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Posts de julho 2012

Um jingle que ficou na história

15 de julho de 2012 0

Alguns jingles de campanha sobrevivem aos poucos meses de disputa eleitoral e ficam na memória dos eleitores, para sempre indissociáveis do imaginário do momento político em que foram compostos e tantas vezes executados.

Um desses hinos é o jingle da campanha de Aldo Pinto nas eleições de 1986. O candidato não venceu a disputa pelo Piratini, mas a música ganhou os corações de muitos eleitores.

Na sexta-feira, a colunista Rosane de Oliveira reuniu, na redação de ZH, Aldo Pinto e o músico Hermes Aquino, o autor do jingle. Confira o vídeo do encontro, apresentado pela jornalista Letícia Duarte:

Galinhada eleitoral

12 de julho de 2012 0

Cláudio Brito acompanhou diversas eleições como jornalista e como promotor (Foto: Genaro Joner/BD)

Grande parte dos causos inusitados de pleitos eleitorais do passado retratam situações acontecidas depois das eleições propriamente ditas - em especial no tempo em que as urnas eram de lona e os votos eram registrados em cédulas de papel.

Cláudio Brito, um veterano da imprensa que também fez carreira como promotor, diz ter presenciado diversos fatos dignos de menção em suas décadas de atuação eleitoral pelo Ministério Público. Um deles ocorreu justamente na sua primeira eleição como promotor eleitoral.

Era 15 de novembro de 1982 e os gaúchos votavam na primeira eleição direta para governador desde o golpe militar de 1964. Brito trabalhava como promotor de Justiça em Arroio do Meio, no Vale do Taquari, e atuou no pleito como promotor eleitoral de Arroio do Meio e Estrela.

Depois de encerrada a votação, no começo da noite, Brito, o juiz eleitoral Aramis Nassif, fiscais e demais membros da equipe de trabalho aguardavam, na sede da Soges (Sociedade Ginástica Estrela), a chegada das urnas. E uma urna não chegou.

— Era a urna de uma seção no interior do município, próximo a Cruzeiro do Sul — recorda o ex-promotor eleitoral.

Acompanhado de uma guarnição da Brigada Militar, Brito, o juiz Nassif e um escrivão foram até o distrito em busca da urna desaparecida. Depois das 22h, ao chegar à casa do presidente da seção, os membros da "expedição de resgate" encontraram presidente, secretário e mesários sentados em torno de uma mesa comendo uma galinhada. Em um canto, repousava a urna lacrada, junto aos documentos oficiais.

— Dissemos: "E aí, meu amigo? E a urna? Estamos só esperando pela urna de vocês lá no ginásio" — conta Brito.

O presidente, pego de surpresa, respondeu:

— Ué, doutor, hoje é feriado. Recolhi o material, viemos jantar e amanhã, quando for o expediente normal do fórum, vou lá levar.

O desfecho: tudo acabou em clima de confraternização. Brito e o juiz sentaram-se ao lado da equipe eleitoral do distrito e jantaram antes de voltar à Soges com os votos da seção.

Era uma galinhada maravilhosa, um arroz com galinha muito bem feito. Não houve registro de ocorrência, nada. Tratamos tudo com muito bom senso. A urna foi levada e no dia seguinte foi escrutinada. Não havia qualquer maldade, pelo contrário. Havia pureza e ingenuidade, de um outro tempo e um outro lugar — lembra o ex-promotor, saudoso.

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O poder de um voto ou dois

10 de julho de 2012 15

Ana Helena e João Carlos nos anos 70, quando ainda eram estudantes,  e atualmente (Fotos: Arquivo pessoal)

Que diferença podem fazer os votos de duas pessoas em um universo de mais de 30 mil eleitores? Para o casal de médicos João Carlos Stona Heberle e Ana Helena Schmidt Heberle, de Cruz Alta, muita diferença.

Em 1976, quando ainda eram namorados e estudantes de medicina, eles saíram de Porto Alegre, onde moravam, e viajaram cerca de 350 quilômetros apenas para votar na cidade onde viviam suas famílias. E ajudaram a decidir as eleições.

O Brasil vivia um período de ditadura militar, de repressão política, e a militância contra o regime podia acabar em prisão. Votar nas eleições podia ser encarado como um meio menos perigoso de engajamento.

— Como a gente tinha medo de ir pra diretório acadêmico, de se reunir, de fazer passeata, o voto era o nosso ato de protesto — lembra João Carlos.

Além disso, havia outro forte motivo para que o casal não abrisse mão de votar no pleito de 1976. Um dos candidatos à prefeitura de Cruz Alta era o pai de Ana Helena, o também médico Carlos Pompílio Schmidt.

Naquela época, o regime permitia a existência de apenas dois partidos: a Aliança Renovadora Nacional (Arena), identificada com os militares, e o Movimento Democrático Brasileiro (MDB), que congregava todos os matizes de oposição à ditadura.

Nas eleições municipais, cada legenda podia apresentar mais de um candidato (as chamadas sublegendas). Em 1976, a Arena teve três candidatos em Cruz Alta e o MDB, dois — um deles era o Dr. Schmidt.

A ata do Tribunal Regional Eleitoral revela que, dos 31.466 eleitores aptos a votar no município em 1976, um total de 27.351 compareceu às urnas naquele 15 de novembro. O MDB teve 13.378 votos na eleição majoritária e a Arena, 12.486. Isso significava que o prefeito seria do MDB, ainda que o nome mais votado (o candidato Fernando Machado Vieira, que recebeu 9.612 votos) fosse da Arena.

A contagem das cédulas de papel apontou a vitória de Schmidt sobre Nilton Paulo Homercher, também do MDB, por apenas dois votos de diferença. Foi pedida uma recontagem e o resultado se repetiu: 6.738 votos para Schmidt e 6.736 para Homercher.

Ata do TRE registra as votações dos candidatos. Clique aqui para ler a íntegra do documento

Carlos Pompílio Schmidt assumiu a prefeitura de Cruz Alta em 1977 e acabou governando até 1983, devido a uma emenda constitucional de 1980 que estendeu os mandatos dos prefeitos. Chegou a concorrer de novo no município, mas não saiu vitorioso. Morreu em 2004.

O seu genro João Carlos lembra, saudoso, de como a eleição vencida por dois votos entrou para o folclore da família.

— A gente gozava dele, dizendo que, se não tivéssemos ido a Cruz Alta votar, ele não teria sido prefeito — brinca o médico.


Carlos Schmidt, no tempo em que governava Cruz Alta (Foto: Arquivo pessoal)

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Minhas primeiras eleições

09 de julho de 2012 0

Alceu Collares comemora vitória nas eleições municipais de 1985. Foto: Loir Gonçalves, BD

Por Rosane de Oliveira

Depois de um tempo, é comum esquecer o candidato em quem votamos para deputado ou vereador, mas da primeira cobertura eleitoral um jornalista nunca esquece. Por certo, quem concorre também nunca esquece sua primeira eleição, ganhando ou perdendo. Nem quem vota.

Porque eleição é sinônimo de histórias interessantes, resolvemos criar uma seção de memória das urnas na cobertura deste ano. O jornalista Eduardo Nunes será o responsável por reunir causos eleitorais, materiais de antigas campanhas, jingles, fotos, filmes, depoimentos. Você, leitor, está convidado a participar dessa seção, como protagonista ou como testemunha.

O meu baú de lembranças profissionais guarda nos detalhes a memória da eleição de 1985, quando Alceu Collares se elegeu prefeito de Porto Alegre pelo PDT. Foi a primeira em que trabalhei como jornalista. Uma eleição relativamente simples, solteira, produto da redemocratização que devolvia o voto direto às capitais antes governadas por interventores.

Repórter da Rádio Pampa, fui escalada para acompanhar a contagem de votos no Partenon Tênis Clube.

Ainda estávamos no século XX, a milhares de anos-luz da urna eletrônica que revolucionaria a apuração. A apuração de uma eleição estadual chegava a durar uma semana. Mesmo numa eleição simples como aquela, era preciso contar voto por voto, preencher o boletim de urna, encaminhar os mapas para o TRE. Algumas juntas apuradoras começavam a contagem no dia da eleição mesmo. Outras só abriam as primeiras urnas na manhã seguinte.

Era uma tarde de calor infernal. A junta de apuração, instalada no segundo andar, suava em bicas, cercada de fiscais — e de repórteres credenciados como fiscais de partidos nanicos para ter acesso ao reservado onde se podia acompanhar a operação. O calor não era minha maior preocupação. Era o medo de, numa entrada ao vivo, errar o nome do juiz  Léo Afonso Einloft Pereira, o único que parecia não suar nem perder a calma no meio daquela balbúrdia. Sobrevivi e estou na minha 16ª cobertura eleitoral, 11 delas no Grupo RBS — sem contar o plebiscito sobre sistema de governo.

Como uma história puxa a outra, recordo meu primeiro título — aquele com foto, preenchido numa máquina Olivetti ou Facit, e quadradinhos no verso para o mesário carimbar a cada eleição. E o meu primeiro voto, na eleição de 1982, mas, por princípio, não posso dizer em quem. E o primeiro jingle, que só não vou cantar em vídeo porque desafino até no "Parabéns". Dois, na verdade, dos únicos partidos existentes no Brasil dos anos 70: "Arena é o ingresso/ na vida moderna/ Arena é o progresso/ Arena/ Arena/ Arena". E o do MDB, partido dos que não compactuavam com o regime militar: "MDB, MDB, MDB/ O povo agora vota todo com você". Lembro com clareza de ouvir no rádio a voz de trovão do locutor citando os dois candidatos do MDB ao Senado, estendendo as sílabas para reforçar a entonação — Paulo Brossard de Souza Pinto e Geraldo Brochado da Rocha.