campo a melhor formação. Porém, lá estava outra vez o esquema com três zagueiros. O mesmo com o qual o Inter perdeu para o Novo Hamburgo no Gauchão, para o Cruzeiro na estreia do Brasileirão e para o Banfield e o Estudiantes na Libertadores. Se foi Fossati, se foi Fernando Carvalho, se foram os dois, o fato é que a estratégia revelou-se equivocada. O Inter tem duas derrotas em dois jogos em casa no campeonato brasileiro.

Se o torcedor se autorizou gritar o nome de Fernandão quando ele marcou o segundo do São Paulo, era a insatisfação geral que se canalizava na figura do ídolo que quis voltar ao clube e foi rejeitado. Antes, no primeiro gol, houve falha de Abbondanzieri, como já houvera na quinta contra o Estudiantes. O Inter tem mais de 40 dias até as semifinais da Libertadores. A questão é saber como aproveitará o período para revisar os tantos conceitos incertos em que vem baseando sua estratégia para 2010.

= Enfim, sábado e domingo de zero ponto para a dupla grenal. Se o alerta piscou para o Grêmio, não está piscando menos para o rival.

Alerta piscando

23 de maio de 2010 10

O Grêmio chegou a três derrotas consecutivas. Para time grande, é um sinal de alerta que precisa ser respeitado e averiguado. Contra o fraco Palmeiras, o time de Silas tinha desfalques relevantes, o maior deles, Borges. Sem o nove, o setor fica empobrecido, ainda que Jonas tenha feito gol e jogado sozinho. Douglas foi expulso de novo, o estado emocional se desequilibra quando as coisas começam a dar errado. O círculo vicioso se estabelece, porque as coisas continuam dando errado porque o estado emocional se desequilibra.

A direção vai ter que agir. O grupo precisa de reforços, o time, também. Não há lateral-esquerdo confiável. O ataque é excelente com Jonas e Borges, mas perde demais na ausência de um deles. A volta de Souza trará ao meio novas soluções. Porém, a presença de Maylson no banco de reservas é um mistério. A menos que sua condição física não sustente 90 minutos, fica ruim de explicar sua suplência. Aí, o papel é de Silas, não dos dirigentes. Se o material humano não é suficiente e o comandante ainda desperdiça, tudo fica mais difícil. O Grêmio tem um ponto ganho em nove disputados. Para fins de título, a matemática vai ficando exigente demais, muito cedo os gremistas se veem obrigados a pensar em outros objetivos como prioridade.

= O Santos ganhou do Atlético Goianiense, mas há uma turbulência que Dorival Júnior está se empenhando em debelar. Os talentosos e imaturos meninos da Vila ficaram fora do jogo de ontem porque avançaram sobre um horário estabelecido. Paulo Ganso reclamou da concentração longa demais. Neymar caiu de produção. Era natural que o time feito de garotos oscilasse, também poderia-se esperar que a juventude provocasse pequenos desafios à autoridade do técnico. Esta é a hora em que o treinador precisa do respaldo dos dirigentes e, ao mesmo tempo, deve ter a consciência de que não pode punir o time com a ausência dos rebeldes. A punição é pecuniária, vem na forma de mais trabalho ao invés de descanso, porém não deveria ser o afastamento da equipe. Seria bom ver o projeto do Santos e seu futebol ofensivo dando certo ao invés de se perder por pequenas bobagens.

Treinador versátil

22 de maio de 2010 13

José Mourinho dirigia um Chelsea muito ofensivo na conquista do campeonato inglês. jogava 4.3.3 e fez de Drogba o melhor atacante europeu sob seu comando. Neste sábado, o treinador português foi campeão europeu com a Inter de Milão no Santiago Bernabeu jogando num sistema defensivo exemplar que jamais abriu mão de alternativas de contragolpe. Quando postou seu time todo atrás da linha da bola no Nou Camp contra o Barcelona, jogava com um a menos desde a metade do primeiro tempo e enfrentava a melhor equipe do mundo. Onze contra onze, Mourinho não abre mão de dois atacantes mesmo quando privilegia defender ao invés de atacar.

A Inter de Milão joga um futebol de precisão. José Mourinho, este sim, revela-se um estrategista versátil que lê o que o campo lhe apresenta. No primeiro gol sobre o Bayern,  o atacante Eto'o recua, o meia Sneider tabela com o atacante Milito e este faz o gol. No segundo gol, o contragolpe é puxado pela dupla de atacantes. Eto'o para Milito, Milito para  a  rede. Justo campeão, a Inter nocauteou o time alemão que preferiu deixar seu jogador mais expressivo, Robben, isolado na ponta-direita e longe da zona de definição. O Bayern rodou a bola no campo da Inter, mas pouco criou. Em todo o jogo, foram seis chances, três para cada lado. As duas da Inter entraram.

= Há esperança para os colorados. O vice de futebol Fernando Carvalho, passada a euforia ufanista do "ame-o ou deixei-o" , reconhece aos microfones que o time precisa jogar melhor futebol. Mais; mesmo correndo o risco de enfurecer seu treinador, admite que o Inter jogou mal contra o Estudiantes durante pelo menos dois terços do jogo e só melhorou quando um segundo atacante foi colocado em campo. Jorge Fossati tem visto um jogo todo particular quando avalia as derrotas do seu esquema 3.6.1, mas parece isolado nesta análise. Além de Fernando Carvalho, outros dirigentes têm revelado preocupação com este jeito pequeno de se postar diante dos adversários fora de casa. Não é o caso de demitir Fossati; pelo contrário, é preciso dar apoio a ele, desde que devidamente cobrado pelo que faz e deixa de fazer.  Sem cobrança ao subordinado que toma decisões tão importantes, o projeto Libertadores pode naufragar a qualquer momento.

Lei de Piffero

22 de maio de 2010 39

O presidente do Inter disse outro dia que "torcedor torce, dirigente dirige, treinador treina...". Simplificava, mas entendi o sentido do que afirmava. Falava, em suma, do papel de cada um no mundo do futebol profissional. Lembrei desta Lei de Piffero depois de ler os comentários da minha coluna sobre a classificação colorada contra o Estudiantes.

Só tenho compromisso com o que vejo no campo e com a  verdade na qual acredito na hora em que estou analisando futebol. Não falo para agradar ou irritar, mas sim para ser honesto com minha profissão. Não persigo, não faço análise de comportamento pessoal, fico na esfera da bola jogada. Projeto antes, repercuto depois, jamais deixo para dar opinião e fazer crítica só após as coisas acontecerem. Eu me sentiria omisso e oportunista se agisse diferente. Como se diz em gestorês, questão de princípios. Logo, sou obrigado a entender todo o ressentimento apaixonado do torcedor que, até Giuliano fazer o gol da classificação, crucificava Jorge Fossati e a pobreza ofensiva que o Inter mostrou durante mais de dois terços do jogo. Bastou o gol que eliminou o atual campeão da Libertadores para que o treinador colorado fosse chamado de estrategista por parte da torcida. Ele próprio vendeu o conceito na entrevista pós-jogo, muitos torcedores compraram.

Bem, o que posso dizer de uma estratégia que consiste em sofrer dois gols em 20 minutos, passar mais de uma hora na partida com apenas duas conclusões e deixar para marcar o gol salvador a 43 minutos do segundo tempo ? Devo considerá-la inteligente ? Aliás, devo considerar estratégia ? Engane-se quem quiser. A fúria da derrota, já li em comentários anteriores, tem o mesmo fervor messiânico da vingança da vitória. É da natureza do torcedor, não vai mudar. Quem lida com o contato direto com público, caso de jornalistas esportivos, dirigentes, técnicos e jogadores precisa se esforçar para entender o que se passa, embora eu admita que há momentos em que a tarefa se torna quase inviável.

Nada impede que Jorge Fossati pare de testar o coração dos colorados com estratégias e escalações equivocadas. Terá mais de 40 dias para rever conceitos até enfrentar o São Paulo de Fernandão. Porém, a entrevista pós-jogo do treinador não foi animadora. Ele considerou "taticamente excelente" a produção do Inter em Quilmes. Pois bem, vamos aos números :

1- O Inter levou meia-hora para dar o primeiro chute a gol. Já perdia por dois a zero, placar que o desclassificava do torneio.

2- Até os 22 minutos do segundo tempo, quando Walter entrou para ser o segundo atacante do Inter, o time colorado inteiro tinha chutado menos do que um só jogador do Estudiantes. Neste período, Verón concluiu três vezes, o Inter apenas duas, sendo que só uma chegou até o gol de Orion.

3- Até os 22 minutos do segundo tempo, o Estudiantes havia concluído dez vezes contra Abbondanzieri, cinvo vezes a quantidade de conclusões do Inter.

4- Nas duas vezes em que começou a partida no esquema 3.6.1, o Inter teve desaproveitamento de cem por cento. Duas derrotas. Pela mesma conta, toda vez que começou o jogo com dois atacantes, o Inter venceu ou empatou.

Ficar bravo comigo pode, está no meu contracheque. Mas se irritar com os números, bem, aí não adianta mesmo...

AGORA É O SÃO PAULO

20 de maio de 2010 51

   Se Jorge Fossati tinha a intenção de marcar sua passagem pelo Inter, ao menos até a noite de hoje, com algo realmente impressionante, impactante, ele atingiu o objetivo. E em dose dupla. Primeiro por deixar no caminho o atual campeão da América, dentro da Argentina com um gol marcado no fim do jogo. Segundo, por testar ao máximo, a capacidade de sofrimento e angústia dos colorados.

   A estratégia de começar o confronto com o Estudiantes com só um homem no ataque era arriscado, não era a ideal. O Inter chamou o time argentino pro seu campo. Bastaram dois minutos de bobeira, pra que os gols acontecessem. Um desastre. Uma terrível sequência que levava o Inter à eliminação, sem contestação. O Estudiantes tocava a bola, controlava o jogo. Tinha o placar. E Fossati nada.

   Quando ele sacou Nei e colocou Walter, confesso que não entendi. Nei vinha bem. Não havia dado indícios de qualquer problema. Opção do treinador. Walter, o melhor atacante colorado, na fogueira, na pressão. Foi dele uma das raras finalizações do Inter na segunda etapa. Àquela altura, já tinha torcedor discutindo a escalação da equipe sem Sandro - em caso de eliminação, o volante embarcaria pra Londres no sábado, apresentando-se imediatamente ao Tottenhan - outros começavam a preocupar-se com as "cornetas" amigas. Eis que surge Giuliano e sua predestinação. O passe de Andrezinho é milimétrico. A conclusão é fria e certeira. Gol e vaga!

   Vem aí o São Paulo. Vem aí a releitura de 2006 em versão semifinal. O reencontro com Fernandão. Tudo isso pra depois da Copa. Quem sabe com menos, bem menos drama pro torcedor colorado!

A derrota do medo

20 de maio de 2010 20

Foi com quase 30 minutos do primeiro tempo que o Inter deu seu primeiro chute a gol em Quilmes. Antes, sofrera dois gols em 20 minutos e jogava pequeno, medíocre, acovardado, um coquetel de defeitos que podia ser facilmente previsto desde a formatação do time com um atacante só e outros nove jogadores de linha só pensando em defender. Jorge Fossati errou, não foi a primeira vez, e só aos 23 minutos do segundo tempo abriu mão do medo que infligiu ao seu próprio time. Fez entrar Walter, o segundo e inevitável atacante, no lugar de um defensor. Antes, o time argentino cometeu o erro que o Inter cometera no início, isto é, tirou um atacante e fez entrar um defensor. Pensamento tacanho do técnico Sabella que lhe custou a desclassificação a 43 do segundo tempo. Giuliano já estava em campo no lugar de D'Alessandro e fez o gol da classificação. Heróica, brava, valente, mas tornada mais difícil pelo imenso equívoco estratégico do seu próprio treinador.

Depois do jogo, o técnico colorado voltou a mostrar extema competência na arte de brigar com os repórteres que lhe faziam perguntas óbvias e necessárias. A pergunta do excelente André Silva foi simples : valeu mais a classificação do que o conjunto da obra no jogo, professor ? Fossati foi tomado de raiva e respondeu de forma ríspida. Pouco antes, o dirigente Giovani Luigi havia admitido ao mesmo André Silva que o Inter jogara pouco e precisava melhorar para enfrentar o São Paulo. Qualquer pessoa medianamente informada de futebol identificou no Inter os problemas que o treinador teima em negar. Será que ninguém cobra no Beira-Rio as decisões de Fossati quanto a esquema e escalação do time ? É de direito do dirigente, uma vez que o técnico é a ele subordinado. Mas é bem provável que esta cobrança inexista ; o jeito de pensar futebol do técnico coincide com o do vice Fernando Carvalho. Estão afinados.

Então, colorados, preparem-se para fortes emoções contra o São Paulo de Fernandão. É possível que Jorge Fossati repita no Morumbi no segundo jogo das semifinais o seu fracassado 3.6.1 com o qual só acumula derrotas na Libertadores.

NO CALDEIRÃO

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   Enfrentar argentinos, catimba, pressão e, por vezes, violência e provocação, não é novidade pros colorados. Os últimos anos têm sido de experiência e conquistas neste sentido. Hoje essa história se repete.

   Talvez com um significado diferente. Eliminar o atual campeão da América representa a afirmação em meio a tantas incertezas. Embora tenha chegado até as quartas-de-final da Libertadores, dá pra contar nos dedos as grandes e convincentes atuações do Inter em 2010. Muito pelo que Jorge Fossati ainda não definiu. Esquema, escalação. Mudar muito, complica. Logo mais, novas mudanças, velhas estratégias.

   Não é boa a ideia de começar o jogo com um homem só na frente. Walter, o diferencial do ataque, mais uma vez sobra. Alecsandro é o escolhido pra ser o referencial no ataque. Lembram dessa mesma escalação lá contra o Banfield e o que ela resultou?

   Ficar esperando o Estudiantes, no caldeirão de Quilmes, é uma temeridade. Os gringos, até pela perda do campeonato nacional, buscam na Libertadores, a única conquista do semestre. Espera-se dificuldades imensas.

   A vantagem é colorada. Que tenha êxito na empreitada de parar Verón e cia. O São Paulo já espera nas semifinais.

ELIMINADO EM 50 MINUTOS

20 de maio de 2010 5

   Foi de impressionar a queda de rendimento do Grêmio de um tempo pro outro. Se até então o intervalo fazia bem ao time de Silas, desta vez o vestiário piorou a equipe. Explicações? Das mais variadas. Mas como exatamente?

   Talvez se busque uma análise no próprio comportamento do time santista. Sabedor que só pressionando e propondo jogo era viável pensar na vaga, os paulistas, voltaram pra etapa final com tudo. Voltou a ser o Santos que vem jogando esse futebol vistoso na atual temporada. O Grêmio se perdeu. Passou a errar demais. Errar como até então não havia. O desconcerto, o descompasso, levou o time à derrota.

   Os dois primeiros gols nasceram da alta capacidade técnica dos jogadores do Santos. Ganso, o melhor, disparado. Robinho, com desenvoltura e inteligência pra encobrir Victor. O Grêmio reagiu, mas não o suficiente. Teve o ataque, ponto forte, anulado. Teve, nas substituições mal executadas por Silas, uma resposta nada boa. Resta agora, reerguer-se. Buscar unir forças pra continuar buscando o máximo no Campeonato Brasileiro. E nem dá tempo de pensar muito. Sábado, a realidade se apresenta contra o Palmeiras em crise. Boa chance pra um recomeço.