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Extração irregular de areia no Rio Jacuí é responsável pelo sumiço de mais de 100 praias nas últimas décadas

15 de janeiro de 2013 2

Durante quatro meses de investigação, a reportagem da Rádio Gaúcha e da RBS TV registrou 19 flagrantes de dragas, extraindo areia das margens ou de locais proibidos no Rio Jacuí, descumprindo as licenças de operação da Fepam. O crime ambiental, constatado na série “Império da Areia: a dragagem que mata o Rio Jacuí”, ocorre em áreas licenciadas e pode ser o responsável pelo sumiço de mais de 100 praias nas últimas décadas.

Como o Rio Jacuí virou “terra de ninguém”

Em desacordo com as licenças de operação emitidas pela Fepam, que restringem horários, locais de extração do minério e distância mínima de 50m das margens, as dragas trabalham a todo vapor durante a noite em Charqueadas. A Fepam não tem um ecobatímetro, equipamento capaz de medir a profundidade do rio, nem pessoal suficiente, portanto, não fiscaliza de forma adequada, ou seja, libera licenças sem a certeza dos impactos que a mineração causa no leito e até mesmo no delta, local onde é expressamente proibida. O Jacuí, rio com mais 800 quilômetros de extensão virou “terra de ninguém”.

A posição das mineradoras em relação à extração irregular

Percorrer o Rio Jacuí de lancha na companhia da Polícia impede qualquer flagrante de extração irregular de areia. Basta o barco entrar na água. É através do rádio comunicador que fiscais das mineradoras avisam uns aos outros que a Polícia está próxima. Mesmo assim, o trabalho para cobrir o crime ambiental segue com a Operação Delta Jacuí. Embarcações são flagradas em operação irregular em apenas 160 dos 800 quilômetros de extensão do Rio Jacuí. Na Ilha dos Dornelles, entre Triunfo e Charqueadas, um fiscal se aproxima e fotografa a equipe. O dono da ilha, Seu Antônio, já foi vítima da truculência dos olheiros que vigiam a área.

Os estragos causados pela ação ilegal

Depois dos flagras, os repórteres Fábio Almeida, da RBS TV, e Renata Colombo, da Rádio Gaúcha, comentam o trabalho por trás da série de reportagens, que trouxe denúncias de empresas de extração irregular de areia no Rio Jacuí.

Liberação do Guaíba para mineração é apontada como alternativa ao esgotamento do rio, mas pode ser também um grande perigo

É do Rio Jacuí que vem metade do volume de areia usado pela construção civil do Estado. No Vale Verde, a mata ciliar já se foi. Árvores na horizontal penduradas no barranco denunciam a degradação e compõem uma paisagem triste, porém comum. A areia é matéria-prima condicionante para o desenvolvimento da sociedade. Sem ela, não há moradias, estradas, hospitais, escolas. Se o Jacuí já contribuiu com o que podia, será preciso extrair de algum lugar. A maioria das mineradoras defende a abertura do lago Guaíba para a extração de areia, mas, para isso, o órgão ambiental precisa fazer um zoneamento da bacia que ainda nem começou. Da mesma forma, a Justiça Federal já determinou o zoneamento do Jacuí, que nunca foi feito. Uma ação pública tramita há sete anos pedindo que pare com a mineração no local.

Fepam anuncia alternativas para ampliar controle sobre mineradoras

O presidente da Fepam, Carlos Fernando Niedersberg, anunciou duas medidas para as empresas mineradoras que atuam no Rio Jacuí. Entre elas, a ampliação das restrições em relação a distância das margens ou que as empresas banquem o rastreamento, aumentando a área de monitoramento. A série, no entanto, comprovou que o sistema existente hoje em atividade, via GPS, não tem condições de monitorar a distância das margens.

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Reportagem e edição de Fábio Almeida e Renata Colombo.

Comentários (2)

  • Agabritas insiste em defender que o rastreamento da extração de areia funciona | Últimas Notícias diz: 18 de janeiro de 2013

    [...] quatro meses de investigação, a reportagem registrou 19 flagrantes de dragas, extraindo areia das margens ou de locais proibidos [...]

  • Agabritas insiste em defender que o rastreamento da extração de areia funciona | Últimas Notícias diz: 18 de janeiro de 2013

    [...] quatro meses de investigação, a reportagem registrou 19 flagrantes de dragas, extraindo areia das margens ou de locais proibidos [...]

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