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Posts de agosto 2010

O INTER DE CÁ, A INTER DE LÁ

31 de agosto de 2010 2

   Embora tenha as atenções plenamente voltadas pro Campeonato Brasileiro, onde, aliás, a conquista do título passou a ser a obstinação do vice de futebol Fernando Carvalho, o Inter já mergulha no universo do Mundial de Clubes com a cobiça de qum vê a chance concreta do bi.

   Por aqui, Celso Roth ajusta as peças pra que o time não sofra tanto uma transformação na maneira de atuar, aquela que rendeu a Libertadores. O padrão tático se modificou, algumas peças também, mas Celso quer manter o espírito, a dedicação e isso tem conseguido com êxito no pós título. Com a saída de Sandro, a vaga ao lado de Guiñazu, sinceramente, não tem dono. Mathias, Glaydson e agora Derley, são candidatos em potencial e não se pode descartar nenhum deles. Não vejo vantagem nem pra um ou outro. Eles se assemelham. Roth vai tendo tempo pra observar. Sóbis ganhou a vaga de Taison. Não fará o mesmo papel. Será um parceiro efetivo de Alecsandro. Está resgatando a velha forma e crescerá, certamente, até o campeonato do mundo.

   Na "terra da bota", o momento da Inter, multi campeã é de adaptação. O futebol pela europa engatinha num começo de temporada no verão escaldante. O time, que ganhou tudo no último ano se manteve na base. Trocou o comando e por aí é que se afirma esta adaptação.

   O espanhol Rafa Benítez começa o ciclo com um poderoso grupo a disposição. Tem em mãos um dos melhores e mais completos jogadores do planeta. Terá que começar do zero um trabalho que foi antecedido por José Mourinho, de outra filosofia, de muito sucesso.

   Os dois recentes resultados da Inter italiana, derrota pro Atlético de Madrid na final da Supercopa Européia, mais o empate na largada do campeonato nacional, são normais. Não há como considerar vacilos. Isso faz parte, é do jogo. Que é um bom indicío pro torcedor, que lida com a paixão, o sentimento, isso sem dúvida. Mas essa Inter vai melhorar significativamente, podem esperar. Não será assim lá por dezembro, quando eles estiverem no meio da temporada.

   Temos alguns meses pela frente. Volta e meia estarei tratando do tema por aqui. É natural. A Internazionale passa a ser vista por todos os cantos. Os olhos dos vermelhos se espicham pra Itália. Com toda a justiça!

A EVOLUÇÃO NO GRÊMIO

30 de agosto de 2010 9

   Renato Portaluppi crê na evolução do time. Percebe uma sensível melhora na questão técnica e tática. Acredita, que mesmo sem entrar em desespero, o Grêmio possa sair da zona do rebaixamento, onde entrou a algumas rodadas e por lá, perigosamente, permanece.

   Não discordo de Renato. Vejo também essa evolução, só não na mesma proporção do técnico gremista. Há uma melhora, não a ponto de decretar como definitva. O Grêmio pode e vai melhorar mais ainda. Mas vai levar tempo. Uma das providências a ser adotada é a não invenção quando da escalação do time. Renato não pode alterar significativamente a maneira do Grêmio atuar. Quanto menos favorecer o inimigo, mais a chance de sair do atoleiro.

   Gílson, lateral esquerdo, não deve ser colocado como um volante. Não sei se já desempenhou tal função no Paraná, não importa. Não é a dele. Ontem, somada a estreia, o fato de estar fora do lugar comprometeu não só o desempenho individual, como também o coletivo. Renato foi rápido ao perceber o erro e consertou-o fazendo voltar Adílson, esse titular inquestionável. Precisa achar os outros três do setor. Souza e Douglas, juntos, por hora, não dá.

   Ponto somado é pra ser festejado, mesmo na circunstância em que o Grêmio se encontra. Por sorte, os de cima não sobem. O Grêmio é que precisa se ajudar. Taí uma baita oportunidade pra que isso aconteça. Quarta contra o Guarani. Mais bem colocado na tabela, longe de ser uma equipe forte. É jogo pra ganhar e estancar a fase braba.

   Continuar evoluindo. Não tem como ser diferente!

CONTRA A RESSACA, SÓ A RESSACADA!

25 de agosto de 2010 1

   O Inter espera retomar o mais rápido possível a concentração no Campeonato Brasileiro. Fernando Carvalho já decretou que quer o título que não acontece desde 79. É lei, antes do embarque pros Emirados Árabes. Isto posto, o time que ganhe.

   Não será simples assim. Celso Roth já mostrou e explicou que a ficha não havia caído, isso até o domingo ao menos. Levaria mais uma semana, segundo o próprio Roth, pra embalar e voltar com tudo à realidade após o bi da América. O começo desta retomada se dá contra um adversário que vem bem no Brasileirão.

   O delegado Antônio Lopes mudou a cara do Avaí. Fez do time catarinense um concorrente indigesto. Nada de aliviar fora, muito menos na Ressacada. É esse Avaí, encorpado que espera o Inter daqui a pouco.

   Entre os vermelhos o sentimento é de que se pode sim voltar a vencer na competição nacional hoje a noite. Celso Roth contará com a maioria dos titulares campeões. Imagina que o grupo possa, imediatamente, recuperar terreno e se impôr no certame nacional. Nei, Bolívar, Índio, Kléber, D´Alessandro, Sóbis. Grife pra encarar os catarinenses. Possivelmente sem Taison, de malas prontas pro leste europeu.

   Um recomeço. Pra tirar a ressaca, só mesmo uma boa Ressacada a favor! 

O GRÊMIO PRECISA SE AJUDAR

24 de agosto de 2010 4

   Renato Portaluppi é a última e mais apaixonada tentativa da direção gremista pra reverter o quadro atual. Agarrada a história do ex-ponta, Duda Kroeff e seus comandados apelam pro herói do Mundial de 83 pra escapar de um terceiro rebaixamento.

   A fé, a esperança é tamanha, que os mesmos dirigentes não cansam de saudar o mito Renato, acima de tudo. Creem na mística do eterno camisa sete pra sair da situação delicada em que o time está metido. Mas Renato, sozinho, não vai a lugar a algum. Renato precisa do suporte. Não basta a história, as conquistas. Trabalhar é preciso. Com qualidade, então, nem se discute.

   O treinador chegou e já implantou seu método, sua filosofia. Muda a cara da equipe, de acordo com o que tem em mãos. Por vezes parece até pouco. Externamente, expõe suas ideias e defende o grupo. É do jogo! Renato, como já escrevi anteriormente, é um misto de treinador, psicólogo, bombeiro, pai. Milagreiro, não, ainda!

   No entanto, Renato não é a solução mágica. O Grêmio terá que se readequar. Preocupar-se em corrigir erros do passado, tanto no futebol como administrativos. Não pode mais retroceder. Isso acontecendo, o clube, a instituição dá mais um passo grande pra trás, a ponto de ficar beirando algo que soa como pavor entre os gremistas. Um rebaixamento! Inviável num período como esse. O Grêmio tem que se profissionalizar, no sentido literal da palavra. Pode fazer, por exemplo, reconhecendo a grandeza do maior rival. Buscar alternativas semelhantes, por que não. É do jogo! Não é feio não!

   O Grêmio precisa se ajudar, olhar pra dentro. Antes que seja tarde!

MANO E O PROCESSO DE RENOVAÇÃO

20 de agosto de 2010 2

   Por mais que possa parecer estranha uma convocação da seleção brasileira pra períodos de treinos, é de se louvar a iniciativa de Mano Menezes. Data Fifa marcada, data Fifa aproveitada. Se a entidade que rege o futebol nacional não teve competência suficiente pra conseguir adversários qualificados pra enfrentar o Brasil, que o nosso novo técnico utilize este período como melhor convém, ou seja, treinando.

   Certamente Mano não deixaria passar em branco a oportunidade de integração. Novato no cargo, o técnico, sabidamente, utilizará a experiência pra conhecer um pouco mais de cada jogar e implementar seus métodos de trabalho e ideias de concepção de futebol.

   Na troca que será realizada entre comissão técnica e jogadores, nada mais justo dos que apenas os que estão atuando fora serem chamados. Não teria sentido Mano convocar atletas daqui, com Brasileirão e Sul-Americana em andamento, fazê-los viajar pra fora do país apenas pra treinamento. Com os "europeus" é mais fácil e prático.

   Bom ver na lista Douglas Costa, Fernandinho. Jovens promessas em idade olímpica que terão a chance de conviver no ambiente da seleção principal. Sandro mantém a média, agora no inglês Tottenham. Ah! ia esquecendo. O Hulk, só porque Neymar ficou de fora, né Mano??

   Vamos acompanhar os trabalhos. Eles serã valiosos, podem apostar.

O BI, A CONSAGRAÇÃO!

19 de agosto de 2010 21

   A marca deste bi-campeonato conquistado pelo Inter é a união. Um grupo moldado a dedo, disposto a ter sucesso quase que de forma ininterrupta. Mérito da direção, mérito do treinador em saber avaliar e colocar em campo os que realmente poderiam decidir a favor!

   Não é a toa que Fernando Carvalho é o maior dirigente da história vermelha. Um homem com dedicação ímpar, conhecimento profundo do que faz. Uma paixão, acima de tudo! Carvalho erra, claro. Erros fazem parte do aprendizado e com eles, Carvalho, como dirigente, cresceu.

   Celso Roth. Esse o emblemático personagem da conquista. Ao voltar pro Beira-Rio tinha a missão de revigorar um grupo deteriorado pelas esquisitices de Jorge Fossati. Celso conseguiu. Fez mais, bem mais! Mudou a concepção de jogo, compactou o time em campo, fez renascer Taison, outro protagonista do bi. Celso evoluiu...muito! Sua leitura de jogo, a maneira de lidar com os jogadores, a imprensa. Um amadurecimento fundamental pra esse desfecho vitorioso. O tão esperado salto de qualidade chegou. Pode ter sido com algum atraso, ma veio em forma de Libertadores.

   Giuliano, predestinado, Sóbis, a estrela de um goleador, Leandro Damião, quase esquecido e decisivo na virada! Tantos nomes, tantas histórias! Inter Bi-Campeão da América. Uma seleta galeria que ganha a companhia vermelha, com justiça, mérito, inquestionável. 

   Ah e vem por aí Emirados Árabes, Mundial, a Recopa no ano que vem...Festa sem fim...

BLINDAGEM CORRETA

16 de agosto de 2010 4

   Age da maneira mais correta possível a direção e a comissão técnica colorada no episódio que envolve a decisão da Libertadores. Blindando os jogadores pra que não sejam "atingidos "pelo clima de euforia e até do "já ganhou" natural que alguns torcedores incorporaram.

   O Inter tem uma estrutura diretiva e técnica madura o suficiente pra tomar tal atitude. Não houve, por exemplo, em momento nenhum, desrespeito com a torcida quando do desembarque da delegação vinda vitoriosa do México. Não deixar os jogadores terem contato com a torcida que ansiava ver os ídolos, nada mais era do que preservar o grupo e evitar o clima de quase título.

   Assim funciona ao longo desses dias que antecedem a decisão. Os jogadores, num discurso uniforme, bem conduzido e sereno, pregam a cautela e o respeito para com os mexicanos. Ponto a favor. Vai que algo seja mal interpretado e o Chivas ganha, de bandeija, motivos pra incendiar o vestiário. Não, a hora não é essa! É sim, momento de manter os pés no chão, com toda a decência possível.

   Existem os que não estão nem aí pra isso. Agem com total emoção, desconsiderando a razão quando ela se impõe. A vantagem colorada é oceânica, claro que é. Perder a Libertadores só por uma catástrofe imensa, que eu, não acredito que venha a acontecer.

  Bom mesmo é agir desse jeito. Manter a serenidade. Não faz mal nenhum!

TAREFA DIGNA DE HÉRCULES

13 de agosto de 2010 8

   "Zeus, o rei dos deuses olímpicos, que havia engravidado sua amante, Alcmene, proclamou que o próximo filho a nascer da casa de Perseu seria coroado rei. Hera, sua esposa, ao descobrir o fato, fez com que Euristeu nascesse antes do filho de Alcmene, Hércules. Zeus enfureceu-se ao saber do que ela havia feito, porém nada pode fazer; sua proclamação continuou em vigor.

   Mais tarde, já adulto, Hércules assassinou sua esposa, Mégara, e seus três filhos, num acesso de loucura provocado por Hera. Quando se deu conta do que havia feito, o herói se isolou, fugindo para o campo e vivendo sozinho. Foi encontrado por seu primo Teseu, e foi convencido a visitar o oráculo em Delfos, para recuperar sua honra. O oráculo o contou que, como penitência, Hércules deveria executar uma série de doze tarefas, ou trabalhos, estipuladas pelo homem que ele mais odiava - o rei Euristeu, que havia herdado o seu direito de nascença."

   A mitologia em torno de Hércules é dura, penosa. Uso essa passagem pra exemplificar o que encontra Renato Portaluppi nesta empreitada iniciada ontem a noite. Renato não terá que fazer tal qual Hércules. Não precisará matar ninguém, nem ter uma pena tão árdua. Renato terá, sim, que usar a força, a determinação do herói grego, pra superar a barreira que se impõe no caminho.

   O agora treinador gremista, aos tempos de investidas pela ponta do campo, lado direito, não se intimidava com nada. Dono de uma personalidade forte e extremamente confiante, Renato dava conta do recado, mesmo quando os mais otimistas duvidavam. Seu ímpeto sempre foi uma marca. Ou o que ele fez com os dois zagueiros do Hamburgo, na decisão em Tóquio, são obras do acaso? Não, nem de longe! Renato era assim mesmo, destemido.

   A volta ao Grêmio se dá num momento crítico. A animosidade e a falta de qualidade do time na derrota pro Goiás, somaram-se aos outros tantos fracassos já detectados e flagrados em jogos anteriores. Renato percebeu rápido que terá que suar muito, não como nos tempos de jogador, mas sim como treinador, bombeiro, pai, irmão, psicólogo, Hércules.

   As dificuldades estão impostas. Que o Hércules gremista tenha êxito, sorte na jornada. Ele vai precisar!!

O INTER SOBROU NO MÉXICO

12 de agosto de 2010 20

   Nem as mais animadoras previsões davam conta de que o Inter pudesse ser tão superior na comparação com o adversário da final da Libertadores. A questão do gramado artificial era um dos pontos a ser superado pelo time gaúcho. E foi, rápido e fácil.

   No duelo tático, Roth mais uma vez levou ampla vantagem com seus dois pontas bem abertos e com os lados invertidos. Taison, na esquerda e D´Alessandro, na direita, jogaram muito. Cada um cumprindo sua função, desempenhando com desenvoltura as tarefas atribuídas pelo treinador. Taison esbanja confiança. Plenamente reabilitado, é um dos grandes nomes dessa fase vitoriosa do Inter.

   No meio, Giuliano substitui Tinga com louvor. Ajuda na marcação, dá consistência na saída pro ataque e finaliza como poucos. Está numa fase iluminada e que só confirma o acerto do Inter em trazê-lo e mantê-lo por aqui.

   O único senão do jogo no moderno, mas discutível Vulcano, o gol sofrido por Renan. Houve falha do goleiro sim! Não pode levar um gol de cabeça, de fora da área, estando adiantado e sem chance de alcançar a bola. No mais, o Inter sobrou. Sinceramente, não acredito que o Chivas consiga jogar mais do ontem na quarta que vem aqui em Porto Alegre.

   Noventa minutos separam o Inter de mais uma Libertadores. Com mérito absoluto!

O PRAZER DE VER A SELEÇÃO

11 de agosto de 2010 3

   Foi só a primeira amostra, mas o suficiente pra ficar bem impressionado. Mano Menezes estreiou com vontade, gosto e o mais importante: a vitória.

   O primeiro jogo da nova seleção brasileira era cercado de expectativa, de ansiedade e porque não, cobranças. Esperava-se, a partir da renovação proposta por Mano, um resgate no jeito, na maneira verdadeira do Brasil de jogar bola. E o Brasil jogou, gastou a bola nos Estado Unidos.

   Mano foi audacioso, assim como tem sido o futebol jogado pelo mundo. Não teve medo, rancores, receio em colocar os melhores em campo, dando a eles atribuições de simples compreensão. Cada um na sua, mas em prol do conjunto.

   O esquema era o de menos, os nomes, os de mais. Mano usou a base do Santos, do meio pra frente, pra evitar desentrosamento. Sábio pensamento. O Brasil funcionou. Houve toque de bola, velocidade na transição, efetividade. A Seleção estava leve em campo. Havia uma clara visão de que o time estava pronto pra começar ganhando.

   O início de Mano Menezes foi promissor. Resgatou, certamente, o prazer da torcida em acompanhar o Brasil. Que siga assim!

RENATO É O BOMBEIRO!

10 de agosto de 2010 15

   O mito, o ídolo Renato Portaluppi está de volta. Desembarca nas próximas horas aqui em Porto Alegre. Será festejado, tenho certeza. Não tem mais o cabelo ao estilo "mullets", comum dos anos 80, não ostenta a mesma forma física. Exibe uns quilos a mais. A marra, no entanto, segue intacta.

   O autos dos gols que deram ao Grêmio a maior glória da história do clube, volta à capital gaúcha com uma missão bem mais ingrata. Salvar o Grêmio do rebaixamento. E não é pouco! Sim, o que o clube busca neste exato momento é a salvação. Nada de ficar pensando em ganhar isso, faturar aquilo, se não pensar em como se recuperar na competição nacional. O Grêmio está metido num atoleiro dos grandes.

   Renato precisará usar seu estilo disciplinador ao extremo. A necessidade da hora exige! Se for preciso "chutar a porta", literalmente, Renato fará, apostem. O jeito boleirão, ainda intacto, pode ser útil na medida em que for conhecendo os jogadores, mostrando como e por onde seguir. Esse estilo vai facilitar o processo.

   É uma tarefa complicada, mas imagino, desafiadora, praquele que se tornou o maior jogador do Grêmio. Ter a chance de treinar o time que o projetou, alcançar o objetivo, ver os gremistas felizes. Está começando uma nova etapa no Olímpico. Renato Gaúcho, ou Portaluppi não é nenhum salvador. É técnico, um pouco de bombeiro pra apagar o incêndio na Azenha. A partir do jogo com o Goiás, saberemos! 

Renato Portaluppi é o novo técnico do Grêmio

09 de agosto de 2010 21

De acordo com uma fonte ligada a nossa produção, Renato Portaluppi será anunciado como novo técnico do Grêmio, no final da tarde de hoje. O assessor Alberto Guerra está na bahia acertando os últimos detalhes do contrato. Aguardem !

ERA NECESSÁRIO TROCAR

08 de agosto de 2010 16

   O fim de semana dos gremistas termina com o grande ponto da interrogação na cabeça. O que vai ser do futuro do time? Quem vai comandar o futebol e a equipe dentro do campo? Tem salvação?

   Perguntas que começam a ganhar respostas a partir do acerto do presidente Duda Kroeff. Sim, o presidente acertou ao anunciar as demissões de Meira e Silas. O diretor, na concorrida entrevista sai por saber que já não havia mais como controlar, comandar o principal departamento do clube. Meira foi quem chancelou a contratação de Silas e imaginou que era preciso sair junto com seu comandado pra oxigenar o ambiente.

   Silas fez um bom primeiro semestre, é inegável. Ganhou o Gauchão, encarou o Santos na semifinal da Copa do Brasil. No Brasileirão, faltou a tal "liga". O que é estranho, soa ao menos, é o por quê da queda vertiginosa de produção do time quando do fim da Copa. Seriam só lesões, os cartões que desfalcaram a equipe e desmancharam a ideia de time e esquema que ele havia implantado e acertado? Não, óbvio que não. Tem mais coisa, certamente. Houve um grande desgaste na relação do treinador com o grupo. Silas já não conseguia fazer o grupo absorver suas ideias e convicções. Isso, sem contar os resultados. Estes, sintomáticos pra indicar que a qualquer instante ele poderia estar fora.

   Começa um período de especulações. Nomes que surgem e repercutem. Uns com respaldo, força. Outros com um quê de rejeição, negatividade. O presidente Kroeff terá que ser ágil, rápido e não errar. Novo fracasso pode ser determinante pra um final de ano pavoroso, pior do que está.

   Hora de ajeitar a casa. Era necessário trocar!

O FRACASSO QUE REERGUEU O INTER

07 de agosto de 2010 60

   O final de 2002 foi sintomático pros colorados. Ou bem permaneciam na primeira divisão, mesmo que contra todos os fatores, ou bem escapavam do vexame de um rebaixamento, às portas de terminar a temporada, tendo a chance de buscar algo melhor.

   Pois quis o destino que desse a segunda alternativa. O dramático confronto com o Paysandu, em Belém, a vitória de dois a um, o choro, o desabafo de Cláudio Duarte, técnico do time, agarrado a uma das traves do estádio, um sentimento de alívio coletivo, uma catarse imensa que salvou a pele do clube e colocou o Inter num outro prumo.

   Foi o último episódio de um triste sina. O que se viu a partir de Belém, foi uma arrancada fulminante. Sim, fulminante! Em oito anos, qual clube conseguiu as façanhas do Inter. E aqui não é nenhum comentário provido de cor, sentimento. São apenas os fatos que ilustram tal realidade.

   Nos anos de 2003 e 2004, o Inter ganhou o Gauchão. Fez o dever de casa, enquanto buscava sanear dívidas, angariar recursos. Em 2005, mais um Gauchão e um vice brasileiro, injusto, em função daquilo que envolveu a arbitragem brasileira. Um vice que rendeu o mundo!

   A temporada de 2006 foi a da glória. Inesquecível pros colorados! Libertadores, Mundial. Pronto, o Inter dava o chamado salto. Ingressava, quase que na casa dos cem anos, no nível dos maiores, das grandes conquistas. Do status e da representatividade que eles proporcionam. Houve uma pequena vacilada. Um certo ar de superioridade que se refletiu na eliminação da Libertadores, precocemente, em 2007. Logo corrigida com a conquista da Recopa naquele ano. Ainda com Alexandre Pato no time.

   Vem 2008 e o Inter fatura mais um título de expressão. Dá ao país a primeira taça da Copa Sul-Americana. Vence com autoridade o Estudiantes. Ah, ia esquecendo da Dubai Cup, diante da Inter de Milão. Dois mil e nove foi menos pomposo. Ano atípico nesta leva de comemorações dos vermelhos. O Inter foi vice do Brasileirão mais uma vez. E veio a Libertadores!

   O ciclo parece disposto a repertir-se. Finalista de Libertadores. Mais experiente, rodado, grupo tarimbado. De quebra, a vaga no Mundial de clubes, o segundo em quatro anos. Os cofres engordam. A marca Sport Club Internacional se expande. Os colorados festejam, com toda a justiça.

   E tudo começou naquele drama em Belém do Pará, quem diria!!

UMA SÃO PAULO CINZA ESPERA O INTER

04 de agosto de 2010 3

Nada demais na maior cidade do país. São Paulo mais uma vez nos recebe com aquilo que lhe é característico. Um trânsito absurdo, uma garoa fina, vento e temperatura de Rio Grande do Sul. A capital paulista que não pára, está pronta pra mais uma decisão envolvendo o time do Inter.

Estamos localizados próximos ao estádio do Morumbi. Região altamente enriquecida e que, de certa forma, direciona os caminhos da cidade. No trajeto entre Congonhas e o nosso hotel, além de estudar, meticulosamente, os dados de um GPS do carro, observei o entorno, algo que chamasse a atenção no que diz respeito a postura do torcedor tricolor. Observação em vão. Nada, zero! Nem camisa do São Paulo eu vi!

Esse torcedor anda desconfiado, bastante, aliás. Não vê uma equipe confiável a ponto de reverter o placar. Muitos reclamam, mas há, claro, os que apóiam. O treino da véspera vai indicar o que todos já estamos especulando. A presença de Cléber Santana no meio, o ingresso de Ricardo Oliveira com Fernandão e Dagoberto, formando um trio ofensivo, pronto pra atacar e ser atacado.

Roth testou todas as possibilidades. Corretíssimo. Não quer e nem pode ser surpreendido. Dar margem ao São Paulo num jogo como esse, nem de brincadeira!

Estou de saída pro hotel colorado. Lá, o início da nossa cobertura ampla que envolve todos os nossos telejornais, seja em RBSTV e TVCOM. Mas adianto. Será cinza a recepção ao Inter. Nada diferente daquilo que estamos acostumados por aqui.

PERSONAGENS

03 de agosto de 2010 2

   Na vida nos deparamos com situações variadas, diversificadas que nos colocam à prova na rotina diária. Assim como as situações, os personagens que nos cercam de forma direta e indireta também marcam. Alguns mais, outros com menos intensidade, mas marcam.

   Falo isso porque no futebol, especialmente no futebol, os personagens são fundamentais, protagonistas. E não importa em qual circunstância. Ela bem pode ser altamente positiva ou daquelas em que, mesmo com o fracasso, acaba tendo alguém como protagonista.

   Tinga, por exemplo. Um personagem emblemático neste Inter que vai ao Morumbi na quinta. A entrevista concedida pelo jogador, ontem, depois do treino, é daquelas pra se guardar, absorver. Tinga é um exemplo a ser seguido pelos demais. Os jovens, especialmente. A origem humilde, o começo promissor e vigoroso, lá em 97, sob a confiança de Hélio dos Anjos no Grêmio, ele não esquece. Nem deve! Tinga valoriza isso. Sabe que daqueles tempos de dificuldade, de uma vida cheia de obstáculos, veio a estabilidade, a consagração como jogador, como homem.

   Os anos de Europa e de Ásia, tornaram Tinga um cara talhado pra lidar com as oscilações na vida profissional e pessoal. Dentro de campo, não há quem questione sua importância tática. Não há quem questione sua liderança. Tem respeito e respaldo junto aos demais. O amadurecimento é algo natural. Tinga foi um dos grandes vitoriosos desse Inter que soube como chegar ao topo. Mesmo sem ter sido campeão mundial, voltou por acreditar que um novo projeto de ganhar o mundo está no caminho certo. Acredita que está em dívida com ele mesmo. Definiu o dia 17 de dezembro de 2006 como um dia angustiante, de aperto no peito, por não ter dado a volta olímpica no Japão com o grupo que foi, meses antes, campeão da América, com a ajuda fundamental dele.

   Tinga quer jogar um Mudial, acredita piamente nisso. Espera ser o mais rápido possível. De preferência ainda nesta temporada. Pra isso, tem a consciência, a maturidade de definir o jogo de quinta como difícil. Procura passar tranquilidade aos parceiros de time. Ele joga, é fato. Celso Roth conta com Tinga. Sabe que com ele, o meio se fortalece. O ataque se fortalece. Sim, Tinga não perdeu aquela característica de chegar na frente, de finalizar. No Morumbi, será o ideal. Contra atacar. Dar susto no São Paulo.

   Tinga, um dos tantos personagens do mundo da bola. Os colorados agradecem! 

FALTOU O GOL

02 de agosto de 2010 7

   Foi um GreNal em que Grêmio e Inter obtiveram vantagens, por mais contraditório que isso possa parecer, mesmo com o zero a zero no placar. O Grêmio saiu-se com a vantagem no quesito melhor em campo. Foi quem criou mais, obrigou o goleiro Renan a trabalhar mais, esteve mais perto de fazer o gol. O Inter, obteve a vantagem pelo fato de manter-se na zona de classificação à Libertadores e agora, direciona suas atenções pro confronto com o São Paulo.

   Silas tem um mérito nesta busca pela volta das vitórias. O esquema com três zagueiros está consolidado. Ontem, o trio anulou o ataque colorado e conseguiu estabelecer-se bem diante de uma ou outra investida. Talvez seja preciso corrigir alguma ansiedade, algo até natural em função da campanha ruim neste Campeonato Brasileiro. Ozéia é quem mais distoa. Tem chegado atrasado, comete muitas faltas, corre riscos. No meio, Douglas esteve presente. Taticamente correspondeu. Municiou os alas e o ataque com bastante fluência, fazendo a função específica que dele se espera. Mostrou empenho, até pra sair da polêmica da sexta quando disse que não correria, não marcaria, pra não se desgastar. Pro ataque, o momento ruim também condena. Borges, em outra ocasião, que não fosse essa de extrema pressão, e aquele gol tinha saído. Aquele do primeiro tempo. Vem aí, Copa Sul-Americana, prioridade no Olímpico. Jogo ruim em Goiânia, mas que pode recuperar o Grêmio. Só depende do time.

   No Inter, a Libertadores, o São Paulo, estava no pensamento colorado. Era notório. Por mais que se esforçasse, o time dava mostras de preservação. Não adianta. O GreNal, por conta do destino, acabou sendo um obstáculo em meio a decisão diante dos paulistas. Agora passou. Pro confronto no Morumbi, Roth tem algumas certezas. Uma delas. Sobis seguirá na reserva. Não tem ainda a desenvoltura necessária pra conquistar a titularidade. Contra ele, o fato de Taison ter recuperado o bom futebol. Quando ingressou no clássico, melhorou o time, fez o Inter atacar. Na defesa, Índio esteve abaixo dos demais. Lento, envolvido pelos homens de frente, não repetiu a atauação da quarta passada. Preservou-se, ou estava desgastado, num dia ruim?

   Vem aí o Morumbi, a Libertadores, o grande sonho dos colorados. Uma semana daquelas! Pena o zero a zero de ontem. Um GreNal, nunca merece esse placar. Fica pro próximo!