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Minhas primeiras eleições

09 de julho de 2012 0

Alceu Collares comemora vitória nas eleições municipais de 1985. Foto: Loir Gonçalves, BD

Por Rosane de Oliveira

Depois de um tempo, é comum esquecer o candidato em quem votamos para deputado ou vereador, mas da primeira cobertura eleitoral um jornalista nunca esquece. Por certo, quem concorre também nunca esquece sua primeira eleição, ganhando ou perdendo. Nem quem vota.

Porque eleição é sinônimo de histórias interessantes, resolvemos criar uma seção de memória das urnas na cobertura deste ano. O jornalista Eduardo Nunes será o responsável por reunir causos eleitorais, materiais de antigas campanhas, jingles, fotos, filmes, depoimentos. Você, leitor, está convidado a participar dessa seção, como protagonista ou como testemunha.

O meu baú de lembranças profissionais guarda nos detalhes a memória da eleição de 1985, quando Alceu Collares se elegeu prefeito de Porto Alegre pelo PDT. Foi a primeira em que trabalhei como jornalista. Uma eleição relativamente simples, solteira, produto da redemocratização que devolvia o voto direto às capitais antes governadas por interventores.

Repórter da Rádio Pampa, fui escalada para acompanhar a contagem de votos no Partenon Tênis Clube.

Ainda estávamos no século XX, a milhares de anos-luz da urna eletrônica que revolucionaria a apuração. A apuração de uma eleição estadual chegava a durar uma semana. Mesmo numa eleição simples como aquela, era preciso contar voto por voto, preencher o boletim de urna, encaminhar os mapas para o TRE. Algumas juntas apuradoras começavam a contagem no dia da eleição mesmo. Outras só abriam as primeiras urnas na manhã seguinte.

Era uma tarde de calor infernal. A junta de apuração, instalada no segundo andar, suava em bicas, cercada de fiscais — e de repórteres credenciados como fiscais de partidos nanicos para ter acesso ao reservado onde se podia acompanhar a operação. O calor não era minha maior preocupação. Era o medo de, numa entrada ao vivo, errar o nome do juiz  Léo Afonso Einloft Pereira, o único que parecia não suar nem perder a calma no meio daquela balbúrdia. Sobrevivi e estou na minha 16ª cobertura eleitoral, 11 delas no Grupo RBS — sem contar o plebiscito sobre sistema de governo.

Como uma história puxa a outra, recordo meu primeiro título — aquele com foto, preenchido numa máquina Olivetti ou Facit, e quadradinhos no verso para o mesário carimbar a cada eleição. E o meu primeiro voto, na eleição de 1982, mas, por princípio, não posso dizer em quem. E o primeiro jingle, que só não vou cantar em vídeo porque desafino até no "Parabéns". Dois, na verdade, dos únicos partidos existentes no Brasil dos anos 70: "Arena é o ingresso/ na vida moderna/ Arena é o progresso/ Arena/ Arena/ Arena". E o do MDB, partido dos que não compactuavam com o regime militar: "MDB, MDB, MDB/ O povo agora vota todo com você". Lembro com clareza de ouvir no rádio a voz de trovão do locutor citando os dois candidatos do MDB ao Senado, estendendo as sílabas para reforçar a entonação — Paulo Brossard de Souza Pinto e Geraldo Brochado da Rocha.

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